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Sobre o manifesto (8)

por Pedro Correia, em 21.03.14

Tem sido gabado o mérito das propostas do chamado manifesto dos 70 no plano económico-financeiro ou da cidadania, por vezes com frases que surpreendem pela grandiloquência: chega a haver quem ache que este documento constitui a prova viva de que estamos "condenados à liberdade".

Mas será assim?

Entendamo-nos: nada do que nele vem expresso, no plano económico, é original. Pouco se concretiza -- e, desse pouco, quase nada depende dos decisores nacionais. O Economista Português destaca a "fraqueza das propostas construtivas" do manifesto. Exemplo: "O texto sobre a competitividade é um selecto acervo de lugares-comuns desprovidos de operacionalidade". Enquanto o insuspeito Jorge Bateira, no jornal i, considera a que a proposta dos signatários "assenta em dois pilares muito frágeis: a viabilidade política da renegociação das dívidas na União Europeia e a capacidade de crescimento da economia portuguesa com os instrumentos de política de uma região autónoma, sob tutela do Tratado Orçamental".

 


Mais: "Como é que é possível que este manifesto escamoteie totalmente todos os custos associados a uma reestruturação da dívida, apresentando-lhe apenas os benefícios? Como é possível fazer escolhas informadas só com a metade boa da informação?" Interrogações de Pedro Braz Teixeira (também em artigo no jornal i), cuja perplexidade partilho.
Facto inegável: o manifesto passa praticamente ao lado do problema fulcral da economia portuguesa, que é o crescimento. E de outro, que se tornou iniludível e em grande parte se relaciona com o primeiro: a necessidade de conter a espiral da despesa pública. Nos últimos cem anos, a nossa década de menor crescimento foi precisamente a primeira do século XXI, quando continuávamos a receber fundos estruturais no âmbito do quadro comunitário de apoio.
Isto significa que o mal já vem de longe e não pode ser solucionado, no todo ou em parte, com as receitas que nos trouxeram aqui. Receitas que nos conduzem não aos três D de 1974 mas aos três D de 2014: despesa, dívida e défice.

 


De qualquer modo, o manifesto é relevante do ponto de vista político. Não por trazer a assinatura de algumas personalidades de direita, aliás quase todas comprometidas com as políticas que conduziram Portugal à presente situação, mas por incluir personalidades de grande peso político situadas à esquerda do PS. Com destaque para Francisco Louçã e Fernando Rosas, que descolam das habituais posições de trincheira dessa área política para um singular aggiornamento, indiciando estar enfim algo a mover-se na esquerda portuguesa rumo a soluções governativas de futuro. Sem necessidade sequer do recém-nascido partido Livre para desempenhar essa missão.
Isto mesmo foi intuído por Francisco Assis, com notável sentido premonitório, no seu texto de ontem no Público.
"O que é estranho não é a assinatura desses homens e dessas mulheres oriundos da direita -- é, pelo contrário, a adesão de um dirigente histórico do Bloco de Esquerda [Louçã]. Esse acontecimento tem um grande significado. É possível uma política diferente", escreve o cabeça de lista do PS às eleições europeias.
Degelo à vista na esquerda, pondo fim a um dos principais bloqueios da política portuguesa? Se o manifesto servir para isto, já terá utilidade. O resto é sobretudo folclore político-mediático, algo em que manifestamente o País não sofre de qualquer défice.


28 comentários

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De Sessenta e Nove Mais Um a 21.03.2014 às 22:20

Já lá disse (entre outras coisas) MRS:

«Marcelo Rebelo de Sousa considerou este domingo que o Manifesto dos 70, que defende a renegociação da dívida pública portuguesa, tem “dois pecados capitais”. O principal é não explicar o que é que se faz a seguir: “O documento tem tudo menos o essencial: qual é a estratégia a seguir? Qualquer credor, para aceitar renegociar a dívida, o que pergunta é o que é que vão fazer a seguir”. E o texto não dá resposta, concluiu Marcelo, que falava no espaço de comentário semanal na TVI.

Por outro lado, sublinhou o comentador, a dívida pública - sendo uma questão que afecta também outros países - é um “problema que a Europa vai ter que tratar”. Mas achar que Portugal terá prioridade é “criar expectativas que não poderão ser satisfeitas”.»

(jornal i)
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De Pedro Correia a 22.03.2014 às 00:02

Alguns sustentam que os alemães, os franceses, os finlandeses e os holandeses é que têm a obrigação de pagar a nossa dívida. Acreditar que isso acontecerá - e fazer depender a resolução dos nossos problemas dessa crença cega - é algo que se abeira do suicídio.
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De 69 + 1 a 22.03.2014 às 08:57

E se, por qualquer razão, um dos 70 signatários não tivesse signatado e o documento fosse conhecido pelo "Manifesto dos 69"? Não é Carnaval, todos iam levar a mal...
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De Pedro Correia a 22.03.2014 às 12:11

"Curioso número", como diria um ex-presidente da Assembleia da República.
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De am a 21.03.2014 às 22:24

A verdadeira "Restruturação" e Reconsrução de Portugal devia ter começado no dia 26 de Abril de 1974 ...
A partir dessa data deixamos de ser "sustentáveis... Acabou o 3º país produtor e exportador de café -- 4º de algodão... diamantes, petróleo, gás natural, etc etc etc.

Quem passar por aquela" igrejinha " que fica junto à C. M. Lisboa, onde o BP guarda 300 e tal toneladas de ouro... sente o cheirinho a Colonias! Vendam-no !

O resto é balela... passamos a ser um pais subsídio-dependente!
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De Pedro Correia a 22.03.2014 às 00:14

Esse enquadramento histórico, que precedeu a globalização, ajuda a explicar os notáveis índices de crescimento - e a sustentação do chamado Estado Social nos 30 anos subsequentes à II Guerra Mundial. Mercados coloniais, matérias-primas baratas, petróleo a bom preço, taxa de natalidade muito elevada, proteccionismo industrial, restrições à circulação de produtos, pessoas e bens.
Tudo isso terminou. Fomos os últimos a fazer cair o pano com o fim do nosso império. As três décadas seguintes caracterizaram-se pela inversão de todos os dados que enunciei atrás. E, portanto, pela atrofia europeia enquanto as restantes regiões do globo registavam índices de prosperidade jamais alcançados.
Alguns que tanto defenderam a globalização - a quebra de fronteiras e barreiras - sentem-se agora vítimas delas e pretendem regressar ao quadro anterior. Que é impossível. Não há colónias como mercado de escoamento de bens manufacturados e fonte de matérias-primas baratas. Nem petróleo a preços reduzidos. Nem restrições à circulação de pessoas e capitais. Nem filhos em número suficiente. Nem pode haver, por tudo isto, o Estado Social que houve em tempos anteriores.
Não se pode nunca ter o melhor de dois mundos.
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De Vento a 23.03.2014 às 11:52

Meu caro Pedro,

que estado social preconiza? Quais os moldes e seus propósitos?

O que me surpreende nas afirmações, e na implementação de políticas, em torno desta matéria é o facto de o estado social não poder existir nestes ditos moldes mas poder existir através do seguro social privado que já deu provas, nas suas políticas de gestão, de ser incapaz de garantir a segurança daqueles que lhes confiam verbas.

Mas mais ainda, preconiza-se este sistema, o do seguro social privado, ao mesmo tempo que se exige um estado social para segurar supostamente os depósitos bancários, sem nunca saber em concreto que depósitos é que se pretende segurar.

Aproveito também, como vem sendo hábito, pra deixar aqui um link sobre a aparição com a mensagem anual da Senhora, que ocorreu no dia 18-04-2013:

http://www.medjugorjebrasil.com/?cat=artigos&id=1405

Sabe, Pedro, quando pediram a Jesus que mandasse calar seus discípulos a resposta d´Ele foi: "Se eles se calarem gritarão as pedras".
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De Vento a 23.03.2014 às 21:50

Pedro,

quero apresentar-lhe as minhas sinceras desculpas. A última parte do meu comentário foi um momento infeliz.

Para o compensar do transtorno causado por este momento injusto, permita que lhe leve alguns momentos de beleza. Quiçá não queira postar no seu roteiro (?):

http://fama.sapo.pt/fotogaleria/brasil-elege-a-gata-do-mundial/3

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De Vento a 23.03.2014 às 23:20

Pedro,
na dúvida sobre se terei explicado a razão do meu pedido de desculpa, quero agora acrescentar este comentário ao anterior:

Coma à hora em que escrevi esse comentário verifiquei que não tinha publicado um outro comentário meu em resposta ao lucky, e pensando que por qualquer razão, que considerava não existir motivo, me tinha cortado a oportunidade de responder ao mesmo, senti que me tinha calado a voz. Por este motivo escrevi, precipitadamente, essa frase.

Posteriormente, verificando que ambos comentários tinham sido publicados, senti que tinha sido injusto para consigo.

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De Pedro Correia a 26.03.2014 às 14:48

Meu caro:

Como qualquer leitor atento deste blogue sabe, aqui não se calam vozes nem réplicas - alguma excepção haverá, mas sempre num caso raro de injúria ou grosseria que não afecta a orientação geral.
E muito menos se calaria a sua, que merece toda a consideração.

Acontece apenas que nem sempre tenho disponibilidade para libertar comentários, que aqui estão sempre sujeitos à apreciação prévia dos autores dos textos. E é menor ainda a minha disponibilidade para responder a todos os comentários, que felizmente são muitos.
A resposta pode tardar, no entanto, mas não falha. E aqui está, com a disponibilidade que me foi possível, o esclarecimento que senti dever-lhe neste caso.
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De Vento a 21.03.2014 às 23:29

1 - Muito bem, parece-me que se pretende discutir a originalidade do Manifesto e não a necessidade subjacente ao mesmo. Se quisermos entrar pela originalidade devemos chamar à colação as advertências de Francisco Louçã no momento anterior à assinatura do dito apoio que, qual visionário, alertou, contra tudo e todos, para o desfecho que hoje conhecemos destas políticas ditas de ajustamento, quer no que refere ao pagamento da dívida quer ao estrangulamento da economia. Aliás, nesta perspectiva histórica, não é Louçã que subscreve o Manifesto, mas deve ser considerado, por antecipação, o seu autor. Só neste particular estou em desacordo com o artigo de opinião de Francisco Assis.

2 - Mais, "O Economista Português" labora em torno de conjecturas externas ao sentido do documento, parecendo-me que por vezes se esquece que a dívida é nossa e não da Finlândia e de outros mais. Como tal é a nós que nos compete a iniciativa face ao quadro sobejamente conhecido da impossibilidade de a pagar com o quadro económico em que nos pautamos. Atrevo-me até a referir que mesmo que o crescimento económico na UE e fora dela indicasse excelentes melhorias não temos tecido produtivo para percorrer esses caminhos e sairmos destas amarras.

3 - Por outro lado, convém recordar que os fundos estruturais que Portugal tem vindo a receber tinham como objectivo primário o uso que lhes foi dado, isto é, o betão. E a UE sabia qual o índice de nossa dívida assim como tinha conhecimento do nossa fraca produtividade que não passava por essa falácia de fracas qualificações dos trabalhadores (ainda que muito pudesse ser melhorado) mas pela ausência do tecido empresarial sólido e com visão que a própria União patrocinava, dando lugar a Portugal como "sociedade" de consumidores quer dos bens industriais e agrícolas quer das transacções financeiras que ela mesma promovia. Escamotear esta questão é estar a deitar água para um terreno que se encontra alagado e que se manterá estéril por esta mesma razão.

4 - Usar comparações sobre o crescimento da economia portuguesa em determinado períodos históricos não passa de uma mera vaidade académica que tenta incorporar substância ao que não existe. De maneira que a política dos três dês - Despesa , Dívida e Défice - nada mais é que usar um papel vistoso numa caixa que não contém o presente (objecto de oferta). E é deste engano que devemos sair. E a prova do que afirmo é revelado pelo facto de depois de tanta despesa reduzida e aumento de proveitos via impostos ser necessário continuar a fazê-lo para se chegar à conclusão que o Adamastor não é o excesso de estado mas da privatização do Estado, isto é, dos benefícios de que vivem empresas e outros sectores que sugam a pouca riqueza produzida, e a que se podia produzir, e que para ela pouco contribuem. Se necessário for, caso não entendam, exemplificarei.

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De Pedro Correia a 22.03.2014 às 00:05

Percebo perfeitamente o seu ponto de vista e não discordo do essencial, Vento. Mas os exemplos são sempre úteis para que outros possam entender melhor.
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De Vento a 22.03.2014 às 01:08

De uam forma rápida, Pedro.

http://www.publico.pt/economia/noticia/relatorio-da-comissao-das-ppp-arrasa-socrates-regulador-e-gestao-da-estradas-de-portugal-1597609

http://www.publico.pt/economia/noticia/ppp-rodoviarias-acumularam-defice-de-432-milhoes-ate-setembro-1627549

http://www.publico.pt/economia/noticia/aepsa-diz-que-ja-tinha-alertado-para-problemas-nas-concessoes-de-agua-1626614

http://www.publico.pt/economia/noticia/maioria-das-concessoes-de-agua-a-privados-obriga-camaras-a-suportar-as-quebras-no-consumo-1626508

http://www.publico.pt/economia/noticia/municipios-da-amarsul-questionam-constitucionalidade-da-privatizacao-da-egf-1629240

http://www.publico.pt/economia/noticia/regulador-alerta-que-maioria-das-concessoes-e-anterior-a-existencia-de-regras-claras-na-partilha-de-riscos-1626637

Espero que ninguém se sinta mal com dados de estudos elaborados por entidades idóneas ainda que publicados pela esquerda:
http://www.esquerda.net/dossier/quem-ganha-com-parcerias-p%C3%BAblico-privadas/27117

Remeto também para matéria de swaps que parecem estar esquecidos, mas também para as rendas pagas, e refiro-me naturalmente ao valor pago pelo serviço de cobrança da taxa audio-visual (4,7 milhões).

Não refiro o valor de juros, repito juros (taxa média, repito média, 4%) cobrados pelo empréstimo feito a Portugal, dos quais doze mil milhões para ajudar a banca, que em 2011 tinham sido contabilizados pelo montante de 34.400 mil milhões. E não faz parte deste argumento a situação do BPN e BPP que beneficiou também toda a banca e agravou a nossa condição.

E por último, de todas as estruturas existentes, e suportadas por toda uma nação, será que já foi contabilizado o que o Estado deixou de receber com a alienação de património (EDP, PT, GALP, CTT...)?
É isto que é considerado investimento? Mudar de mãos as empresas lucrativas?

Em suma, quanto cresceu a economia depois que as privatizações ocorreram?

Se tudo isto for considerado produtivo, tenho a certeza que todos compreendemos a razão de tão grande produtividade que a nação não carece.
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De William Wallace a 22.03.2014 às 08:19

Acho que o Pedro Correia ainda não percebeu , é melhor dar mais uns exemplos ?!

Em termos económicos Portugal está estrangulado por monopólios no sector energético , bens e serviços e no futuro agro-pecuário e depois existe o oligopólio da banca dita privada mas se for feita uma análise concreta aos proventos da banca verifica-se que os mesmos provém de negócios em que o Estado é o maior contribuidor liquido.

Portugal é um país pequeno em que não existe competitividade pelos factores que nomeei acima, além de que os serviços do estado que pomposamente se designa de estado social (Educação / Saúde) estão a ser retalhados em pequenas PPP ficando o Estado com os custos e os privados com os lucros , ora isto tem de parar imediatamente e ser revertido em 3 a 5 anos.

As PPP devem ser todas nacionalizadas a 51% , assim como a EDP , a GALP ,CTT, PT, Brisa e estruturas aeroportuárias pois não existe concorrência e sendo assim mais vale permanecerem em mãos do estado mas com regras de gestão privada. Quanto á banca não é preciso fazer nada pois ainda existe a CGD que ajuda a regular o mercado e a única alteração seria baixar os salários e benefícios dos quadros superiores para níveis muito mais próximos do mero gerente de agência pois hoje se existe sector competitivo é do mercado de trabalho e as pessoas aprenderam que nem o que reluz é ouro.

A regulação do comércio em grandes superfícies deveria ser diferente da do pequeno comércio sendo que os hipermercados deveriam ser fortemente vigiados e sobretudo Punidos sobre as práticas abusivas que impõem aos fornecedores, clientes e trabalhadores.

A nível agro-pecuário e pescas deveriam promovidas politicas de produção extensiva e na medida do possível fortemente ecológica , não deveria ser permitido a construção de imóveis ou campos de golfe em zonas que poderiam gerar retorno agrícola e não puramente especulativo.

Hoje a reforma do estado é muitos mais fácil de fazer graças ás novas tecnologias , qualquer cidadão* * tem acesso á internet e as plataformas de EGov deveriam ter as funcionalidades e eficiência de uma loja on-line moderna, rápida e eficaz.
Deveria reduzir-se drasticamente o números de câmaras municipais agregando serviços e fazendo economias de escala , as juntas de freguesia urbanas ou dentro de um perímetro urbanos de 15 a 20Km serem todas extintas e não as juntas de freguesia do interior que essas sim prestam grandes serviços ás populações mais idosas* * e que estão longe dos grandes centos urbanos que caso não saibam alguns jotas e outros menos jotas também são Portugueses.

Os concursos para acesso a contratos e empregos no Estado devem deixar de ser feitos pelas pelas pequenas estruturas locais câmaras , juntas , escolas , centos de saúde , hospitais) e terem um dimensão nacional semelhante ao acesso ao Ensino Superior.

A justiça tem de ser simplificada e para isto as leis tem de ser fáceis de compreender para o cidadão* com instrução obrigatória e os expedientes dilatórios eliminados pois esses só favorecem quem os pode pagar e se o faz é porque compensa. A 1ª lei a ser aprovada de imediato seria : os crimes e ou similares não prescrevem com retroactivos de 20 anos.

Eliminar empresas publicas em que o Privado faça melhor mas que não beneficie de ajudas do Estado para esse efeito (Ex. RTP) , deixar de subsidiar fundações especialmente as que foram criadas nos últimos 15 anos que o foram exactamente para poderem ser mais uma forma de fugir aos impostos , eliminar organismos públicos inúteis que só geram custos e burocracias.
Limitar a quantidade de cargos que podem existir através de nomeação politica a um mínimo indispensável , um ex. se alguém ganha uma eleição para uma câmara já lá terá trabalhadores (certo) logo não irá precisar de chefes de gabinete ou afins e é aí que se geram os bons exemplos.

Só existe um caminho , é arrebatar a Alma Portuguesa governando com bons exemplos e eu aprendi que o exemplo vem de cima ou que nesta altura em vez de irmos buscar as maçãs ao cesto teremos de ir busca-las directamente á árvore.

E assim talvez possamos crescer o suficiente para irmos pagando as nossas obrigações com o exterior sem destruir Portugal e os Portugueses.

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De Pedro Correia a 22.03.2014 às 12:25

Não percebo, William Wallace.
Você critica duramente os titulares do poder do Estado (PR, Governo, parlamento). Mas recomenda, como solução, mais e maior Estado.
Como se o Estado, por varinha de condão, passasse a ser liderado por anjos. E todos os demónios pertencessem ao sector privado.
Aqui divergimos. Você crê no Estado como parte da solução: você parece acreditar sinceramente que Portugal alcançaria sucessivos patamares de progresso com novas camadas de estatização, com uma nova onda de nacionalizações (e porque não também as telecomunicações? E porque não também os órgãos de informação? E porque não a importantíssima indústria do calçado e o sector do abastecimento alimentar, que é vital, e porque não as principais unidades hoteleiras num país que tanto depende das receitas turísticas?).
Eu aponto o Estado não como parte da solução mas como parte do problema. Quero um Estado supervisor, não um Estado motor da economia: esta receita já provou em todo o lado, incluindo em Portugal, que dá asneira e traz miséria. E muito menos quero um Estado a distribuir o que não há. Porque aí condena à pobreza não apenas as gerações presentes mas as gerações futuras.
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De William Wallace a 22.03.2014 às 15:28

Tem razão , esqueci-me das telecomunicações !
Obviamente você faz um exercício fácil , a treta do menos estado / melhor estado , enquanto que o que eu digo é simples , se existem monopólios privados mais vale que eles estejam na mão do Estado que somos todos nós e que os proventos deles gerados revertam para nós , Portugueses.
Comparar como faz uma fábrica de calçado ou um hotel com o poder de uma EDP mostra bem o tipo de pessoa que é, que se recusa a ver os factos. Nesses exemplos que dá não existem monopólios porque dão pouco lucro e muito trabalho , aliás ainda a semana passada o Grupo Sonae anunciou a venda de mais umas fábricas em França , além de que o seu sector Industrial acumula perdas todos os anos ao contrário dos hipers e afins. Você defende uma regulação passiva eu defendo uma regulação activa de que o melhor exemplo é a CGD mas que ainda poderia ser melhorado e muito , num País como Portugal com fortes défices de cidadania e excessiva permeabilidade (para não dizer outra coisa) dos legisladores versus interesses privados só uma regulação activa do mercado pode funcionar isto a nível de oligopólios porque monopólios e rendas garantidas acabavam na hora.
Caro Pedro Correia fique bem.
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De rmg a 22.03.2014 às 18:50


William Wallace

Isso é tudo muito bonito e as suas intenções são decerto as melhores pelo que sempre li aqui vindo de si (já concordámos e discordámos algumas vezes) mas concordando na generalidade discordo na especialidade .

Nacionalizar empresas é filme que já vi , trabalhava em 1975 numa das melhores empresas deste país e em 1985 já não estava lá nada (nem eu, que me tinha vindo embora assim que me dei conta do que aí vinha) , ganhar mentalidade de burocrata é das coisas mais fáceis que se possa imaginar e burocrata não sabe criar riqueza .
Não há regras de gestão privada que lhes valham porque não há falência que lhes possa acontecer .

A melhor maneira de punir as grandes superfícies é não ír lá e como vivo num bairro antigo cheio de lojas do "antigamente" dou-me a esse luxo .
Mas depois vejo entrar ali a porta da grande superfície 2 ou 3 vizinhos aqui da área que não nomeio e fico a pensar que sou mesmo parvo , eu não vou lá e não sou nem privadamente contra e eles são públicamente contra e vão lá ...

Vejo ainda que tem uma visão particular das coisas quando diz que qualquer cidadão tem "acesso" à internet ; nem nas Avenidas Novas e se saír dos grandes meios ainda menos , claro.
É que uma coisa é ter acesso à internet e outra coisa é saber o que se pode fazer com ela para além de mandar mails parvos aos amigos e visitar sites manhosos (ainda que interessantes).

Quantas pessoas conseguem fazer uma pesquisa mínima sobre um assunto banal entendendo por mínima ter consciência que 75% do que "abrem" é mentira ou chachada ?
Quantas pessoas enviam elas próprias o seu IRS pela internet , operação facílima e hoje em dia muito facilitada , com o preenchimento já feito em muitos casos ?
Muitas ? Claro , na minha família todas .
Mas sou eu que faço o da família toda , toda a gente tem internet mas ninguém se quer chatear sequer a saber como se faz , ainda ajudo uma senhora que me faz umas limpezas e um vizinho , só falta mesmo o gato e o papagaio .

E o problema não é só nosso , experimente visitar as caixas de comentários de jornais franceses , ingleses ou espanhóis , o "zapping" é universal , todos sabem pouco de tudo e muito de nada .

No caso da Justiça também lhe dou razão mas o facto de citar o que vem nos jornais e ter a ver com os "grandes tubarões" não impede que o mesmo se passe com milhares de "pequenos carapaus" todos os dias , entre os quais decerto muitos conhecidos meus e seus .
Mas , como nós somos todos porreiros , acabamos por não lhes dizer na cara o que pensamos deles quando se gabam disto e daquilo .

Os lugares de nomeação política não deviam existir na quantidade em que existem mas há-de concordar que alguém que chegue a esses lugares vai lá encontrar gente da confiança do antecessor , o que não é muito promissor (excepto para as ambições de regresso do antecessor).

Quanto às juntas de freguesia do interior é um facto que prestam serviços às populações mas não exagere , viva no interior metade dos meses durante todo o ano como eu faço e depois voltamos a conversar .

Os concursos públicos a nível nacional ?
E a prima da sobrinha do vizinho do lado , aquele gajo fixe que até me deixa tirar água do poço dele ?

Não há nada a fazer ?
Pelo contrário , há muito , quase tudo .
Mas coisas que tenham a ver com a maneira de estar no mundo dos portugueses de hoje , tendo também em conta que o mundo de hoje pouco tem a ver com o de há 20 anos atrás quanto mais com o de há 30 ou 40 anos .

Ora as novas gerações , que são as que contam , não estão "nem nessa" de serem "arrebatadas" (nem as nossas nem nenhumas no mundo , excepto talvez algumas franjas nos países emergentes).

Os períodos de crise costumam levar a mudanças estruturais importantes nas sociedades mas estamos longe dos tempos em que um país podia mudar "sózinho" , isto é , sem que houvesse outras mudanças de igual sentido (ou não) no mundo que o rodeia .
É a essas mudanças que estamos a começar a assistir numa Europa em crise , para já apenas em vertentes aparentemente políticas mas que chegarão inevitávelmente a tudo o resto - qual o ponto de chegada é que já não sei .

Mas foi curioso ouvir os noticiários quando começou a crise da Ucrânia .
Começavam por falar das reacções dos "mercados" e depois é que falavam das movimentações no terreno ...
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De William Wallace a 23.03.2014 às 19:17

Antes de mais obrigado por responder .
As Nacionalizações seriam do capital e dos proventos , a gestão continuaria privada , o exemplo mais recente e dos últimos seria os CTT , norma a aplicar a todas as empresas monopolistas privadas que não geram retorno nenhum para os Portugueses que lhe dão dinheiro a ganhar.

A net é de facto acessível a todos e tem razão ao dizer que muita gente não sabe usar , mas o fulcro seria que a relação do Estado com os cidadãos fosse mais transparente e menos dependente do "conhecimento" do funcionário A ou B e que a cada problema encontrado posto a funcionários diferentes não se obtivesse repostas diferentes.

Compreendo perfeitamente as suas duvidas mas o que eu quero dizer é que já estamos neste caminho vai para 3 anos e os ganharam as eleições mentiram quanto puderam para as ganhar e não só se limitam a bafejar quem os apoiou e apoia como ainda tentam todos os dias uma alteração das relações sociais em que sempre vivemos por puro ódio a quem se recusa a ser carneiro e tem capacidade para pensar.

As pessoas hoje em dia vivem com medo e desconfiança de tudo e de todos e isso está a destruir-nos como sociedade e País.

O que temo é que daqui a 2 anos Portugal se torne ingovernável e a espiral descendente iniciada com Guterres e o discurso do pântano tenha um fim muito mais doloroso do que perder salários , pensões ou emprego.
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De rmg a 23.03.2014 às 22:30


William Wallace

Eu é que lhe agradeço o diálogo , essencial ao nosso evoluír .

Não vejo muito bem como se poderia conjugar a nacionalização do capital e dos proventos com uma gestão privada no actual quadro societário .
Ou estamos a falar das "sociedades anónimas de capitais maioritáriamente públicos" que existem há dezenas de anos e que se regem pela legislação respeitante às S.A. e aí caímos na dúvida que pus (fui durante 12 anos director de uma) ou teríamos que encontrar um novo quadro legal mais flexível e fiável que o actual .

Concordo consigo quando diz que não se deve andar tão dependente das interpretações pessoais do funcionário A ou B , que muitas vezes acabam por trazer mais problemas que soluções (e não por falta de boa vontade dos ditos funcionários , é a leitura deles) .
A questão que ponho é que uma grande parte das pessoas que têm um problema também não o sabem expôr de forma razoávelmente clara e concisa (e também não é culpa deles , é assim ...) .
Por isso mesmo continuo a achar que com todos os seus defeitos a conversa no balcão pode trazer uma melhor compreensão do problema para as partes do que um intercâmbio via net que possívelmente se esgotaria ao fim de 3 ou 4 mails e muito tempo (e continuaria dependente da interpretação do funcionário de serviço naquele dia).

Sobre as considerações que faz sobre a situação político-social também me dou conta de que as pessoas vivem assim e isso também me custa e me preocupa e muito pois tenho bastantes descendentes .

No entanto essa é em minha opinião não só uma consequência daquilo que a nossa vida em Portugal hoje é como também daquilo em que o mundo se tornou
e que , em linhas gerais , não é muito diferente .

É essa sensação de que faça o que faça e fuja para onde fuja estou lixado que assusta toda a gente que até agora tinha tido uma existência mais "calma" (valha isso o que valha).

Com filhos que já viveram emigrados nos locais mais diversos (Austrália , Médio Oriente , América Latina , África) e que estão de volta já com os 40 anos feitos é pela boca deles que lhe contei o que lhe conto .

Mais uma vez obrigado pela atenção e uma boa noite para si

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De lucklucky a 22.03.2014 às 02:05

Que chorrilho de asneiras.

"E a prova do que afirmo é revelado pelo facto de depois de tanta despesa reduzida e aumento de proveitos via impostos ser necessário continuar a fazê-lo"

Ma só é capaz de pensar de modo boleano ou binário? Sim,Não.
É só isto que consegue?
Não é capaz de usar uma escala para saber se já se chegou ao valor?

Se tem um défice de 100 se cortar 50 nos gastos para si já se fez o esforço?


"Se necessário for, caso não entendam, exemplificarei."

Fico à espera dessas empresas que são afinal as responsáveis pelo Estado consumir mais de 50% da riqueza.
Eu até farto-me de criticar o "capitalismo" a cavalo do Estado Social e Socialista.

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De Vento a 22.03.2014 às 15:25

Meu caro lucky,

com toda a paciência e sem grandes velocidades permita colocar-lhe uma questão:
Afinal, o que foi que o incomodou?
Só posso responder a qualquer questão se você for capaz de pensar de forma diferente, colocando os erros e apontando questões.

Por último, venham daí as contas, os números e para onde estes são canalizados por forma a verificarmos esse consumo de mais de 50% da riqueza.

É que desta vez, lucky, eu não lhe dou oportunidade de ir à boleia de meus comentários. Percebe agora esta arrogância de minha parte?
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De Nuno Pereira a 22.03.2014 às 09:11

O que pode dizer ao comum dos portugueses o manifesto?
Olhando a que lá proliferam a maioria dos governantes destes últimos anos.
Para eles e quase para todos nós, é um manifesto de desconfiança.
Se por um lado é a garantia de personagens que manifestam a certeza da melhor solução para o país.
Por outro reina a desconfiança olhando aos cargos públicos que muito deles ocuparam e deixaram cair o país, neste emaranhado de teias, onde muitos de nós praticamente iremos ser amordaçados nos próximos anos.
Ainda me recordo como um pesadelo bem evidente, a maioria dessas personalidades que assinam o manifesto saberem que o país caminhava a passos largos para o abismo e deixarem correr o tempo até que a realidade mostrasse a evidência.
E quando mostrou, atolou milhares e milhares de portugueses de feridas incuráveis para toda a vida. Separando famílias e desfazendo o futuro da geração que tanto nos custou a erguer!

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De lucklucky a 22.03.2014 às 14:17

Então...

Este é um Manifesto que nos diz que a Dívida coloca em causa o crescimento assinado por uma data de gente que durante anos defendeu que a Dívida era essencial para o crescimento, assinada por dois destacados estrangeiros que recentemente criticaram as conclusões de um estudo que diz que a Dívida coloca em causa o crescimento.

Percebeu? :)

É um manifesto digno de Kafka e Orwell 1984
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De Milagres a 22.03.2014 às 09:11

Senhora Leite:

"fizemos uma mera reflexão sobre um tema. Não pusemos esse tema em nenhum jornal estrangeiro..."

Do Expresso online:

http://expresso.sapo.pt/leia-a-carta-de-louca-que-mobilizou-os-74-estrangeiros=f861880

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De Pedro Correia a 22.03.2014 às 12:30

Conclusão: o til e a cedilha fazem muita falta. Sem elas, a "carta de Louçã" transforma-se em "carta de louca".
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De Milagres a 22.03.2014 às 14:33

Se por acaso houvesse listas nominais para eleger alguém, mais depressa eu votava no Louçã com til e cedilha que na Leite.

É absolutamente patético que a senhora tenha declarado que fizeram uma mera reflexão e que nem pretendiam que o doc (um papel - palavras dela - a falar de reestruturação de dívida) fosse conhecido no estrangeiro...
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De Pedro Correia a 26.03.2014 às 14:50

E já agora: a palavra "papel", neste contexto, é tristemente irónica. E de algum modo reveladora.

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