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Sobre o manifesto (2)

por Pedro Correia, em 15.03.14

 

Releio o manifesto dos 70, autêntica "sopa de pedra" cheia de palavras mas sem propostas concretas para além de renegociação da dívida pública. Para o mesmo efeito, mas com muito mais clareza, prefiro a linguagem do PCP. Sem rodriguinhos nem punhos de renda.

Ouçamos Jerónimo de Sousa, o precursor: o secretário-geral comunista já defendia em 2011 o que todos os signatários do documento agora preconizam. Com palavras que não iludiam ninguém: "Face à situação insustentável que está criada, o PCP considera que o Estado português deverá assumir, em ruptura com a actual política, a renegociação imediata da dívida pública portuguesa, com reavaliação dos prazos, das taxas de juro e dos montantes a pagar, para aliviar o Estado do peso do actual serviço da dívida, canalizando recursos para a promoção do investimento produtivo, a criação de emprego e outras necessidades do País."

Concordemos ou não com o fundo, a forma correcta é esta. Porque a política exige clareza. Algo impossível de proporcionar por aqueles que hoje defendem uma coisa e amanhã defendem o seu oposto. Em palavra ou no papel.

(via A Destreza das Dúvidas)


20 comentários

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De cristof a 15.03.2014 às 18:10

a vida (nossa ou de todos) é dinamica; não é condenavel mudar de opinião, no entanto ver gente com grande responsabilidade passada vir agora branquear com "muito boas intenções" o que não se assumiu na altura (e aqui tenho que referir a Dra Ferreira Leite que foi ministra da educação e em charlas suas só não crucifica o Crato, mas quase) tenho que ficar desgostoso com esta moral politica. Mais ainda porque todos sabemos que a dinamica europeia não está completa, esta-se a fazer dinamicamente com o contributo de todos os que concordam e os que discordam. Não fica bem achar que a culpa da cadeira estar partida é dos que se sentaram agora lá. Parece-me "descargo de consciencia", compreensivel mas condeno.
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De Pedro Correia a 16.03.2014 às 00:10

Concordo consigo: claro que não é condenável mudar de opinião. Mas alterar a opinião em 180 graus, num intervalo de seis meses, sobre uma matéria desta importância diz muito sobre a credibilidade de quem fala.
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De Atalaia da Quinta a 15.03.2014 às 18:13

Atão mas o kamarada Jerónimo não quer que Portugal saia da Zona Euro, e mais, o fim da união monetária?
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De (adenda) a 15.03.2014 às 18:17

O João Ferreira quer:

http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=3729268
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De Pedro Correia a 15.03.2014 às 18:44

Alguns preferem ver Portugal fora da zona euro e dentro da zona rublo.
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De tric a 16.03.2014 às 02:02

eu prefiro...na Zona Rublo defende-se os valores tradicionalistas da Cristandade...na Zona Euro ataca-se os valores tradicionalistas da Cristandade, ao ponto de apoiar a irradicação da Cristandade do Levante...Viva o Rublo!!!
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De Pedro Correia a 16.03.2014 às 11:48

Quanto mais rublo, mais rubro.
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De Pedro Correia a 16.03.2014 às 11:51

E quanto mais rubro, mais rublo.
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De Não Percebo Nada a 15.03.2014 às 18:47

Nem Seguro nem Costa nem Sócrates assinaram? Nem Silva Pereira ou Maria de Belém? Nem Campos e Cunha ou Teixeira dos Santos ou mesmo Manuel Pinho? Mandaram o do brinco?!
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De Pedro Correia a 16.03.2014 às 00:08

O ex-primeiro-ministro não poderia assinar.
"Reestruturar uma dívida significa pagar um preço em miséria, em desemprego e em falências." (Sócrates, no debate com Louçã na campanha eleitoral de 2011).
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De l.rodrigues a 17.03.2014 às 12:49

Não restruturar, verifica-se, significa o mesmo, com a diferença de que agora já passaram quase 4 anos.
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De Vento a 15.03.2014 às 19:39

Em substância concordo consigo, Pedro. Pois as contradições revelam-se pelas atitudes tomadas em determinados períodos. Porém não vejo que as posições se tornem ilegítimas e infundamentadas pelo facto das pessoas terem reavaliado suas posições anteriores.
O manifesto que eu li debruça-se somente pela renegociação e não por detalhes técnicos. E eu não vejo em absoluto que o facto de alguém que se encontra impedido de poder suportar seus compromissos com a bitola que lhe foi fixada que veja numa renegociação a oportunidade para que isso aconteça.

Por outro lado, e de uma forma simples, se verificar o crescimento da economia portuguesa (em porcentagem ou percentagem) e o comparar às taxas de juros pagas verificará que existe uma decalage surpreendente que em absoluto indica a impossibilidade de satisfazermos nossos compromissos.

Mas eu não tenho dúvidas que a renegociação não existirá. Se olhar para as tentativas que são feitas de arredar o BCE na intervenção directa dos financiamentos através da compra de dívida indirectamente, e em absoluto não lhe permitir a compra directa das mesmas, conjugando-a com a descida das taxas de juros nos mercados verificará que a política tem sido a de priveligiar os ditos mercados financeiros em detrimento de um crescimento que pudesse produzir a necessária retoma económica.

Olhando para os acontecimentos passados em outros países, verificou-se que numa grande parte destes, que se sujeitaram a medidas semelhantes, em particular na América Latina, o resultado foi que depois de terem comprimido de tal forma a economia o que restou foi um certo crescimento e concentração de riqueza em meia dúzia de operadores e, em simultâneo, um rasto de miséria que ainda hoje não permite que essas economias se recomponham devidamente, incluindo o Brasil que é tanto elogiado, no sentido de poder melhorar a situação de suas populações.

O que me surpreende e não deixa de criar suspeitas é o facto de alguém pedir a renegociação de uma dívida para a pagar e não se ver interesse nisso. Há certamente muita maldade e ganância por detrás de tudo isto. E, registe o que lhe digo, acabará mal se não invertermos o rumo.
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De lucklucky a 16.03.2014 às 09:48

Isso deveria fazer você questionar o que o endividamento proporcionou e talvez chegar à conclusão que o dinheiro não resolve os problemas.
Nem a política.
100 milhões de euros de nova dívida foram feitos nos últimos anos. O que é que isso trouxe?
Questionar se um Governo deve ter poder de endividamento?

Segundo a Constituição não.
Mas o Tribunal Constitucional existe para definir que normas podem ser violadas...
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De Vento a 16.03.2014 às 12:28

Pois parece-me que desta vez moderou o seu pensamento. Na realidade o dinheiro não resolve os problemas (e neste caso o dinheiro é um problema que escraviza), por isto me debruço sobre a qualidade das pessoas e da vida das pessoas. São estas que acabarão sempre por resolver todos os problemas.

Bem, a questão que coloca sobre o poder dos governos endividarem-se deve ser enquadrada numa perspectiva mais abrangente. Qual a legitimidade que se supõe terem os governantes para se sobreporem aos interesses de toda uma nação?

E o seu pensamento levar-nos-á muito mais longe: até onde estamos nós, os cidadãos, dispostos a suportar as leviandades das corporações que tomaram conta de um Estado que faz de conta que o é?
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De lucklucky a 16.03.2014 às 18:00

Eu não moderei nada o meu pensamento.
Sempre foi de limitar o poder político e que as associações entre pessoas sejam quanto possível de base voluntária. Dizer Não.

A questão aqui é que o socialismo critica e despreza o poder do dinheiro mas anda avidamente atrás dele.
Diz que o dinheiro não é tudo mas qualquer assunto pode ser contabilizado em dinheiro.
É a esquerda que faz mais por tudo quantificar em dinheiro.
Não se fala na necessidade de novas ideias, pessoas com mais qualidade, exigência. Isso não faz parte do discurso político.

O discurso acima do Jerónimo diz-nos - vamos supor que um corte de 50% dos juros é aceitável -permitiria fazer as maravilhas. Ora um corte de 50% nos juros são 3-4 mil milhões de euros.
Sócrates em 5 anos injectou ou ritmo de 15-20 mil milhões/ano em nova dívida e nada mudou.

Não sabem pensar. Porque não me parece que estão a ser desonestos.

E estamos a falar de dinheiro. Jerónimo não diz que devemos produzir mais, melhor, com mais qualidade, usar a inteligência para descobrirmos onde se pode fazer mais com menos. Nada disso.

A questão para a sofisticada Esquerda é mais uma vez dinheiro.
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De Vento a 16.03.2014 às 20:50

Bem, já vi que a questão passa por elaborar um decreto impedindo a esquerda de falar em dinheiro ou em questões monetárias.

Comecemos pelo início. As associações partidárias são de base voluntária, e quem as sustenta também faz voluntariamente. O problema está no uso que alguns fazem das mesmas, e também nos comodistas que permitem que isso aconteça. E aqui estamos entre a qualidade das pessoas e a dignidade das mesmas.
O problema do dinheiro não passa por ele ser tudo ou nada, mas pela rendição a seu poder. E creio que a interpretação que faz acerca deste tema revela uma dose de submissão a seu encanto e poder.

A questão da qualidade, da exigência e das novas ideias acontece todos os dias, resta saber se existe oportunidade e desejo para as aplicar. Qualquer empresário que assuma como determinante o papel da qualidade em sua organização ele vai em busca disto. Mas assim não acontece em 99,9% do tecido empresarial português que contrata com base no valor do dinheiro (excluindo naturalmente as empresas ditas familiares ou micro e pequenas que são constituídas por um agregado já identificado. Aqui não se colocam ainda estas questões) e subtrai a seus empregados essas qualidades.
Mas também isto se aplica na oportunidade, dado o espartilho colocado pelo sistema corporativo, onde se inclui as grandes empresas receptoras dos negócios da nação, de se poder avançar com todos esses atributos neste quadro conhecido.

Resta também saber o que é isso de qualidade, de exigência, de produtividade e das novas ideias.
É uma concepção com base numa necessidade que já se identificou e conhece ou não passa de um simples argumento de retórica para justificar a manutenção do status quo?
Ou se contrata-se especificamente para a execução desse objectivo identificado e conhecido e se remunera-se essa qualidade, empenho, novas ideias e produtividade?
Mas mais ainda, resta saber se o conceito de qualidade, novas ideias, produtividade e exigência é raíz do quadro de topo das organizações que deve germinar para as restantes alas de uma empresa? Ficando aqui a questão se o sistema empresarial português se constitui com base em deuses do olimpo sendo os restantes agentes meros servidores acéfalos (????).

Quando ao resto de suas afirmações, recomendo que envie uma carta directamente ao Jerónimo a colocar-lhe essas questões.
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De lucklucky a 17.03.2014 às 15:46

Você é claramente de Esquerda, para si o poder do Estado está sempre ao virar da esquina, por isso assume que quando eu critico quero um decreto para impedir qualquer coisa.

Na Esquerda quase não se concebe a critica sem pedir a intervenção do Estado, uma nova lei, uma nova regra que todos devem obedecer. A diferença não é tolerada.

"As associações partidárias são de base voluntária, e quem as sustenta também faz voluntariamente."

Não é isso. O voluntarimso a que me referi é do Estado obrigar todos a relacionarem-se com ele mesmo os assuntos que essas pessoas não consideram direitos do Estado.
Quanto mais Democracia existir- num exagero vamos supor que a roupa que vestimos ao detalhe era definida por maiora - mais opressão existirá. A evolução do sistema político pela necessidade da burocracia necessitar de justificar a sua existência implica que depois de casa e saneamento básico vão começar a interferir em cada vez mais detalhes da vida humana , tornando a Democracia num monstro totalitário.
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De Vento a 17.03.2014 às 21:20

Eu não sei muito bem se devo agradecer-lhe por afirmar que sou claramente de esquerda ou se devo consultá-lo para saber ainda mais sobre minhas reais opções políticas. Mas aconteça como acontecer não quero que o nosso diálogo seja para si um veículo de "frustração" pela dificuldade que revela em dialogar sem ter de olhar para uma bússola.


Definidas as posições, devo acrescentar que compreendo o que o incomoda nos meus comentários, é eu não fazer uma abordagem clássica em matéria social, política e económica que o permita estabelecer-me como alvo. E compreendo que isto o baralhe e que conduza-o à necessidade de ter de encontrar um número de polícia para melhor direccionar e extravasar uma certa revolta ocasionada ou não por aquilo que possa entender como uma injustiça contra si cometida.
Aqui chegados devo ainda dizer-lhe que não me importo de estar ao portão da sua "aldeia", sempre do lado de fora por opção sua.

Meu caro, o voluntarismo a que refere só intimida quem se deixa intimidar. Se alguém entende que não se deve subjugar ao dito estado, faça-o. O que poderá eventualmente resultar desta atitude? Nada mais que a merdita de uma penalização. Mas o que é isto quando o direito de realização individual se sobrepõe ao direito dito comum e/ou estatal sem os prejudicar? Mas o mesmo se passa em outras matérias: pessoais, profissionais... O meu caro, para ser livre, só tem de estar disposto a enfrentar as consequências, custe o que custar.
Vá em frente, saia da "aldeia". Se entende que está certo, o que o impede de executar as suas acções? Se, neste aspecto, esperar pelo apoio do grupo vai morrer frustrado. Saiba que as grandes transformações sociais ocorridas na história não foram perpretadas pelas massas, mas por uma pequena minoria de homens e mulheres que acabaram por encontrar seguidores. Quer um exemplo? Jesus, o Cristo por antonomásia.

Dê a si mesmo a oportunidade de verificar se está certo ou errado, ajindo. O lucky tem de compreender que o bem comum passa também por se aceitar na sua diferença, respeitando a mesma natureza nos outros. O como o seu pseudónimo refere, o lucky não só é mais rápido que a sombra como também não permite que a sua sombra o ultrapasse. Compreende?

Creio ter dado a resposta ao tema sobre a "Democracia ser um monstro totalitário".

Receba um cordial e amigável abraço.
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De tric a 16.03.2014 às 02:33

Mas não era unanime em Portugal da Esquerda à Direita que era necessário renegociar todas as PPP´s !!!??? o endividamento de Portugal foi e é um negócio entre o Estado Português e os Privados... mas enfim, secundando sábias palavras, "Concordemos ou não com o fundo, a forma correcta é esta. Porque a política exige clareza. Algo impossível de proporcionar por aqueles que hoje defendem uma coisa e amanhã defendem o seu oposto. Em palavra ou no papel."

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