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Sobre o fim do mundo

por Paulo Sousa, em 17.09.19

O terramoto de 1755 - Pintura de João Glama Strobërle que pertence ao espólio do Museu Nacional e Arte Antiga

 

Se a vida na terra tivesse 24 horas, o ser humano teria aparecido apenas nos últimos minutos. Isto significa que o conceito do "fim do mundo" é geologicamente recente pois só existe desde que o primeiro humano formulou esse pensamento. Antes disso existia apenas mudança permanente e que afinal nunca foi interrompida.

Os equilíbrios da natureza são importantes porque dependemos deles, mas não são estáticos nem são definitivos.

A extinção de espécies é algo que aconteceu regularmente ao longo do comprido dia da vida na terra. Uma imensidão delas nem sequer fósseis nos deixaram e isso coloca-as em pé de igualdade com os dragões que, esses sim, nunca existiram. É triste saber que os ursos polares, uns animais fantásticos, irão provavelmente desaparecer, mas isso aconteceu regularmente desde que existe vida na terra.

Sem o aquecimento global que se verificou há cerca de 10.000 anos o gelo cobriria toda a Europa. A civilização como a conhecemos não teria acontecido e não estaríamos aqui a trocar ideias através da blogosfera, algo cujo conceito seria difícil de explicar há 50 anos.

Alguns ambientalistas criticam a espécie humana por se comportar como se estivesse no centro de toda a vida na terra. No minuto seguinte usam o futuro das próximas gerações de humanos como argumento de defesa das suas convicções. Não fazia mais sentido defender a natureza pelo que ela tem de fantástica?

O ponto óptimo de poluição não é a ausência de poluição. É claro que vivemos muito acima desse ponto óptimo e devemos fazer um esforço para a reduzir. Estou convicto da necessidade de se fazer um esforço para minimizar o impacto na natureza, principalmente porque… esta é extremamente bela.

Na dinâmica do combate às alterações climáticas, que no fundo não é mais do que um combate contra a mudança, existe uma histeria e uma vertente de fé que faz lembrar períodos na história em que se verificaram grandes catástrofes, como o terramoto de 1755 ou a peste negra. Nesses períodos conturbados sempre surgiram os pregadores do fim do mundo. Estas figuras apresentam-se como explicadoras do inexplicável e fonte de conforto a todos quantos queiram ouvir a mensagem de uma entidade superior.

Surgem ora com um sino, ora com um grande crucifixo, ora com os dois e garantem que todos os que almejem salvar a respectiva alma imortal devem deixar de pecar, arrepender-se, devem orar e devem sacrificar-se.

Actualizando a mensagem recomendo que:

Onde se lê deixar de pecar pode ler-se comprar um carro eléctrico.

Onde se lê arrepender-se pode ler-se viver como os Amish.

Onde se lê orar pode ler-se votar no PAN.

Onde se lê sacrificar-se pode ler-se ir de avião semanalmente para Bruxelas mas descarregar a consciência pagando a taxa de compensação pelas emissões de CO2.

Esta é a postura do PAN, da menina Greta e da sua legião de globetrotters passageiros frequentes das companhias de low cost.

Profetas do apocalipse existiram em todos os tempos e em todas as latitudes e sempre tentaram mudar o comportamento dos outros.

Se a mudança é permanente e se de facto estivermos a viver um período especial, o mais ajuizado será estarmos alerta e para tentar ser capaz de, como nos ensinou Darwin, se adaptar. A confirmar-se o que nos garantem os profetas desta nova religião, alguns territórios que agora tem um clima ameno podem vir a tornar-se inóspitos assim como o contrário. A geografia sempre foi um factor determinante no equilíbrio dos povos e das nações e isso não se alterará.

Só falta mesmo esperar pela confirmação das profecias.


45 comentários

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De Antonio Vaz a 17.09.2019 às 21:41

«Alguns ambientalistas criticam a espécie humana por se comportar como se estivesse no centro de toda a vida na terra.»
Paulo Sousa: advotr ambitrok uk ektrapis olip anghun! Acho que devemos ser condescentes com esses supostos "ambientalistas" já que eles desconhecem a esxistência de racionalidade nas outras espécies! Eles insistem que a espécie humana se comporte «como se estivesse no centro de toda a vida na terra» mas é claro, que eles - apenas! - estão a pensar neles (e não em nós todos!).

Como disse o Cornirus II, na última reunião magna das EMI (Espécies Marginalizadas e Ignoradas): «hument trho nus, di porkis, cornirs et otdd, nat nus di par probn» (permita-me uma tradução, para os que - ao contrário de nós!- não entendem a linguagem animtalak: «a humanidade pensa em nós, suínos, cornudos e outros de nós, como não sendo parte do problema!.» Mas todos nós sabemos que eles, «suínos, cornudos e outros (...)», até poluem tanto ou mais que os nossos imprescindíveis "popós" (https://www.dn.pt/ciencia/biosfera/interior/vacas-e-ovelhas-poluem-mais-do-que-os-carros-1262025.html) e é claro, que entre um "popó" e uma vaca, a escolha até nem é complicada: morra a vaca! Ou até quem é que precisa de uma vaca para ir até ao café da esquina comer um prego no pão?
Há algo que creio que até nem tenha abordado nesta problemática, a versão "trumpiana" de que se f*d* o ambiente, as minas de carvão devem voltar a ser exploradas pela "espécie humana" "yankee" e, claro, independentemente da questão de haver ou não, bifes à vontade, na comemoração dessa retoma... independentemente até de um qualquer brinde, aqui e acolá, devidamente alcoolizado, ao propósito de «defender a natureza pelo que ela tem de fantástica»: porque raio ainda insistem em condicionar os nossos jardins a questões que sempre existiram, relacionadas as "fantásticas" criaturas poluentes?
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De Antonio Vaz a 17.09.2019 às 22:29

«Se a mudança é permanente e se de facto estivermos a viver um período especial, o mais ajuizado será estarmos alerta e para tentar ser capaz de, como nos ensinou Darwin, se adaptar. A confirmar-se o que nos garantem os profetas desta nova religião, alguns territórios que agora tem um clima ameno podem vir a tornar-se inóspitos assim como o contrário. A geografia sempre foi um factor determinante no equilíbrio dos povos e das nações e isso não se alterará.»
Uau! «A geografia sempre foi um factor determinante no equilíbrio dos povos e das nações e isso não se alterará» - deduzo que até acredite
Eu até estava tentado em sugerir que V. fosse "desterrado" para sempre, para as paradisíacas Maldivas, um dos destinos turísticos actualmente até considerados de luxo.
Porque "para sempre"? Para tentar evitar, da sua parte, a habitual lengalenga de fim-de-semana sobre a matéria (https://www.worldbank.org/en/news/feature/2010/04/06/climate-change-in-the-maldives)!
Juízos "ajuizados", cá vai a tirada que adoro citar da Suzaninha, da BD de Quino, Mafalda: "eles, para além de pobres, insistem em comprar coisas em segunda-mão!»
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De Paulo Sousa a 17.09.2019 às 22:39

Essa da Mafalda é gira
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De Antonio Vaz a 17.09.2019 às 23:33

Mas não tanto como o seu comentário...
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De João Campos a 18.09.2019 às 20:02

"A extinção de espécies é algo que aconteceu regularmente ao longo do comprido dia da vida na terra. Uma imensidão delas nem sequer fósseis nos deixaram e isso coloca-as em pé de igualdade com os dragões que, esses sim, nunca existiram. É triste saber que os ursos polares, uns animais fantásticos, irão provavelmente desaparecer, mas isso aconteceu regularmente desde que existe vida na terra."

Certo, mas as anteriores extinções em massa terão ocorrido por factores naturais ou por factores externos (por exemplo, o impacto do meteorito no final do Cretácico). A destruição de ecossistemas devido à actividade humana não será exactamente natural - não podemos evitar o embate de um meteorito (diz que mandar o Bruce Willis lá acima não resulta), uma erupção solar ou algum fenómeno vulcânico mais extremo. Já travar a destruição de florestas, a contaminação dos oceanos ou a poluição amosférica poderá muito bem estar ao alcance dos seres humanos, assim haja vontade para tal.

Sim, é triste saber que os ursos polares, algumas espécies de rinocerontes e inúmeras espécies de anfíbios se extinguem durante o nosso tempo de vida. Parece-me ser ainda mais triste saber que podemos fazer algo para evitar o desaparecimento dessas espécies únicas, e não fazemos.

"Na dinâmica do combate às alterações climáticas, que no fundo não é mais do que um combate contra a mudança (...)".

É um combate contra a mudança, ou contra a falta de vontade de mudança? É que os ambientalistas, mesmo os mais fanáticos*, parecem bater-se por mudanças - e por mudanças por vezes extremas.


*Não sou vegetariano (longe disso), não sou nem serei eleitor do PAN, e não nutro especial admiração pela Greta Thunberg - apesar de me fazer alguma confusão o ódio que uma adolescente gera em certas áreas.
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De Paulo Sousa a 18.09.2019 às 20:31

Olá João,
Muitos dos devotos da menina Greta sublinham o modelo capitalista como causador do fim do mundo que se avizinha. Podemos interpretar que são só ambientalistas ou então – e essa é a minha opinião - são órfãos do Marxismo, que após a implosão do regime soviético, ignoraram todos os crimes ambientais que o comunismo deu ao mundo e se agarraram à bóia do ambiente como meio de, agora sim, acabar com o capitalismo.
Como disse no texto, concordo que seja feito um esforço para reduzir a poluição e acredito que isso é possível sem que seja necessário regressar à Idade Média.
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De João Campos a 18.09.2019 às 21:32

O ambiente é, para mim, uma excelente causa. Já o marxismo nem por isso - e mesmo tendo noção de que o capitalismo tem imensos problemas e aspectos absurdos, não o trocava pelos regimes comunistas.

Também espero que seja possível reduzir a poluição e preservar o meio ambiente sem regressarmos à Idade Média (ainda que muitas mentalidades, tanto à direita como à esquerda, já tenham voltado a 1256, e não só nas questões ambientais). Mas para isso será necessário fazer mudanças - mais do que o folclore do bitoque na cantina de uma universidade -, e não vejo grande vontade disso.
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De Paulo Sousa a 18.09.2019 às 22:23

Sobre o bitoque ainda vamos ver que é mais uma cativação do Centeno.
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De Vorph Valknut a 18.09.2019 às 22:08

"Certo, mas as anteriores extinções em massa terão ocorrido por factores naturais"

Uma provocação, João. Não é o Homem, um ser natural, criado pela natureza? Assim, as extinções, provocadas pelo actividade humana, são também naturais.

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