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Sobre "fake news"

por jpt, em 09.11.18

Um belo texto de Nuno Garoupa no novo Polígrafo. Deixo excerto: 

(10) Acredito que a única forma de evitar o percurso mais doloroso é reconstruir o “juste milieu” regenerado. Para isso, fact checking é fundamental. Não para proibir as fake news, um perigoso disparate. Mas sim para permitir distinguir aquilo que são interpretações realistas do mundo que nos rodeia das verdades pós-modernas que radicalizam e emocionam. Não acredito na Verdade. Há muitas verdades. Mas há verdades e verdades. Há verdades que fomentam o “agree do disagree”, que facilitam a convivência política, que relembram aos eleitos porque são privilegiados em democracia, que regeneram o contrato social na busca de uma organização social mais adequada para o século XXI. E há verdades que dividem, eliminam, alimentam o ódio, existem apenas pela emoção e para uma visão maniqueísta dos bons (aqueles que partilham essa verdade) e os maus (os outros), promovem a superioridade moral de um grupo em detrimento do resto da sociedade.

A ler, mesmo. E é de acompanhar o tal Polígrafo.

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3 comentários

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De Pedro a 09.11.2018 às 22:05

Quando se diz "não acredito na verdade", implicitamente, toma-se como verdade, a opinião. Mas pergunto: E a memória dos que sentirem no corpo a verdade? Não. A verdade existe, sim. Deveremos, isso sim, não confundir veracidade da mentira com a verdade. Mas isso exigirá esforço e "perda de tempo". Quem a isso está disposto, depois de uma jorna de trabalho e o caos do trânsito? A democracia fraqueja pelo cansaço do cidadão.
Se prosseguirmos nessa senda da pós verdade - não existe a verdade, apenas interpretações do real, como Nietzsche afirmou - então esperam-nos tempos futuros, com cheiros pesados e passados.

Contudo o autor deixa-me confuso quando afirma, simultaneamente, não haver verdade, mas ser possível uma "interpretação realista do mundo"

Sinceramente este tipo de discurso soa-me perigoso e paradoxal. Decididamente não seguirei o Poligrafo.


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De Pedro a 09.11.2018 às 22:50

Meu caro, Nuno Garoupa, o fim da ideologia conduzirá à ideologia do Fim
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De lucklucky a 10.11.2018 às 22:00

Um puro desastre...como esperado já que a mais simples lógica impede aquilo que dizem pretender.

Mas o que o autor pretende afinal é isto: "...a busca de uma organização social mais adequada para o século XXI"
Não tem nada que ver com verdade.
Tal como jornalismo não tem nada que ver com notícias.

Leia-se outra vez esta pérola onde está incluída a citação acima:

"Há verdades que fomentam o “agree do disagree”, que facilitam a convivência política, que relembram aos eleitos porque são privilegiados em democracia, que regeneram o contrato social na busca de uma organização social mais adequada para o século XXI. E há verdades que dividem, eliminam, alimentam o ódio, existem apenas pela emoção e para uma visão maniqueísta dos bons (aqueles que partilham essa verdade) e os maus (os outros), promovem a superioridade moral de um grupo em detrimento do resto da sociedade."


Ou seja o que o autor pretende é instituir a censura. Para impedir as verdades más que impedem a sociedade a que chama do "Séc.XXI" deve se para "fingir modernidade".

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