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Delito de Opinião

Sobre a ordem, que se atreve a existir para lá do que é observável

Paulo Sousa, 27.12.25

A cosmologia contemporânea diz-nos que a realidade não se esgota no processo de expansão iniciado pelo Big Bang. O universo em expansão e a história do avanço do espaço-tempo determinam o limite do universo observável, sem que isso coincida com as fronteiras externas da realidade.

É, por isso, aceitável afirmar que para lá de tudo o que pode ser observado e medido, continua a existir realidade e que a matemática, enquanto linguagem da razão e estrutura racional, continua igualmente a existir e a aplicar-se. Sendo assim, a razão e a inteligência não podem ser apenas meros acidentes tardios do cosmos em expansão, mas algo que lhes é anterior.

Para quem aspirasse a provar por palavras aquilo que a própria Igreja diz ser impossível, e refiro-me à existência de Deus, poderia chegar a esta fase da conversa e afirmar que, se para além do que é observável existe ordem, então isso pressupõe uma inteligência prévia.

A Igreja diz que não é assim, uma vez que Deus é revelado e não provado com recurso à dialéctica.

Já os ateus, que não constituem um grupo coeso ou monolítico, partilham a convicção que Deus não existe, definindo-se assim pela negação do que dizem não existir, o que em termos de lógica não deixa de ser uma dupla negação.

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