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Sobre a Catalunha (1)

por Pedro Correia, em 17.10.19

Estes dias de tensão política na Catalunha, onde se sucedem os actos violentos por parte daqueles que sempre juraram usar apenas meios pacíficos para defender a secessão desta comunidade autónomas, confirmam uma evidência: existe em solo catalão uma facção separatista claramente minoritária, apostada em impor a sua cartilha ideológica à maioria dos habitantes da Catalunha, que não quer cortar os vínculos políticos com o Estado espanhol e se revê no actual quadro constitucional e estatutário, de resto sufragado por via referendária - o que jamais aconteceu com a Constituição portuguesa.

Para início de conversa, há que arrumar ideias. Sublinhando os factos que enunciei no parágrafo anterior. Assim se evitam comparações espúrias com a situação de Hong Kong, como Pacheco Pereira, cego e surdo às evidências mais gritantes, fez ontem na TVI 24. Prestando um péssimo serviço ao debate de ideias e ao esclarecimento dos portugueses, que andam demasiado desatentos ao que ali se passa.


34 comentários

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De Luís Lavoura a 17.10.2019 às 10:43

Para início de conversa, há que arrumar ideias.

Nada melhor do que enunciar as conclusões logo antes de começar de uma discussão. Assim pode-se discutir à vontade, mas tendo-se bem a certeza de qual a conclusão a que se terá que chegar.
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De Pedro Correia a 17.10.2019 às 11:20

Convém levar convicções (suportadas em factos, de preferência) para qualquer debate.
Caso contrário, não há debate: só conversa mole.
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De dasa a 18.10.2019 às 16:15

Qual a moral dos portugueses? Nós lutamos pela independencia dos espanhóis duas vezes (1139/43 Castela e 1640 Espanha Filipe III/IV).
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De Pedro Correia a 18.10.2019 às 16:59

Não só aí. Quase toda a nossa história escreveu-se no combate tenaz à hegemonia castelhana-leonesa. Até ao século XX, inclusive: Franco chegou a ter planos de ocupação de Portugal.
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De jo a 17.10.2019 às 10:48

Uma boa maneira de saber que os separatistas eram minoritários era fazer um referendo. É isso que se faz nestes casos.

Os centralistas dizem que o referendo é proibido porque se existisse os separatistas perdiam. É de louvar um esforço tão grande para evitar derrotas no campo adversário. Já Franco não fazia eleições pela mesma razão.
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De Justiniano a 17.10.2019 às 11:22

jo, uma pequena perguntinha! Quem teria direito de votar nesse tal referendo??
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De Pedro Correia a 17.10.2019 às 11:25

O referendo seria solução se estivesse previsto na Constituição espanhola. Acontece que não está.
Tal como não esteve durante anos previsto na Constituição da República Portuguesa. Nesses anos não faltou por cá quem reivindicasse a necessidade de referendar isto e aquilo - inclusive referendar o próprio texto constitucional. Acontece que a democracia é inseparável do império da lei. Nenhuma solução existe num sistema democrático violando as regras legais.
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De Luís Lavoura a 17.10.2019 às 11:57

Que eu saiba, aquilo que não é explicitamente proibido pela lei, é permitido.
De acordo com esta lógica, se a realização de um referendo não é expressamente proibida pela Constituição (ou por outra lei), então ela é permitida.
É claro que um referendo extra-legal não tem qualquer poder vinculativo. Porém, não é proibido realizá-lo, a não ser que a lei o diga explicitamente.
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De Anónimo a 17.10.2019 às 13:38

" não é proibido realizá-lo," Mas implica despesas. Quem paga? Desde que o dinheiro não saia do Orçamento do Estado não há problema. E se sair? A falta então não está no referendo mas no desvio de dinheiro.
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De Luís Lavoura a 17.10.2019 às 14:34

Certo. O desvio de dinheiro público para a realização de algo que não está previsto como sendo atribuição dos poderes públicos é punível por lei.
Mas isso tanto é verdade caso o dinheiro seja desviado para realizar um referendo como caso o dinheiro seja desviado para uma coisa inofensiva qualquer, por exemplo cavar buracos e depois voltar a tapá-los.
Cavar buracos e depois voltar a tapá-los não é crime punível por lei. Desviar dinheiro público para esse fim é crime, mas levar essa atividade propriamente dita não o é.
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De Anónimo a 17.10.2019 às 11:27

Os separatistas
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De Pedro Correia a 17.10.2019 às 20:24

Sim, separatistas. É o termo certo.
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De Justiniano a 17.10.2019 às 11:03

Não é só cego e surdo ante quaisquer evidencias, caro Pedro Correia! JPP está incapaz de pensar! Toda a explanação de JPP, sobre o que quer que seja, alterna entre o senil e o imbecil! Os fragmentos da realidade são-lhe já absolutamente indiferentes!Um obtuso mitómano! Acho que já só lhe interessa ter alguma audiência, qualquer que seja, para manutenção de palco e estipendio! Torna-se penoso ver, ouvir ou ler JPP!

Em relação à Catalunha, ou a Espanha de um modo geral (ou a qualquer tema que não seja a bola), a nossa indigente media de referencia prima pela ignorância panfletária, propaganda descarada ao PSOE e indisfarçável simpatia para com os indepes! Uma espécie de secção portuguesa do El Pais!
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De Pedro Correia a 17.10.2019 às 11:44

Hei-de voltar ao tema, claro. Daí o número 1 que figura no título deste texto.
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De Luís Lavoura a 17.10.2019 às 12:00

indisfarçável simpatia para com os indepes! Uma espécie de secção portuguesa do El Pais!

Que eu saiba, El Pais é tudo menos simpático com os "indepes". Pelo contrário, é fortemente agressivo contra eles.
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De Justiniano a 17.10.2019 às 14:51

Vcmcê não faz a mínima ideia do que significa fortemente agressivo, ou não lê o El Pais.
Meu caro, quando o El Pais não consegue disfarçar a simpatia, para com a Generalitat usurpadora e subversiva ou a ERC, é indisfarçavelmente simpático! Quando consegue, disfarçar a simpatia, é pusilanimemente neutro! É, em ambos os casos e sempre, como manda a voz do dono, o PSOE!!
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De xico a 17.10.2019 às 11:13

Pacheco Pereira comparou a contestação a uma alteração antidemocrática de uma Lei com a contestação a uma decisão de um tribunal de um estado de direito fundamentado numa constituição referendada democraticamente. Pacheco Pereira gosta de surfar a onda do momento.
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De Pedro Correia a 17.10.2019 às 11:43

Comparou o incomparável. Equiparando uma ditadura de partido único a uma das mais sólidas democracias do planeta.
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De Justiniano a 17.10.2019 às 17:16

e a catar a espuma com os dedos!
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De Anónimo a 17.10.2019 às 11:21

Cayetana Álvarez de Toledo . "Es absolutamente inútil apelar al incendiario Torra. Y es absolutamente inutiL apelar a Sánchez, presidente gracias a dos golpistas y todavia hoy aliado político del incendiario Torra . Este incendio ya solo se apaga el 10 Nov"



JSP
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De Anónimo a 17.10.2019 às 15:16

Oriol Junqueras, o mártir,diz:

Oriol Junqueras, presidente de Esquerra Republicana, en 2008. "En concreto, los catalanes tienen más proximidad genética con los franceses que con los españoles; más con los italianos que con los portugueses; y un poco con los suizos".

O Adn dele está mais próximo do adn dos italianos e dos suiços que do dos portugueses.

Eu percebo que os catalães se queiram ver livres dos untermenschen e dos pobres em geral, quem não. Pena que a nossa imprensa e o JPP não saibam ler.
Cf
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De Pedro Correia a 17.10.2019 às 16:56

JPP, sobre a Catalunha, parece só ter lido as últimas cinco manchetes da imprensa de Barcelona.
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De Luís Lavoura a 17.10.2019 às 17:28

Permito-me recomendar a leitura de
http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/2019/10/as-ruas-de-barcelona-ii.html
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De Pedro Correia a 17.10.2019 às 20:25

Faz bem em recomendar. É um blogue que muito prezo.
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De Luís Lavoura a 18.10.2019 às 10:23

Preza muito, mas parece que não aprende nada com ele. Se aprendesse, pelo menos deixaria de ter a confiança na justiça portuguesa que diz ter.
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De Artur Campos a 17.10.2019 às 19:21

Por falar em comparações... O que pensa Pacheco acerca da resolução da UE de igualar o Nazismo e o Comunismo ?
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De Pedro Correia a 17.10.2019 às 20:25

Não faço a menor ideia.
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De Antonio Vaz a 17.10.2019 às 22:17

Sem querer antecipar qualquer "prognóstico", diria que o mais qualificado dos nossos anti-comunistas, sim, estamos a falar desse maldito Pacheco, até estabeleciria uma teoria onde seriam evidentes as diferenças que essa (suposta) «resolução da UE de igualar o Nazismo e o Comunismo» (se, de facto, foi aprovada) não quis ter em consideração, por não menos evidentes, as considerações até muito menos ideológicas:o nazismo tinha obsessão anti-semita. O comunismo estalinista foi apontado como anti-semita porque perseguiu alguns judeus, quer porque eles fossem bolshequistas inimigos, quer porque porque pertencessem à raça que não conseguiram comportar-se como o que Estaline esperava deles: os judeus, na Palestina, deveriam demonstrar aos árabes, a verdade bolchevique de Estaline...
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De Pedro Correia a 18.10.2019 às 17:25

Comunismo estalinista é um pleonasmo.
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De Antonio Vaz a 19.10.2019 às 21:14

«Comunismo estalinista é um pleonasmo (https://dicionario.priberam.org/pleonasmo).»
Pode ser que sim, pelo menos, para si que adora recorrer à "geringonça" da retórica demagógica e, para os seus "seguidores" que adoram a sua versão simplificada da "coisa" (História) mas... infelizmente, para muitos comunistas (em todo este nosso mundo mais recente) até nem o foi, como prova a História: é que existiram (tal como existem Hoje!) de facto, um outro comunismo antes de Estaline, um outro depois dele, mais um outro para além dele e até mesmo, por incrível que possa parecer, um outro com ele mas contra ele.
A sua retórica demagógica maniqueísta, aqui neste blogue, pode galvanizar os seus habituais seguidores mas isso não evita as realidades adversas à mesma: pode fazer como Estaline e apagar das fotos oficiais, todos os comunistas que não confirmam o tal seu "pleonasmo", dos convictos leninistas aos trotkistas, passando pelos titistas... já para não falar dos maoistas (esses estalinistas anti-estaline!) mas claro, o que não vai conseguir apagar - tal como Estaline! - é a História.
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De Pedro Correia a 19.10.2019 às 23:04

Maoístas anti-Estaline?
Eheheh, você deve ter-se "licenciado" em comunismo com brindes da farinha Amparo.
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De Antonio Vaz a 17.10.2019 às 20:55

- «(...) impor a sua cartilha ideológica à maioria dos habitantes da Catalunha, que não quer cortar os vínculos políticos com o Estado espanhol (...)»
Facto: nas últimas eleições na Catalunha, em 2017, que se realizaram extraordinariamente depois do governo central espanhol ter destituído o parlamento catalão (então, maioritariamente, independentista!), numa tentativa de dar a volta à sua declaração unilateral de independência, os eleitores residentes na Catalunha - catalães (e também os espanhóis!) - voltaram a insistir em dar a maioria aos partidos independentistas (70 dos 135 seus deputados!). Tal como cá, na altura da "geringonça", muitos insistiram que as eleições eram uma espécie de prova de atletismo onde o vencedor (o Ciudadanos!) deveria ser "premiado" por isso...
- «Assim se evitam comparações espúrias com a situação de Hong Kong, como Pacheco Pereira, cego e surdo às evidências mais gritantes, fez ontem na TVI 24.»
Confesso que não sei o que Pacheco Pereira (PP) disse na TVI 24 mas, pela 1.a vez, até estou de acordo com o Pedro Correia (PC): na realidade, comparar «com a situação de Hong Kong» é, de facto, uma «comparação espúria» e isto porque...Facto: nas últimas eleições para a Assembleia Legislativa de HK, no ano de 2016, os candidatos abertamente alinhados com o governo (ou o governo central, se preferirem...) até obtiveram uma maioria de 40 deputados dos 70 lugares em disputa!
«evidências mais gritantes»? Quais? Hmmm, há que esperar pelo "Sobre a Catalunha (2)" (ou como ele anunciou: «Hei-de voltar ao tema, claro. Daí o número 1 que figura no título deste texto.») onde o PC (Uau! Finalmente!) vai descobrir "gritantemente" o valor do recurso ao "politicamente correcto" e passar a um qualquer argumento do tipo de que qualquer Democracia que não respeite a vontade das suas minorias (o caso de HK) nunca será uma Verdadeira Democracia! Sim, Verdadeira Democracia, essa sim, é a espanhola que mesmo não respeitando a vontade da maioria dos habitantes de uma das suas "colónias" sempre respeita a vontade da maioria dos seus habitantes! Nuances eternamente coloniais! Separatistas são, entretanto, apenas os adjectivos comuns à retórica democrática espanhola e comunista chinesa!

Claro, preparem-se para a típica "argumentação-PC" onde ele até vai acabar por conseguir por provar que, o facto de a maioria dos catalães calçarem 41, é determinante na sua reacção, uma evidente prova de como eles são inimigos da vontade democrática, violentos inatos, etc, etc... ao contrário dos "rebeldes" em HK que, embora sejam parte de uma minoria, por calçarem em média, o #39 são, evidentes respeitadores da vontade democrática e apenas violentos apenas porque, como sabemos são, provocados e assim sendo, agem pelo natural direito à resistência, etc, etc... mas onde, evidentemente, todos nós (mesmo o PC, mesmo os que o apoiam) sabemos que o que aqui está em questão - como eu julgo que seria a base da argumentação do PP! - é que o facto de um manifestante ser esmagado por um tanque só é diferente do de um ser atropelado por uma carrinha da polícia, porque há que insista em descobrir foices e martelos nos tanques!
PS. Quero esclarecer que este meu comentário não deve ser entendido, seja a que propósito for, como um argumento quer em defesa da vontade expressa pela maioria dos catalães (e quem sabe até com o apoio de alguns dos espanhóis que lá residem... esses traidores, na opinião da restante maioria dos espanhóis!), quer de condenação da minoria expressiva dos residentes de Hong Kong que têm saído (com toda a razão) à rua para protestarem contra uma série de manobras políticas que, na realidade, visam tornar HK muito mais igual à China de Xi Jinping!
A questão aqui - para mim! - é a hipocrisia - que julgo, como já disse, até seria a base de argumentação da intervenção do PP, esse único verdadeiro académico do anti-comunismo em Portugal! - com que os governos centrais da China e da Espanha têm lidado com os "problemas" da Catalunha e de Hong Kong...
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De Diogo Noivo a 18.10.2019 às 10:39

Muito bem, Pedro. Quando se compara Hong Kong à Catalunha deixa-se implícito que a República Popular da China e Espanha são, na sua essência, a mesma coisa – um delírio fanático, evidentemente.
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De Pedro Correia a 18.10.2019 às 17:25

Um delírio fanático: é isso mesmo, Diogo.
Nem um assomo de lisura intelectual.

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