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Só lá faltou o Barbas

por Pedro Correia, em 09.09.16

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A TVI inaugurou esta semana um novo "formato": a entrevista sem contraditório. Anteontem, no seu canal de notícias, esta estação televisiva teve como convidado especial o presidente do Benfica. Durante uma hora e cinco minutos.

José Alberto Carvalho estava lá, em pé, a assistir com um sorrriso embevecido. Mas a entrevista foi conduzida por três adeptos do clube dos encarnados: Domingos Amaral, Pedro Ribeiro e Diamantino Miranda. Sentados ao lado do presidente da agremiação a que pertencem.

Nenhum deles integra os quadros da TVI, tanto quanto sei. E não faltam jornalistas por lá que bem poderiam exercer aquela função. Mas a direcção editorial optou por este original formato, que levou o ex-jogador encarnado Diamantino a dar o pontapé de saída com estas comoventes palavras: "Luís Filipe Vieira é conhecido, entre os benfiquistas e não só, como um dos presidentes - senão o único - que tem demonstrado um grande respeito pelos actuais jogadores e pelos antigos jogadores. E eu posso prová-lo."

Estava dado o tom à nova modalidade: a entrevista puxa-saco. Aguardo agora com interesse as futuras entrevistas da TVI 24. Quando lá tiver o presidente do Sporting, um painel de adeptos leoninos prontos a questionar Bruno de Carvalho. Quando lá for o líder do PSD, um trio de militantes sociais-democratas. Quando lá for o primeiro-ministro, só correligionários de António Costa.

Paz e sossego, conversa mole, solo de violino, manteiga no pão, mais sorrisos embevecidos: infotainment no seu melhor. Espero que da próxima vez seja também dado tempo de antena ao Barbas: porque não há-de ser ele um dos "entrevistadores" de Vieira? Se for preciso até lhe passam carteira profissional de jornalista.

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62 comentários

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De Pedro Correia a 10.09.2016 às 07:55

Não defenda a marginalização do Barbas, Isabel. Também ele merece possuir carteira de profissional 'express' de jornalista como a que foi outorgada, da manhã para à noite, ao senhor Miranda, treinador de futebol e exímio perguntador, como muito bem demonstrou, mal abriu a boca, ao dirigir a palavra ao presidente do seu clube do coração.
Considero inaceitável a marginalização do Barbas deste tempo de antena que a TVI generosamente disponibilizou ao SLB durante uma hora e cinco minutos do serão de quarta-feira.

Aguardo agora pela entrevista ao primeiro-ministro na mesma estação. Mantendo-se o formato, teremos três membros da claque de António Costa a dirigirem-lhe perguntas sentados ao lado dele.
Com um jornalista da TVI de pé, a assistir. Disponibilizando sorrisos e talvez um cafezinho.

A propósito, Isabel: gostaria que defendesse também o direito a qualquer jornalista de ser treinador de futebol, numa espécie de permuta interprofissional em piloto automático.
Ou há moralidade ou comem todos.

Bom fim de semana.
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De Isabel a 10.09.2016 às 10:40

Pedro Correia, sabe a diferença entre uma entrevista e um debate? Estava agendada uma entrevista.
Também não foi atribuído nenhum título jornalístico nessa noite - os adeptos do Benfica que colocaram questões foram identificados assim mesmo: adeptos do Benfica.
E não vejo qualquer problema em jornalistas serem treinadores de futebol, a maioria não tem mesmo vocaçao nem ética para o que faz. Querendo ser treinador basta inscrever-se e fazer o curso, se tiver aproveitamento recebe a acreditação.
Resta-me lamentar que a falta de moral da entrevista não o tenha levado a mudar de canal.
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De Pedro Correia a 10.09.2016 às 10:51

Duplicidade de critérios: para ser treinador, o jornalista tem de tirar o curso. Para fazer de jornalista o treinador só de tem de aparecer no estúdio da TVI de emblema na lapela e cartão de sócio na algibeira.
Extraordinário.
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De Isabel a 10.09.2016 às 11:08

Extraordinário é insistir que os adeptos do Benfica presentes e convidados a fazer perguntas se fizeram passar por jornalistas.
Até tenho ideia que um dos elementos do painel é jornalista mas foi apresentado como adepto do clube e foi nessa qualidade que esteve presente e fez perguntas.
Também tenho assistido a inúmeros programas de televisão e rádio onde são colocadas, ao entrevistado, perguntas feitas pelo público seja online ou via telefone...sem nenhum desses elementos do público ser alguma vez comparado com jornalista.
Extraordinário!
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De Pedro Correia a 10.09.2016 às 11:10

Eu tenho assistido a inúmeros tempos de antena. Mas nunca vi um tempo de antena de 65 minutos em horário nobre num canal "informativo" - e obrigado, portanto, a cumprir a deontologia profissional do jornalismo.
Foi uma estreia. Que em nada dignifica a TVI.
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De Isabel a 10.09.2016 às 12:14

Pois eu infelizmente senti-me, no final, melhor informada que em outros programas semelhantes onde o jornalista insiste em ser a estrela e cortar a palavra ao entrevistador a meio da resposta às perguntas que preparou e fez. Acontece demasiadas vezes e essa falta de respeito e ética profissional ledva-me sempre a mudar de canal.

Não querendo fazer comparações entre política e fotebol mas apenas comparar estilos jornalísticos, há uns meses o nosso ex-primeiro ministro foi entrevistado na SIC Notícias naquela que foi uma entrevista com perguntas e respostas obviamente combinadas, sabendo-se mais tarde que a jornalista havia sido instruída para não se desviar do guião, acabando por se demitir.

Não me parece que tenha sido esse o "estilo" da entrevista da TVI, o que aconteceu foi que o jornalista estava mal preparado, fez uma série de tentativas para reacender o tema da saída do ex-treinador e depois desistiu...só tinha aquilo, o entrevistado preparou-se bem sendo as perguntas mais complicadas e pertinentes feitas pelo tal painel.

Se já tinha conhecimento de tudo o que foi dito e explicado sobre a estratégia para o futuro do maior clube português, tem toda a razão em considerar a entrevista um tempo de antena.

Eu desconhecia. Conheço a fundo as finanças do meu clube e estou razoavelmente a par das polémicas entre clubes e deste ou daquele jogador mas a estratégia para o futuro e o que está a ser feito para a concretizar desconhecia.

Tomara eu que os demais clubes pensem como o Pedro Correia e considerem tudo como propaganda. Que continuem a preocupar-se e gastar tempo e energia com tricas de jogadores e dichotes deste ou daquele - é exactamente por isso que o Benfica é tricampeão.

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