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Só eu me espantarei?

por Pedro Correia, em 11.12.18

A andaluza Pilar del Rio, residente há 30 anos em Portugal, presidente da Fundação José Saramago e viúva de um dos maiores escritores do nosso idioma, continua a mostrar-se incapaz de proferir em público uma só frase em português.


66 comentários

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De Luís Lavoura a 11.12.2018 às 11:30

Ela reside há 30 anos em Portugal?
Saramago morreu há oito anos e nessa altura eles residiam em Espanha, não em Portugal. Não sei se logo a seguir à morte ela se mudou para Portugal ou não, mas não o creio.
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De Pedro Correia a 11.12.2018 às 12:46

Séria candidata a Lavourada da Semana.
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De Anónimo a 11.12.2018 às 12:19

Não me espanto.
Porque penso que não se trata de incapacidade, mas de uma opção.
O facto de ser mulher de Saramago (ainda que de Saramago) e responsável pela sua memória não a obriga, nem a ética nem a lógica, a abdicar da sua língua Materna.
Se for como penso, quase me espanta, mas de admiração.
João de Brito
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De Pedro Correia a 11.12.2018 às 12:55

Trinta anos em Portugal e nem uma frasezinha em português. Se fosse ao contrário, uma viúva portuguesa de Nobel espanhol residente em Espanha, nem 30 dias lhe davam para ela dizer duas ou três frases em castelhano a órgãos de informação espanhóis - quanto mais 30 anos.
Às vezes penso que somos de uma subserviência sem fim.

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De Vorph "ги́ря" Valknut a 11.12.2018 às 13:58

Às vezes dizemo-nos também os melhores do mundo disto e daquilo. Fernando Pessoa traçou o mapa astrológico a Portugal. Presumo que se o deitassemos num divã o diagnóstico seria um Transtorno Bipolar
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De Pedro Correia a 11.12.2018 às 21:20

«Que ideias gerais temos? As que vamos buscar ao estrangeiro.»
Pessoa 'dixit'.
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De sampy a 11.12.2018 às 12:21

Alfacinhas, digam comigo: "el Campo de las Cebollas".
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De Pedro Correia a 11.12.2018 às 12:48

Las armas y varones distinguidos,
Que de Occidente y playa Lusitana
Por mares hasta allí desconocidos,
Pasaron más allá de Taprobana...
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De sampy a 11.12.2018 às 13:29

Isso era dantes; agora, nem um barco do Seixal para Lisboa se arranja...
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De Pedro Correia a 11.12.2018 às 21:21

Consequência directa das geniais "reversões" no sector dos transportes públicos. Qualquer dia o pessoal navega em botes de borracha.
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 12.12.2018 às 08:23

Ou a nado e comendo só sopinha como dizia a ex ministra da saúde Ana Jorge
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De Tiro ao Alvo a 11.12.2018 às 13:30

Eu não sabia que a senhora lhe custa a aprender português; o que eu já tinha percebido é que ela se movimenta muito bem em Portugal e que aqui deve viver, explorando o nome e a fama do marido. Pela minha parte, procuro não dar para esse peditório.
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 11.12.2018 às 16:13

"aqui deve viver, explorando o nome e a fama do marido"

É o que todas fazem a partir de determinado gabarito.
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De Sarin a 11.12.2018 às 23:22

Marie Curie dixit?
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De Anónimo a 11.12.2018 às 14:00

Eu já a ouvi dizer obrigada. Com sotaque cerrado, mas é português....
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De Pedro Correia a 11.12.2018 às 15:11

Parabéns. Eu até hoje nem isso lhe ouvi dizer.
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De Cristina M. a 11.12.2018 às 14:18

é verdade, mesmo ontem isso me ocorreu, quando a ouvi, na tv.
as viúvas de escritores, por vezes, arrepiam-me, especialmente quando se apropriam de alegadas ou tão-só confessadas "vontades" do artista.
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De Pedro Correia a 11.12.2018 às 22:51

A Señora Saramago tem recebido muito de Portugal e dos portugueses e não concebe sequer, em troca, dizer duas ou três patacoadas no nosso idioma.
Por cá, o "mundo da cultura", basbaque como nunca, continua a fazer-lhe vénias.
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De Cristina M. a 11.12.2018 às 22:58

pois... faz-me espécie.
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De fatima mp a 11.12.2018 às 23:43

A fazer-lhe vénias e, quase poderia jurar, a esmifrar-se por lhe falar em castelhano, uns, e outros no bom e velho espanholês ... Tem razão, Pedro, é, no mínimo, muita descortesia da Señora Saramago. Mas, quem se rala ...???
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De jpt a 11.12.2018 às 14:29

Tu tens toda a razão. Mas pior do que tudo é querer, e de forma agressiva, vituperando que não o façamos, que transformemos o português de acordo com o castelhano. E que tanta gente incompreenda a arrogância da mulher - sim, falo do execrável episódio da "presidenta" que deveria ter sido apupado globalmente, e implicado um ostracismo moral à execrável colona
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De Pedro Correia a 11.12.2018 às 22:53

Aproveito para prestar aqui a minha homenagem a essa grande Escritora e grande Mulher que é Isabel da Nóbrega, destinatária das dedicatórias iniciais dos romances de Saramago.
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De jpt a 12.12.2018 às 21:15

posteriormente apagadas, convirá lembrar
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De júlio farinha a 11.12.2018 às 14:38

Moro em Portugal, juntinho a Espanha (Ayamonte) e, quando lá vou, os espanhóis não entendem patavina do que digo se falar português. Nuestros hermanos têm uma dificuldade atroz em falar qualquer outra língua que não seja a sua.
Caro Pedro, eles não são dotados para a aprendizagem de qualquer língua. Quando estive em França, tive oportunidade de conviver com espanhóis que já lá viviam há muito tempo. Francês? Que horror! Desculpe lá a Pilar.Ela não faz de propósito.
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De Cristina M. a 11.12.2018 às 17:07

nesse caso, como traduziu tanta obra de seu esposo?
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De Sarin a 11.12.2018 às 17:56

Porque traduzir passa também por perceber a obra e o autor.
Porque é possível ser bom leitor/escritor poliglota e evitar a oralização por incapacidade ou complexo quanto à dicção.
E provavelmente por outros motivos mais.

Outro porque interessante é terem os espanhóis, genericamente, dificuldade em falar outras línguas porque até há pouco tempo consumiam tudo traduzido e dobrado. Sistémico, não casuístico.
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De Pedro Correia a 11.12.2018 às 18:25

Tretas. Exemplo vivo que desmente essa tese é o Rei emérito, D. Juan Carlos, que fala um português perfeito.
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De Sarin a 11.12.2018 às 18:28

Não são tretas, Pedro - embora no caso de Pilar del Rio não saiba se serão factos.

Além de que Juan Carlos cresceu por cá e por cá teve aulas.
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De Pedro Correia a 11.12.2018 às 18:39

São tretas. Faço-lhe já uma lista de 30 espanhóis conhecidos que dominam outros idiomas.
O Diogo Noivo deixa-lhe aqui mesmo, nesta caixa de comentários, um exemplo que desmente essa tese sem fundamento - a de que os espanhóis, coitaditos, não sabem falar outros idiomas.
Tretas.
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De Sarin a 11.12.2018 às 18:55

Não disse que não sabiam falar, há excepções, especialmente entre quem cresceu e estudou fora. Disse que têm genericamente mais dificuldade com a oralização. Por nacionalismo, sim, mas não objectivo, antes consequência.

Repito que não sei se será o caso de Pilar. Mas sei que é o caso de muitos, a generalidade das gerações que não tiveram Praxis XXI nem Erasmus. Começa a generalizar-se a aprendizagem de outras línguas, escolas e explicadores multiplicam-se. Mas o ouvido não treinado não responde como o cérebro desejaria, e se a escrita sai fluída a vocalização nem por isso.

Pode chamar-lhe treta, se quiser. Não será menos frequente por isso.
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De Pedro Correia a 11.12.2018 às 22:57

Mas qual Erasmus? A "Señora" Saramago precisou de algum Erasmus? Veio para Portugal em 1986 e por cá foi ficando desde então, com domícilio real e domícilio fiscal no nosso país, onde preside a uma instituição cultural de reconhecida utilidade pública.
Falar em português nas intervenções pública que vai fazendo, ao menos uma vez, é o mínimo que lhe devíamos exigir. Porque foi nessa língua que Saramago escreveu e criou. E ela deve muito a isso - para não dizer que deve quase tudo.
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De Sarin a 11.12.2018 às 23:18

Pedro, o que eu escrevi não se referia, cf explicitei duas vezes, a Pilar mas ao seu tretas sobre a por mim referida dificuldade de oralização generalizada entre as gerações mais velhas.


Sobre o tema "imigrantes", tenho um lema: quem vai deve tentar adaptar-se. Que serve para imigrantes ou para viajantes. Seja eu quando fora, sejam outros quando cá.


Não é pelo facto de presidir a uma instituição de utilidade pública que deve falar português; não é por Saramago ter escrito em português que deve falar português; não é por ter domicílio fiscal cá que deve falar português.
É por respeito para quem a ouve cá. Apenas e só.
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De João Pedro Pimenta a 12.12.2018 às 17:16

Há já uns anos largos assisti a uma conferência de José Maria Gil Robles, antigo presidente do parlamento europeu (e filho do líder político da direita parlamentar espanhola nos anos trinta com o mesmo nome). O senhor passou boa da infância em Portugal, tal como Juan Carlos, e falava um português com um ligeiríssimo sotaque castelhano. Nunca tinha ouvido (e creio que não voltei a ouvir) um espanhol falar tão bem o português, tanto no vocabulário como na pronúncia.
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De Cristina M. a 11.12.2018 às 20:02

respondia ao comentador júlio, especificamente à sua - dele - afirmação: « não são dotados para a aprendizagem de qualquer língua ». reforço: "aprendizagem".

quanto à complexidade de tradução e da retroversão, estou bem ciente das mesmas.
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De Sarin a 11.12.2018 às 21:16

Esclarecida a questão.
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De júlio farinha a 11.12.2018 às 23:53

Repito: os espanhóis de Ayamonte têm dificuldade na compreensão oral do português e ainda mais na expressão oral. Não sou linguista, mas há um problema provavelmente fonético no português que os castelhanps não assimilam. Se a coisa é assim em Ayamonte fará lá noutras paragens afastadas da Andaluzia. Ao contrário, devido à proximidade e ao visionamento da televisão espanhola durante um longo período, os vilarealenses compreendem e falam quase fluentemente o espanhol.
Não obstante,não descarto a hipótese de haver uma arrogância espanhola face ao nosso país e á nossa língua. A ideia de Saramago da Iberia não contemplava estas distorções.
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De André Miguel a 12.12.2018 às 08:04

Estranho o seu comentário, eu sou de Elvas e em Badajoz compreendem-nos perfeitamente, até se esforçam por falar e aprender.

Mais: trabalho em África para uma empresa espanhola, tenho colegas espanhóis em Portugal, Angola ou África do Sul e todos falam Português e Inglês. Isso de Espanhol não falar outras línguas é treta. Que não tenham a nossa facilidade de absorver tudo o que vem de fora já são contas de outro rosário.
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De Anonimus a 11.12.2018 às 20:41

Eu também não sou dotado para o trabalho.
(Tradução: falta-me vontade)
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De Pedro Correia a 11.12.2018 às 22:49

Compreendo-o perfeitamente, neste preciso instant...
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De Pedro Correia a 11.12.2018 às 23:00

Caro Júlio, esse é o argumento que os espanhóis preguiçosos utilizam. É impensável que alguém que tenha sido casada durante um quarto de século com um português e viva há mais de 30 anos em Portugal se mostre incapaz de pronunciar uma só frase na nossa língua.
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De júlio farinha a 12.12.2018 às 00:30

Caro Pedro, se é assim, então deve acusar, sem mais, Pilar de preguiçosa e não inferir, como parece ser o caso, que se trata de falta de respeito, presunção, ou outra coisa qualquer. Insisto num ponto: os alemães têm, como se sabe uma grande facilidade no uso da nossa língua. Nem todos os povos têm essa capacidade.
Quanto ao viver um quarto de século com o Nobel. confesso que ignoro em que língua se entendiam, mas não me admirava que falassem quase exclusivamente espanhol dado que Saramago era partidário da Iberia em que obviamente a maior extenção de falantes seria espanhola. Por outro lado, como já se disse, os portugueses falam melhor o castelhano do que os castelhanos o português.
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De Anónimo a 11.12.2018 às 14:58

Em compensação:

Bas Bost n( holandês)

O jogador do Sporting Clube de Portugal ( Portugal) o tal que levou uma tareia em Alcochete, já fala compreensivelmente a nossa língua ( embora, misturando alguns desacordos ortográficos)

A "culpa" é de Saramago, falava castelhano com a dita cuja.

Viva : Viva nuestra irmana
Viva: "Noço goliadore"

Amendes

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De Pedro Correia a 11.12.2018 às 22:48

Sim, tomei devida nota. Bas Dost, que se encontra em Portugal há menos 28 anos do que a Señora Saramago, já fala bem melhor português que ela.
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De Anónimo a 11.12.2018 às 15:04

Soma-se que na Azinhaga lhe puseram nome numa rua maior que à saramagal figura.

Bic Laranja
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De Pedro Correia a 11.12.2018 às 22:47

Azinhaga ou beco, que fez ela para merecer tal?
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De Anónimo a 13.12.2018 às 00:04

Desconheço. O alcalde do lugarejo é que deve saber. Deu-lhe a rua da estação, um ramal duma estrada nacional.
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De Pedro Correia a 13.12.2018 às 08:49

Devia ser "calle" em vez de rua...

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