Só conta se for em inglês
Devemos acautelar-nos contra estas listas. Provêm quase sempre do universo literário ou jornalístico anglo-saxónico, indiferente a tudo quanto não se publica em língua inglesa, e insistem em fazer-nos crer que nada existe fora desse idioma. A ausência de Marguerite Yourcenar (e das suas Memórias de Adriano) basta para retirar credibilidade a quem organizou este rol das vinte obras literárias mais influentes escritas por mulheres, a que cheguei via João Oliveira e o seu Sentido dos Livros.
Já nem falo de outras omissões incompreensíveis -- de Simone de Beauvoir a Isabel Allende, de Karen Blixen a Clarice Lispector. Mas o próprio universo anglófono está mal representado. Como é possível esquecer Carson McCullers, Virginia Woolf, Pearl S. Buck, Jean Rhys ou Patricia Highsmith? E se J. K. Rowling comparece não se entende de todo a ausência de Agatha Christie...
Enfim, digo destas listas o que os políticos dizem das sondagens: valem o que valem. Por vezes valem quase nada.

