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Só com um pano encharcado

por Teresa Ribeiro, em 13.01.18

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Sei dizer exactamente com que idade fui assediada pela primeira vez na rua. Tinha dez anos. Foi com essa idade que passei a ir sozinha para a escola, andava então na 4ª classe. No caminho tinha de passar por uma garagem e como era hora de almoço, apanhava sempre a mesma trupe a lagartear no passeio. Diariamente ouvia as piores ordinarices enquanto amedrontada apressava o passo, olhos no chão e coração a bater. Quando, décadas depois, comecei a notar que era menos assediada, estranhei. Será que afinal até gostava daquelas palavras gelatinosas que me chocavam em idade púbere? Ou das ordinarices que me enojavam quando, mais velha e expedita, já podia contabilizar anos de assédio de rua? Não. As mulheres não gostam de assédio, o que não apreciam é o que significa deixarem de ser assediadas. É da natureza humana (e não exclusivo da feminina) estabelecer associações complexas de causa-efeito. Deixar de ser assediada na rua é um dos muitos sinais que revelam a uma mulher que está a envelhecer e é isso que incomoda.

Quando, aos 12 anos, comecei a andar sozinha nos transportes públicos, a minha mãe disse-me: "Se um homem se encostar a ti, pisa-o com toda a força. É remédio santo". Também ela tinha ouvido esse conselho da minha avó e muitos anos depois foi a minha vez de o passar à minha filha (ao meu filho, como é óbvio, nunca precisei de fazer tais recomendações).

Sim, há uma corrente defensiva que se estabelece entre gerações de mulheres. Como poderia não haver, se vivemos num mundo que estigmatiza o sexo feminino? E porque são estas as circunstâncias de todas, repito, todas as mulheres (mesmo as que juram, enquanto lhes cresce o nariz, que nunca foram assediadas, na rua, no trabalho, em circunstância alguma, querendo com esse depoimento colocar-se acima de todas as outras parvas que se queixam "e que se calhar puseram-se a jeito, consentem, no íntimo gostam", mimetizando o discurso mais machista) espanta-me a pressa com que tantas correm em defesa dos homens, como se fossem eles as grandes vítimas da sociedade.

Quando se geram movimentos como o de Hollywood, logo aparecem as guardiãs do statuo quo a apontar a dedo os fundamentalismos que inevitavelmente surgem por arrasto, confundindo razões justas com folclore, conceitos como assédio e galanteio, relações sexuais consentidas com violação. Mais misóginas que os misóginos, colocam-se orgulhosamente à margem das causas femininas. E eu ao vê-las, lê-las e ouvi-las só penso no trabalho que foi para as sufragistas porem as mulheres a votar e o que custou às "fufas das líderes dos movimentos feministas" conseguir que as novas gerações de mulheres fossem tratadas como gente. Francamente, só com um pano encharcado!


78 comentários

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De Anónimo a 13.01.2018 às 16:05

Subscrevo na íntegra o comentário da Dulce e dou-lhe os meus parabéns por ter comentado e explicado tão bem o que a Teresa, vai-me perdoar, confundiu e de certo modo, aparvalhou!
Desculpe: Eu também fui assediada por homens (nos meus 11 anos precoces), passei por circunstâncias que muitas passaram e NUNCA! JAMAIS, em tempo algum (mais tarde) senti "nostalgia" desses "galanteios de garagem ou outros!
Este seu parágrafo é simplesmente lamentável:

"...Quando, décadas depois, comecei a notar que era menos assediada, estranhei. Será que afinal até gostava daquelas palavras gelatinosas que me chocavam em idade púbere? Ou das ordinarices que me enojavam quando, mais velha e expedita, já podia contabilizar anos de assédio de rua? Não. As mulheres não gostam de assédio, o que não apreciam é o que significa deixarem de ser assediadas. É da natureza humana (e não exclusivo da feminina) estabelecer associações complexas de causa-efeito. Deixar de ser assediada na rua é um dos muitos sinais que revelam a uma mulher que está a envelhecer e é isso que incomoda."

Ficará a senhora incomodada e a sentir-se velha, se não tem um camionista, um mecânico, ou um trolha (e faço a ressalva, porque em todas as profissões há gente muito digna) a elogiá-la, de forma grosseira e ordinária e a convidá-la para o impensável. Já que parece afirmar gostar e ser apanágio de "toda" a mulher. Engana-se, redondamente.. Eu, não! Outras, igualmente. Logo com um pano encharcado... talvez seja melhor de reformular, não acha? Fico parva como gente que se assume esclarecida faz posts destes!
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De João Silva a 13.01.2018 às 16:32

"Fico parva como gente que se assume esclarecida faz posts destes!" Não fique. Na realidade as pessoas são muito diferentes umas das outras. Há muitos gostos. Uns e umas detestam o assédio, outros e outras adoram. Há quem queira criminalizar tudo (até o piropo), há quem ache que cada um resolve os problemas que tem. E que há coisas que são do domínio da polidez e não se pode chamar a polícia por haver um mal educado. Estou com a Catherine Deneuve e espero que as outras percam a parada. Também não gosto de associar sexo a ordinarice e a enojar. Não vejo ordinarice nem nojo no sexo. Se me disserem uma piada ordinária (o que é que isto quer dizer?) não me passa pela cabeça queixar-me a uma autoridade.
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De Sílex a 13.01.2018 às 22:52

Desculpe responder-lhe João! Isto não é uma questão de "estar" com a Catherine e querer que as outras percam. Porque, por eras, existiu um abuso continuado e impune da "maior parte" dos homens, sobre as mulheres. Sempre houve! Temo, que vá continuar a haver, mesmo depois disto. Porque o mal do que se está a passar, é que já é um exagero tão grande de queixinhas e apontares de dedo, que correm o risco de cair na desacreditação.
Cada caso é um caso! E tem, antes de mais, de se fundamentar e de averiguar muito bem, cada acusação. Porque haverá muitas que acusam por vingança, ou causas dúbias. Veja-se, por exemplo: Franco ganhar o Óscar e logo a seguir meia dúzia de acusações de assédio.
Outras, acusarão, com total legitimidade! A mulher sempre foi vítima de abusos vários por parte do homem, que sempre teve a Lei e a Igreja do seu lado e até o factor físico, financeiro e outro. A mulher sempre esteve em pé de desigualdade e veja-se quantas morrem à mão de homens e o inverso. No entanto, também há mulheres abusadoras. Há de tudo, nos dois sexos. Deixemo-nos de pruridos e sejamos honestos. Este tema dava para meses de debate.
O que importa é mudar-se mentalidades, mas elas não se mudam de forma radical e o que algumas mulheres hoje demonstram, é uma raiva e um ódio tal aos homens que não me parece são e nem normal. E também não é por aí que as coisas se resolvem.
Eu também não acho o sexo nojento. As pessoas é que fazem com que ele seja nojento e tem comportamentos nojentos. O sexo é uma forma de reprodução e de prazer físico e de bem estar. É uma coisa muito agradável se for abordada como deveria ser. Claro que se me "insultarem" não me vou queixar a um polícia, mas não gosto! Não quero voltar a ouvir! Nem que uma filha minha, anos depois, o suporte. Espera-se que quem o diz e faz, compreenda que age mal. Que a evolução de mentalidades siga o seu rumo, como o tempo e se fique mais educado e contido. Ou, não? É isso que se pretende.
As pessoas são todas diferentes e ainda bem! Todas têm a sua forma de ser e de pensar. A minha, não é menos do que a de outro e nem mais. Temos é de saber conversar e chegar a um ponto convergente.
O homem e a mulher deviam ser sempre parceiros e não inimigos de morte. Nem o homem ver na mulher a "gaija" como já aqui foi dito e elas verem neles os "porcos". Mas também se as pessoas não se dão ao respeito, esperam milagres? Enfim... desculpe ter-lhe respondido. Obrigada. Bom domingo
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De Sílex a 13.01.2018 às 19:06

Não faço ideia do por quê do meu comentário ficar anónimo, mas quero assumir a autoria dele. Logo: este comentário meu.
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De Teresa Ribeiro a 14.01.2018 às 11:24

Cara anónima das 16.05:
Hesitei em escrever esse parágrafo por saber que me arriscava a uma interpretação... (permita-me que use o qualificativo que empregou) .. lamentável como a sua. Procurando evitar confusões, escrevi logo a seguir: "Não. As mulheres não gostam de assédio" - O que é que não percebeu nesta frase?
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De Sílex a 14.01.2018 às 19:20

Parece que lendo os comentários de muitos que aqui se manifestaram D. Teresa Ribeiro, não fui a única a fazer "essa" interpretação e a achar lamentável algumas das suas afirmações.
Mas não se quede, tão indignada. Deixe que lhe diga que continua a ser lamentável a sua resposta. Para mais ferida de uma arrogância e azedume, típicos.
O que é que eu não percebi? Tenha dó. Leia. Reflicta.
A senhora até pode dizer que: "Não.As mulheres não gostam de assédio"...
Rematando logo a seguir com isto e outras pérolas do texto::
"...o que não apreciam é o que significa deixarem de ser assediadas."
O que quer que lhe continue a dizer? E o que significará deixarem de ser assediadas, na sua opinião? É sentirem-se velhas, murchas ultrapassadas? Ora, convenhamos: É um argumento pobre! É triste! E é escusado
Reitero que, com um pano encharcado... pois!
E mais: Mantenho!
Se a senhora ao não ser assediada, pelo que escreve, isso a faz sentir menos mulher... A mim, não! Nem a muitas. Entendido. É que se não percebeu também alguma coisa eu explico-lhe.
Um bocadinho mais de humildade e de respeito da sua parte, por quem lê o que escreve, seria útil. Porque não a insultei, apenas manifestei a minha opinião, num sítio que penso plural e livre.
Tal como tive a honestidade de me identificar e não permanecer anónima.
Por isso nunca hesite e arrisque!
Porque eu percebo-a muito bem! Se não quer ser mal "interpretada" ou "ouvir" o que não lhe agrada... abstenha-se de incluir, nas que ficam diminuídas por não serem "abordadas", toda a mulher, ou a maioria delas. Fale por si.
Não de forma tão abrangente!
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De Teresa Ribeiro a 14.01.2018 às 20:08

E eu, insultei-a? Em que passo da minha curta resposta? Naquele em que lhe peço permissão para usar o termo "lamentável" que já tinha usado num comentário ao meu texto?
Sim, este sítio é plural e livre, como vê, publica até comentários como o seu.
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De Sílex a 14.01.2018 às 20:35

Minha senhora: A pessoas como você, dá-se desprezo! Aliás, não sou a primeira que depois de tratar com soberba, lhe diz que não a incomodará mais!
Talvez, se me merecesse essa importância (e cara a cara), um dia pudesse explicar-me, o que é que tem o meu comentário de errado e porque se refere a ele como:
"comentários como o seu".
Lamentável! Simplesmente LAMENTÁVEL toda a sua postura. Se este sítio fosse plural e livre, pessoas como a senhora não se armavam "ao pingarelho" com pessoas, que manifestam a sua opinião, como outra qualquer!
Sim! Agora tome como insulto, ou o que lhe aprouver! Proíbam-me de comentar aqui, já que são tão democratas, educados e abertos ao diálogo. Mas, tal não será necessário. Não conto voltar!
Passe, bem!
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De Sílex a 15.01.2018 às 00:03

Tão plural que o comentário último evaporou-se não foi, Teresinha! Ai, a menina! Não gosta de que lhe façam frente.
Adoro mulheres como você! Todas transparência...e convicção.
Continuo a perguntar-lhe (isto e para não me dar ao trabalho de reabrir os meus blogs e expor aquilo que você não publica, com uma análise à altura mostrando a pessoa plural que você é e este blogue também:
O que é que tinha o meu comentário, para a senhora se referir a ele da maneira que se referiu.

"... como vê até se publica um comentário como o seu".

É que quando se refere a mim com desta forma:

"...O que é que não percebeu nesta frase?"

Eu podia alegar que a senhora, indirectamente, está a pôr em causa a minha compreensão fulcral dos textos, ou chamar-me literalmente burra. E isso sim já é um insulto, coisa que eu não lhe fiz! Já que o meu lamentável se fica apenas pela constatação do que são algumas das suas afirmações e generalidades.
Mas, não vamos por aí. Porque eu adoro pessoas assim. Só aparência...e nem me dou ao trabalho de lhe dirigir uma letra nos meus sítios. Não a merece!
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De Sílex a 15.01.2018 às 09:51

Bom dia!
Vê como não custa nada, afinal de contas, a transparência! Os comentáriozinhos todos aqui, é onde devem estar, assim já gosto!
Além de que me ficou uma coisa por lhe dizer:
Não há outra oportunidade de o fazer, mas quando se dirigir a mim, não o faça como "Cara anónima das 16.05:"
Eu não sou nenhuma composição de Comboio que passa na sua freguesia. Eu identifiquei-me, para não ficar anónima! Exactamente, porque gosto muito de saber com quem falo e de que saibam quem sou!
Sem outro assunto, desejo-lhe bons "piropos" e "galanteios" que a façam sentir-se ainda apelativa para o sexo oposto!

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De João Silva a 15.01.2018 às 11:30

Exmo Senhora D. Sílex:
Não exagere. Eu discordo da D. Teresa em muito (mesmo em muito) mas os argumentos dela são honestos. A discussão vale a pena pois há muita confusão. E mais, homens e mulheres têm visões e comportamentos completamente (ou quase) opostos sobre o sexo e provavelmente nunca chegarão a acordo porque um é macho e outro é fêmea. Veja com se comportam os animais (os mamíferos e não só) depois tente raciocinar em termos da doutrina de Darwin.
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De Sílex a 15.01.2018 às 15:19

Caro Senhor. Eu não exagero nem me pronunciaria mais sobre o tema e percebo que todos temos direito às nossas opiniões e formas de estar diferentes. Nunca, afirmei ou me passou pela cabeça, que os argumentos da senhora não sejam honestos, mesmo que continue a achar que foi infeliz em certas frases!
Ao dizer isto não estou a ofender! Eu teria de concordar (e de reflectir sobre isso), se o post fosse meu! Essas afirmações minhas e me fizessem o reparo.
O que não admito é que a senhora D. Teresa, se dirija a mim de forma pouco correcta, e desafiadora. Veja-se o "tom".
"...O que é que não percebeu nesta frase?" (Como toda a resposta dela é em tom jocoso)
Tal como não tenha igualmente a abertura e maleabilidade, que diz ter, para arcar com as consequências do que escreveu (a tal discussão válida que o senhor fala) e um diálogo sadio, com quem possa ler e discordar do que a senhora entende ser geral nas mulheres. Repare:
Não fui a única e entendê-lo assim! Nem a manifestar essa discordância. Tendo a senhora aceitado, mais uma vez mal, os reparos de quem lhos fez.
Como, acho, LAMENTÁVEL, que depois de eu me identificar e fi-lo imediatamente, a senhora D. Teresa Ribeiro (digníssima jornalista) se dirija a mim como "anónima das 16:15". É pouco simpático. E quase vexatório.
Como afirmei e repito: Eu não sou uma auto motora que faz a linha do norte. E com isto, também não é ofender, é apenas uma comparação.
Já a si, agradeço-lhe o tratamento de: Exmªa Senhora Sílex. Não era preciso tanto. Não tenho nada de excelentíssima. Cumprimento-o pelo gesto solidário para com a Senhora D. Teresa.
Pela correcção das palavras coisa que ela não teve. E a sã discussão, que sim é de incentivar. Porque a senhora só optou por expor os comentários (que não tinha publicado) quando lhe falei em transparência e pluralismo.
Caro senhor! Penso que não discordará de que eu e todos, quando escrevemos um post temos de estar preparados para quem o interpreta e a sua concordância, ou não. Se o faz respeitosamente, sem o que se vê por aí de enxovalhos e expõe as suas ideias, não tenho e não devo, entrar em atrito com essa pessoa, desafiando-a e levando para a ironia (gozo)do:
"O que é que não percebeu nesta frase?"
Bem como:
"Cara anónima das 16:15" porque eu não a ofendi.
Não fiz mais nada do que dizer que achei lamentável e infelizes algumas afirmações como é de meu direito achar. Tal como ela o tem, de escrever o que bem entender.
Espero que fiquemos por aqui, pois não me interessa alimentar mais polémicas ou continuar a encher este lugar de pareceres meus. Só que não permito certas formas de abordagem, nem de gozo. Quem quer ser respeitado, respeita!
Eu não procedi mal, nem fui mal educada. Limitei-me a expor o que pensava, como os demais que aqui comentaram. Uma boa semana!
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De Carlos Alberto Ilharco a 13.01.2018 às 16:31

Gostei do post e também gostei muito de todos os comentários.
Provavelmente vai julgar que é assédio mas gostava de saber se ainda ouve piropos na rua.
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De Manuela a 13.01.2018 às 17:41

"vai julgar que é assédio" Tenha cuidado que ainda se lixa.
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De V. a 13.01.2018 às 18:30

Tudo isto é muito entediante, mais valia vir um Zeus terrível disfarçado de corcel espanpanante e dar uma trepa a toda a gente.
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De Anónimo a 13.01.2018 às 20:30

Concordo com a essência do texto (vou repetir-me, mas ando há c'anos a afirmar isto) e reafirmo que as piores machistas são mesmo as mulheres, as que continuam, praticamente sozinhas, a educar os filhos, ainda hoje, como na geração dos meus pais (90 anos...).

Há que ensinar a calcar os pés, sim, quando é grosseiro e invasivo, como há que sorrir quando é mesmo para sorrir. Eu já mandei piropos a homens e não vejo razão para ser interrogada/presa. Trata-se de um jogo, tantas vezes inconsequente, de carácter obviamente erótico. O importante é que seja ensinado cedo o que é este jogo e o que representa perigo potencial. Senão, vejamos, quantas de nós se divorciaram por sentirem "assédio" mesmo à brava, daquele que um papelito de merda que ninguém sabe onde está guardado, aparentemente, permite?
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De Anónimo a 13.01.2018 às 21:56

"a educar os filhos, ainda hoje, como na geração dos meus pais (90 anos...)." Exacto. Vai passando de mãe para filha o conselho: se um se encostar a ti pisa-o. Ou espeta-lhe uma agulha.
Até que chega uma geração que diz para a anterior: a idade da pedra acabou. E assim as coisas mudam.
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De alexandra g. a 14.01.2018 às 13:35

Ass: Alexandra G.
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De Beatriz Santos a 14.01.2018 às 09:17

Nada a acrescentar ao piropo bem humorado e não ordinário. Também gostei de os ouvir, caíam bem. Mas, ou serei muito tacanha, ou hoje pouco me dizem (e também deixei de ouvi-los). E pouco me importa se há mulheres que os recebem aos 50 ou 60; se isso as faz felizes, avante, continuem a tratar da aparência e de parecer mais novas. Porém, se permanece o interesse por mulheres mais velhas, desde que enxutas e bem tratadas (alguém disse que isso se consegue com pouco gasto, o que é altamente duvidoso), pergunto por que razão pretendem parecer mais jovens. Não é a idade que traz o glamour, ou que, pelo menos, não o afasta?!
O que acontece é que a velhice nos torna a todos menos agradáveis à vista. É certo, há excepções, mas permanecem excepções. Na generalidade, qualquer pessoa é mais sugestiva ao olhar e ao resto que decorre, dos vinte aos quarenta que dos sessenta aos oitenta. Não há volta a dar, há um evidente declínio físico. É assim. Mas também sucede que ao longo dos anos os interesses de ambos os sexos se vão desviando do aspecto exterior (diria minha mãe que Deus faz tudo muito bem feito) e pulverizam polimorfos. Deixou de contar? Não inteiramente, o corpo faz sempre falta ou não teremos objecto, mas conta de forma integrada e não é sequer aquele despertador que, no outro, nos toldava o juízo. Podemos até sentir saudade de sermos assim, mas não somos mais. Passou. É outro tempo e outro corpo.
Talvez seja verdade que cada idade tem a sua beleza. Contudo, parece-me mais verdadeiro que podemos gozar a beleza em qualquer idade.
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De Anónima a 14.01.2018 às 15:47

"Nada a acrescentar ao piropo bem humorado e não ordinário. " Que é ordinário? Pelo uso que se costuma fazer desta palavra, imagino o que quer dizer: algo associado a sexo (embora eu nada veja de ordinário nisso). Ora então eu penso que o piropo não ordinário é aquele que é insosso e insípido e chalado. Então eu gosto é do ordinário.
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De Beatriz Santos a 16.01.2018 às 06:48

Ora ainda bem. A diversidade dos gostos contribui para o interesse do mundo e permite mais colorido nas ofertas. Há de certeza mais gente afim do seu gosto.
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De Luís Lavoura a 14.01.2018 às 16:33

As mulheres não gostam de assédio, o que não apreciam é o que significa deixarem de ser assediadas.

Só há uma tragédia maior do que ser explorado pelo grande capitalismo internacional: não ser explorado pelo grande capitalismo internacional.
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De Teresa Ribeiro a 14.01.2018 às 19:20

Para a próxima faço um desenho.
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De Luís Lavoura a 14.01.2018 às 16:35

Também ela tinha ouvido esse conselho da minha avó e muitos anos depois foi a minha vez de o passar à minha filha

É por estas e outras semelhantes que as mulheres são uma força conservadora na sociedade: elas transmitem todo o seu saber (o saber verdadeiro, e o falso) de mãe para filha. Uma mulher nunca aprende nada na vida, a não ser aquilo em que a sua mãe a instruiu até aos 18 anos de idade.
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De Zé Mendes a 14.01.2018 às 18:46

"Uma mulher nunca aprende nada na vida, a não ser aquilo em que a sua mãe a instruiu até aos 18 anos de idade." Esta também me parece demais.
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De Teresa Ribeiro a 14.01.2018 às 19:27

"Uma mulher nunca aprende nada na vida, a não ser aquilo em que a sua mãe a instruiu até aos 18 anos de idade" - Já agora, diga-me: acha que com os homens também é assim? Também não aprendem nada na vida a não ser aquilo em que os pais os instruíram até aos 18 anos?
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De Vlad, o Emborcador a 14.01.2018 às 22:43

Teresa, para alguns as mulheres são todas uma putéfias menos as mãezinhas deles!
"Mãezinha anda dar-me um beijinho de boas noites!"
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De João André a 15.01.2018 às 09:57

Esta não vale a pena Teresa. Já notei que o Luís Lavoura não entende a questão. Não se trata de diferença de opinião, apenas de compreensão. Não creio que seja culpa dele (nunca lhe notei qualquer "maldade" por muito que discordemos): a sociedade está arranjada desta forma.

Talvez se o Smith e o Hayeck tivessem escrito sobre o assunto...
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De Teresa Ribeiro a 15.01.2018 às 13:21

Obrigada, João. Já sabia que me sujeitava a uma sova, mas isto superou as minhas piores expectativas :)
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De Luís Lavoura a 14.01.2018 às 17:40

fui assediada pela primeira vez na rua. Tinha dez anos.

!!! Em que consistiu o "assédio"? Em mandarem-lhe uns piropos?

Sejamos claros, assédio não são piropos. Piropos são dichotes, de pior ou melhor gosto, sobre as caraterísticas físicas de uma mulher. Assédio é algo de bem mais concreto, menos boca e mais ação!

Ademais, tenho sérias dúvidas que a Teresa (ou qualquer outra mulher) tivesse aos 10 anos de idade caraterísticas físicas que merecessem qualquer piropo...
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De Anónimo a 14.01.2018 às 18:11

"tenho sérias dúvidas que a Teresa (ou qualquer outra mulher) tivesse aos 10 anos de idade caraterísticas físicas que merecessem qualquer piropo..." Luís se conhecesse a Teresa calava-se. Por alguma razão ela diz o que diz.
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De Zé Mendes a 14.01.2018 às 18:40

Bem, eu fui assediado com menos de 10 anos como expliquei atrás. Acho que ainda não tinha as características físicas que a assediadora desejaria. A diferença está em que eu adorei e ainda hoje (décadas depois) guardo grata memória do que aconteceu. Se a dita cuja fosse viva, coisa que desconheço, agradecer-lhe-ia.
Pensando melhor: com as leis que temos e se ela fosse uma personalidade pública ou rica seria melhor eu queixar-me a acusá-la de abuso. Teria grandes probabilidades de ganhar algo, inclusivé dinheiro. As leis, por vezes, são perversas. Nisto reside um grande problema.
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De Teresa Ribeiro a 14.01.2018 às 19:47

Luís Lavoura:
Do dicionário: assédio - conjunto de actos ou ditos.

Meninas púberes alvo de dichotes porcos na rua é uma banalidade, não sabia? Aconteceu-me a mim e à maioria das mulheres que conheço. A menos que circulem até tarde em ambiente protegido, sempre de carro ou acompanhadas, as crianças de 10, 11, 12 anos do sexo feminino não escapam a isto.
Nota: E não chame piropos a frases ordinárias!
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De Zé Mendes a 14.01.2018 às 20:01

"Meninas púberes alvo de dichotes porcos " Porcos? Por essa ordem de ideias eu, menino impúbere, teria sido vítima não de dichotes mas de actos porcos!! Nunca tinha pensado nisso a não ser muito recentemente.
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De Anónimo a 14.01.2018 às 18:18

Eu sou contra o aborto mas votei a favor da despenalização porque penso que uma mulher não deve ir para a cadeia por abortar dentro de certos limites.
Eu sou contra ordinarices dirigidas a mulheres. Mas voto contra que um homem por dizer ordinarices vá para a cadeia ou seja estigmatizado ou leve uma pisadela no pé ou seja picado por uma agulha. A palavra, incluindo aquela de que eu não gosto, deve ser livre. Se eu pusesse "só aquela de que eu gosto" seria melhor estar calada.
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De António a 14.01.2018 às 21:20

A Sra. Teresa não foi assediada. O que descreve que lhe aconteceu aos 10 anos é outro tipo de crime - grave, a necessitar de tipificação, mas não é assédio. Parece-me que nem a Sra. Teresa nem a palhaçada #metoo sabem o que é assédio, e querem impor uma definição tão abrangente que cabe lá tudo.
Sra. Teresa, homens feitos que se babam a ver crianças e lhes dizem que as comiam todas, são tarados, pedófilos, escória. São perigosos. O que fazem é pior que assédio. Mas não é assédio. Se as senhoras #metoo não sabem a diferença entre molestar crianças e assédio não merecem respeito nem credibilidade - principalmente quando as provas, na maior parte, são rumores. Com rumores não se faz justiça, fazem-se linchamentos.
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De João Silva a 15.01.2018 às 11:24

"nem a palhaçada #metoo sabem o que é assédio, e"
É que a tradução para português de sex harassment está mal feita. Deveria ser "molestamento sexual" e não assédio. Molestamente ninguém quer mas assédio muita gente gosta. Daí a confusão.

"são tarados, pedófilos, escória. São perigosos."
São perigosos mas não são criminosos, são é tarados ou psicopatas, não sei. A pedofilia deve ser vista como uma doença (diz o Professor Amaral Dias) e devemos defender-nos deles encarando-os assim e não punindo-os. Como se faz com os psicopatas que são inimputáveis.

"Com rumores não se faz justiça, fazem-se linchamentos."
Sim, muita gente está a ser lixada (ou linchada) com base em rumores e sem provas. Imagine uma figura pública acusada de pedofilia mesmo falsamente. Ou de assédio. Fica estigmatizado para sempre. Para haver violação basta, na prática, que a mulher declare que foi violada. Há muitas mulheres e homens a apelarem à punição imediata desde que haja rumor ou acusação mesmo que não haja provas. Penso que muitas acusações de Hollywood são falsas, elas querem publicidade e dinheiro. As mulheres, tal como os homens, não são anjos (algumas querem parecer anjinhas puras) e aproveitam-se da onda. E também há casos das que sobem na vida oferecendo favores sexuais. Não há?
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De Teresa Ribeiro a 15.01.2018 às 16:31

Caro António, acredito que a esmagadora maioria dos homens que dizem ordinarices a meninas púberes não são pedófilos, se fossem teríamos um grave problema social, pois esse comportamento é recorrente (certifiquei-me eu própria disso na época que referi, junto das minhas coleguinhas, na ansiedade de saber se era eu que tinha alguma coisa errada, ou se afinal acontecia com todas). Penso que o fazem só pelo gozo de chocar miúdas tão novinhas. É porco, é boçal, mas certamente não é pedofilia que está em causa na maioria dos casos.
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De Anónimo a 15.01.2018 às 17:05

Isto é que ultrapassa a minha compreensão: por que é que o que diz respeito ao sexo "É porco, é boçal,"?
Que outros prazeres são porcos e boçais? Os da mesa (refiro-me a comer)? Os espirituais? Por exemplo ouvir música? Ver pintura? Talvez se for da "ordinária", Não? (há imensos pintores famosos que pintam cenas de sexo explícito). Poesia erótica? Porquê tão frequente a associação porco, sujo, nojo ao sexo? Pode ter inconvenientes (exemplo. transmissão de doenças, gravidez indesejada) mas porco??? Haverá alguma alma caridosa que me esclareça?
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De Teresa Ribeiro a 17.01.2018 às 15:49

Então como sugere que se classifique essa tradição popular de dizer ordinarices às meninas púberes que passam? Será para si pura poesia, já que é um prazer para quem as diz?
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De Anónimo a 17.01.2018 às 17:11

E aos meninos?
Sexo é ordinarice?
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De João Silva a 17.01.2018 às 17:27

Acabo de ler uns textos dum cara que se chama Bocage. Só ordinarices? Será poesia?
Se é poesia é da tal que não se pode incluir nos livros da Porto Editora de capa cor de rosa mas pode incluir-se nos de capa azul.
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De Anónimo a 18.01.2018 às 17:40

Esse tal de Bocage é uma besta.
Ana Maria

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