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Smartphone é grande!

por Teresa Ribeiro, em 13.04.18

satirical-illustrations-polish-pawel-kuczynski-13-

 

Todos os dias no metro encontro mulheres, homens, novos, velhos, de olhos postos no ecrã do smartphone. Mesmo quem está acompanhado baixa a cabeça e mergulha nas redes sociais, ou nos jogos, ou no youtube, ou no messenger alheado do que se passa à volta. Visto de fora este ainda me parece um cenário decalcado de um filme de ficção, apesar de ser já uma banalidade do quotidiano. O que me provoca estranheza não é a atitude individual, mas o facto de a ver replicada pela larga maioria das pessoas que ocupam as carruagens. Observada no colectivo remete-nos para a mise en scène religiosa: todos de cabeça baixa, como que em adoração, manietados por algo que os transcende e submete. Na mesma pose, provavelmente com as mesmas motivações. 

O artista polaco Pawel Kuczynski, que assina a imagem que destaquei, fez uma série brilhante de desenhos sobre esta nova religião que professamos. Pode vê-la aqui: https://www.boredpanda.com/satirical-illustrations-polish-pawel-kuczynski/.

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18 comentários

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De Teresa Ribeiro a 14.04.2018 às 15:11

Nos percursos pendulares também trago sempre algo para me distrair: livro, jornal e claro, também espreito o smartphone. Mas é da uniformização que falo. Impressiona-me este monolitismo. Todos a olhar para o mesmo objecto que seguram nas mãos, como se mais nada existisse. Afinal somos nós que temos smartphones ou são os smartphones que nos têm? É nisso que penso muitas vezes...
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De Anónimo a 14.04.2018 às 18:23

A questão é que o objecto é apenas isso - o uso que se lhe dá pode ser bastante distinto. Nos autocarros vê-se de tudo: há quem faça scroll down no facebook ou no instagram; há quem se entretenha com videojogos (e só aqui as possibilidades são vastas); há quem leia notícias; há quem leia contos (faço-o de vez em quando, é bastante prático); há quem leia as banalidades de páginas de redes sociais; há quem partilhe "memes"; há quem partilhe fotografias da família ou de amigos. Enfim, percebes a ideia. O smartphone resultou porque permite fazer isto tudo - as suas funcionalidades chegam para pessoas bastante diferentes.

Dito de outra forma: parece que está toda a gente a fazer a mesma coisa, mas cada pessoa se calhar está a fazer a sua coisa. O objecto que permite a cada um fazer a sua coisa é que é idêntico.
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De João Campos a 14.04.2018 às 18:25

(tenho MESMO de passar a confirmar que o browser tem o meu registo antes de fazer comentários)
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De Teresa Ribeiro a 16.04.2018 às 11:30

Repara, João, que eu no texto refiro que as pessoas estão a fazer coisas diferentes no telemóvel. E nota, não nego as vantagens da tecnologia, nomeadamente do smartphone, objecto de que não prescindo. Mas é a uniformização de atitudes que me impressiona, porque se me afigura como o símbolo de uma cultura que se instalou e que tem aspectos nefandos que me inquietam. Como sabes, já há muitos jovens (os que nasceram já neste ambiente) que dizem que preferem encontros online aos presenciais. Já é banal ver-se casais em restaurantes e esplanadas, lado a lado, mas com os olhos no telemóvel. Há gente que estando em grupo, isola-se com o telemóvel na mão. Não pode ser saudável este mergulho constante no mundo virtual, preencher todos os minutos assim.
Percebo o que dizes, mas o teu foco é diferente. Falas do que a tecnologia nos proporciona. Eu, dos seus efeitos no nosso comportamento em sociedade.

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