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Sinais?

por Maria Dulce Fernandes, em 02.05.19

Passados os medos da infância e as inseguranças da juventude, adquirida a licenciatura empírica da experiência de viver e aquela sabedoria balofa e conformada que confere aos antigos uma superioridade de conhecimento muito própria, olhando em retrospectiva, não consigo apontar o momento exacto em que estatuí que não existe predestinação.
Fado, fortuna, sorte, sina, ventura… nada acontece por acaso. Somos o somatório das nossas decisões que se intersectam no multiverso dos muitos caminhos que por acções ou reacções abrimos á nossa passagem. Não excluindo de modo algum a existência do Criador e do plano, acredito que são as escolhas a definir o propósito.
Disciplino-me em pensar nas fatalidades nas grandes tragédias . Se abala as minhas convicções? Claro! “ Mas as crianças, Senhor…”
Disciplino-me em pensar que uma arma na mão de um louco que apaga uma vida em segundos e desmorona existências num estampido de fogo e fúria não é karma, maktub, ikisaki, ghaya, mudi de, proorismou, unga…
Afinal é o quê? Sinais dos tempos ou sinais dos homens?

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80 comentários

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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 11:05

"não consigo apontar o momento exacto em que estatuí que não existe predestinação.
Fado, fortuna, sorte, sina, ventura… nada acontece por acaso"

Falha minha de certeza. Mas não existe nesta afirmação uma contradição?

"acredito que são as escolhas a definir o propósito".

E não são as escolhas resultado do multiverso dos muitos caminhos que por acções ou reacções abrimos á nossa passagem....ou seja, não serão as circunstâncias as criadoras de quem somos e não nós os criadores das "nossas" circunstâncias?

Talvez perceba porque escreveu este texto, e por isso não incluo ,neste comentário, os casos de psicopatia.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 11:23

Nada acontece por acaso. Acções e decisões cojugam o verbo suceder em todos os tempos e pessoas.
É uma filosofia de vida. Nem sempre parece coerente, mas a lógica está lá.

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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 11:28

Dulce se nada acontece por acaso até que ponto somos responsáveis pelas nossas boas ou más acções?
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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 11:41

Como nada acontece por acaso, as nossas acções, sejam elas boas ou más, são sempre fruto das nossas decisões, sejam elas boas ou más. Não nos podemos demarcar das nossas práticas, condutas ou desempenhos. Se pode haver uma interferência externa a dado momento? Claro! Mas só acontece porque o percurso que escolhemos nos levou até ali.
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 12:09

Falava sobre a Responsabilidade. Quer parecer-me que o percurso não somos nós, na maioria das vezes, a escolhê-lo, como disse num postal anterior. As crianças não escolhem os pais, o país onde nasceram, a escola que frequentaram, o bairro onde viveram....e depois como explicar o mal traduzido no sofrimento daqueles que não tiveram sequer o tempo para escolher?...aqui entra a Predestinação dos Protestantes....a Graça atribuida não dependente das Acções mas da arbitrariedade de deus, como num jogo. E havendo predestinação deixa de haver Culpa ( no sentido moral do termo), um dos temas mais polémicos do luteranismo e dos recentes estudos no campo das neurociências....o problema é que deixando da haver Culpa deixa de haver Mérito, ficando nós incapazes daquilo que nos dá mais prazer. O julgamento moral do outro.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 13:25

Às crianças é imposta a vontade dos pais , dos tutores ou dos educadores, até terem "legamente" idade para poderem tomar as suas próprias decisões. De qualquer modo a dualidade do bem e do mal é subjacente a todas as culturas e é bem compreendida e aceite em maior ou menor escala. Mas a idade da inocência raramente é a idade cronológica.
A arbitrariedade de Deus é a grande desculpa para as atrocidades dos homens.
Desde que haja desigualdade, moral, social, religiosa, etc., sempre haverá o julgamento do outro, Pedro.
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De Anónimo a 02.05.2019 às 13:31

"Às crianças é imposta a vontade dos pais , dos tutores ou dos educadores, até terem "legamente" idade para poderem tomar as suas próprias decisões".

Será mesmo assim? Até
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 13:36

"Às crianças é imposta a vontade dos pais , dos tutores ou dos educadores, até terem "legamente" idade para poderem tomar as suas próprias decisões."


Será mesmo assim? Até que ponto a educação não é uma doutrinação, tendo como critérios as noções de bem e mal dos pais, da sociedade, classe social, cultura, onde se insere? Cada acção nossa não estará atrelada a este contexto?


Lembrando-me do aforismo "somos o que comemos", ou "somos o que lemos", acredito que também "somos aquele que nos dizem que devemos ser"
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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 13:50

Não tenha dúvidas Pedro de que a educação é uma doutrinação. O núcleo familiar passa a informação ( ou doutrinação, como queira), passa o conhecimento que recebeu acrescido das suas próprias experiências pessoais. Também como seres sociais, seguimos códigos de coduta e devemos até certo ponto ser aquilo que nos dizem que devemos ser. Como os códigos morais não se deterioram por mutações de cromossomas, há sempre aquilo do livre arbítrio, que incomoda muita gente.
Somos o que escolhemos comer - normamente gordos , falo por mim. Somos o que escolhemos ler , e é talvez por isso que há tanto analfabetismo de princípios.
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 15:02

"Como os códigos morais não se deterioram por mutações de cromossomas"

Não há comportamento humano que não tenha origem biológica. A predominância de um comportamento sobre outro depende do estimulo social para cada um deles. Ou seja o biológico é determinado pelo cultural que por sua vez tem sempre uma raiz biológica.
Ex: Somos animais capazes de matar, mas a cultura determina quem matamos. Somos animais competitivos , mas também cooperativos, mas é a cultura que determina a predominância de um sobre o outro....

Tal como uma laranjeira não dá maçãs, não podem haver comportamentos não inscritos nos genes.

E se a Educação é doutrinação como diabos sabemos quem naturalmente somos? O nosso verdadeiro eu?

E agora calo-me, mas só aqui
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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 15:24

Saber quem somos, de onde viemos e para onde vamos...
Creio que só saberemos realmente quem fomos e quem gostaríamos de ser, qual o nosso caminho até ao presente e qual o que gostařiamos depercorrer no futuro, nada mais.
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De Anónimo a 02.05.2019 às 16:21

"não podem haver comportamentos não inscritos nos genes." Não sei se a afirmação está correcta mas o verbo haver está, de certeza, mal conjugado. Não se aflija porque isso hoje é muito comum nos media. Daqui a uns anos será considerado correcto, o erro torna-se regra. Por enquanto soa-me muito mal ao ouvido.
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 17:44

Anónimo, obrigado. Não foi falha do telemóvel, nem da pressa com que escrevi. Foi mesmo ignorância minha
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De Corvo a 02.05.2019 às 15:06

Eu penso que somos mais aquilo que vimos ser. O que nos foi mostrado.
Os filhos, todos os filhos, independentemente dos seus próprios caracteres e personalidades, espelham sempre nos seus procedimentos futuros o reflexo do comportamento dos pais.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 15:35

Abslutamente. Tal pai, tal filho. As primeiras abordagens sociais espelham a educação que tiveram. É o livre arbítrio que esculpirá a sua futura personalidade e determinará a suas escolhas futuras.
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 16:12

Portanto o sucesso, ou insucesso, de um filho depende do pai. Sim, os pais, para os filhos, sempre deram um jeito do caraças para pôr neles as culpas das suas fraquezas. E os filhos, de sucesso sempre deram jeito, aos pais para que estes se vangloriem do sucesso daqueles....mas quando a coisa dá para o torto, pergunta a mãe: Mas a quem diabos ele saiu? A mim não foi concerteza.

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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 17:28

Não, Pedro. Os pais e os educadores dão a ferramenta, o conhecimento, ensinam as bases que sabem e podem até o indivíduo poder voar sozinho. A partir daí depende apenas dele querer evoluir, regredir, avançar, recuar... sua a decisão, portanto. Aquilo do livre arbítrio e por aí.
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De Anónimo a 02.05.2019 às 19:43

Claro que não! Não é, Pedro Vorph?
Sucesso ou insucesso de um filho, ou filhos não tem nada a ver com os progenitores.
Pais inteligentes podem gerar filhos burros, e pais burros podem gerar filhos inteligentes.
Tem a ver com procedimentos dos pais. Que mais copiados ou menos, normalmente são sempre seguidos na suas vidas futuras.
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De Corvo a 02.05.2019 às 20:52

Este anónimo sou eu, que devido a um descuido, inseri o comentário sem estar registado.
As minhas desculpas.
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 21:29

Corvo respondi ao anónimo...
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 21:24

Não. Pais inteligentes têm mais probabilidade de ter melhores empregos, mais dinheiro, e mais possibilidade para escolher as Escolas que querem que os filhos frequentem (não é nenhuma critica, antes que me acusem de marxismo). Além do mais a inteligência tem características hereditárias. Pais inteligentes têm tendencialmente filhos mais inteligentes.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 23:13

Filhos de pais inteligentes têm mais facilidades a nível do conhecimento, por isso não são raras as vezes que tomam tudo por garantido.
E por isso mesmo e porque a inteligência não ser factor genético, tantos e tantas não são tão inteligentes ou bem sucedidos como os pais.
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De Cristina Torrão a 02.05.2019 às 11:19

Perfeitamente de acordo com: «Somos o somatório das nossas decisões que se intersectam no multiverso dos muitos caminhos que por acções ou reacções abrimos á nossa passagem».
Porém, em vez de «Nada acontece por acaso», eu diria antes: nada do que fazemos é por acaso. Porque também há golpes do destino, embora sejam raros. O que acontece na nossa vida é mais por influência da nossa própria acção e das nossas decisões.

«Sinais dos tempos ou sinais dos homens?» Decididamente, sinais dos homens!
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De Anónimo a 02.05.2019 às 18:43

"Decididamente, sinais dos homens!" Então e das mulheres?
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De Cristina Torrão a 02.05.2019 às 19:24

Bem, como a língua portuguesa diz que o plural masculino dá para os dois géneros, resolvi não polemizar. Pessoalmente, gosto mais de dizer "humanos", num caso destes.
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De Anónimo a 02.05.2019 às 22:51

"como a língua portuguesa diz que o plural masculino dá para os dois géneros, resolvi não polemizar" Estou completamente de acordo consigo. Como detesto um certo feminismo que tem a mania de querer alterar a gramática, às vezes dá-me para ironizar. Foi o que fiz no comentário anterior.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 11:29

Concordo, Cristina. Siinais da loucura dos homens que transmutam os tempos.
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De Corvo a 02.05.2019 às 12:23

Concordo. Nada acontece por acaso, e tudo acontece por nossa soberana vontade. Boas e más decisões são ditadas por nós e por elas seremos ou louvados ou condenados.
Somos sempre responsáveis pelo que fizermos, e dissermos.
A não ser assim, que justificação encontrar para sermos diferentes das outras espécies?
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 12:54

A nossa diferença resume-se a uma diferença de anatomia. O Espirito, a Mente (imateriais) são resultado de um Cérebro (material), semelhante, em estrutura, ao dos primatas. Muitos são aqueles que acreditam que a Consciência moral é apenas um disfarce que os nossos instintos e cultura inventaram para que mintamos melhor a nós próprios, sobre a natureza das nossas motivações, mas sobretudo aos outros....o altruismo não passa de uma engenhoca do egoismo
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De Miguel a 02.05.2019 às 14:25

Ora, o egoísmo também pode ser a engenhoca do altruismo e do bem-comum, a acreditar nos argumentos dos Hayeks e Friedmans (visão conceptualmente coerente, embora algo ridícula), e ainda pode ser mais qualquer coisa com um pouco de imaginação e engenho. A moral de tudo isto é que essa obsessão platonista em analisar a realidade a partir de conceitos universais, como se estes tivessem uma realidade transcendente, independentemente do contexto e de um acto interpretativo/valorativo, acaba por deixar escapar a realidade. É como querer segurar a água fechando a mão. A realidade é mais rica do que a mais subtil e complexa arquitectura de conceitos; então quando estes vêm isolados e aos pares - pior, em declinação binária/dicotómica ...
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 16:40

Sim, Miguel. Tudo depende do contexto.
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 17:57

Miguel, Adam Smith foi quem afirmou que dos vicios privados nascem virtudes públicas. Portanto na visão neoliberal, que vai para além de Smith, entrando e usando terminologia do Darwinismo, o altruismo é um produto secundário do egoismo.
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De Corvo a 02.05.2019 às 15:40

Antes de mais há que definir objectivamente o significado do conceito de consciência moral
Porque há duas qualidades de consciência moral.
A nossa: pura e brilhante isenta de quaisquer laivos de hipocrisia, cinismo, mentira, meios esquisitos para alcançar fins, enfim; mais transparente do que o cristal da madrasta da Branca de Neve, e a dos outros que, resumamos; sabemos bem qual é. Fiar-e a gente nela e num saco de lacraus não sei qual nos deixa em pior estado.
Ora então falamos de qual consciência moral?
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 17:52

Conheçamos a natureza biológica dos nossos comportamentos. Somos naturalmente egoistas, egocêntricos, avessos à ambiguidade, à novidade....Sabendo isto, interiorizando com disciplina este conhecimento, temos a possibilidade de melhorar.

Insisto, mais uma vez:

Comportamento, de Robert Sapolsky

https://www.wook.pt/livro/comportamento-robert-m-sapolsky/21685514

The Moral Animal, de Robert Wright

https://www.goodreads.com/book/show/681941.The_Moral_Animal
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De Corvo a 02.05.2019 às 20:31

Olhe, Pedro.
Você avança com a ciência para tudo, argumenta com ela, apresenta links comprovativos(?) Cita filósofos, humanistas, antropólogos, enfim; com tudo que alguém, ou alguns decidiram que estava certo portanto vamos lá iluminar o mundo.
A mim tudo isso nada me diz. Penso, raciocino, associo aqui, dissocio ali, conjecturo isto, procuro dar-lhe um sentido lógico e avanço.
Há, não sei quantos milhares de milhões de seres humanos pelo planeta, uns mais outros menos mas todos seres pensantes, e não há um cérebro igual a outro.
Isso da ciência tomo-a na medida que a compreendo, ou até onde a minha racionalidade alcança, porque de resto acredito mais no que vejo do que naquilo que me dizem.
Diz a ciência, por exemplo: o leão mais forte mata o leão mais velho para se assenhorar do harém. Imediatamente a seguir mata as crias existentes para eliminar os genes do outro. Seguidamente, sente-se feliz e realizado por espalhar a sua descendência.
Tudo errado! O leão mais novo e mais forte mata o leão mais velho e fraco por um só motivo: Assenhorar-se do harém porque desde que nasceu até agora que atingiu pujança, viu o mais velho acasalar e ele não.
E mata as crias do outro também por um só motivo: Sem as crias as periquitas tornam-se receptivas. Porque de resto está lá ele, ou qualquer outro animal a pensar em descendência. Está, e estão todos a pensar em sexo.
Na vida social, comportamental das pessoas, vou mais pelo que nelas vejo do que pelo que a ciência me queira dizer
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 21:28

Corvo, não imponho. Cada um siga a Escola que mais se lhe adequa. Cristianismo, Estoicismo, Física Quântica, Filosofia...se nos tornar mais tolerantes, mas também nos fomentar o pensamento crítico tudo vale o mesmo…..apenas gosto de Neurobiologia, assim como de Séneca e Sade
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 21:37

"Diz a ciência, por exemplo: o leão mais forte mata o leão mais velho para se assenhorar do harém. Imediatamente a seguir mata as crias existentes para eliminar os genes do outro. Seguidamente, sente-se feliz e realizado por espalhar a sua descendência.
Tudo errado! O leão mais novo e mais forte mata o leão mais velho e fraco por um só motivo: Assenhorar-se do harém porque desde que nasceu até agora que atingiu pujança, viu o mais velho acasalar e ele não.
E mata as crias do outro também por um só motivo: Sem as crias as periquitas tornam-se receptivas."

Não percebo onde está o erro. Afirma em baixo o que desdiz em cima.


"Na vida social, comportamental das pessoas, vou mais pelo que nelas vejo do que pelo que a ciência me queira dizer"


A Ciência pode ajudar a compreender o que não se vê e a explicar o que se vê mas não se entende.

Mas fique sabendo que quanto ao Amor, à Amizade, às Coisas enormes da Vida são os poetas, os "ignaros" e não os cientistas, com as suas fórmulas, quem mais sabem. Mas melhor é pensarmos a vida sem termos lido um único livro. Só assim garantimos ser nosso o pensamento e não de outro
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De Corvo a 02.05.2019 às 23:29

Não, Pedro Vorph. Lemos para nos instruirmos quando entramos para a escola. O que ensina são os livros, o professor só explica.
Continuamos a ler por curiosidade e ou por fome de conhecimentos. Ao adquiri-los tornamos vivas as coisas que antes nem suspeitávamos. Isso feito, vimos para um blog, emitimos pareceres, avançamos opiniões, argumentamos ideias, defendemos ideais, pelejamos por ideologias e, sobretudo, que a meu ver é o mais importante, interagimos com gente desconhecida e socializamos em comunidade. Virtual mas é.
Somos educados, uma piada de vez em quando, um epigrama ali, uma diatribe acolá mas tudo dentro de um espírito de sã convivência e civilizada harmonia.
Porque se eu argumento o Pedro contra-argumenta, aquele expõe o seu ponto de vista, o outro refuta e mostra o dele, enfim; há debate, há diálogo que de uma certa maneira também é uma maneira de viver.
Agora, se vem o Pedro não argumentar com a ciência mas sim apresentá-la em links e mais links, traz pensadores, filósofos, humanistas, cientistas e por aí adiante, então para que andamos aqui a discutir as nossas ideias?
O Pedro manda-nos com a ciência para cima e como contra factos não há argumentos, tudo emudece perante a ciência e não se discute mais. Assunto arrumado que o Pedro, pela ciência clarificou.
Não será, isto quanto a mim, a plantação de tanta ciência uma maneira de robotizar opiniões livres? Estupidificar a liberdade opinativa? E até, a criativa.
Também poderia ter sintetizado esta narrativa e avançado:
Caro e estimado Pedro Vorph. Quero que a ciência vá para as urtigas. Isto são só blogs.


(a jeito de corolário)
Se nos vamos a guiar pelas ideias dos outros, então para quê termos as nossas?
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De Vorph Valknut a 03.05.2019 às 09:39

Corvo, só se sabe vivendo-o e vendo-o. O problema dos livros, sobretudo os de História, disciplina base para a cidadania, é saber os propósitos dos seus autores. Na maioria das vezes a História é representada com o propósito, não de revelar a verdade objectiva, mas a interpretação, o preconceito, a convicção do historiador. Daí esta ser uma disciplina perigosissima (sem Teoria Critica a História é Propaganda). Ao contrário, a investigação cientifica não tem ideologia ( o método cientifico dá-lhe imunidade), embora aquilo que se investiga esteja potencialmente sujeito à Ideologia dominante, ao Poder. Daí gostar da "frieza" cientifica sem nunca, contudo, esquecer que: o Que É não tem necessariamente de ser o Que Deva Ser. Mas se pretendermos mudar o que existe , o conhecimento cientifico é imprescindivel, mas não único.

Percebeu, ou quer que lhe faça um esboço?
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De Corvo a 03.05.2019 às 11:13

Percebi pois! Então não ia perceber?
Ora veja.

"O problema dos livros, sobretudo os de História, disciplina base para a cidadania, é saber os propósitos dos seus autores. Na maioria das vezes a História é representada com o propósito, não de revelar a verdade objectiva, mas a interpretação, o preconceito, a convicção do historiador"

Para o Pedro, não sei; para mim não vejo muito bem o que possa contribuir para a minha felicidade saber os propósitos do autor.
Eu pensava que história era uma verdade objectiva, passado, logo, imutável, mas afinal é uma objectividade ao jeito do propósito do autor.
Impressionante! ultrapassa Deus.
Deus tem as suas limitações. Pode modificar o futuro, mas não alterar o passado.
Não pode eLe mas pode o historiador.
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De Anónimo a 02.05.2019 às 12:44

Sinais dos homens com aptidão para psicopatia terroristica, obcecados pelo desafio do "até onde podem chegar e governar o mundo" , por exemplo, com um simples telefone na mão...
Regra geral, quase sempre acontece em pessoas que nunca "chegaram com o pé à peugada" e que têm um complexo qualquer ...
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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 13:31

Faz infelizmente parte dos sinais dos homens que transmutam os tempos
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De Vento a 02.05.2019 às 14:14

"Não excluindo de modo algum a existência do Criador e do plano, acredito que são as escolhas a definir o propósito." isto é = a livre-arbítrio.
A liberdade é o conhecimento que se adquire para a inverter o destino que se escolhe sem saber. Chama-se a isto conversão, isto é, mudar de sentido. É aqui que reside a diferença entre justiça mundana e justiça divina: a mundana, condena; a divina, liberta. A parábola do filho pródigo revela-nos que a chuva cai para todos.
Nicodemos não compreendeu, nem mesmo na profética conversa de Jesus, que ser mestre em Israel não lhe seria suficiente. Certamente compreendeu que, à semelhança da serpente erguida no deserto por Moisés, num outro madeiro erguido estaria não o símbolo mas a real e verdadeira vitória sobre o veneno: a morte foi vencida, onde se inclui a morte ontológica.
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De José M. a 03.05.2019 às 10:15

"Concordo, Vento ." É Bento e não Vento. Vento não é nome. Também podia ser Benedito.
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De Maria Dulce Fernandes a 03.05.2019 às 10:41

Vento não é nome ? Porque não ? Se nasceu durante o movimento hippie, por exemplo, é até um nome bastante expressivo
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De Corvo a 02.05.2019 às 16:05

"A liberdade é o conhecimento que se adquire para a inverter o destino que se escolhe sem saber"
Completamente em desacordo.
Não se inverte nem se prossegue um caminho que não existe, porque não há destino. Quer ele se chame fado, sina, sorte ou o que lhe quiserem chamar.
Há o nascimento e a morte. Todo o espaço temporal que medeia entre um e outro é preenchido por acasos. Nada foi de antemão premeditado.
Destino é o que as pessoas chamam para os acasos da sorte, ou da falta dela, porque a haver deixaríamos de podermos ser responsabilizados pelos nossos actos. Bastava evocar o destino.
- Então você foi matar a velhinha para lhe roubar cinco euros? Sua ignóbil criatura!
- Declaro-me totalmente inocente, senhor doutor juiz. Não fui eu, foi o destino.
E por aí adiante.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 17:37

Qualquer um pode "inverter o destino", Corvo. Quem nasce numa família mormon, por exemplo. Desde que nasce, aprende todos os códigos da socieade mais os que estão ligados à religião da sua família há gerações. Pode ser o que quiser e conseguir na vida , mas primeiro terá que, como tantos anteriomente fizeram, dedicar dois anos da sua vida à igreja, sem qualquer contacto familiar. Quem nasce no seio de uma família mormon, sabe que está destinado a este percurso. Pode cortar os laços e não fazer. Toma as rédeas da sua vida, sejam quais forem as repercussões.
Não há inimputáveis predestinados. Só gente má. Não há acasos. Há boas e más decisões.
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 18:05

Dulce, desculpe mas não concordo. Infelizmente vou ter de deixar um link, por falta de tempo e capacidade argumentativa.

Mas antes de o fazer dir-lhe-ei que grande parte dos condenados à morte nos EUA apresentam alterações anatómicas do neocórtex e amigdala. Há um novo campo do Direito Penal chamado neurocriminalismo....


https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5269646/

https://www.google.com/amp/s/amp.livescience.com/13083-criminals-brain-neuroscience-ethics.html


https://youtu.be/-3wZC4ez3Q8

https://en.m.wikipedia.org/wiki/Neurocriminology

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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 19:01

Vou ver e ler com ateção. Viver é aprender.
Escolhi ser assim, Pedro, obrigada !
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 18:09

Essa visão de "Qualquer um pode inverter o destino" é meio caminho andado para acreditar que não existem vitimas, apenas desculpas. Ou seja uma concepção que desemboca inevitavelmente na Culpa (juizo moral) e numa atrofia do sentimento de compaixão
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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 19:09

"Não há inimputáveis predestinados. Só gente má. Não há acasos. Há boas e más decisões."
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 18:17

"Não há inimputáveis predestinados."

Vou-lhe dar um exemplo da relação cérebro- predestinação comportamental

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Charles_Whitman

Comissão Connally

Nos dias depois do tiroteio, o governador do Texas John Connally comissionou uma força de intervenção de profissionais para examinar a autópsia física e material relacionado com as ações e motivos de Whitman. A comissão era composta por neuro cirurgiões, psiquiatras, patologistas, psicólogos e dos diretores do centro de saúde de Texas Dr. John White e Dr. Maurice Heatly. A comissão Connally fez testes toxicológicos em vários orgãos de Whitman algumas semanas depois do seu corpo ser exumado. Os testes toxicológicos não revelaram nada significante. Examinaram as lamelas do tumor, tirando amostras do mesmo e de mais tecido cerebral de Whitman.

Depois da audiência de três horas a 5 de Agosto a comissão disse que as descobertas iniciais da autópsia conduzida a 2 de Agosto tinham tido erro: que o tumor encontrado teve influência nas ações de Whitman.

Isto foi na década de 60 (ainda nem havia fRM) A neurobiologia ainda nem existia....hoje em dia são inumeros os estudos que associam alterações cerebrais e comportamentos anti-sociais
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De Corvo a 02.05.2019 às 18:23

Maria Dulce: isso não é inverter o destino, é modificar o futuro e isso qualquer um pode e deve fazê-lo se entender que o que o espera não é o mais conveniente para si.
Qualquer ser racional tem o legítimo direito de procurar melhor, se o seio de onde proveio não é aquela que melhor serve ou se adequa ao seu sentido de vida.
Por outro lado, não sabia que na sociedade mormon um que dê em foragido lá do meio, pode fazê-lo desde que dê dois anos à igreja.
Infeliz ser vivente, que ou fique dentro ou salte fora não estou a ver grandes melhorias futuras. Quem dá dois anos à Igreja, penso que em profunda meditação e grandiosa elevação ministrada pelos iluminados ensinadores, fica de tal maneira apanhado da tola que quer no meio familiar ou fora dele o futuro não me parece fazer significativa diferença. Mau para sempre.
Seja qual igreja for ou que qual credo espalhe. Cérebro lavadinho que nem OmO fazia melhor.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 19:07

Depende do ponto de vista. Há quem aceite o "destino", há quem prefira reger-se por outros códigos.
Os jovens que eu conheço melhor, naquela fase rebelde da adolescência sucumbem ao alcool, ao café , ao tabaco, às noitadas, ao sexo muito provavelmente, mas acabaram todos por ir em missão .
Será a isto que se chama " cumprir o seu destino"?
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De Cristina Torrão a 02.05.2019 às 19:35

Dulce, só lhe queria lembrar que, independentemente da família em que crescemos, é muito difícil cortar os laços. Uma ínfima minoria consegue-o. A Dulce conseguiria? Poderá dizer-me que não precisa, pois os seus pais lhe transmitiram os valores e a educação certos. Mas isso pensam todos os filhos! (Com raríssimas excepções). Mesmo os que cresceram em família mormon, ou extremista/fundamentalista (seja de que ideologia ou religião). Por isso, o cortar, o decidir pela própria cabeça, é mais polémico (e difícil) do que o que pensamos. Sejam os nossos pais quem tenham sido, damos-lhe sempre razão. Mãe é mãe, pai é pai.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 20:58

Eu sei Cristina. Vejo-o todos os dias.
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De Vento a 03.05.2019 às 11:39

Destino é o caminho percorrido por cegos que guiam cegos. O pecado original, bem patente no mito da criação, nada mais é que a demonstração de que esta cegueira conduz à morte.
Portanto, faz todo o sentido as seguintes frases de Jesus:
Mateus 10, 37-38 - versão Bíblia King James actualizada
"37Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. 38E aquele que não toma a sua cruz e não me segue, também não é digno de mim. …"
Versão Bíblia de Jerusalém
“Se alguém vem a Mim e não odeia seu próprio pai e mãe, mulher, filhos, irmãos, irmãs e até a própria vida, não pode ser Meu discípulo”

Ainda uma outra versão deste capítulo:
"Aquele que ama pai ou mãe mais do que a mim não é digno de mim. E aquele que ama filho ou filha mais do que a mim não é digno de mim. Aquele que não toma a sua cruz e não me segue não é digno de mim. Aquele que acha a sua vida, a perderá, mas quem perde sua vida por causa de mim, a achará "
(Mateus 10,37-39).
Mas há mais:
Jesus respondeu-lhe: «Quem olha para trás, depois de deitar a mão ao arado, não é apto para o Reino de Deus.»
outra versão ainda:
“E Jesus disse-lhe: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus.”
(Lucas, 9:62.)
E por último:
"16 Ninguém põe remendo de pano novo numa veste velha, porque arrancaria uma parte da veste e o rasgão ficaria pior.
17 Não se coloca tampouco vinho novo em odres velhos; de contrário, os odres se rompem, o vinho se derrama e os odres se perdem. Coloca-se, porém, o vinho novo em odres novos, e assim tanto um como outro se conservam." (vide Mateus capítulo 9)

Aqui tem, meu caro Corvo, as bases para romper com o destino, isto é, a tradição que conduz à morte. Para isto, meu caro, só precisa de veste nova ou de odre novo e de ter suficiente robustez, em Jesus, para aguentar o arado durante a semeadura; e não olhar para trás, para a tradição e para a vontade de ficar preso ao que está para trás. Pois não vá acontecer o que aconteceu à mulher de Ló ou de Lot que, por ter o coração em Sodoma quando esta ardia, ao olhar para trás, ficou petrificada em sal.

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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 19:03

Se há propósito não existe livre arbitrio. Usando uma imagem, o vosso livre arbitrio resumir-se-ia apenas à escolha do lado do passeio numa viela que vai dar um beco (propósito). Faz-me lembrar o exemplo de:

https://www.amazon.com/Drunkards-Walk-Randomness-Rules-Lives/dp/0307275175
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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 19:17

Não olhar a meios para atingir os fins, é um dos exemplos mais flagrantes do exercício do livre arbítrio. Duvido que o propósito fosse a decisão de escolher o lado certo ou o lado errado do passeio, Pedro.
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 21:43

Obrigado Dulce. Vou terminar, Over and Out

Boa noite!
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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 22:21

Obrigada eu, Pedro.
É muito salutar debater pontos de vista com pessoas fantástcas! Concordo que discordar é muito construtivo.


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De Corvo a 02.05.2019 às 19:19

É isso mesmo, Pedro! Ou uma coisa ou outra.
Se há destino não há culpa nem pecado.
- Deixem-me em paz e sossego, cambada de obtusos. Eu fiz alguma coisa?
A moca com que aviei aqueles gajos não fui eu. Só estava nas minhas mãos mas foi o destino.
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De Teresa Ribeiro a 02.05.2019 às 14:57

Viva, Maria Dulce! É bom tê-la do lado de cá :)
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 15:04

Até que enfim que aparece....no outro dia falei em si
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De Maria Dulce Fernandes a 02.05.2019 às 15:11

Olá Teresa! Muito obrigada !
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De Vorph Valknut a 02.05.2019 às 19:09

Que tal depois do jantar?

What if we could peer into a brain and see guilt or innocence? Brain scanning technology is trying to break its way into the courtroom, but can we—and should we—determine criminal fate based on high-tech images of the brain? Join a distinguished group of neuroscientists and legal experts who will debate how and if neuroscience should inform our laws and how we treat criminals.

The World Science Festival gathers great minds in science and the arts to produce live and digital content that allows a broad general audience to engage with scientific discoveries. Our mission is to cultivate a general public informed by science, inspired by its wonder, convinced of its value, and prepared to engage with its implications for the future.

https://youtu.be/Ra2niqQhR8M
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De Bea a 02.05.2019 às 21:53

Os sinais dos tempos são os sinais humanos.
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De Cristina M. a 02.05.2019 às 22:46

viva, Maria Dulce.
tem algum endereço de correio eletrónico "oficial" (ou não) só para lhe dizer uma mini-frase?

obrigada,
C
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De Cristina M. a 02.05.2019 às 23:19

valeu. agradecida e até já.

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