Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Delito de Opinião

Comer (9)

Caril de abóbora, grão e coco

Pedro Correia, 26.11.22

caril.jpg

 

aqui confessei ter praticamente banido a carne da minha dieta alimentar. Não por qualquer simpatia pelo PAN, que é nula, nem por embarcar nas suas prédicas tele-evangélicas sobre o "bem-estar animal", mas simplesmente porque me sinto melhor assim. Cada vez cozinho mais em casa - e cozinho cada vez com maior recurso aos vegetais. O preço quase proibitivo de carne e peixe, nos dias que correm, contribui para juntar o útil ao agradável.

E agradável é este prato que aqui vos trago: caril de abóbora, grão e coco. Prato vegetariano, sim. Mas pouco me importam as etiquetas. Interessa é que seja apaladado e nutritivo. 

 

Comecemos por reunir os ingredientes: abóbora, cortada em cubos; um pedaço de gengibre fresco (tenho sempre algum no congelador); dois dentes de alho; um par de chalotas (cebola também serve); dois tomates em pedaços; uma lata de grão já cozido; uma lata de leite de coco; uma malagueta a que retiro quase todas as sementes.

E ainda arroz, pronto a cozer à parte. O ideal, para mim, é o basmati. Mas por questão de preço e de consciência ecológica (o basmati é produzido longe de Portugal), o nosso mui respeitável carolino serve também.

Não esquecer ainda: uma colher de sobremesa de caril e uma colher de chá de açafrão. Além de coentros, em talos e folhas.

 

O azeite começa a aquecer no tacho quando nele se incorporam o gengibre cortado em palitos finos, o alho laminado, a malagueta e as chalotas em pequenas rodelas. Dois ou três minutos em lume forte. Vai-se mexendo com a colher de pau: Bruxelas, felizmente, levantou o veto a tão indispensável ferramenta da nossa culinária. 

Há que verter então os talos de coentros e o caril, tudo frita ligeiramente. E logo ali mergulham os tomates e o açafrão, banhados pelo leite de coco, já o lume ficou brando. Convém esperar por um início de fervura: chegou o momento de enfiar abóbora e grão na panela.

Segue-se um quarto de hora em lume brando, talvez nem tanto. Há que espreitar para ver se necessita água para não secar nem colar ao fundo. Depois, apagar o lume e aguardar um pouco mais, de tacho descoberto, enquanto o molho engrossa.

 

À margem, cozemos o arroz no seu canónico quarto de hora que pode estender-se aos 18 minutos. Será polvilhado de pedaços de caju ou sultanas - foi desta vez o caso, conforme a foto documenta. Haverá ainda um resto de coentros para enfeitar. E o indispensável chutney - neste caso, de gengibre e manga: perfeito para acasalar com o picante.

Há quem prefira acompanhar com naan, pão indiano: também serve, como complemento ou alternativa ao arroz. Menos recomendável a quem esteja em dieta.

Prato simples, saudável e saboroso. Sabe muito bem a qualquer hora - seja almoço, seja jantar. E desmente a convicção, ainda entranhada em muitos, de que refeição sem carne é insípida e escassa de sustento. Deste meu posto de cozinheiro amador já capaz de tratar o fogão por tu, vos afianço: não acreditem nisso.

20 comentários

Comentar post