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Simples proposta para o nosso ensino

por João André, em 15.09.15

No início do novo ano escolar surgem sempre novas propostas (além do caos a que este governo nos habitua, deve ser ritual de passagem). Este ano é a oferta do ensino do mandarim como língua estrangeira a partir do 10º ano e o inglês como obrigatório a partir do 3º.

 

Nunca tenho nada contra estas ideias (embora eu oferecesse o mandarim mais cedo, considerando a sua complexidade), mas espero um dia ver uma simples medida: manter por um lado a matemática e uma disciplina geral de ciências (física, química, biologia) nas áreas de humanidades; e manter filosofia e literatura/história nas áreas de ciências.

 

Num país onde muitos licenciados/mestrados não sabem argumentar e não conhecem história, e onde as pessoas com formação em humanidade são frequentemente completamente analfabetas cientificamente, estas medidas só poderiam enriquecer o nosso futuro. 


9 comentários

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De Cathrine a 15.09.2015 às 12:36

Concordo, não podia estar mais de acordo.
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De Pedro Correia a 15.09.2015 às 14:07

Inteiramente de acordo com as tuas sugestões, João. A interdisciplinidade é fundamental para o conhecimento global. Cada vez mais.
De acordo também com a necessidade de iniciar muito mais cedo a aprendizagem da língua chinesa: quanto mais cedo começar melhor, dadas as características do idioma, designadamente na versão escrita.
Propostas que deviam ser lidas com atenção pelos burocratas da 5 de Outubro.
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De João André a 16.09.2015 às 08:55

É precisamente pelo lado da escrita que penso nisso Pedro. Mas OK, não vou apontar o dedo ao ministério: tem que se começar por algum lado e é mais simples iniciar assim o processo.

Só me parece que a oferta do mandarim vem tarde. A influência da China no médio a longo prazo irá diminuir. Pura e simplesmente não têm a natalidade suficiente para evitar o choque que aí vem.
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De baudolino a 15.09.2015 às 19:14

Filosofia e Português já existe no agrupamento de Ciências Naturais; o que faz falta neste agrupamento é uma disciplina de História, que devia, aliás, ser obrigatória em todos os agrupamentos.
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De João André a 16.09.2015 às 08:59

Confesso que não conheço em detalhe os currículos actuais. Quando andei na escola tive de facto Português e Filosofia até ao 11º ano. História estava realmente ausente. Não me lembro das outras áreas, no entanto.

A minha proposta seria para todas as áreas e muito sinceramente gostaria de ver universidades a avançar pelo mesmo caminho (mesmo que as disciplinas não nucleares - filosofia em engenharias, por exemplo - não contassem para a média).

Quanto aos temas nas disciplinas, aquilo que faz é descentralizar o ensino do mundo português. Mais uma vez não conheço os currículos actuais, mas tenho a sensação que a literatura continua a ser muito luso-cêntrica e a história ignora o resto do mundo (especialmente a Europa, que tanto influenciou a história portuguesa).
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De FranciscaHall a 15.09.2015 às 20:02

De acordo. A interdisciplinidade deixaria de cortar as pernas a muito jovens quando chegam ao fim o secundário, só porque aos 14/15 anos foram obrigados a escolher entre opções limitadas sem maturidade ou conhecimento suficiente.
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De João André a 16.09.2015 às 09:00

Esse seria de facto um dos objectivos. Outro seria simplesmente criar pessoas mais completas, mais capazes e entender outras áreas que não as dos seus estudos.
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De Costa a 16.09.2015 às 14:41

Esse, desde logo, o de criar "pessoas mais completas", bem deveria ser acarinhado. Mas - a menos que de facto tal (ou tais) disciplina não conte para efeitos de avaliação, o que condenaria o seu ensino e estudo à irrelevância do seu conteúdo e à chacota do seu docente - a coisa parece-me improvável.

Do lado do poder público o desejo é o de conter custos a todo o custo e melhorar, a todo o custo, as estatísticas da educação. E reduzir o grau de exigência é uma excelente forma de o fazer (e Bolonha ajudou muito: afinal já se é dr., e suponho que eng., com três anitos de passagem mais ou menos leve por uma escola superior; ora por absolutamente inútil e vácuo de substância - além de abusivo - que o título seja, ele é objectivo sagrado por cá).

Do lado dos estudantes, de, arrisco, uma larguíssima percentagem dos estudantes (e dos seus papás), o objectivo - cá está... - é o diplomazinho, tão depressa e facilmente quanto praticável, interferindo não mais do que o absolutamente inevitável com o que de facto interessa: das noitadas ao facebook . Nas idades mais infantis parece até que não é raro que pai ou mãe, num estremecimento de ternura pela sua prole (e no intervalo da "bola", da novela ou de um programa matinal ou vespertino da televisão), se dedique à ameaça - ou mais do que isso - à integridade de pessoa ou bens de quem ouse admitir a hipótese de chumbo (ou retenção, ou lá o que agora se chama) do seu frágil, desvalido e injustiçado rebento

Como parece que está muito bem assim e, depois da tão cantada primeira, vamos gloriosamente rumo à segunda geração "mais bem preparada de sempre", não me parece que o que sugere alguma vez se concretize. Porque afinal, não dá votos.

Que é o que interessa.

Costa
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De lucklucky a 15.09.2015 às 22:14

Que tal deixar existir a diferença?
Em vez de proibir a liberdade no ensino pela força do Estado como acontece hoje?

Desse modo já se poderia teria tentado o que está a dizer. Assim o ensino continua no início do Estado Nação.

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