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Sexo aos 50 anos é melhor, cretino!

por Patrícia Reis, em 10.01.19

Esta coisa de ser mulher não é fácil, às tantas deveríamos fazer conferências de imprensa diárias para esclarecer sexistas e machistas, mas quem tem tempo para tanto?

Um escritor francês, premiado e presença regular na televisão do seu país, afirma que não conseguiria amar uma mulher com 50 anos de idade – a mesma idade do dito cujo senhor –, que os corpos das mulheres mais velhas não são extraordinários como os das mulheres de 25 anos de idade e que, cereja no topo do bolo, que as mulheres mais velhas se tornam invisíveis. Diz tudo isto em declarações à extraordinária Marie Claire francesa (que saudades que tenho da revista em versão portuguesa!).

E, é evidente, as declarações causaram furor nas redes sociais e afins. A minha pergunta, a primeira, é: quem é este senhor? E por que carga de água é que tem palco para tanto disparate? Porventura será muito famoso, ganhou um prémio literário com relevância no mundo das letras, mas quem é? É que malta a ganhar prémios há muita e nem todos são dignos da história da literatura universal. E como se atreve, este cretino? Será para criar soundbites?

Deduzo que possa dar-se ao atrevimento porque hoje é tudo possível. O dito cujo senhor acrescenta ainda que prefere mulheres orientais, porque o seu gosto apurado no que toca a mulheres asiáticas dá-lhe um certo... panache? Acrescenta ainda, este escritor cujo nome escolho não nomear, que pode ser triste e redutora a forma como classifica o aspecto desejável das mulheres asiáticas, mas é ele. Devemos dar-lhe pontos pela sinceridade?

Uma mulher de quase 50 anos, é o meu caso, tem de conviver com várias pressões da sociedade, pode escolher viver melhor ou pior, mas sabe que existem. É evidente que um corpo aos 25 anos não é comparável com um de 50, embora seja relativo, por existirem corpos em todas as idades que podem ser classificados como “pouco interessantes” do ponto de vista estético. O que me perturba nas declarações desta criatura tão versada nas coisas do mundo é – desculpem a repetição – o facto de dizer que as mulheres mais velhas são “invisíveis”. Não somos. As mulheres nunca são invisíveis, não importa a idade ou o corpo. Cada mulher é um ser humano que traz consigo uma experiência, uma história. Haja paciência!

O escritor, torturado por diversas personalidades nas redes sociais, diz que não tem culpa e que não pode ser julgado no “tribunal do gosto”. Há muitas mulheres mais velhas que se riem com tudo isto, eu não consigo. Uma amiga próxima, porém, arrancou-me uma gargalhada ao dizer que aos 50 o sexo é muito melhor, “o escritorzinho é que não sabe e talvez não queira ser confrontado com a sabedoria e experiência que nós, mulheres, acumulamos. Azarinho”. Que é como quem diz nous sommes désolées.

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26 comentários

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De xico a 10.01.2019 às 22:06

Que mal pergunte: porquê dar atenção a um homem que diz não gostar de mulheres de uma certa idade? É um problema dele, não das mulheres da idade que ele não gosta. Há homens que não gostam de mulheres de qualquer idade, e então? As mulheres sentirem-se ofendidas pela falta de gosto do senhor é que me surpreende. O que me admira é haver mulheres que gostem dele.
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De Sarin a 11.01.2019 às 00:09

Optei por o nomear nos meus postais e comentários: Yann Moix.
É uma questão de não permitir que alguns incautos o confundam com outros escritores, e nestas coisas convém sempre ser claro e chamar os bois pelos nomes.

Mas, Patrícia, o homem pode ter os gostos e desejos que entender - ou que lhe explicarem - agora chamar-lhe amor... sim, porque eufemismo não foi; confesso-me admirada, embora a minha admiração seja já translúcida, quase invisível: como pode um escritor confuso com as hormonas escrever livros maduros, alguns quase da mesma idade que as mulheres por ele vistas e amadas? Bem sei que o homem e a obra são e devem ser distintos, mas quem assim obra da boca para fora de algum lado lhe virá...
Do assessor de imagem, diria, mas de um Goncourt espero melhor rifão. Ou o prémio baixou a fasquia ou o escritor perdeu a pujança. E desculpe a fraca rima.

Feliz 2019!
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De alexandra g. a 11.01.2019 às 00:37

Portanto (palavra detestável, devo deixar esta palavra, que enuncia aqui uma opinião, e as opiniões são, como costumo dizer, um desporto olímpico, mas nunca me calhou tão bem dizê-la!), deveremos - e eu tenho 52 anos - primeiro, não lhe chamar 'senhor', pois que é, efectivamente, um cretino (eu chamei-lhe trambolho). Deixei noutro espaço da bloga uma outra questão retirada das mots que enunciou, sobranceiro: talvez aos 60 (olhe as mulheres de 50...)!


___
Ah, le monde est le ciel, azul, azul, toujours les jours le matin, Une Belle Femme Autour De Soi!!!
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De alexandra g. a 11.01.2019 às 00:42

P.S. - e, sim, sexo aos 50 é melhor, muito melhor, donde, o meu actual amante, que tem 28 :D
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De António a 12.01.2019 às 13:23

Adorei este comentário por várias razões. Não percebo qual o problema de gostar de homens ou mulheres mais velh@s, mais nov@s, ou da mesma idade. Há mulheres muito bonitas e sensuais aos 20 e aos 50, não me passa pela cabeça descartar uma relação porque a mulher é “nova” ou “velha”, ou seja, reduzir uma mulher a um número.
Adorei a expressão “amante”. “Meu amante”. Ignora olímpicamente a polémica idiota que se instalou em relação ao “meu”, como sinal de posse e opressão. Quando refiro a “minha” estrada preferida para andar de mota não estou a reclamar a sua posse, como é, ou deveria ser, óbvio.
E “amante” é duma honestidade desarmante. Não é namorado, companheiro, marido, paixão - é a pessoa com quem se faz amor. É saudável e descomplicado. Tenho para mim que muito azedume e coisas piores que por aí andam se devem ao facto de muita gente não ter uma dose saudável de bom sexo.
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De alexandra g. a 11.01.2019 às 00:44

p.p.s. - mas poderia ter 59 :)
p.p.p.s. - over and done!
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De Luís Lavoura a 11.01.2019 às 17:37

Se tivesse 59 possivelmente não faria sexo de todo, ou então somente com Viagra. Sexo programado, toma o comprimido uma hora antes.
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De alexandra g. a 12.01.2019 às 15:52

Conforme referi, poderia ter 59 e, diga-se, um desempenho formidável (existem homens assim, aprenderam bem). Depois, existe aquela ideia do sexo como se de máquinas se tratasse (e é de pessoas que se fala, nesta altura, estão ultrapassadas as questões de género), quase obrigadas a terem 25...

Uma atracção, uma relação entre duas pessoas, mesmo com sexo, não tem de passar pelos trâmites convencionados para as idades mais, digamos, 'activas (que, aliás, podem redundar na maior seca!).

E isto está provado.

________
E não, o trambolho/cretino/etc, como o Mário Machado, não tem "liberdade de expressão" para estas & outras situações cuja única intenção é denegrir, humilhar, subalternizar O Outro, pela via das diferenças. Existem leis para a incitação - velada que seja - ao ódio racial, a discriminação sexual, etc.

O Luís Lavoura pertence também a essa bolha de gente que julga poder afirmar, à barítono, tudo o que lhe ocorre, seja lá qual for o assunto.

Costumo dizer que não dou conselhos nem a pedido, mas: cuide dessa bílis!!!
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De Anónimo a 11.01.2019 às 00:48

Deixe-o correr atrás das meninas de vinte.
Com certeza é inseguro, não aprendeu nada na vida e ainda precisa disso.
Além de mais, sendo assim, desampara a vida das mulheres que interessam :) Como vê, vantagem para todos.
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De jpt a 11.01.2019 às 05:06

Não resisti e fui googlar. Não o conheço, nunca li. Em busca de cabeçalhos, com toda a certeza (e eis-nos a falar dele ...). Mas, para além disso, um tipo cheio dele-próprio. A coisa da idade "ainda é como o outro", entre o ridículo e a patetice. Agora a cena da raça ... "Je ne sors qu'avec des Asiatiques. Essentiellement des Coréennes, des Chinoises, des Japonaises, a-t-il déclaré. Je ne m'en vante pas. On essaie d'être dans la vérité et dans la franchise." e grosso modo porque, diz, as europeias (as brancas, entenda-se) são muito ciosas de si mesmas. É um g'anda pacote, o desejo pela geishazita obediente e adoradora do homem branco. Já não é costume ouvir isto em público. Em privado? Ui ... é o dia-a-dia.
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De Aurélio Buarcos a 11.01.2019 às 06:57

Escritora escreve no "Delito de Opinião" sobre delito de opinião de escritor.
Não concordo com a opinião do escritor sobre a idade mas sobre a localização geográfica tem uma certa razão.
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De Luís Lavoura a 11.01.2019 às 09:43

quem é este senhor? E por que carga de água é que tem palco para tanto disparate?

É uma pergunta que eu faço sobre muitos colunistas da imprensa portuguesa. Tipo Henrique Raposo ou Maria Filomena Mónica.
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De Luís Lavoura a 11.01.2019 às 09:45

como se atreve, este cretino?

Como se atreve, a quê?

Ele goza de liberdade de expressão, de exprimir a sua opinião. Não é nenhum atrevimento exprimir a sua opinião. Tem tanta liberdade de exprimir a sua opinião como, sei lá, o Mário Machado.

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