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Setas vingativas

por João Pedro Pimenta, em 09.08.18

O PSD é uma instituição caótica desde a sua origem, com uma capacidade inesgotável de nos espantar. Quando tudo parecia ligeiramente pacificado, eis que surge Pedro Duarte com intenções de desalojar Rui Rio da liderança do PSD numa questão de meses (ou seja, às portas de um ano com duas eleições), deixando só uma pergunta por fazer: porque é que ele não avançou no tempo devido, nas primárias de Janeiro? A juntar a isto, Santana Lopes, com a ponderação que se lhe conhece, anuncia a saída do seu partido de sempre e a intenção de criar a tão esperada nova formação, o sempre adiado partido de Santana (será mesmo o PSL?). Não me vou alongar sobre os sucessos futuros desse partido, de que o Luís já falou há dias, com uma oportuna comparação à defunta Nova Democracia de Manuel Monteiro. Mas o processo de intenções de Santana traz dois desmentidos: a ele próprio, de que a história contada por Pacheco Pereira sobre a intenção de fundar um partido diferente era mentira; e aos seus indefectíveis, que juravam que "o Pedro" estava "diferente", mais maduro e mais estável. Isso antes de ele entrar na comissão de Rio, de sair da mesma, e de sair agora do próprio partido a cuja liderança concorreu há pouco mais de seis meses. Uma enorme estabilidade, como se vê, e Santana de novo a ser ele mesmo. Não é um novo Pedro, é mesmo o Pedro de sempre.

 

Alguém lembrou que no último Sábado, 4 de Agosto, se completaram 440 anos desde a batalha de Alcácer Quibir. O mesmo dia em que Santana anunciou a saída do PSD. Não sei se o gesto tinha algum cariz de efeméride ou de simbolismo, e se Santana quereria mostrar implicitamente que é o D. Sebastião da política portuguesa. Mas tendo em conta que o futuro lhe pode trazer sérios ferimentos políticos e o dardejamento de inúmeras "setas" (nem por acaso o símbolo do PSD) em forma de críticas e ataques, corre o risco é o de se transformar no S. Sebastião da política portuguesa

 

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4 comentários

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De lucklucky a 09.08.2018 às 09:11

Não percebo o que isto tem que ver com vinganças.
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De Luís Lavoura a 09.08.2018 às 09:41

com uma capacidade inesgotável de nos espantar [...] surge Pedro Duarte com intenções de desalojar Rui Rio da liderança do PSD numa questão de meses

Isso não tem nada que espantar, pelo contrário, já fôra previsto por diversos analistas da situação política: os adversários internos de Rio têm que o desalojar ANTES (e não depois) das eleições legislativas, com o fim de garantir que os deputados a eleger continuam a ser (mais ou menos) os atuais (ou seja, adversários de Rio), e não os resultantes de novas listas elaboradas por Rio e contendo essencialmente os seus partidários.
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De Anónimo a 09.08.2018 às 18:31

O prémio é enorme.
Quem vencer a luta pelo poder dentro do seu diminuto grupo, o partido, fica automaticamente, constitucionalmente, com direito e possiblidade de aceder ao prémio máximo: ser, politicamente, o "dono de isto tudo". De isto tudo.

Para quê ralar-se com a opinião pública?. O que conta é a luta intestina, suja ou não, leal ou não, meritória ou não, bem lá dentro do partido.
O País, o interessado, esse estará sempre alheio. Apenas irá receber, de mão a beijar, o "eleito" pelo minúsculo e obscuro círculo eleitoral.
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De Vento a 10.08.2018 às 21:21

A oposição a Pedro Santana Lopes tem alimentado uma pseudo-inconsequência deste para tentar revelar também uma pseudo-volatilidade de suas ideias.
Acontece que PSL só demonstrou ser inconsequente enquanto não tomou a atitude que hoje é conhecida. Na minha perspectiva ele era usado por causa desses atributos que lhe imputam.

Acontece que o PSD, após a morte de Sá Carneiro, tornou-se um partido de barões e de candidatos a baronatos, e sempre viveu à sombra destas pretensões. 2011 foi o marco que deixou claro que os barões e os candidatos a baronatos só gostam de navegar a céu aberto, deixando Passos Coelho e outros tantos a remar sem bússola.
Após a alternativa surgida, a da actual geringonça, o PSD, com Rio, ofereceu 2 impressões:
- Pretender governar a reboque do PS
- Fazer parecer que esta pretensão servia para resgatar o PS do poço em que caiu.
Estas premissas ou equações demonstram inconsequência política, programática e até mesmo inexistência de uma alternativa por parte deste partido para o país. Bem no fundo, a actuação de Rio tem sido demonstrar que existe um oásis na seca que impera; sendo este oásis o PS e o PSD.

Pedro Santana vem demonstrar que ainda é possível viver a política com valores e com objectivos concretos; e estes valores e objectivos só podem ser alcançados por quem desejar enfrentar quer a brigada do reumático, demasiado encostada às comodidades alcançadas, mas pretendendo manter capacidade de influência, quer os impulsos voluntariosos de quem lhe falta alguma tarimba para poder ser acreditado.

Neste cenário, perante o vazio da actual governação e da seca que impera, com excepção para o CDS, na oposição, PSL é uma alternativa credível para se fazer a mudança. Espero também que o PCP saiba agarrar esta oportunidade para vincar sua influência.
Mas também que Seguro, ou alguém por ele, saiba oferecer-se como elo nesta tão necessária transformação politico-governativa. O PS de Costa e as Catarinas/Mortáguas só demonstraram ter capacidade para fazer reversões. O resto, que é o mais importante, ficou no mais do mesmo. Com os eucaliptos a servirem de opositores.

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