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Delito de Opinião

Sem separatismo nem xenofobia

Pedro Correia, 16.05.24

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Mapa da "grande Catalunha" que inclui as Baleares e departamentos franceses

 

Qualquer referendo sobre o futuro da Catalunha, obviamente, terá sempre de envolver o conjunto da população de Espanha. Como aliás determina a Constituição do país vizinho, em vigor desde 1978.

Ao contrário do que alguns apregoam, não existe "povo catalão" em estado puro. Os habitantes da Catalunha são provenientes das mais diversas parcelas de Espanha, estão mesclados com espanhóis de diferentes latitudes. Tal como há largos milhares de cidadãos oriundos de outros países hoje residentes na Catalunha - com destaque para os imigrantes da América de língua espanhola.

E há catalães a viver em toda a Espanha. Tal como há cerca de 300 mil catalães residentes na chamada Catalunha do Norte, a antiga província do Rossilhão em França - actual departamento dos Pirenéus Orientais. Estes - ao contrário dos residentes na Catalunha espanhola - não dispõem de instituições autonómicas e vêem cada vez mais condicionado o uso da língua catalã, proibida durante cerca de dois séculos e hoje quase só restringida ao âmbito familiar.

 

Circunscrever um referendo aos catalães "etnicamente puros", seja lá o que isso for, é um absurdo. E algo totalmente inaceitável, em termos democráticos, em termos éticos e à luz do direito internacional. Mas é isso mesmo que as franjas separatistas mais xenófobas pretendem no combate persistente ao Estado espanhol, que concede plena autonomia à Catalunha desde 1978. Sem esboçarem uma palavra de protesto contra o centralismo gaulês, que nega direitos às minorias linguísticas e culturais.

Paris responde às reivindicações autonómicas dentro das suas fronteiras na linha do velho jacobinismo bonapartista: Estado forte, centralizado. Nem "línguas próprias" nem parlamentos regionais nem veleidades separatistas.

Bascos e catalães em França andam de bola baixa. E no entanto, os cúmplices portugueses dos separatistas da Catalunha apenas criticam Madrid, que concede amplíssima autonomia às suas regiões.

Sobre Paris, que sempre asfixiou as reivindicações regionais, nem um pio...

Gostaria de ver os portugueses que se dizem "solidários com a Catalunha" defenderem um referendo sobre a "autodeterminação"... em França. Haja coerência, se querem ser levados a sério.

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