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Delito de Opinião

Sem rumo

Paulo Sousa, 08.01.21

Quinze dias após a consoada (qual é mesmo o período de encubação da covid?), o número dos infectados disparou a ponto de que teremos de regressar a um confinamento geral.

Aí vamos nós novamente, encosta e abaixo sem travões, derreter os farrapos que restam da nossa frágil economia. Mas há uma coisa que nos alegra, salvámos o Natal!

Exaurimos os serviços públicos, mas conseguimos maquilhar o défice!

Temos a electricidade mais cara da Europa, mas somos os campeões nas ventoinhas fora da paisagem lisboeta!

Até novembro foram contabilizadas 1.186.110 horas extraordinárias no Hospital de Santa Maria, tendo superado as de 2019, mas reduzimos o horário de trabalho dos servidores públicos para as 35 horas!

A mortalidade não covid disparou, mas a culpa é do calor, é do frio, é do sector privado, é de tudo e mais um par de botas, desde que não se fale nas decisões políticas que levaram a que entrássemos nesta pandemia com um SNS já doente.

Esta é a nossa sina na mão dos socialistas.

Este é o tipo de escolhas a que estamos habituados. Benefício enganador no curto prazo, e depois lá para a frente logo se vê!

Temos um PR que em público assume que transmitiu ao PM que uma ministra do seu governo deveria deixar de o ser, e este, ignorando a sua opinião, garante-lhe apoio na sua recandidatura. Pudera, ele quer lá alguém a quem possa ignorar e que não se importe de ficar a falar para o boneco. Faz sentido.

Os idiotas dos americanos arranjaram um sarilho com a votação por correspondência, nós que somos muito mais evoluídos iremos resolver isso quando faltarem duas semanas para as eleições. Ainda dá tempo.

O grunho do Trump colocou os americanos uns contra os outros, preferindo arriscar a estabilidade do país desde que assegurasse o seu poder. Deu-se mal, prestou um péssimo serviço e fez do seu país motivo de chacota global. O nosso governo limita a ADSE para os seus, os outros que engrossem as listas de espera. Hoje celebraram o decreto-lei que alarga este SNS Premium a 100.000 contratados pela Administração Pública, e são os operadores privados de saúde que maioritariamente prestam estes serviço. No privado esta possibilidade está reservada a quem possa pagar por ela. Fico impressionado com tanto humanismo.

O país está sem rumo. É incapaz de se reformar e, tal como um sabonete numa pia molhada, vai deslizando sem oposição, numa velocidade crescente em direcção ao próximo sobressalto. A questão de fundo não é se vamos voltar a ser sacudidos pela realidade, mas apenas quando é que isso irá acontecer. A culpa desta vez será da pandemia.

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