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Sem receio da mudança

por Cristina Torrão, em 22.08.19

Horst Wochenblatt (2).jpg

Imagem Wochenblatt

Estou muito orgulhosa do "meu" Horst. Atreveu-se a mudar de emprego aos 56 anos e até teve direito a reportagem no jornal diário local. Trabalha, desde 1 de Agosto, na Câmara de Stade, a sua cidade-natal e onde vivemos há 20 anos, como planeador de tráfego, fazendo parte de uma equipa que pretende criar um novo conceito para a cidade, dando mais espaço aos peões e aos ciclistas (não, a Greta Thunberg não vai resolver os problemas ambientais do planeta, mas o movimento por ela iniciado está a ter reflexos e é isso que importa; quem, de nós, conseguiria tal proeza?).

Esta decisão do Horst exigiu coragem, pois, apesar de continuar funcionário público, está à experiência por seis meses. Se algo correr mal, pode ser despedido ao fim desse tempo. Para isso, rescindiu um contrato de trabalho vitalício, que tinha com a Câmara de Hamburgo, onde trabalhava há 26 anos. Como sabem, a Alemanha é uma federação de estados. Hamburgo é uma cidade-estado; Stade, apesar de estar a apenas 50 km, pertence ao estado da Baixa Saxónia. Um funcionário público não pode mudar de estado, mantendo o mesmo contrato, pois a entidade empregadora é diferente. Mas há-de tudo correr bem, estamos confiantes.

O emprego em Stade, além de lhe proporcionar fazer um trabalho para o qual está muito motivado, fica pertinho de casa. É só agarrar na bicicleta e, em dez minutos, chega ao emprego. Um verdadeiro sonho para quem, durante 20 anos, viajou de comboio todos os dias para Hamburgo, uma hora para cada lado.

O Horst merece.

Obs: a bicicleta dele não é eléctrica.

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14 comentários

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De Anónimo a 22.08.2019 às 13:51

Já sou fã do casal.

Isabel
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De Anonimus a 22.08.2019 às 13:56

A cidade divide-se entre os que dela usufruem (como turistas) e os que nela vivem.
As necessidades são diferentes.
Os segundos não têm tempo para "desfrutar" das suas deslocações, o tempo é um bem precioso. E devido a vários factores, as distâncias a cobrir são cada vez maiores.
O que vejo é ideias para cidades cada vez mais adaptadas à vida lúdica.
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De Cristina Torrão a 22.08.2019 às 18:39

Cada vez é mais difícil viver em cidades grandes. Engarrafamentos, poluição, stress... Os humanos hão-de abafar no meio da chaparia dos carros. Não é fácil encontrar soluções, de facto. Em Hamburgo, o meu marido também esteve num grupo de planeamento de trânsito, era mesmo o encarregado das ciclovias. Pouco pôde fazer, obstáculos sem fim. Os políticos propagavam soluções ao povo e, ao mesmo tempo, travavam os planos dos funcionários da Câmara. Essa foi uma das razões da mudança.

Stade, sendo uma cidade mais pequena, talvez possibilite mais inovação, vamos ver...
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De Anónimo a 22.08.2019 às 14:09

Ai o fim do mundo ai ai.....
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De Cristina Torrão a 22.08.2019 às 18:42

Eu já não aguento grandes metrópoles. Estou contente por ter deixado Hamburgo, há 20 anos. E, em Portugal, quedo-me por Trás-os-Montes, onde ainda se pode respirar, sem estar rodeado da chaparia dos automóveis. Embora, também lá, os habitantes, como bons portugueses, ainda venerem o "deus-carro". Mas, como a densidade populacional é esparsa, ainda se aguenta.
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De Anonimus a 22.08.2019 às 19:04

Isso do Deus-carro...
Haja opções comportáveis e fiáveis, e as pessoas optam por estas.
Agora, abandonar o carro em situações em que o transporte público é uma farsa... não dá.

(faz sentido que compense a um grupo de 3 ou 4 fazer porto-lisboa de carro ao invés de comboio?)
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De Cristina Torrão a 22.08.2019 às 19:22

Tem toda a razão, é preciso oferecer alternativas fiáveis ou atraentes às pessoas.
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De Vorph Valknut a 22.08.2019 às 20:05

Muita sorte!
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De Maria Dulce Fernandes a 22.08.2019 às 21:15

Elogio a intrepidez . Mesmo que bem ponderada com toda a sabedoria que a idade reune, é de grande valor.
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De Anónimo a 23.08.2019 às 15:48

Estar a uma hora de comboio de Hamburgo é ter uma boa qualidade de vida, pois tem a certeza de poder contar com bons e frequentes comboios para a cidade e para o regresso a casa e de os horários sem cumpridos. Nada que se compare, por exemplo, com a Linha do Oeste, que serve (ou melhor. deveria servir, mas, como está, serve mal) cidades importantes como Caldas da Rainha ou Torres Vedras. Como se pode compreender que o comboio demore 1 hora e 40 minutos para ligar Lisboa a Torres Vedras? Ou que de Torres Vedras para Lisboa haja um comboio às 8:09 e o seguinte seja ás 11:59?
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De Cristina Torrão a 23.08.2019 às 18:33

Infelizmente, a pontualidade dos comboios alemães já não é o que era. Nas últimas duas décadas, descurou-se muito o investimento e a população cresce, nomeadamente, nos arredores das grandes cidades. O resultado é bastante confusão e atrasos que os alemães, há 10 ou 20 anos, não conheciam.

A nível nacional (alemão) a rede de caminhos-de-ferro é muito abrangente, mas vai ficando antiquada. Agora, com esta coisa do clima e do ambiente, tenta-se recuperar o tempo perdido, mas vai ser difícil. Para que o comboio pudesse ser uma verdadeira alternativa ao avião, seriam precisas muitas obras e modernizações.

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