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Sem certezas nem trincheiras

por Pedro Correia, em 17.10.18

Vivemos num mundo povoado de gente grávida de certezas inabaláveis. Ai dos discordantes, ai dos que duvidam, ai dos que se atrevem a exprimir opiniões moderadas, ai daqueles que não arriscam sentenças definitivas sobre qualquer assunto. São encarados, no mínimo, como cidadãos de segunda. E excomungados das trincheiras, supremo castigo nos tempos que correm.

Ninguém te perdoa se arriscas viver sem certezas nem trincheiras. Tratam-te como cidadão de segunda. Catalogam-te como instrumento insidioso do inimigo. Viram os polegares para baixo. Desamigam-te até.

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38 comentários

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De jo a 17.10.2018 às 15:30

Ter a certeza inabalável que toda a gente tem certezas inabaláveis não é estar grávido de certezas inabaláveis?
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De Pedro Correia a 17.10.2018 às 15:33

Você está de quantos meses?
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De jo a 17.10.2018 às 18:39

Pergunto-lhe a si:
Há quantos meses tem a certeza que toda a gente tem certezas inabaláveis?
Ou pensa que pode haver gente sem certezas inabaláveis, caso em que, sobre este assunto, teria só uma certeza abalável.
Não sei bem o que é, deve corresponder a uma gravidez histérica.
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De Rui Henrique Levira a 17.10.2018 às 20:32

Deve estar quase no fim da gestação de três gémeos bizantinos (sem ofensa, mas não consegui resistir).
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De Pedro Correia a 18.10.2018 às 22:15

Bizantinos ou bisontinhos.
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De Rui Henrique Levira a 18.10.2018 às 22:51

É conforme tenham menos farta ou mais farta pelagem...
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De WW a 17.10.2018 às 15:55

Depende das certezas e das trincheiras...

O Pedro Correia podia e devia escrever uma prosa sobre a mais recente manobra do nosso PM, que arrastou um ministro durante 3 dias, promoveu o deputado Galamba e fez um show off com orçamento nunca visto montando até um site para cada um saber quanto lhe vai custar o próximo ano caso ainda tenha trabalho e um tecto.

WW
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De Pedro Correia a 17.10.2018 às 21:16

Não creio ter acumulado pecados suficientes para necessitar de escrever sobre o Galamba como penitência.
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De Pedro a 17.10.2018 às 18:21

Pedro, cultivou-se, há uns anos, um orgulho satânico. O sucesso vestia-se, na altura, com as cores da arrogância, do egoísmo e do egotismo. Diziam-nos que já bastava a humildade portuguesinha do "vamos indo", do "a ver se conseguimos" . Há toda uma literatura de autoajuda nesse sentido -"ama-te; "primeiro tu" - . Nunca foi infelizmente a minha praia. Teria sido tudo tão mais simples
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De Pedro Correia a 17.10.2018 às 21:15

Sim, demos um salto epistemológico desde os tempos em que a todo o momento nos saíam frases como 'mais ou menos', 'vamos andando', 'assim assim', 'uns dias melhor, outros pior'.
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De atitopoteu a 17.10.2018 às 18:50

a única certeza inabalável que me assiste é a de o meu conceito de amizade não passar por nenhum dos 'facecoisos'...
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De Pedro Correia a 17.10.2018 às 21:13

Enfim, eis que descubro um ponto em comum entre nós.
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De atitopoteu a 17.10.2018 às 21:29

há-de haver muitos mais !...e dizia-te já um deles mas que para aqui não vem ao caso ;-P
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De Pedro Correia a 17.10.2018 às 23:24

Também gostas de versejar, já percebi.
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De Rui Henrique Levira a 17.10.2018 às 21:13

Agora a sério: ter umas quantas (poucas) certezas (mais ou menos) inabaláveis é essencial ao equilíbrio de qualquer ser humano. O problema é que anda por aí uma multidão que há muito perdeu a certeza no que quer que fosse e, paradoxalmente, quanto mais se afunda (e nos afunda) no seu relativismo nihilista, mais se apega à jangada destroçada da fé fundamentalista das novíssimas religiões cívicas-(pseudo) progressistas.
E já que de certezas se fala, aqui deixo uma que sinceramente eu cultivo: a certeza de que ir a favor da corrente não nos leva obrigatoriamente a bom porto.
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De Pedro Correia a 17.10.2018 às 21:21

Vivemos um tempo em que todos exibem certezas absolutas e categóricas sobre quase tudo. Um tempo em que a moderação, o meio-termo, um olhar equidistante e equilibrado são considerados defeitos gravíssimos ou até falhas de carácter.
O que está a dar é o berro tonitruante disparado das trincheiras das redes sociais. E a descoberta de "inimigos" por todo o lado. Extremos a gerarem novos extremos. E a linguagem dos debates é sempre uma linguagem agressiva e crispada, de contornos bélicos - uma linguagem que não reconhece Convenção de Genebra nem admite prisioneiros.
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De Rui Henrique Levira a 17.10.2018 às 21:34

Não os ouço, caro Pedro Correia, pois, afastando-me para longe, estou a remar contra a corrente em que eles gostosamente se deixam levar.
Quanto à linguagem agressiva, crispada, de contornos bélicos, já houve, pelo menos, um (involuntário?) avanço civilizacional: os impulsos eléctricos internetianos impedem a presencial troca de bengaladas dos tempos do Eça.
Agora, vou descansar. Voltarei de aqui a uns tempos. Uma boa noite, caro Pedro Correia
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De Pedro Correia a 17.10.2018 às 21:45

Sim, como vivemos num mundo cada vez mais virtual até as bengaladas têm esse formato. Virtual.
Volte sempre.
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De Anónimo a 18.10.2018 às 10:56

Subscrevo e acrescento...
Exageros à parte, o que eu detesto são os marias-vão- com-as-outras.
Os dizes-tu, os depende, os tanto-faz, os da pós-verdade...
Abomino os que estão sempre de acordo, mesmo comigo, sobretudo comigo, naquela implícita num vago sorriso - não me chateies, não estou para te aturar.
Valorizo muito mais uma convicção errada do que uma cedência estratégica e cínica.
Denuncio que é precisamente uma sociedade parda e aparvalhada que convém àqueles poucos que manipulam todos os restantes em benefício próprio.
Àqueles a quem interessa difundir informação a mais e facultar formação a menos (atente-se nos sistemas de ensino).
Não sendo crente, ainda assim reconheço que a Bíblia nos transmite sólidos ensinamentos.
Um deles, o maior de todos, é "Amai-vos uns aos outros...".
Um outro é "Aqueles que não são peixe nem carne, vomitá-los-ei..."
João de Brito
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De Rui Henrique Levira a 18.10.2018 às 20:56

E acrescentando, caro João de Brito, deixou-nos aqui um comentário de antologia. Um muito obrigado pelas suas certeiras, sábias e proveitosas palavras que, com sua licença, faço inteiramente minhas. Bem haja.
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De Pedro Correia a 20.10.2018 às 23:42

Eleito comentário da semana, justamente.
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De V. a 17.10.2018 às 23:40

Antes desamigar do que desmigar. Um gajo sem migas não é nada. Penso eu de que.
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De Pedro Correia a 18.10.2018 às 08:31

Oiço alguns jurar que têm "milhares de amigos". Todos virtuais. Outros - ou os mesmos - garantem que todos os dias "desamigam" alguém.
Este verbo, desamigar, é um dos mais extraordinários inventos dos nossos dias. Basta um clique, e já está: "adiós, amigo", como se dizia nos velhos 'westerns', de dedo no gatilho.
As relações humanas resumem-se a isto, a um ritmo cada vez mais veloz.
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De Rui Henrique Levira a 19.10.2018 às 22:31

Concordo plenamente: um gajo sem "migas" - de preferência boas e quentinhas - não é nada. Agora, deixa-me dar à soleta que lá vem a bordoada do costume...
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De Pedro Correia a 20.10.2018 às 18:14

Também voto nas migas. Com carne de alguidar marcham bem.
Mas gosto mesmo sem carne. Só migas.
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De Anónimo a 18.10.2018 às 03:45

Com a existência de um pós 25 Abril permitiu-se a todos/as a liberdade para exercer o que antes não havia. E ainda bem, porque caso contrário muita da nossa classe política, comentadores e outros teriam outras funções. Agora temos lado menos positivo: Com o passar dos anos, tudo é permitido, plausível, e com as redes sociais agravou-se. A noção do respeito pelo outro foi-se. É fácil encontrar-se todo um "rosário de A a Z" perfeitamente aceitável pela Sociedade e com a qual convivemos. Atenção que não estou a falar de puritanismo. Algo perfeitamente diferente. Trocas de opiniões viram "guerras" de net. Chegámos a um ponto em que até já foi criada uma Investigação que vai avaliar o espectro de ódio em que atuam os extremistas no Twitter. Muitos "Ilustres" da nossa "Bela Sociedade Portuguesa" são os próprios a dar o exemplo. Quanto pior, melhor! Admiram-se se um Trump ou Bolsonaro "sobrevivem" neste nosso mundo. Eu não!
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De Pedro Correia a 18.10.2018 às 08:26

Qualquer discussão redunda em guerra, com os beligerantes de armas em riste nas trincheiras.
É assim nas "redes sociais", em perfeita metáfora do que tem vindo a transformar-se a sociedade contemporânea, dominada pelo "fluxo digital".
Alguns dos maiores belicistas, curiosamente, são pessoas que se afirmam pacifistas. Mas transfiguram-se quando estão em linha - o que, aliás, acontece quase sempre - e tornam-se caceteiros na Rede.
E são recompensados por isso.
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De J. L. a 20.10.2018 às 14:12

"Mas transfiguram-se quando estão em linha" É como um tipo ao volante: chama nomes que não chamaria quando vai a pé.
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De Pedro Correia a 20.10.2018 às 18:14

Tenho pensado muitas vezes isso mesmo, João.
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De Rui Henrique Levira a 20.10.2018 às 23:23

O tipo (ou a tipa) ao volante, assim como o tipo (ou a tipa) ao teclado que tal coisa faz - que não faria cara-a-cara com o alvo do seu insulto soez - tem um nome na lusa língua: é um (ou uma) cobarde. Coisa cada vez mais vulgar nos dias que correm, infelizmente.
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De Maria a 21.10.2018 às 11:20

" é um (ou uma) cobarde." Desculpe, é uma cobarda.
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De Rui Henrique Levira a 21.10.2018 às 20:26

É como a senhora bem quiser, porque, infelizmente, a vera natureza do bicho (ou da... bem, é melhor eu aqui não mudar o género do substantivo não vá ser eu acusado de alguma coisa) não se transforma com a mudança do sexo.
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De Maria a 18.10.2018 às 08:57

Tenho dúvidas em concordar com este artigo!
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De Pedro Correia a 18.10.2018 às 09:24

O meu elogio pela sua dúvida, Maria. Tão fora de moda, com tanto mais valor por isso mesmo.
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De António a 18.10.2018 às 12:56

Crescer sem o amparo da religião ou da cartilha partidária é tramado. Não há aquele aconchego do manual de instruções ali à mão. Quando as dúvidas surgem tem que se pensar, procurar, estudar - que séca.
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De Pedro Correia a 18.10.2018 às 22:16

Pois. Sem cartilha há que estudar, há que reflectir. Uma imensa maçada.

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