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Se Deus Quiser

por jpt, em 22.10.18

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Tabu de Marcelo: diz que não faz mais campanhas “se Deus quiser”; e recandidatura “está nas mãos de Deus”

 

A forma como os locutores da tv estatal se dirigem aos "caros telespectadores" é algo relevante e passível de crítica. Não só pela disseminação do sotaque televisivo (a potenciação do canibalismo fonético da classe média lisboeta) que muito obsta à nossa compreensão pelos outros falantes de português - que é algo relevante quando se discute o AO90, ainda que os especialistas lusocentrados, mesmo quando oponentes daquela tralha, nunca notam. Ouçam com atenção António Costa a falar (o qual, de facto, fala só um bocadinho pior do que eu) para atentar neste "linguacídio" (diz-se glotocício, mas enfim, há quem esqueça o termo) em marcha ...

Mas há outros detalhes. Há anos muito me irritava, por descabido, o piscar de olho com que JRS se despedia no final do telejornal ("quem é este gajo para nos piscar o olho?"). E, mais do que tudo, irritava-me, e cheguei a blogar sobre isso, logo no início da minha blogomania, em Dezembro de 2003, a descabida expressão de José Alberto Carvalho que costumava anunciar, impante, ser o telejornal transmitido para "todo o mundo português". Saberia o tipo sabia que passava em directo na RTP-África? Não haveria alguém que lhe dissesse (e não havia mesmo) o bafiento tom colonial que isso transmitia?

 

Mas enfim, leio agora que uma conhecida jornalista critica uma colega por se despedir com o tão usual "se Deus quiser". Como ateu e defensor da laicidade dos serviços estatais também concordo, "não havia necessidade" como dizia o grande humorista ...

 

E lembro-me de tempos muito recuados, quando vigorava o "compromisso histórico", como se diz geringonça em italiano, no português arcaico erudito dito "bloco central", quando as instituições se congregavam para trancar as investigações sobre as aleivosias dos políticos, em suma quando do PR se esperava que ajudasse a correr com a procuradora-geral da República, para Sócrates, sua "entourage", a elite socialista, e os "clientes" do grande banco privado brindassem, suspirando de alívio. Nesses tão recuados tempos as prestigiadas jornalistas, alimentadoras e apoiantes de blogs anónimos e remunerados (quais Steve Bannions avant la lettre, ainda que artesanais) não se incomodavam com as figuras estatais a invocarem deus. Nem mesmo que fosse o PR.

 

Mas agora, nesta nova era? Resolvida a tarefa? Calafetado o caminho? Ofendem-se muito com as alusões às divindades ... Deus Nosso Senhor nos valha, que vem aí borrasca. Lá dentro do bloco central.

 

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