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Santa Páscoa!

por Teresa Ribeiro, em 15.04.17

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Dedico este post aos católicos que são assim, como a criatura de Deus que aparece na foto, quando vêm à discussão assuntos polémicos sobre a sua Igreja e que rilham os dentes quando lhes falam do seu Papa Francisco,"esse 'comuna' que só veio desestabilizar".

Em tempo de Páscoa, por favor meditem nas palavras do padre Anselmo Borges, que transcrevo a partir da entrevista que deu ao Expresso, para esta última edição, e cuja leitura integral recomendo:

"É evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima"; "A Igreja é misógina"; "A Igreja não pode impor como lei aquilo que Jesus entregou à liberdade. É preciso acabar com as vidas duplas" (a propósito do celibato obrigatório dos padres); "A hierarquia vive na ostentação e não se bate pelos direitos humanos"; "Este Papa é um cristão no sentido mais radical, não é apenas baptizado, ele segue Jesus". 

São críticas velhas, mas quando vêm de um homem da ICAR com a sua envergadura intelectual, têm outro valor.

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5 comentários

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De Vento a 15.04.2017 às 12:54

Santa Páscoa, Irmã Teresinha!
As Teresas fazem parte do meu universo. Ela é a Teresa d´Ávila, ela é a Teresinha de Lisieux, ela é a Teresa de Calcutá, e também a Teresinha Ribeiro.

Vamos às partes de seu comentário. Nenhum católico é referência para a consciência dos crentes, tampouco Anselmo Borges. Mas admito que haja muitos cristãos que vejam na ICAR grandes referências para a edificação de sua fé.
A Mariologia não é um dogma de fé; e os Santuários Marianos são locais de peregrinação para onde convergem as mais diversas expressões de fé. Até mesmo muçulmanos, hindus e outros mais os visitam.
Anselmo Borges não pode afirmar que "Nossa Senhora não apareceu em Fátima" pela ordem do saber, mas somente da convicção. Convicção esta que também se aplica aos que acreditam na aparição de Fátima.

Sendo Maria o primeiro cálice de Jesus, pois Ela, pelo seu Fiat (Faça-se), revestiu o mistério da encarnação, é absolutamente normal que a edificação da fé cristã também seja feita com Maria. Aliás, Maria não somente afirmou o seu Fiat, confiando na palavra do Anjo, como também, nas bodas de Canaã, afirmou: "Fazei o que Ele vos disser".
Consequentemente, para encher estas talhas, que todos somos, com o Vinho Novo se arredarmos Maria empobrecemos os nossos caminhos para a transformação do homem no Homem Novo.
Importa também saber que este mistério da encarnação tem expressão na Paixão e Ressurreição de Jesus. Transformar os corações de pedra em corações de carne não significa que esta transformação se dê por simples vontade humana, ainda que seja necessária a sua colaboração. Com a ressurreição de Jesus também se eleva ao Céu o Seu coração. Portanto, há um coração de carne que sangra e palpita no Universo; e este coração de carne também pode palpitar no interior do Homem, transformando os corações de Pedra.
Portanto, Maria antes de ser apostola é a Mãe da Fé.

O celibato tem de ser uma opção. Tem de se acreditar e ver o celibato como expressão de ascese. Olhando o celibato fora deste contexto retira-se o sublime valor àqueles que o escolhem.

Eu também procuro seguir Jesus, e não o Papa ou Anselmo Borges. Para mim segui-l´O não é andar à frente d´Ele. É carregar a minha cruz, sob o jugo de Jesus, sempre atrás de Jesus. Tal como aconteceu com Simão de Cirene na Via Dolorosa. Tal como Maria o fez da encarnação do Verbo até à morte de Cruz.

Carregar a Cruz sob o jugo de Jesus é aceitar a dor da luta pela Verdade e Justiça.
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De pita a 15.04.2017 às 18:32

Senhor Vento, perdoe a brincadeira... mas o que escreveu está muito bem — na minha óptica. E é importante não cair no 'fariseísmo': eu é que sei como, é e como se deve fazer... Por eu ter tão pouca fé, não me admira que o Pe. Borges não sofra com o mesmo.

A leitura do Novo Testamento trás sempre dúvidas: «carrega a tua cruz» (tramado para gente que via todas as semanas uns condenados crucificados), «tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve» (a força que está na esperança).

Agradeço o contributo.
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De Vento a 16.04.2017 às 19:49

Meu caro pita,
não podemos confundir os desertos que encontramos com a perda de fé. Uma coisa é a dúvida e a dificuldade em compreender, outra coisa será dizer que se perdeu a fé por causa dessas dificuldades. Há também um momento de grande secura no caminho espiritual. S. João da Cruz deu-lhe o nome da "noite escura". Mas nem essa noite o demoveu de percorrer o seu caminho em direcção a Jesus. De certa forma, exemplificativamente, encontrará aqui também um significado de carregar a cruz.
Teresa de Calcutá viveu uma "eterna " secura espiritual. Mas não deixou que essa secura a impedisse de percorrer os caminhos de sua fé.

Não se pode confundir fé com acreditar. A fé é um dom, o acreditar é uma opção. Como dom, a fé busca-se: "pedi e ser-vos-á dado; procurai, e encontrarei; batei, e abrir-se-vos-á."

Todavia, a partir de uma passagem do evangelho, quero demonstrar-lhe um exemplo de fé.
A cananeia, originária da região de Tiro e Sidónia, considerada para judeus uma pagã, por isso mesmo os pagãos, aos olhos do fariseísmo ou farisaísmo judaico, eram conhecidos pelo nome desprezível de cães, aproxima-se de Jesus e grita para que sua filha seja liberta.
Jesus responde: "não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel". A mulher, prostrando-se diante de Jesus, volta a apelar para que sua filha seja liberta.
Jesus respondeu: "Não convém jogar aos cachorrinhos os pães dos filhos."
A mulher responde: "Certamente, Senhor, mas os cachorrinhos ao menos comem as migalhas que caem da mesa de seus donos..."
Disse-lhe Jesus: "Ó mulher, grande é a tua fé! Seja-te feito como desejas!".
(Mt. 15,21-28)
E assim aconteceu: a filha ficou sarada. Mas algo mais aconteceu. Aconteceu também Pentecostes. Esta mulher desperta a missão Universal de Jesus, melhor, a Universalidade de Deus Pai, que se consuma também na missão do fariseu Saulo, posteriormente o cristão Paulo, no mundo pagão ou dos gentios.

Não obstante, ainda temos de compreender o significado da Cruz que carregamos.
No Sermão da Montanha (Mt. 5ss), no que respeita às bem-aventuranças, entre outras sentenças, Jesus remata:
"Bem-aventurados sereis quando vos CALUNIAREM, quando vos PERSEGUIREM e disserem FALSAMENTE todo o mal contra vós POR CAUSA DE MIM..."

Concluindo, esse jugo de Jesus não é o da perseguição, da falsidade, da calúnia e da mentira. É o jugo da Justiça e da Verdade, compreendendo-se que a VERDADE não é um mero exercício intelectual, não é uma mera filosofia, não é uma equação matemática. A VERDADE é uma Pessoa, Jesus o Cristo por antonomásia. É no encontro com esta Verdade, Pessoa, que os discípulos de Emaús invertem sua trajectória e voltam a reunir-se com os demais discípulos para iniciar-se a grande missão confiada pós ressurreição de Jesus.

Sobre o descanso da alma, permita a citação de Agostinho de Hippone (Santo Agostinho):
"Vemos as coisas que fizestes, porque elas existem. Mas elas só existem porque Tu as vês. No nosso exterior, vemos que elas existem e no nosso interior vemos que elas são boas. (...). Só depois de um lapso de tempo é que fomos impelidos a fazer o bem, isto é, depois de nossos corações terem recebido a inspiração do Espírito Santo. Antes disso o nosso impulso era fazer o mal, porque Te tínhamos abandonado. Mas Tu, que és o Deus único, o Deus Bom, nunca deixaste de fazer o Bem. (...). Mas Tu és a própria Bondade e não precisas de Bem para além de Ti. ESTÁS PARA SEMPRE EM DESCANSO, PORQUE TU ÉS O PRÓPRIO REPOUSO.
Que homem pode ensinar outro a entender esta verdade? Que anjo pode ensiná-la a outro anjo? Que anjo pode ensiná-la a um homem? Temos de pedi-la a Ti, busca-la em Ti; temos de bater à Tua porta. Só então receberemos o que pedimos e encontraremos o que buscamos; só então a porta se nos abrirá."
(in Confissões de um Pecador - Santo Agostinho)
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De pita a 17.04.2017 às 13:24

Gostei de o ler. Mas nós, crentes, também temos de ler e de citar 'as bem-aventuranças' segundo Lucas: das oito, as últimas quatro são 'maldições'.
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De Vento a 17.04.2017 às 15:18

Não as vejo como "maldições", mas como consequências. São alertas. Para o bem e para o mal colhemos o que desejamos e optamos. Ainda que algumas opções sejam fruto da ignorância, da viciação do pensamento e da própria cultura. É o pecado original transversal a todas as gerações: pretender ser como deuses, viver como deuses e agir como deuses e senhores, determinando muitas vezes ou quase sempre quem deve viver e morrer. Quem deve ser incluído e excluído.
As profecias são uma antevisão do futuro precisamente porque tomam como base os comportamentos presentes. É a constatação da realidade presente que determina a consequência que se verte nessas 4 sentenças que Lucas refere.

A maldição tem uma conotação diferente. Ela é gerada no coração de um sobre o outro. As maldições são como um boomerang, regressam a quem as lança e por vezes perduram nas famílias e nas sociedades. Só as chagas de Jesus as podem vencer. A eucaristia é um sacramento de cura e libertação. O sacramento da penitência é também um sacramento de cura e purga o mal vivido e transmitido.
A grande diferença entre os cristãos reside precisamente no assumir e/ou desprezar a importância da transubstanciação da espécie. E muitas vezes a mesma, por displicência, é desprezada por quem dela comunga e em alguns casos por quem a consagra.

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