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Sair do euro

por Luís Naves, em 30.01.15

Não é preciso muito esforço para compreender que o novo governo de Alexis Tsipras pretende levar a Grécia a abandonar a zona euro, não hesitando em fazer exigências que os europeus não podem cumprir. Esqueçam as declarações piedosas, em política só interessa o que se faz. Na primeira semana de actividade foram tomadas decisões que já impossibilitam o cumprimento das metas acordadas com os credores. A Grécia recusa-se a negociar com a troika, ameaça torpedear as sanções europeias à Rússia e, cereja em cima do bolo, aprovou um salário mínimo que torna impossível a assinatura de empréstimos europeus por vários países onde os salários médios são muito inferiores. As pessoas já se esqueceram, mas um governo eslovaco foi derrubado num resgate anterior à Grécia.

O problema do Syriza é que três em cada quatro eleitores dizem estar contra a saída da zona euro. A única maneira de atingir o objectivo é convencer os europeus a empurrarem a Grécia para fora. O governo grego dirá que defendeu os interesses do país e a culpa tem de ser atribuída com clareza aos europeus, incluindo os do Sul, que obviamente recusam a ideia peregrina de serem arrastados para uma renegociação quimérica da sua dívida, algo que nem os gregos querem fazer.

Do ponto de vista de Atenas, sair do euro permitiria não pagar a maior parte da dívida. O dracma sofreria uma brutal desvalorização e o governo nacionalizava a banca ou, no mínimo, controlava a saída de capitais. Haveria inflação, mas é preciso não esquecer que Tsipras lidera um partido radical de esquerda, pelo que, recuperada a soberania monetária, seria possível aplicar um programa de nacionalizações e de expansão da despesa. O parceiro de coligação, um partido ultra-nacionalista, não foi escolhido ao acaso, mas por ser o único que poderia concordar com uma estratégia anti-euro. Em relação aos europeus, a situação não é tão clara, mas há vários países que provavelmente não se importam com a saída, haverá até quem deseje esse resultado, de preferência depressa. Assim, o único elemento em negociação é a ajuda europeia crucial para que tudo isto possa funcionar.


18 comentários

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De Vento a 31.01.2015 às 11:48

Carlos,

a importância da Grécia não tem que ver com a quebra de receitas por parte dos russos no sector petrolífero. Mas sim com a sua posição estratégica no mediterrâneo e na aproximação aos países com quem a Rússia habilmente tem gerido o caos no médio oriente, em particular a Síria, Irão e a Turquia.

Não obstante, a solução da crise grega também passa pelo mesmo interesse estratégico que os EUA possuem nesta região. Significa isto que aconteça o que acontecer com a Grécia nestas negociações com a UE eles receberão apoios de um lado ou de outro.
Mais, o aliado privilegiado dos EUA, no contexto da Nato, neste momento, tendo em conta os acontecimentos na Ucrânia e na Crimeia, passou a ser a Polónia e já não a Alemanha. Refiro isto pensando que para os EUA é mais útil uma Grécia fora do contexto da UE.

Por outro lado, o Reino Unido já revelou que as suas relações preferenciais passam pelos EUA/Canadá/Austrália/China/Japão/India e outros países do sudoeste asiático.
Neste contexto a qualquer das grandes potências do momento, EUA, Rússia, China, interessa-lhes uma Europa espartilhada e dividida para poder lançar seus trunfos e fazer depender cada país que individualmente lhes interesse.

Posto isto, o problema vivido no contexto Europeu assemelha-se ao jogo de crianças com birra que não deixam que o seu companheiro cozinhe na sua panelinha.
E depois, com ar muito afectado, vêm dizer que lutam pelo interesse dos contribuintes de seus países. E alguns contribuintes, com ar muito pesaroso, gostam de ouvir isto.

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