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Rio: a primeira valsa em Lisboa

por Pedro Correia, em 22.02.18

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Anteontem, no segundo acto formal da sua nova existência política como presidente do PSD (o primeiro, na véspera, fora uma audiência protocolar com Marcelo Rebelo de Sousa em Belém), Rui Rio reuniu-se durante duas horas e meia com o primeiro-ministro, na residência oficial de São Bento.

A própria duração do encontro equivale, por si só, a uma declaração política sem necessidade de palavras. Em benefício da imagem pachorrenta e "dialogante" de António Costa.

 

No final deste prolongado rendez vous na fortaleza governativa, Rio pronunciou-se mais como uma espécie de conselheiro informal do primeiro-ministro do que como líder de uma força política da oposição: "Estivemos os dois a tratar mais do que possa consubstanciar políticas positivas e não estivemos a carregar naquilo que nos divide", apressou-se a tranquilizar os jornalistas, não fosse alguém acusá-lo de falta de patriotismo.

"Os partidos devem fazer um esforço por procurar aquilo que os possa unir em torno do interesse nacional. Normalmente a cultura é diferente: andam a carregar nas tintas, naquilo em que divergem. Eu quero introduzir uma cultura um bocadinho diferente", acrescentou, dissipando as últimas dúvidas que pudessem subsistir quanto à cordialidade dominante.

 

Apoio ao Executivo nas grandes linhas estratégicas da governação: eis, portanto, a "cultura um bocadinho diferente" que o ex-presidente da Câmara do Porto promete trazer ao maior partido da oposição.

Já ontem, na SIC Notícias, o ministro do Planeamento retribuía a vénia, com manifesto agrado, ao novo líder do partido laranja: "Há uma grande diferença em relação à anterior liderança [do PSD] nesta afirmação da disponibilidade para discutir as matérias essenciais e estratégicas para o futuro que não encontrámos anteriormente." Isto após Rio ter mostrado abertura para consensos sobre a reprogramação dos fundos comunitários.

Promete ser o primeiro "pacto de regime" da nova vaga. E andará longe de ser o único.

 

A política portuguesa, por estes dias, vai girando ao ritmo de uma valsa ornada de salamaleques, com dois grandes partidos "genuinamente sociais-democratas" a ocuparem um imenso centro sem fissuras e ainda um partido "social-democrata de esquerda", que é aquilo em que o BE na prática se transformou, cada vez mais disponível para entrar na dança, acolitado por suaves epígonos como o PAN e o Livre. Todos na linha do "socialismo reformista", isento de glúten. Com alguns adoçantes mas sem corantes nem conservantes.
Receio que, pelo rodopiar da carruagem, o PCP e o CDS acabem ilegalizados por fuga à norma. A menos que se socialdemocratizem também: arranja-se sempre lugar para mais um nestas voltinhas de carrossel.

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26 comentários

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De Sarin a 22.02.2018 às 11:56

Nunca vi mal no diálogo e na busca de consenso, coisas que nem Sócrates nem Passos aprenderam nos catecismos que estudaram.

O País está acima, muito acima, tão acima dos partidos que estes deveriam ser meros satélites em vez do astro-rei.
Por isso me dói o partidarismo: precisamos de Políticas e de Estratégias, não de pactos para sobrevivência dos partidos.

Oposição? Para se ser oposição é necessário ter programa. Pelas palavras de Rio, penso que tem - não ser outro Nogueira, pelo menos, parece constar da lista de tarefas.

E ser oposição não tem que ser divergência constante - antes negociação em benefício dos objectivos e em defesa dos valores. Mas o diálogo ainda é tão mal visto em política...
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De Pedro Correia a 22.02.2018 às 12:52

Tudo passará a ser mais simples e menos "problemático" no dia em que os partidos da oposição se reconverterem em partidos de governo (bis).
Aliás oposição para quê e a quê se nove em cada dez políticos portugueses fazem profissão de fé na "verdadeira social-democracia"?
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De Sarin a 22.02.2018 às 13:25

Não confundamos diálogo com subserviência, caramba!

O diálogo resulta de exposição de argumentos e negociação de estratégias, de cedência de posição mas não de cedência ideológica.


Mas concordo, o diapasão pouco trabalho tem face à craveira dos politiqueiros que deixámos infestar a vida política nacional. Até o CDS se verga à modernidade! Opááá, ainda me luz aquela tergiversação do Raul de Almeida sobre-em-volta-cerrando-fileiras-por Mesquita Nunes... condenar o casamento homossexual por subversão social enquanto afirma displicentemente-tenta-ele que a sexualidade é matéria do foro íntimo prova bem a evolução - é que há poucos meses ainda a homossexualidade era, per si, subversão. Ah, caraças, esse país a que chamam social dê-mo! cracia é a nova Ellis Island...
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De Pedro Correia a 22.02.2018 às 17:00

Raul de Almeida? Não sei quem é.
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De Sarin a 22.02.2018 às 17:13

Eu também nim.

Eu sei, não foi o Pedro que o puxou à conversa - gentileza do Vlad na ligação directa de dia 15, eu não ousaria tanto (mas apenas porque nesse dia tinha mais o que fazer :D )

Mas confesso que teria gostado de lhe ouvir um comentário...
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De Pedro Correia a 22.02.2018 às 21:31

Pedi três comentários. Não ao Almeida, que desconheço. Mas ao Carvalho, ao Ribeiro e ao Ferreira. Responderam-me em uníssono: a questão é líquida para qualquer dos três.
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De Sarin a 22.02.2018 às 21:52

Para mim não há questão em torno das orientações de cada um, faz parte da pessoa - não a define nem dá direito a lupas e microscópios.

O texto de Raul de Almeida, alcandorado a porta-voz de um partido e escrevendo como escreveu, esse sim e assim, levantou-me uma série de questões. Mas se os seus correligionários têm o mesmo entendimento (presumo que seja isso que significa a questão ser líquida), ie, que a sexualidade é íntima e o casamento matéria de ingerência do Estado, e que esta posição é unanimemente defendida pelos militantes, bom, fico liquidificadamente esclarecida.
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De Luís Lavoura a 22.02.2018 às 15:06

Há muitos partidos em Portugal que não gostam da social-democracia. Além do PCP e do CDS, há outros que não estão no parlamento. Quem não goste da social-democracia tem por onde escolher. Não precisa de estar no PSD nem no PS.
A porta da rua é a serventia da casa, como sói dizer-se.
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De Pedro Correia a 22.02.2018 às 16:59

A porta da rua é a serventia da casa: frase típica de porteira.
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De Sarin a 22.02.2018 às 20:59

Sendo essa porta saída para lugar nenhum, Luís Lavoura, não me parece aconselhável o seu uso: pretende-se debate e consenso, não confronto e estagnação.


O problema não está na Social-Democracia, está nas "actualizações programáticas" que cada partido que assim se intitula faz. Porque agora está na moda: Socialismo é alvo de fobias várias, Direita parece ser exclusivo do conservadorismo e do nacionalismo, logo o meio-termo chama-se Social Democracia, tenha pouco liberalismo ou padeça de sobredosagens. Ou, como diria a Mafaldita do Quino ao consultar o significado de Democracia: HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
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De Luís Lavoura a 23.02.2018 às 09:22

A porta tem saída, Sarin. Tal como eu disse, há partidos em Portugal que não são social-democratas nem são de direita ou esquerda. Por exemplo, o Movimento Partido da Terra, a Iniciativa Liberal, o Partido Popular Monárquico.

No resto concordo consigo: pretende-se debate e consenso, não confronto e estagnação.
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De Sarin a 23.02.2018 às 11:09

Desculpe, mas "a porta da rua é a serventia da casa" evoca desistência, marcha murcha, derrota. Quem discorda por convicção não precisa que lhe apontem a porta de saída, sairá por seu pé se e quando entender.
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De Luís Lavoura a 22.02.2018 às 15:04

Muito bem! Estou totalmente de acordo.
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De Vlad, o Emborcador a 22.02.2018 às 12:14

Hoje fico-me por aqui!

Já lhe enviei de tudo, menos um abraço.

Abraço, Pedro!
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De Pedro Correia a 22.02.2018 às 12:54

Abraço retribuído, momentos antes de iniciar o meu arrozinho de pato regado com Quinta de Ventozelo (Douro-Touriga Nacional).
Espero que o seu repasto não fique atrás do meu.
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De Sarin a 22.02.2018 às 17:02

E não será crime, usar Touriga para a rega do arroz? Eu sei que o Tejo e coiso mais o Sorraia e tal, mas e o Sado e o Mondego?
E pronto, às tantas fui muito lateral...
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De Pedro Correia a 22.02.2018 às 21:32

Touriga é produto Nacional.
No Sado, a rega é sobretudo com moscatel. De Azeitão.
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De Sarin a 22.02.2018 às 22:01

Certo, da orizicultura para a queijaria, e tudo código 560.
Bons apetites :)
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De Rão Arques a 22.02.2018 às 17:45

Difícil acreditar que venham rio abaixo sem pés nem cabeça para desmascarar o impostor agora chefe do pantanal, enquanto proliferam bicos afiados a depenar-se uns aos outros dentro do próprio galinheiro.
Só pode ser jogo bem medido para sustentar que deram todas as oportunidades ao habilidoso e pondo a nu a constatação de que o dito não tem emenda.
Talvez por isso se vão abstendo de lhe recordar a quente que no bailarico anterior berrava não querer nada com o partido das setas nem com o respetivo governo.
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De Pedro Correia a 22.02.2018 às 21:34

Duas horas e meia de reunião em São Bento entre o chefe do Governo e o "líder da oposição" é obra. Um 'tête-à-tête' mais prolongado do que muitos Conselhos de Ministros.
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De Lucklucky a 22.02.2018 às 18:40

Já falta pouco para chegar à conclusão que a democracia em Portugal é falsa , só é permitido Governar se se for de Esquerda.

Se por acaso um partido não de Esquerda for eleito com maioria, o jornalismo Marxista começa logo a provocar "crispação" e a justificar violência.
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De Pedro Correia a 22.02.2018 às 21:39

Você torna-se cansativo com esse discurso tão monocórdico.
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De Lucklucky a 22.02.2018 às 23:57

Como é que quer que o PSD seja diferente do PS quando o jornalismo é todo igual?

Temos um orgão de comunicação social único. Tem muitos nomes: Expresso, TVI, SIC, RTP, DN , Publico etc.. mas dizem todos a mesma coisa e defendem todos o mesmo.

Logo é único.

Como é óbvio esta unicidade jornalista cria um regime de partido único.

Os partido único terá claro muitos nomes mas defendem todos o mesmo...

Uma farsa.



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De Vlad, o Emborcador a 23.02.2018 às 08:04

Tem saudades do Diário da Manhã
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De Pedro Correia a 28.02.2018 às 18:09

Diário da Manha?

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