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Respiração assistida

por Pedro Correia, em 21.02.15

TSIPRAS-VAROUFAKIS[1].jpg

 

A economia grega ganhou ontem, in extremis, quatro meses suplementares de respiração assistida, quando se torna bem evidente que não consegue recapitalizar-se nos mercados financeiros.


Neste processo, que tem dominado as manchetes no continente, várias promessas eleitorais do Syriza já ficaram pelo caminho:
- Fim do programa de assistência externa;

- Conferência europeia para a supressão parcial da dívida;

- Obtenção de ajuda financeira sem contrapartida em austeridade;
- Dívida remanescente indexada à taxa do crescimento económico;
- Moratória para o serviço da dívida;
- Reposição do salário mínimo;
- Electricidade grátis para 300 mil famílias;
- Aumento do investimento público em 4 mil milhões de euros;
- Exigência à Alemanha do pagamento de indemnizações de guerra.

Tudo isto decorre num cenário de rápida deterioração do sistema financeiro helénico.

Desde Dezembro, voaram dos bancos gregos cerca de 25 mil milhões de euros em depósitos. Só nos últimos dois dias foram levantados mil milhões de euros.
Confrontado com gravíssimos problemas de tesouraria e a quebra acentuada das receitas fiscais, sem acesso a vias de financiamento autónomo, o executivo de Atenas cedeu a todas as exigências da Alemanha apesar das bravatas para consumo propagandístico interno, replicadas pelos partidos congéneres que persistem em confundir desejos com a realidade.

E agora?

A Grécia tem um prazo de 72 horas para apresentar um plano de novas medidas de contenção financeira que deverá merecer o aval do Banco Central Europeu, da Comissão Europeia e do Fundo Monetário Internacional. E terá que se reger pelo memorando assinado em 2012 pela antiga coligação governamental.

Os parceiros europeus não deixaram lugar a dúvidas: o ajustamento orçamental em Atenas é matéria inegociável.

Recapitulemos: o que dizia Alexis Tsipras antes das recentes legislativas, entre bravatas eleiçoeiras sobre "soberania nacional"?
Que com ele no governo os credores deixariam de ditar as regras.
Mas nada mudou de essencial.

Eis os factos.
Prejudicam a retórica ideológica dominante nos debates cá do burgo, é certo. Mas têm uma força imparável. Superior a toda a retórica, por mais torrencial que seja.

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32 comentários

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De Marquês Barão a 21.02.2015 às 13:35

Porque será que na jornalada cá da praça não se aborda esta realidade? Se calhar porque seria delito contra a corrente que está a dar. Apetece-me deixar aqui o meu salpico utilizando um termo que reconheço não é muito próprio em casa alheia, mas que fará o favor de rejeitar se considerar um abuso da bondade: Filhos de pai incógnito, conhecido como troika a mudar de nome para instituições. Faz lembrar a história do Francisco Merdas que incomodado com o nome foi ao registo para mudar. Sim senhor, então como é que deseja? Manuel Merdas. Estamos com uma séria falta de cheiro ou será do pico da gripe?
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De Pedro Correia a 22.02.2015 às 00:32

Convenhamos que foi uma vitória histroika - quero dizer, histórica. Tsipras e Varoufakis deixaram de responder perante a troika (CE+BCE+FMI) passando a responder perante as "instituições" (CE+BCE+FMI).
Faz toda a diferença.
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De da Maia a 21.02.2015 às 13:44

Pode ser isso, Pedro.
Pode ser uma completa traição das promessas aos eleitores, tal como fez Hollande, ou ainda antes, Passos Coelho, entre outros...
Pode ser esse o novo paradigma da democracia europeia - eleições desnecessárias, porque não há alternativa e o resto é conversa e palhaçada.
Os verdadeiros democratas devem estar felizes com isso.

No entanto, faltam alguns meses para ver o que sai daqui. Se for para ganhar tempo, para contrair mais dívida, e depois fazer um default completo, será uma manobra interessante. Senão, será o maior flop eleitoral das últimas décadas.

No entanto, essa foto de Varoufakis com Tsipras, fez-me lembrar este momento do sósia:
- "Please Captain, not in front of the Klingons"
https://www.youtube.com/watch?v=q0m9E1QY-g4 (https://www.youtube.com/watch?v=q0m9E1QY-g4)

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De Pedro Correia a 22.02.2015 às 00:29

Caro daMaia:
A maior traição aos eleitores seria a saída da Grécia do sistema monetário europeu. Os eleitores gregos não sufragaram esta medida, que aliás não constava do programa do partido vencedor.
Todas as sondagens indicam um fortíssimo apoio popular ao euro na Grécia - entre 74% e 81%. Só os comunistas e uma franja da direita radical sonham com o regresso ao dracma.
Conclusão: o Syriza, que se apresentou às urnas garantindo a manutenção do país na eurozona, terá de proceder em conformidade, ajustando-se às regras comunitárias que decorrem da vigência da moeda única.
A menos que ambicione ser um partido como os outros, pronto a falhar promessas mal são contados os votos.
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De da Maia a 22.02.2015 às 02:36

Caro Pedro,
como sabe, sempre que houve sufrágios directos acerca da Europa, os resultados foram negativos nesses países, a ponto de se prescindir dessas consultas. A partir desse momento, a narrativa passou a ser de que os governos eleitos faziam o que bem entendiam. Portanto o Syriza tem tanta legitimidade para mandar a UE às urtigas, como tiveram os anteriores governos em assinar Maastricht, Lisboa, etc.

As sondagens são um negócio privado como qualquer outro, e qualquer um pode encomendar não só a pergunta, como até o resultado.
Dar relevo a um sondagem encomendada logo a seguir à eleição do Syriza só tinha um propósito - criar uma narrativa contrária à legitimidade eleitoral.
Com isto, não quero dizer que os gregos não prefiram o Euro, em maioria, mas mostraram nas urnas, em maioria, que não o querem a qualquer preço.
É claro que os europeus prezam a Europa, e os povos vêem-se bem como semelhantes, mas não prezam uma construção que se aproveita disso, mas contraria isso.

Agora, quanto à coerência programática, apesar de isso só ser pedido ao Syriza nesta UE, convém lembrar que o Syriza estabeleceu um programa com base numa mudança da atitude da UE, e só isso seria compatível com as restantes promessas. Agora, é claro, ou a atitude da UE muda, ou muda o cumprimento das promessas do Syriza.

Parece-me evidente que o Syriza não cumprirá nada e deixará a Grécia pior do que estava, se ficar nesta zona-euro. A intransigência só nesta extensão terá dado para se perceber isso.
Terminou o primeiro acto, onde iriam tentar manter-se na zona euro, e segue-se o segundo acto que serão os próximos 4 meses (ou 2ª feira - LOL) onde, ou as coisas correm bem, ou correm definitivamente mal.
O mais natural, se ficarem na zona-euro, é não conseguirem cumprir nenhuma das promessas sociais, o que os tornará numa versão pior do PASOK.
Como não creio que Tsipras queira seguir essa via - seria o maior embuste eleitoral moderno, tentará encontrar o pretexto para invocar o default no momento certo. Entretanto, ganharam 4 meses para avaliar.

Claro que os Junkies eurogrupeus topam isso, e já mudam e preparam a outra narrativa, com base na "confiança", para depois saírem como virgens ofendidas pela "traição grega".

Agora, Portugal foi apresentado como um caso de sucesso, quando estamos como nunca mais dependentes do crédito, como um junkie está dependente da heroína... e essa heroína não será Maria Luís.

A nossa dívida pública atingiu valores recorde históricos, não pára de crescer, as exportações são um enorme puff de nada, e pior vai ficar a balança comercial com a queda de Angola.
Voltámos ao tempo de Sócrates, contentes pela boa gestão da dívida, agora muito maior, isto antes de os juros dispararem por factores exógenos.

No entanto, como isto se resume a uma questão de clubite, não interessa a política ser exactamente a mesma de Sócrates.
Continuamos "a gerir dívida", mas os palhaços de serviço já não criticam, nem se riem com esta afirmação.
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De Pedro Correia a 23.02.2015 às 23:44

Caro daMaia:
Diz que "o Syriza tem tanta legitimidade para mandar a UE às urtigas".
Não tem.
Teria - isso sim - se quando se apresentou às urnas, em Janeiro, mencionasse essa hipótese aos eleitores. Mas o que lhes prometeu foi o inverso: manter a Grécia na União Europeia e no sistema monetário europeu. Indo aliás ao encontro do que a esmagadora maioria dos gregos prefere. Todas as sondagens efectuadas até hoje - repito: todas as sondagens - apontam para uma claríssima maioria pró-UE e pró-euro. Os gregos não imaginam sequer ver os salários e as pensões novamente remunerados em dracmas.
Em 2012, convenhamos, o Syriza não pensava isto. Era contra a União Europeia, a moeda única, a aliança atlântica e o sistema capitalista. Perdeu as eleições então e fez uma reciclagem táctica. Agora ganhou-as. Mas no contrato eleitoral estabelecido com os eleitores (designadamente os 36% de eleitores que votaram neles) jamais os dirigentes do Syriza assumiram que mandariam a UE às urtigas.

Parece-lhe a si que "ou a atitude da UE muda, ou muda o cumprimento das promessas do Syriza". Essa parece a perspectiva daquele condutor que circula em contra-mão na auto-estrada e diz à mulher que vai ao lado: «Já viste que nenhum destes tipos sabe guiar, ao contrário de mim?»
Estabelecendo o paralelo, resta ao Syrizia - como restaria ao condutor - inverter a marcha. Para evitar o estampanço final e definitivo.
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De tric a 21.02.2015 às 13:50

esses números não impressionam, impressiona sim é o desemprego e a destruição de empregos durante o programa da troika Grécia...ainda por cima a queda das receitas fiscais demonstra bem que actividade económica grega está...com a população envelhecida...tal como em Portugal, as PME´s sem liquidez...com a Eurozona a impor a venda de activos estratégicos da Nação Grega...a Europa em deflação...
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De Pedro Correia a 22.02.2015 às 00:25

A Grécia está mal. E você também não parece muito bem, a avaliar pela quantidade de reticências no seu comentário. Parece que lhe falta o fôlego.
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De Mal por Mal a 21.02.2015 às 14:39

Aquelas ilhas gregas mais Lampedusa vão afundar com esta europa caduca.

Desde a união das alemanhas e mais esta Ucrânia ao rubro, nós do sul já não contamos mais para o censo.

Esta esmola à grécia é mesmo uma esmolinha «por amor de deus».
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De Pedro Correia a 21.02.2015 às 22:30

Só espero que a ilha do Pessegueiro não afunde. Para a canção do Rui Veloso continuar a fazer sentido.
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De rmg a 21.02.2015 às 14:41


O comentador "Marquês Barão" põe o dedo numa ferida grave a que já me tenho referido aqui, a falta de fiabilidade nesta matéria dos nossos meios de comunicação, já para não falar do políticamente correcto que por aí impera.

Por isso eu ando 2 ou 3 horas por noite nos jornais europeus de todas as tendências e todos os dias constato que nunca leio por lá nada do que tenha lido por aqui, como ainda há dias escrevi noutro comentário.

Nota- O desconhecimento sobre a economia e o sistema fiscal grego demonstrado aqui por alguns comentadores é um bocado incompreensível quando se tem um computador na frente, acesso à internet e tudo à distância de meia dúzia de clics e uma ou duas horas de leitura.

Se depois me disserem que não são matérias que dominem, tudo bem.
Mas então a que propósito as invocam se não sabem do que falam?
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De Maradão a 21.02.2015 às 14:58

Eu acho mal é o Tripas não rapar o cabelo, não usar a gola levantada ou ao menos um cachecol. Se o fizesse, eu até assinava a carta do Tempo de Arrecuar.
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De Pedro Correia a 22.02.2015 às 00:10

Não me parece recomendável rapar o cabelo, não vá confundir-se com um militante da Aurora Dourada.
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De Tiro ao Alvo a 21.02.2015 às 16:19

Por falar em promessas, deixem-me contar-lhes aqui a promessa feita por uma minha conterrânea e que foi a de levar um ramo de cravos a São Bento, sentada num carrinho de mão, daqueles das obras, em paga de uma graça do Santo.
Compreensivelmente, aquela fervorosa devota de São Bento não encontrou pessoa que, mesmo pagando bem, lhe fizesse aquele serviço. Por isso, vendo-se aquela mulher impossibilitada de cumprir o prometido, decidiu abordar o prior da nossa freguesia e pôr-lhe a grave questão, pedindo-lhe ajuda.
O bom abade, fazendo uso dos seus poderes eclesiásticos, permitiu-lhe fazer a permuta da promessa, trocando-a por um donativo em dinheiro, num valor que ela considerou uma exorbitante, mas que despendeu, com medo do inferno.
Moral da estória, só devemos prometer aquilo que podemos cumprir e nunca proceder como o Tsipras e os seus amigos.
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De Pedro Correia a 22.02.2015 às 00:10

Tsipras, alternadamente de chapéu na mão em Bruxelas e de peito feito em Atenas, faz-me lembrar um título dos anos 80 que fez história na imprensa portuguesa: «De vitória em vitória até à derrota final»
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De Panda Bera a 21.02.2015 às 17:00

O grande erro de Varoufakis foi não se ter aconselhado com a dra. Manuela Ferreira Leite. Mas, se calhar, não o fez por ela ser demasiado de esquerda.
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De Pedro Correia a 21.02.2015 às 22:28

Ainda haveremos de ver Manuela Ferreira Leite e Catarina Martins no mesmo palanque. Já faltou muito mais.
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De Rui Nuno a 21.02.2015 às 22:19

Agora?... Vê-se aqui, o que é esta UE. Gente hipócrita que lhes é indiferente se os outros, morrem à fome ou não. Gente sem um pingo de alma, vazios de sentimentos, vazios de amor ao próximo, vazios de tudo aquilo que faz um ser humano, digno do mundo onde vive. Eles recuaram e a UE vergou noutros, mas esquecem-se que os gregos, se virem que os querem decapitar sairão desta UE, onde a vida, tem menos valor que o dinheiro. Mais triste e lamentável foi a atitude do governo português e da ministra das finanças portuguesa que desprovida de conhecimentos práticas, vive colada aos alemães, como se os frios alemães, nos ligassem alguma. É uma vergonha, do tamanho do mundo, ter governantes deste calibre que em nada, dignificam a nossa história e que ficarão na mesma, como o pior governo da história portuguesa.
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De Pedro Correia a 21.02.2015 às 22:27

Retórica dominante: a União Europeia é péssima.
Facto: nenhum dos 28 Estados membros equaciona a hipótese de abandonar a União Europeia. E há outros cinco que já pediram para entrar.
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De Rui Nuno a 21.02.2015 às 22:59

A CEE foi bem pensada, os que a gerem é que não sabem o que fazem. Os que querem entrar, têm a mesma ilusão que todos os que lá estão, tiveram. Também há outros que por nada querem entrar e outros ainda, como a GB que já ameaçou sair e que não quer o euro nem por nada.
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De Pedro Correia a 22.02.2015 às 00:08

O Reino Unido ameaça sair desde que entrou. Já lá vão 42 anos.
Ninguém quer sair. Nem a Grécia. Pelo contrário, outras regiões do mundo procuram inspirar-se no modelo europeu - com menos sucesso, claro (NAFTA, Mercosul, ALBA, União Africana...)
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De Rui Nuno a 22.02.2015 às 01:06

Vamos ver se os 42 anos acabam mais depressa do que imaginamos porque quer queira, quer não, eles ameaçam e não querem o euro e o certo, é que ninguém, os obriga a tê-lo. Outras regiões podem querer inspirar-se na CEE, não na UE. Deixe de insistir no errado, pois até Juncker deu a mão à palmatória e Ângelo Correia, tem uma bela página no Expresso, sobre o assunto. Não diga que ninguém quer sair porque a continuarmos assim, tal como estamos, não há interesse em continuarmos neste estado.
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De rmg a 22.02.2015 às 01:58


Se não debitasse cassettes sabia muito bem porque é que a GB (por umas razões) e alguns países nórdicos (por outras razões) não entraram para o euro mas estão no Mercado Único Europeu.

Como em vez de se informar debita cassettes, pois continue a debitá-las.

De resto quem acha que todos os outros são estúpidos (e estes outros são milhões, porque os povos não se opõem aos governantes nestas matérias) dá uma bela ideia de si próprio: quando alguém acha que milhões de pessoas na Europa estão todas erradas devia suspeitar da própria sanidade mental.

Quanto aos exemplos que dá abaixo do Sr. Juncker e do Sr. Ângelo Correia pois ficam-lhe a matar a si: cataventos viram como os outros cataventos, o vento é que manda neles.
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De Rui Nuno a 22.02.2015 às 03:21

rmg tem um ego do tamanho do mundo. Sabe tudo, tudo o que diz está certíssimo. No insulto ao outro, é perito, pergunta se beberam, fala da sanidade mental dos outros...................
Por acaso já reparou em si? Se uns têm a mesma cassete, o senhor bate sempre na mesma tecla e não respeita as opiniões dos outros, partindo sempre para o insulto. Isso não é bonito, pois segundo aqui referiu, já tem uma certa idade e é avô. É pena que essa idade, não lhe tenha ensinado a respeitar as opiniões dos outros com educação e respeito e a ser mais condescendente com outras opiniões. Vivemos em sociedade e há que ter um mínimo de respeito, pelo parceiro de baixo, é que se assim não for, é muito mau.
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De rmg a 22.02.2015 às 15:26


Excelentíssimo Senhor Rui Nuno (assim está melhor?)

Muito agradeço o elogio que me dirige quando diz que eu tenho um ego do tamanho do mundo mas isso é um manifesto exagero e eu não sou merecedor de tanta bondade sua.

Tenho de facto um ego mas só do tamanho do meu mundo, nisso me distingo dos que não têm ego nenhum porque nada têm de que se orgulhar, vidas tristes e borradas de medo do amanhã.

Tenho assim um ego do tamanho do que aprendi e aprendo, do que estudei e estudo, dos amigos que fiz e faço (há mais de 65 anos, portanto) e que continuarei a fazer, dos filhos que criei e aconselho (e que já estiveram todos emigrados, voltaram para cá e estão bem como só os que foram conhecer o mundo podem estar), dos netos e netas que é comigo que desabafam das primeiras dúvidas amorosas e sexuais, das pessoas que conheci nos 5 distritos do país onde trabalhei (por isso não vi crescer os filhos como gostaria, o fim-de-semana era curto e nem sempre podia vir a casa) e que me telefonam ainda pois se têm trabalho também a mim o devem, das 4 a 5 horas que ando a pé em Lisboa todos os dias (almoçando onde calha e com quem calha, meto conversa com toda a gente), dos 600 kms seguidos a guiar que ainda faço todas as semanas (com uma paragem para uma mijinha), do tempo que não perco a ver um minuto que seja de TV há quase 21 anos e que dedico a outras coisas mais úteis porque durmo pouco, dos impostos que pago para que muitos que não tiveram as possibilidades que eu tive tenham acesso a serviços de que não usufruo porque nunca estive doente nem tomei um remédio desde os 13 anos de idade.

Vejo no entanto que V.Exa.resolveu ír pelo caminho simpático de me chamar velho e aconselhar-me o respeitinho próprio da provecta idade que me atribuí e em que alguma moderação da linguagem seria aconselhável.

Acontece que tenho 68 anos e netos a caminho dos 18 anos.
Se a sua ideia de "avô" é a de um velhinho a caír da tripeça talvez fôsse bom repensar isso...

V.Exa. não responde a uma única linha do que eu digo, não rebate uma ideia, um conceito, um facto: censura-me num estilo bastante "do antigamente", a que não faltou a invocação do respeitinho que é muito bonito.

Mas admitirá que só se pode ter respeitinho por quem o merece, e só o merece quem vai "à luta", quem esgrime argumentos, quem berra, grita e barafusta mas não desiste nem se fica pelo desporto nacional do "mandar bitaites" .

Ora V. Exa, escreveu:

"A CEE foi bem pensada, os que a gerem é que não sabem o que fazem. Os que querem entrar, têm a mesma ilusão que todos os que lá estão, tiveram. Também há outros que por nada querem entrar e outros ainda, como a GB que já ameaçou sair e que não quer o euro nem por nada."

E isto são 4 linhas de "bitaites" desmentidos pelos factos e foi isso que eu lhe disse e mais nada.
Eu até posso estar de acordo consigo mas não é por isso que deixa de ser um "bitaite", V. Exa. diz que os que lá estão andam enganados e os que querem entrar vão ao engano, com esta frase chama estúpidos a milhões de pessoas e fica o único esperto e educado aqui?
Estranho ego o seu!

Deduzo assim que perguntar a alguém se bebe quando repete sempre as mesmas coisas sem as explicar - pois isso é típico de quem o faz e esta conversa com o "João" já vinha de trás - ou dizer-lhe a si que a sua ideia de que o mundo todo está errado não justificaria interrogar-se sobre si próprio, são gravíssimos insultos na sua opinião.

Temos depois as generalizações, outra "técnica" fácil: " o senhor bate SEMPRE na mesma tecla e não respeita as opiniões dos outros, partindo SEMPRE para o insulto".

Não tenho que ser condescendente porque isso é pressupôr que sou mais que os
outros e não quero que ninguém seja condescendente comigo porque isso é pressupôr que sou menos que os outros, nem sei como pode ter ido buscar um exemplo desses.

Eu bato nas teclas que me apetece bater e explico depois porquê, se alguém não concorda bata também sempre nas teclas que quiser e explique porquê.
E dizer que parto sempre para o insulto define-o mais a si do que a mim...

Não tenho parceiros de baixo nem de cima.
Tenho respeito pelas ideias fundamentadas e não tenho pelos chavões da moda.

Passe então V. Exa. muito bem que eu vou jogar à bola com filhos e netos, talvez me partam a cabeça e já não me atura...

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De Tiro ao Alvo a 22.02.2015 às 09:37

Tem razão, este Nuno é um bom exemplo do que pode acontecer a quem, sendo um ignorante, está convencido que é o melhor de todos, o mais inteligente, não da sua rua, mas da sua cidade, quiçá do seu país.
O Nuno é uma coisa rara, mas não muito, infelizmente.
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De Rui Nuno a 22.02.2015 às 11:45

Não sou mais inteligente que ninguém, sou um comum normal. igual, a tantos outros que não gosta, de apelidar os outros de bêbados, anormais nem de ignorantes. Não me dirigi si, logo, espero que me respeite e respeite o meu pensamento porque penso que ainda viemos, num estado democrático. Pode dizer o que quiser, insultar, tudo que jamais terá resposta.
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De rmg a 22.02.2015 às 17:52


Tiro ao Alvo

Quando se apanham argumentos de que o respeito pelo pensamento dos outros numa caixa de comentários é imperativo num estado democrático temos que começar a preocupar-nos ...

É que o respeito pelo que os outros pensam implica que expliquem por que o pensam, como o respeito pelo que eu penso implica que eu explique por que o penso, se não o fizerem ou eu não o fizer não há lugar a respeito porque não houve pensamento, somos só mais uns a mandar bocas só por mandar, o desporto naciona do bitaite, do ouvi dizer, do li algures.

Isto vindo de quem horas antes me acusava das maiores torpezas só porque lhe disse que devia pensar na própria "sanidade mental" (nem sequer lhe chamei nomes...) por ele achar que ía na faixa certa da estrada e os outros todos é que vinham em sentido contrário...

Dizía o compositor Arnold Schonberg:
"Everything has to "make a good impression" — whether or not it is any good: the "impression" is the main thing."

Cumprimentos
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De William Wallace a 22.02.2015 às 07:38

Eu que acompanho aqui Delito de Opinião e outros blogs vejo :

1º - Eles andam todos por aí, uns sub-repticiamente e outros á descarada;

2º - Argumentos zero, pensamento estruturado a favor da sua linha de pensamento zero também;

3º - Vozes ponderadas e isentas são cada vez menos;

4º - Chegaram á conclusão que eleições é um pró-forma chato apesar de se apelidarem de "democratas" mas só quando ganha o deles ou o do que eles + /- gostam.

Quanto á Grécia e aos resultados que obteve, estou para ver mas pelo menos já conseguiram 4 meses para começarem a trabalhar á vontade, o que por si só já é positivo.

Espero sinceramente que o Governo Grego tenha sucesso embora não acredite que vá acontecer e além dos Gregos, TODOS os Europeus pobres e de classe média (nos países onde ainda existe disso) sofrerão ainda mais.

Não conheço o programa eleitoral do Syriza ao pormenor embora me pareça mais social-democrata que outra coisa, enfim deve haver lá no meio uma reencarnação do Senhor Francisco Sá Carneiro que lhes guia a palavra e as acções.

Tenho por fim de dar os parabéns ao Pedro Correia por dois motivos:

- está melhor informado das "cedências" dos Gregos que o José Rodrigues do Santos ou que o Dr. Marcelo.
- Embora eu já soubesse finalmente conseguiu-se assumir-se, afinal também já só faltam 6 mesitos e há que começar a dar corda aos sapatos.

Quanto ao comportamento do governo português, como disse num outro post , até a mim me surpreendeu pela falta de postura de Estado mas entendo que perante o fim eminente do mesmo a vontade de estrebuchar seja maior......



Por ultimo tenho a dizer que os acontecimentos Bons e Bonitos da história da vida de cada um de nós e da Humanidade em geral são sempre precedidos de muita Dor e Sofrimento, há que continuar a ter Esperança então.

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De Tiro ao Alvo a 22.02.2015 às 11:49

"Eles andam todos por aí, uns sub-repticiamente e outros á descarada", e não à descarada.
O William Wallace não é desses, o William Wallace percebe-se bem ao que vem: ele vem para defender os pobres e os oprimidos e, para ele, os gregos são um povo oprimido e, por isso, se não lhe dermos a mão, todos os pobres da Europa, quiçá do mundo, vão viver pior. Uma desgraça.
Além disso o Pedro Correia já está em campanha, não sei bem para quê, mas já está em campanha. E isso ainda vai pôr as coisas mais feias. Será assim como pôr sal nas feridas.
Ao William Wallace só lhe faltou agradecer este espaço de liberdade, que ele aproveita para vender o seu peixe, que ninguém compra por que está estragado, sem ele dar conta.
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De William Wallace a 22.02.2015 às 15:24

Os factos falam por si !

Eu não disse que os Gregos se vão safar, aliás na minha modesta opinião não vão pois aparentemente acreditam em valores e isso até ver não mata a fome, quando muito alguns deles preferem morrer de pé do que continuar a morrer de joelhos.

Quanto ao Pedro Correia é só mais um dos que vende o que acha que tem de vender, motivações exactas não sei quais, mas se supostamente é jornalista deveria tentar ser isento dento do que lhe for possível o que manifestamente não é o caso mas isso é problema dele, eu sou só mais um anónimo que já cá anda há uns anitos e de net / redes sociais / fóruns e afins já tenho alguma experiência e não é muito positiva.

Eles brincam connosco, alguns replicam na mesma moeda e eu cada vez mais me convenço que talvez não exista outra alternativa a pessoas que proferem isto por ex. :
http :/delitodeopiniao.blogs.sapo.pt /respiracao-assistida-7145576?thread=57258600#t57258600

"Ainda haveremos de ver Manuela Ferreira Leite e Catarina Martins no mesmo palanque. Já faltou muito mais."

E "tiro" a sua sorte é que o Pacheco Pereira não permite comentários no blogue dele se era mais um (blogue/autor) para você melgar .

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