Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Resolução

por José Meireles Graça, em 24.03.20

Bem, bem, não vou tomar os meus cafés de manhã, medem-me a temperatura duas vezes por dia (um excesso de cuidado, mas seja), se for dar o meu passeio a pé vou sozinho e não contacto com ninguém (na pista anda meia-dúzia de gatos-pingados, como eu) e, salvo para comprar tabaco e o euromilhões, uma vez por semana, não saio de casa. Quando acabar esta quarentena é provável que venham mais 15 dias, e cumprirei. Depois, mesmo que não haja vacina nem medicamentos, farei o que for preciso para manter a flutuar as duas chafaricas de que sou sócio, regressando, com precauções embora, à minha vida normal. E passarei a ser advogado da imunidade de rebanho, digam as autoridades as aldrabices que então acharem útil, que não serão exactamente as mesmas de hoje, e pense o que pensar a opinião pública, que então já não estará tão determinada.


7 comentários

Sem imagem de perfil

De Nuno a 25.03.2020 às 00:18

É muito fácil advogar a imunidade de grupo e priotirizar a normalidade, económica e social.

Basta assumir, com a mesma ligeireza, que qualquer pessoa que se apresente a cuidados de saúde com sintomas de uma pneumonia viral é aconselhado a ir para casa, ou se não quiser, enviado para um hospital de campanha onde não receberá outro tratamento além de cama, comida e paracetamol.

Os que se safarem ficam imunes, esperamos. Os outros são cremados. Se o sistema funerário não der conta do recado, a cremação conjunta é admitida.

Na verdade, para não nos preocuparmos com o COVID-19 basta abdicarmos do nível de cuidados de saúde a que estamos habituados. Países sem cuidados de saúde e sem economia pouco têm que se preocupar com o vírus.

O que não é correcto, é que quem por infortúnio parte uma perna e precisa de ser operado, ou uma criança que apanha uma gastroenterite e está desidratada de tanto vomitar, receba maus cuidados de saúde porque os que decidem não levar isto a sério estão a entupir os hospitais, com as suas pneumonias atípicas e sobretudo com as dos seus familiares mais idosos.

Itália não está como está por causa dos velhos e frágeis que estão a morrer. Está assim porque se recusa a deixá-los morrer sem nada fazer.
Sem imagem de perfil

De JPT a 25.03.2020 às 10:42

E que género de cuidados de saúde conta ter depois a economia rebentar, quando tivermos uma crise económica e orçamental pior que a que tivemos de 2009? Ou a austeridade só matava pessoas pessoas nessa altura?
Sem imagem de perfil

De Nuno a 25.03.2020 às 18:46

Repare, eu por mim tudo bem.

Mas em vez de se por com rodeios seja claro e responda à pergunta: quem se apresenta com uma pneumonia viral nos hospitais, deve ser tratado ou proscrito?

Se tiver coragem para escolher a segunda para si e para os seus, e estiver disposto a assinar por baixo, está em condições para falar de economia nesta altura.

Caso contrário, faça favor de seguir as indicações dos médicos que o querem tratar o melhor que conseguem.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 26.03.2020 às 10:16

Excelente. Já dizia o saudoso Roy Batty que é excelente ser o "good man". Todavia, basta ler para além dos jornais, e ver e ouvir para lá dos telejornais, para se saber que há médicos - pasme-se, há, até, professores de Medicina (como aquele que é insultado uns posts acima por sujeito que não distingue um brufene de um bem-u-ron - como eu, aliás) - que entendem que provocar uma depressão económica não é uma resposta proporcional ao vírus em causa. É que uma depressão económica também tem como efeitos que quem se apresenta com condições graves nos hospitais não possa ser atendido. E que mais pessoas tenhas essas condições graves. Pelo menos, foi o que correu entre 2011 e 2015. Não se está, portanto, portanto, perante uma escolha moral, e muito menos perante uma escolha técnica, mas sim, perante uma escolha política - que, acredite, mudará quando politicamente deixar de ser exequível, seja ou não o momento tecnicamente adequado para mudar de rumo. Saúde!
Sem imagem de perfil

De Nuno a 26.03.2020 às 15:10

Curiosamente, mais um que não consegue ser claro: os velhos, hipertensos, diabéticos, obesos, fumadores, etc, são tratados ou são proscritos?

Recusar-se a "responder nesses termos" porque é uma escolha "política" e não "moral" é a atitude dum cobarde anónimo.

O Boris foi muito criticado por simplesmente dizer "vamos perder muitos dos que amamos antes do seu tempo."

Se essa é a sua opção "política" (que eu até acho legítima), o mínimo de decência que se lhe exige é que o assuma com clareza.
Sem imagem de perfil

De João Lopes a 26.03.2020 às 21:43

Pois é, pá! Já assisti a muitos estados de emergência e a cremações conjuntas. Todos os anos, quando morrem mais de 3000 pessoas por gripe no nosso país, assisto a esse triste espectáculo. E na Europa, hein? 110000 mortes só por gripe no ano passado! Foi terrível, ver as cremações conjuntas a céu aberto, pá!
E antes da "pandemia", quando ia com o meu pai ao hospital de Vila Franca de Xira, quando ele, já idoso, precisa de ir a uma consulta regular? É que era uma maravilha! O hospital nunca estava entupido! Mas agora, com o covid-19, acho que já contrataram uma empresa de desentupimentos, para minimizar o problema!
Agora falando a sério: estamos lixados com F maiúsculo. Daqui a uns meses os que defenderam os estados de emergência e afins andarão a piar fininho.
Sem imagem de perfil

De Vento a 25.03.2020 às 10:01

Sim, provavelmente mais 15 dias e depois, step-by-step, entraremos na normalidade. Aguarde-se as boas notícias que entretanto chegarão para o mundo inteiro.

Da minha parte, e à distância regulamentar, prometi a uma vizinha que lhe apalparia o traseiro logo que o embargo seja levantado. Está visto que este covid é um moralista secular, direi mesmo um fariseu.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D