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Repugnante

por Pedro Correia, em 01.04.16

Tão certo como as andorinhas regressarem pela Primavera, quando ocorre mais um atentado terrorista na Europa, é haver de imediato quem mencione a invasão do Iraque como leitmotiv ou invoque putativas motivações ideológicas dos homicidas para lá da pura lógica do terror ou culpe o enquadramento social como potenciador dos sentimentos de "revolta". Acontece invariavelmente: nunca falta alguém a "compreender" e até a desculpar os autores dos morticínios.
É a mesma lógica que levava os nazis a justificar todas as atrocidades em nome das "humilhações" impostas à Alemanha pelas potências vencedoras da I Guerra Mundial - o que levou muito boa gente, na altura, a "compreendê-los".

 

Exemplos? No próprio dia 22, logo após os atentados de Bruxelas que já provocaram 35 vítimas mortais, houve nas caixas de comentários do DELITO quem raciocinasse assim.

"Os loucos estão cá dentro e bem organizados. Antes de tudo deveriam aqueles que destruíram o Iraque, pedirem desculpas a eles e ao mundo, pelo erro que cometeram e a partir daí conversarem", escreveu um leitor comentando este texto do Luís Menezes Leitão. "Não me parece que nos queiram impor valores ou religião. Os factos revelam-nos o contrário. Nós é que invadimos, destruímos e matamos para alegadamente impor a nossa democracia e outros valores", escreveu outro, comentando este texto do João André.

Mais um (ou seria o mesmo?), no dia seguinte, anotou isto, comentando um texto meu: "Por que razão até hoje os senhores que destruíram o Iraque ainda não tiveram a hombridade de pedir perdão àqueles a quem tiraram o chão? Pois é, é isto que todos esquecem, mas eles não esqueceram e têm bem presente os desvarios dos ocidentais."

 

Nada mais repugnante do que este simulacro de equivalência moral entre assassinos e assassinados perante crimes concretos, esta insensibilidade face às vítimas concretas, quando o sangue ainda mal acabou de secar.


4 comentários

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De Anónimo a 01.04.2016 às 23:14

Meus Caros,
o povo não entra em teorias, nem sabe a história universal;
mas sabe como ninguém sintetizar as situações similares, limitando-se a dizer:
- quem semeia ventos colhe tempestades.
Na mouche!
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De Pedro Correia a 01.04.2016 às 23:30

Que quer você dizer com isso? Que as vítimas inocentes de Bruxelas "estavam mesmo a pedi-las"?
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De Anónimo a 02.04.2016 às 00:03

O anónimo das 23:14, quer dizer aquilo que todos sabemos. Não metas a foice em seara alheia. Ninguém está a desculpar terroristas, constatam-se evidencias que estão bem à vista de qualquer um. Quem aqui parece querer desculpar os quatro senhores e não os cinco que por lapso escrevi que meteram a foice em seara alheia, é quem escreve o comentário de repugnante. Repugnante porque alguns acham que agimos mal em relação ao Iraque. Agimos e continuamos a agir porque destruímos o país deles e quando eles pedem asilo, tratamo-los abaixo de cão. Como é? Nós espatifamos um país que todos sabíamos, com sérios problemas, entre sunitas e xiitas, desancámos a torto e a direito, partimos, enforcámos o ditador e filmámos a agonia, como se de um espectáculo se tratasse e depois não queremos levar. As vitimas de Bruxelas e todas as que vierem merecem todas as homenagens e Todas são poucas, mas isso não invalida que se discuta o erro dos ocidentais, sabichões e poderosos.
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De Buiça a 02.04.2016 às 05:44

Eu cá tenho para mim que isto foi tudo algum Congolês a vingar-se do que os belgas andaram por lá a fazer.
Para não dar nas vistas, contratou um puto arabe de costas largas daqueles que passam a vida a jogar playstation a matar infiéis portugas com o boneco do Savimbi porque no sofá do estado social belga se treinam estas coisas muito melhor do que em Aleppo onde nao aguentou 3 semanas seguidas por o McDonalds mais próximo ser uma arrofada de carne de cão turco que trazem uma vez por semana e as ruas cheirarem esquisito.
Entre ir mais 3 semanas de estágio para o neo-mega-curdistão ou enrolar-se em explosivos, o rapaz não hesitou e ao congolês nem precisou de pedir mais do que uma camisola do cristiano para um irmão mai novo que ia deixar entre nós.
Já no outro dia os ruandeses e argelinos tinham feito parecido em Paris.
Só não vê quem não quer...

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