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Remar contra a maré (1)

por Sérgio de Almeida Correia, em 20.07.15

"O facto de ser Schäuble quem está a planear e a projectar a melhor forma de expulsar a Grécia da Eurozona é especialmente desconcertante e aborrecido para aqueles dos que, entre nós, seguiram a sua carreira política durante muitos anos. Este é o mesmo homem que, com Kurt Lamers, escreveu o paper de 1994 argumentando não apenas a favor de uma Europa a duas velocidades, mas por uma UE cada vez mais federalista, com uma união política e monetária e, implicitamente, uma versão cross-border da Länderfinanzausgleich alemã, transferindo fundos dos ricos para os estados federais pobres. (Aqueles putativos Eurobonds que Angela Merkel até se recusou a discutir). As inclinações deste apaixonado alemão pró-europeu, membro do Bundestag durante 43 anos, contidas naquele conjunto de propostas de 1994, é aquilo a que se prende a memória das minhas entrevistas com ele.

Nesses dias, eu e outros expatriados, de forma mais ou menos satisfeita, pagámos a nossa contribuição de solidariedade (Solidaritätszuschlag) para ajudar a financiar a reconstrução da desfeita economia (e sociedade) da Alemanha de Leste. E que ainda está a ser paga (a um valor até 5,5%) por contribuintes indiscutivelmente cansados após mais de duas décadas e em que o valor para o Ministério das Finanças já ascende a mais de € 200 mil milhões. Hoje, um "bom" alemão, Clemens Fuest, chefe do instituto económico de previsões ZEW, propôs um aumento da sobretaxa para 8% para obter € 22 mil milhões para o povo grego - argumentando que isto se mostrará menos oneroso do que um default/grexit e igual ao montante que a Alemanha de qualquer forma pagaria para o 3.º programa de ajuda à Grécia. Seria uma " transferência da União", diz ele  - do tipo da que foi desenhada por Schäuble e retomada por outros desde então." - David Gow, correspondente do The Guardian na Alemanha entre 1989 e 1995, em Germany Undoes 70 years of European Policy

 

Duas notas:

(i) eu não sou tradutor mas gostaria de tornar acessíveis aos leitores do DdO um conjunto de textos para que, se quiserem, possam reflectir sobre as questões que a todos preocupam com mais informação; pelo que se alguém quiser ajudar a melhorar e a tornar mais compreensiva esta e as próximas traduções que aqui surgirem é bem-vindo;

(ii) tentei encontrar em inglês o paper de 1994 mas não consegui, por isso, se uma das fundações ou institutos ligados à investigação política e europeia, ou um dos meus companheiros de blogue com tempo disponível, encontrar uma tradução numa língua mais acessível à maioria, ou se quiser traduzir para português o documento acima referido - ainda disponível nos arquivos da CDU e antes que desapareça por se ter tornado politicamente incorrecto -, prestará um óptimo serviço a todos os que à direita, ao centro, à esquerda ou simplesmente em casa gostariam de perceber um pouco melhor o que se está a passar há vários anos na Europa sem terem de depender da mediação dos partidos portugueses, dos seus dirigentes ou dos camaleões de Bruxelas que, paulatinamente, vão enterrando o sonho europeu sem nada perguntarem aos europeus. 


4 comentários

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De Luís Lavoura a 20.07.2015 às 17:10

Traduzir um artigo em que logo o segundo período abrange meia dúzia de linhas, não é fácil. Acresce que a construção das frases em português é muito diferente de em alemão.
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De IsabelPS a 20.07.2015 às 17:34

Que é isso comparado com o primeiro período dos obituários do Embaixador Cutileiro no Expresso?
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De William Wallace a 20.07.2015 às 19:12

Como bem sabe de cada vez que se perguntou a algum dos povos europeus se queriam mais um tratado feito pelos eurocratas nacionais ou dirigentes de topo da hierarquia europeia e se fizeram referendos a resposta dos povos foi sempre negativa e então tiveram de se fazer vários referendos até a resposta ser positiva.

A partir do momento que na CEE / UE as decisões passaram a ser tomadas por maioria simples o processo de decadência acentuou-se, esta UE foi feita nas costas dos Povos, aliás um pouco como se faz a politica interna nas Nações mais pobres da UE, nesses países só uma pequena elite tem beneficiado da integração europeia, os restantes são vistos como peças na engrenagem na melhor das hipóteses , na pior são grãos na engrenagem.

Os recalcados sentimentos de superioridade estão sempre presente, já na Guerra dos Balcãs os Alemães "apoiaram" os Croatas e os Franceses os Sérvios.

É óbvio que esta UE serve intrinsecamente os interesses económicos (através do Euro) e políticos da Alemanha e dos países que sempre lhe foram próximos.

Aliás se reparar a Alemanha voltou a ser um player internacional em termos políticos sendo uma das nações que participaram no recente acordo sobre o programa nuclear iraniano.

É inútil remar contra a maré, mesmo os que são de "direita" e entendem que o que se está a fazer aos Gregos e á Grécia está errado e vai contra tudo o que a Europa e o Mundo aprendeu amargamente nos últimos 100 anos não têm voz (não estão representados) além de serem insultados e gozados pela minoria maistream que pretende unicamente não perder a face e sobreviver das migalhas que caiem da mesa.

Só não vê quem não quer e existem muitos a usarem palas de propósito para não ver e ao mesmo tempo a lançar cortinas de fumo para a maioria não ver aquilo a que é submetida.

É mais que óbvio que já temos um 2º estado falhado na Europa (1º é a Ucrânia) que só servirá para criar ainda mais sofrimento nos Europeus.

Qualquer tipo de resistência está condenada ao fracasso pois não só em Portugal como na maioria dos outros Países á excepção da Alemanha e pouco mais (pela cultura que têm) o que interessa a cada pessoa é o pão nosso de cada dia, o egoísmo é enaltecido e a solidariedade / altruísmo são defeitos que têm de ser curados.

Quanto ao que apela de facto não o posso ajudar, embora entenda bem inglês não percebo nada de alemão, até o Aventar teve de apelar aos seus leitores também para a tradução de um documentário legendado em francês sobre a troika que até passou na TVI 24 recentemente.

Não sei se conhece a Alemanha, eu não mas se lá for decerto verificará que ou fala alemão ou então ninguém quer saber de si, se tentar o inglês eles só lhe dão conversa se ganharam algo com isso enquanto que por ex. em Portugal (nos Países do Sul) é exactamente o oposto, estamos sempre "disponíveis" para ajudar.

Por isso acho que isto não vai lá com uma certa esquerda que faz outdoor a dizer que o Governo Português é mais Alemão que o Alemão, tomara-mos NÓS que assim fosse, de certeza ninguém se esquecia de pagar impostos e outras GRANDES MINUDÊNCIAS.

Por ultimo apesar de lhe dizer que não vale remar contra a maré isso não quer dizer que eu também não o faça.
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De lucklucky a 20.07.2015 às 21:58

Resumindo, para o autor o "sonho europeu" é dinheiro. Dos outros europeus claro.

Só considera fazer parte de um clube que lhe dê dinheiro.

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