Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Nos dias que se seguiram ao horrível massacre do Sri Lanka, ou Ceilão - acho sempre que certas palavras ficam melhor em português - voltou à baila o assunto das perseguições de que os cristãos têm sido alvo. O Público, por exemplo, debruçou-se sobre o assunto, através de artigos próprios ou dos seus colunistas. Outros órgãos de informação também o fizeram. E de alguma forma está ligada à profanação ou vandalização de inúmeras igrejas na Europa (a que alguns abusivamente quiseram colar o incêndio em Notre Dame, sem quaisquer provas, ou ligá-lo de imediato a muçulmanos quando se sabe que boa parte destes actos tem mão em supremacistas brancos neopagãos). É uma discussão importante e até urgente, mas temo que com o correr dos dia e a sucessão de novos factos comece a ficar novamente para trás. 

Resultado de imagem para atentados igreja sri lanka

Uma das coisas que me impressionam quando se fala em vítimas e fobias é a quase completa ausência de termos que o definam quando se trata de cristãos. Sobre isso escrevi num dos meus primeiros artigos aqui no Delito, e constato que a palavra "cristofobia" - ou cristianofobia, como quiserem - continua a não ser usada (também não havia de ser por causa do post). Em compensação, usa-se e abusa-se dos termos "islamofobia" e "anti-semitismo", apenas dirigido a actos anti-judeus. Afinal de contas porque é que se fala tão pouco em cristofobia? Continuará a ser por aquela tonta e estafada complexo de culpa ocidental, ao qual o cristianismo é colado? Mas então porque são na sua grande maioria comunidades cristãs antiquíssimas do Próximo Oriente e África a apanhar com as bombas e os estilhaços? E aqueles pobres cristãos do Níger, mortos em retaliação às caricaturas do Charlie Hebdo, que ligação tinha uma coisa com a outra? Poderá a auto-censura que é o politicamente correcto estar a silenciar uma terrível tendência da actualidade?

 

Nem de propósito, voltei aqui também por causa de mais uma imbecilidade do politicamente correcto, por uma vez a proteger Donald Trump. O New York Times tinha publicado um cartoon do bem conhecido (entre nós) caricaturista António, do Expresso, onde retratava Trump, cego e de kipá na cabeça, guiado por um Bibi Netanyahu em corpo de cão e com a estrela de David na coleira, como identificação da personagem, sem pedir autorização nem informar o desenhador. A imagem é pouco subtil e tem o seu quê de patético e de insultuoso, como tantas outras deste autor, mas não é das piores que se tem visto. Pois perante uma coro indignado com o "antisemitismo" da caricatura o conhecido jornal novaiorquino decidiu suprimi-la, pedir desculpas e "lamentar a sua publicação". Ou seja, autocensurou-se com a "indignação" (outra das modas contemporâneas) não assumindo os seus actos. Não sei se o New York Times se juntou áquela encenação do "Je Suis Charlie"; se sim, bem podia voltar a pedir desculpas e "lamentar o acto", já que o sabe fazer tão bem. Mas pergunto-me, caso se tratasse de outro conhecido "trabalho" de António, os estapafúrdios desenhos dos Papas com preservativos,  o New York Times cederia tão rapidamente como aqui? Ou defenderia aqui a liberdade do autor? Tenho as maiores dúvidas que fosse a segunda hipótese, como deveria ser, mesmo achando os desenhos em questão uma mistura de mau-gosto com hipocrisia.


7 comentários

Sem imagem de perfil

De Vento a 30.04.2019 às 10:05

Estou em crer que o problema está mesmo no NYT e também nas seguintes comunidades, a saber: judaica, onde se inclui os judeus messiânicos, isto é, os convertidos a Cristo, mas também os cristãos evangélicos e outros mais. Muitos destes querem ver em Trump o messias e restaurador do estado de Israel e da tão sonhada terra prometida.
Na realidade Bibi é um extremista, e Trump tem dado uma ajuda porque lhe interessa Israel como base para o médio oriente.
Na realidade esse desenho retracta uma visão das referidas comunidades, e, no contexto, não me escandaliza ver Trump e Bibi assim tão bem desenhados.

A Cristofobia é outra coisa, esta vinha sendo propagada até mesmo com a conivência de organismos supranacionais. O sucesso desta contaria, certamente, com a descredibilização da ICAR no mundo. Aspecto que ainda não foi alcançado e jamais o será, não obstante alguns de seus membros terem oferecido uma satânica imagem de si mesmos.

É importante que se refira o número de cristãos mortos e perseguidos no mundo, cujo sangue vertido eu acredito ser a semente de cristãos.
Os grandes jornais americanos, onde se inclui o NYT, ainda não se recompuseram da lição de marketing e comunicação oferecida por Trump nas eleições brilhantemente ganhas. Trump é que percebe desta matéria, e doutras. Mas na política com Israel o homem coxeou bastante.
Imagem de perfil

De João Pedro Pimenta a 30.04.2019 às 16:35

O apoio dos evangélicos a judeus ortodoxos (mais do que a simples sionistas) prende-se com a profecia de que o Messias só voltará - para os evangélicos - ou virá finalmente - para os judeus - quando Israel ocupar todo aquele território e o 3º Templo for construído. Uma ideia perigosa que ainda põe mais em perigo aquele território.
Mas diga-se que naquelas paragens os maiores inimigos dos cristãos são muitas vezes os próprios. Como os monges arménios e gregos, em Jerusalém, ou os clãs libaneses.
Sem imagem de perfil

De Vento a 30.04.2019 às 17:02

Sim, JPP, por gozarem da protecção do estado de Israel em relação aos fundamentalistas contrários.
Mas há uma outra questão: por exemplo, todos sabemos que não seria verosímil, e não será, que Israel abandone os Golã nos tempos mais próximos. Porém Trump, de forma aluada, veio reconhecer que esses montes façam parte de território Israelita. Ou seja, assumiu como anexação definitiva. Ao conduzir esta política de excepção retirou-se a si mesmo espaço de manobra, e até mesmo legitimou, na questão da anexação da Crimeia e de parte da Ucrânia.
Em suma, qualquer país sentindo-se ameaçado ou supostamente ameaçado, de acordo com esta postura de Trump, está legitimado para anexar parte de território de outros.
Imagem de perfil

De João Pedro Pimenta a 30.04.2019 às 23:14

Bem visto. Nem me tinha lembrado da anexação da Crimeia e como ela podia ser envolvida como "moeda de troca" no reconhecimento dos anexação dos Golã e de outros eventuais territórios. Doravante vai ser ainda mais difícil enfrentar a Rússia nessa questão, até porque as relações EUA-Rússia tendem a deteriorar-se (a questão da Venezuela também ajuda a isso).
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 30.04.2019 às 23:51

A questão da Ucrânia relacionava-se com a vontade de esta aderir à NATO e passar a ter bases americanas em seu território. Desta forma os americanos controlariam um importante pipeline russo, além da portol de Sebastopol….imaginem os americanos cercados por bases russas como os russos estão com as americanas….

Putin's Warning

https://www.youtube.com/watch?v=kqD8lIdIMRo

https://www.cfr.org/interview/russians-see-us-missile-defense-poland-posing-nuclear-threat

Quem abandonou o programa de não proliferação de armas nucleares?
Imagem de perfil

De João Pedro Pimenta a 01.05.2019 às 22:52

Os americanos nunca controlariam Sebastopol porque já estava sob controlo da Rússia, não da Ucrânia.

Quanto a uma eventual expansão da NATO, podem-se compreender alguns receios da Rússia, mas que eu saiba a Ucrânia é (ou pensava ser) um estado independente com direito a escolher pertencer às organizações que bem entender. Os ucranianos aliás já se tinham desembaraçado do seu arsenal nuclear pós-URSS em troca do reconhecimento das suas fronteiras pelos russos. Quem é que não cumpriu o prometido? A propósito de bases russas, será que isso dá direitos aos EUA de intervirem na Venezuela, cujo regime é apoiado por Putin?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 02.05.2019 às 00:11

Russia's armed intervention in the Crimea undoubtedly illustrates President Putin's ruthless determination to get his way in Ukraine. But less attention has been paid to the role of the United States in interfering in Ukrainian politics and civil society. Both powers are motivated by the desire to ensure that a geostrategically pivotal country with respect to control of critical energy pipeline routes remains in their own sphere of influence.

Much has been made of the reported leak of the recording of an alleged private telephone conversation between US assistant secretary of state Victoria Nuland and US ambassador to Kiev Geoffrey Pyatt. While the focus has been on Nuland's rude language, which has already elicited US apologies, the more important context of this language concerns the US role in liaising with Ukrainian opposition parties with a view, it seems, to manipulate the orientation of the Ukrainian government in accordance with US interests.

https://www.google.com/amp/s/amp.theguardian.com/environment/earth-insight/2014/mar/06/ukraine-crisis-great-power-oil-gas-rivals-pipelines

A Europa de Leste deveria ser um Estado Tampão a bem da Segurança Regional.

Vorph

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D