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Delito de Opinião

Regresso à cristofobia, com o politicamente correcto a reboque

João Pedro Pimenta, 30.04.19

Nos dias que se seguiram ao horrível massacre do Sri Lanka, ou Ceilão - acho sempre que certas palavras ficam melhor em português - voltou à baila o assunto das perseguições de que os cristãos têm sido alvo. O Público, por exemplo, debruçou-se sobre o assunto, através de artigos próprios ou dos seus colunistas. Outros órgãos de informação também o fizeram. E de alguma forma está ligada à profanação ou vandalização de inúmeras igrejas na Europa (a que alguns abusivamente quiseram colar o incêndio em Notre Dame, sem quaisquer provas, ou ligá-lo de imediato a muçulmanos quando se sabe que boa parte destes actos tem mão em supremacistas brancos neopagãos). É uma discussão importante e até urgente, mas temo que com o correr dos dia e a sucessão de novos factos comece a ficar novamente para trás. 

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Uma das coisas que me impressionam quando se fala em vítimas e fobias é a quase completa ausência de termos que o definam quando se trata de cristãos. Sobre isso escrevi num dos meus primeiros artigos aqui no Delito, e constato que a palavra "cristofobia" - ou cristianofobia, como quiserem - continua a não ser usada (também não havia de ser por causa do post). Em compensação, usa-se e abusa-se dos termos "islamofobia" e "anti-semitismo", apenas dirigido a actos anti-judeus. Afinal de contas porque é que se fala tão pouco em cristofobia? Continuará a ser por aquela tonta e estafada complexo de culpa ocidental, ao qual o cristianismo é colado? Mas então porque são na sua grande maioria comunidades cristãs antiquíssimas do Próximo Oriente e África a apanhar com as bombas e os estilhaços? E aqueles pobres cristãos do Níger, mortos em retaliação às caricaturas do Charlie Hebdo, que ligação tinha uma coisa com a outra? Poderá a auto-censura que é o politicamente correcto estar a silenciar uma terrível tendência da actualidade?

 

Nem de propósito, voltei aqui também por causa de mais uma imbecilidade do politicamente correcto, por uma vez a proteger Donald Trump. O New York Times tinha publicado um cartoon do bem conhecido (entre nós) caricaturista António, do Expresso, onde retratava Trump, cego e de kipá na cabeça, guiado por um Bibi Netanyahu em corpo de cão e com a estrela de David na coleira, como identificação da personagem, sem pedir autorização nem informar o desenhador. A imagem é pouco subtil e tem o seu quê de patético e de insultuoso, como tantas outras deste autor, mas não é das piores que se tem visto. Pois perante uma coro indignado com o "antisemitismo" da caricatura o conhecido jornal novaiorquino decidiu suprimi-la, pedir desculpas e "lamentar a sua publicação". Ou seja, autocensurou-se com a "indignação" (outra das modas contemporâneas) não assumindo os seus actos. Não sei se o New York Times se juntou áquela encenação do "Je Suis Charlie"; se sim, bem podia voltar a pedir desculpas e "lamentar o acto", já que o sabe fazer tão bem. Mas pergunto-me, caso se tratasse de outro conhecido "trabalho" de António, os estapafúrdios desenhos dos Papas com preservativos,  o New York Times cederia tão rapidamente como aqui? Ou defenderia aqui a liberdade do autor? Tenho as maiores dúvidas que fosse a segunda hipótese, como deveria ser, mesmo achando os desenhos em questão uma mistura de mau-gosto com hipocrisia.

5 comentários

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    João Pedro Pimenta 30.04.2019

    O Vorph hoje está com a corda toda. Dificilmente tenho visto uma justificação À guerra santa como aqui. A hipocrisia de que falei refere-se a António e a muitas das suas caricaturas.
    E tudo o resto que referiu, implica que não haja perseguições aos cristãos e nunca se ouça falar de cristofobia? Porque é que as populações cristãs da Síria/Iraque diminuíram drasticamente? Justificar que "haja gente que se manda pelos ares" (e tantas vezes nem é essa gente que vive em países afectados) não equivalerá aos que concordam com o assassino de Christchurch? Sim, os judeus desobedecem a resoluções da ONU; e noutros países da região já quase nada resta das populações judias. Os jordanos também não deixaram durante décadas os judeus ir para a cidade velha de Jerusalém ou chegar perto do Muro, o seu lugar mais sagrado. Em que é que ficamos?
  • "Porque é que as populações cristãs da Síria/Iraque diminuíram drasticamente?"


    João decerto não diminuíam quando lá estava o Saddam...porque é que se invadiu aquilo?
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    Anónimo 30.04.2019

    Desde há muito que as populações Cristãs diminuem proporcionalmente no Médio Oriente. Sim no Iraque de Saddam.

    "João decerto não diminuíam quando lá estava o Saddam...porque é que se invadiu aquilo?"

    Mudar o TERRENO de guerra das cidades do Ocidente para as cidades do Islão.

    Veja lá se aprende alguma coisa sobre o conflito entre a Al Qaeda e o Estado Islâmico. E já agora informe-se sobre a Guerra Civil na Argélia.

    lucklucky
  • O ISIS surgiu com a guerra do Iraque...o ISIS recebeu/recebe armamento americano, vendido pelos sauditas, na guerra iemenita.

    https://www.theguardian.com/global-development/2018/nov/28/arms-yemen-militia-were-supplied-by-west-find-analysts
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