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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 11.05.17

 

«Um debate por vezes muito intolerante, a propósito da tolerância de ponto que o Governo concedeu para amanhã, dia 12. Um debate que tem quase sempre ignorado o fácil desvirtuamento que se tem feito do conceito de tolerância de ponto. E que, de novo, vai buscar estafados argumentos sobre a traição à laicidade do Estado. Como se os crentes católicos não fossem, também eles, cidadãos de corpo inteiro, com direito a não ser menosprezados pelo Estado.

Aliás, para acabar com esta influência católica sobre o Estado (ou judaico-cristã, para alargar mais o âmbito), tenho uma proposta simples: acabar com o gozo de sábados e domingos enquanto dias de descanso. Afinal, essa pesada herança religiosa que foi a instituição de um dia de descanso semanal (o sábado judaico e o domingo cristão) ainda é, seguramente, uma ameaça à laicidade. Por arrastamento, poderia acabar-se com todos os feriados que cheirem a catolicismo: desde logo, os vários dias de férias à volta do Natal e do Ano Novo (feriado religioso, na sua origem), a "ponte" da Páscoa e todos os outros.»

António Marujo, no Diário de Notícias


12 comentários

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De Luís Lavoura a 11.05.2017 às 17:25

o fácil desvirtuamento que se tem feito do conceito de tolerância de ponto

Quer isto dizer que o conceito de tolerância de ponto tem uma interpretação virtuosa? Curioso! Eu não vejo que interpretação possa essa ser.

Como se os crentes católicos não fossem, também eles, cidadãos de corpo inteiro

São-no tanto que até têm, ao contrário dos crentes das outras religiões, o direito a ter feriados nos dias de especial importância para a sua religião. Enquanto que os crentes das outras religiões têm que pedir um dia de férias para celebrar as datas que para eles são importantes, os católicos não têm. São uns privilegiados.

Acontece, porém, que nem 12 de maio nem 13 de maio são dias de especial relevância no calendário católico. Nenhum católico é obrigado a comemorar esses dias, nem a deixar de trabalhar neles. Nenhum católico tem qualquer obrigação de ir ver o papa quando ele vem a Portugal.
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De xico a 11.05.2017 às 17:37

O Estado Português teve a sua génese muito por culpa da Igreja católica neste território e de toda a dinâmica cristã da Idade Média. Em nome da laicidade devia terminar o Estado Português. E em nome da laicidade acabar com a igualdade entre todos, na Constituição, por ser um princípio manifestamente cristão em oposição ao princípio grego do mais forte, que dominava no império romano que nos colonizou.
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De IO a 11.05.2017 às 22:12


Como principio de igualdade ,então todos os catolicos deveriam ter tolerancia de ponto, neste caso a igualdade é só para os "servidores do estado"
ainda por cima prejudicando o resto do "malta" católicos e não católicos que não podem deixar os filhos da escola (alguns terão de faltar no emprego) não terão acesso aos serviços de saúde, finanças e a todos os outros pelos quais pagam. No tempo da outra senhora, isto é no tempo da ditadura, fascismo
e etc é que o povo era embrutecido com FUTEBOL FADO E FÁTIMA. Afinal os tempos não mudaram muito!
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De xico a 13.05.2017 às 18:46

Está a confundir o governo que legisla e obriga a todos, com o governo que tem uma relação patronal com os funcionários públicos. Estes tiveram tolerância. Os privados não ficaram obrigados ao feriado mas também não estão impedidos de conceder tolerância aos seus empregados. É só isto. Tal e qual como as horas de trabalho. Ninguém está obrigado a fazer com que os seus trabalhadores trabalhem por 40 horas. Não podem é obrigar a mais, mas podem ter menos, até que os funcionários públicos.
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De Anónimo a 14.05.2017 às 17:45


Lamento mas o governo não tem, nem deve ter, uma "relação patronal" com os funcionários públicos" Governo não é patrão é Administrador. Patrão é o povo mais concretamente os contribuintes, onde tambem estão incluídos os FP.
Ora o administrador não pode NÃO DEVE beneficiar uma parte dos sócio à custa dos restantes que, continuam a pagar as quotas mas são prejudicados pela decisão! Podemos ainda considerar como extremamente desonesto uma administração que beneficia os "funcionários públicos/s´sócios" com o fim ultimo de se fazer reeleger. O GOVERNO NÃO É DONO! É ADMINISTRADOR!
O dinheiro não é do PS!
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De Arnaldo Tomas a 11.05.2017 às 21:06

Neste particular nao é a suposta laicidade do Estado a ser posta em causa, mas o tratamento persistente de desigualdade entre funcionários públicos e os outros.
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De Luís Lavoura a 12.05.2017 às 10:00

É normal os funcionários de diferentes empresas terem tratamentos diferentes.
Um operário da Lisnave não tem o mesmo tratamento que um operário de uma pequena serralharia. Um operário da Autoeuropa também não.
Não há nada de chocante em os funcionários do Estado terem tratamento diferente dos funcionários de outros patrões - os quais, por sua vez, também têm tratamentos diferentes uns dos outros.
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De sampy a 13.05.2017 às 00:25

Lavourinha, como é que consegues dizer isto, depois de teres acusado num comentário acima que o tratamento diferenciado entre católicos e crentes de outras religiões manifesta uma situação de privilégio?
És tão ignaro que nem consegues ter consciência de te contradizeres...
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De Luís Lavoura a 13.05.2017 às 17:44

Ambas as situações de privilégio são normais e eu não estou a contestá-las. É normal que os crentes de uma religião maioritária tenham privilégios. É normal que os trabalhadores de uma empresa mais produtiva tenham privilégios.
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De sampy a 14.05.2017 às 11:30

Ok, entendi mal então o tom do teu primeiro comentário.
Pelo que o tom do meu se revela no mínimo descabido.
Mas guardarei para futuro essa teoria dos privilégios normais.
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De Buiça a 11.05.2017 às 22:36

Bom, se é para fazer de conta que não entendemos o que é um estado laico e não deitar fora 2 mil anos de conquistas "cristãs" podemos também lembrar todas as vitimas de 2 mil anos de guerras em nome de um deus qualquer e passar a tratar os católicos como os adeptos do estado islãmico...
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De Anónimo a 13.05.2017 às 00:18

... a começar pelos que forem funcionários públicos.

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