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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 09.02.17

«O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que rejeita a revisão do acordo ortográfico. E eu rejeito essa forma de rejeição, porque a considero autoritária, arrogante, dogmática e deselegante para com a Academia das Ciências. A Academia, que é, de acordo com a lei, conselheira do Governo em matéria da língua, não foi ouvida nem achada no que diz respeito ao acordo. E limitou-se a apresentar, agora, um conjunto de sugestões indicativas para que se começasse a debater este assunto e para tentar melhorar, se possível, um acordo que nasceu mal, um acordo falhado.

Esta posição do ministro [Augusto Santos Silva], que fala em nome do Governo, revela um grande desprezo por todos aqueles que se têm oposto desde o princípio a este acordo. Desprezo por escritores, por gente das letras, por académicos, por professores e por muitos cidadãos que manifestam a sua oposição a este acordo, que está a fragmentar a língua e a dividir os portugueses. Já nem falo de mim, falo do Vasco Graça Moura, que mostrou de mil e uma maneiras todos os erros deste acordo, que, aliás, considerava inconstitucional. Não conheço nenhum escritor de nomeada que seja favorável a este acordo.»

Manuel Alegre, hoje, no Público

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16 comentários

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De Júlio Andrade a 09.02.2017 às 23:16

É a primeira reacção a esta posição intransigente do Governo. Espero que haja muitas mais. Tenho ainda esperança que a Academia das Ciências reaja com energia e com a razão que lhe cabe.
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De Pedro Correia a 09.02.2017 às 23:22

Também espero que sim. Se não reagir, cá estaremos para a incentivar nesse sentido.
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De Einzeturzende Neubaten a 09.02.2017 às 23:38

Pelo que ouvi na rádio o professor Malaquias Casteleiro, membro da Academia das Ciências diz que não havia quórum para que a dita Academia se tivesse pronunciado contra o AO. Aliás este membro da academia é a favor do AO. Quanto a escritores de nomeada, eles aparecerão ainda sob o AO. O AO destina- se aos jovens, e qualquer mudança de paradigma implica resistência sobretudo dos mais velhos
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De Pedro Correia a 09.02.2017 às 23:48

Muito me conta. Um "acordo" que visava "unificar" afinal divide. Desde logo por camadas etárias.
Que maravilha.
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De Manuel Silva a 10.02.2017 às 00:14

Caro Pedro:
Pior, o AO, que foi feito para unificar, mas fez isto que nos relata a Prof.ª Maria Regina Rocha, especialista na Língua Portuguesa e consultora do Ciberdúvidas.
Vale a pena ler.
«Assim, procurei eu a resposta, consultando o "Vocabulário de Mudança" disponibilizado no Portal da Língua Portuguesa (http://www.portaldalinguaportuguesa.org/).
E, considerando a informação aí veiculada, a resposta é a seguinte (contagem feita manualmente): antes do Acordo - e exceptuando as palavras com alteração do hífen, as palavras graves acentuadas no Brasil e não em Portugal (como idéia - ideia) e as palavras com trema (pelo seu número residual e por tais situações afectarem sobretudo a ortografia brasileira) -, havia 2691 palavras que se escreviam de forma diferente e que se mantêm diferentes (por exemplo, facto - fato), havia 569 palavras diferentes que se tornam iguais (por exemplo, abstracto e abstrato resultam em abstrato), e havia 1235 palavras iguais que se tornam diferentes.
Está a ler bem: com o Acordo Ortográfico, aumenta o número de palavras que se escrevem de forma diferente!!!
Isto é, havia 1235 palavras que se escreviam da mesma forma em Portugal e no Brasil que, com o Acordo, mudam, a saber:
190 ficam com dupla grafia em ambos os países (por exemplo, circunspecto e circunspeto);
57 ficam com dupla grafia mas só em Portugal (por exemplo, conceptual e concetual, que no Brasil se escreve conceptual, mantendo a consoante "p");
788 mudam para uma das variantes que existem no Brasil, por vezes a menos utilizada ou a considerada mais afastada da norma padrão (por exemplo, perspetiva: em Portugal, só se admite esta forma - sem "c" -, mas no Brasil admitem-se duas, perspetiva e perspectiva, sendo esta última a preferencial);
finalmente, 200 mudam para uma até ao momento inexistente e que passa a existir apenas em Portugal (por exemplo, receção, que no Brasil só admite a forma recepção, que passa a não ser possível em Portugal).
Esta última situação é a mais aberrante: são 200 as palavras inventadas, que não existiam e passam a ser exclusivas da norma ortográfica em Portugal. Alguns exemplos: em Portugal, com o Acordo, passa obrigatoriamente a escrever-se aceção, anticoncetivo, conceção, confeção, contraceção, deceção, deteção, impercetível, enquanto no Brasil se escreve obrigatoriamente acepção, anticonceptivo, concepção, confecção, contracepção, decepção, detecção, imperceptível.
O problema diz, pois, respeito sobretudo à grafia das palavras que contêm as vulgarmente chamadas "consoantes mudas". Segundo os referidos dados do Portal da Língua Portuguesa, com o Acordo Ortográfico, no que diz respeito às palavras que mudam, no Brasil continuam a escrever-se 1235 palavras com essa consoante etimológica (978 de dupla grafia e 257 que se escrevem só com a manutenção da consoante), enquanto em Portugal e nos restantes Países de Língua Oficial Portuguesa, esse número desce para 247, e todas com dupla grafia!!!
Leu bem: no Brasil, são 1235 as palavras em que se mantém essa consoante, enquanto em Portugal e nos restantes Países de Língua Oficial Portuguesa são apenas 247!!!
Em Portugal, altera-se a ortografia fazendo desaparecer as referidas consoantes e, afinal, no Brasil, essa ortografia de cariz etimológico mantém-se!!!
Não vou aqui falar da questão da dupla ortografia e de fragilidades e incorrecções presentes nos textos referentes ao Acordo Ortográfico, que têm um efeito negativo no ensino, na aprendizagem e no domínio da Língua Portuguesa (tal poderá ser objecto de outro artigo). Aqui apenas estou a referir como falsa a propalada unidade ortográfica!»
O artigo completo pode ser lido aqui:
http://www.publico.pt/opiniao/jornal/a-falsa-unidade-ortografica-25921941

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De Costa a 10.02.2017 às 00:51

Que diz do comentário abaixo e que demonstra a fundamental inutilidade - ou pior - do AO90? Bizantinice de quem nada "aportou" de útil? Suponho então que nesse grupo inclua o sr. Casteleiro...

Costa
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De Einstürzende Neubauten a 10.02.2017 às 08:52

1. Começando pelo princípio. Foi Portugal que, em 1911, alterou a grafia da língua portuguesa sem consultar o Brasil, o que fez com que passasse a haver duas ortografias para a mesma língua. O Acordo vem resolver este erro histórico.
2. As alterações do Acordo Orográfico facilitam a aprendizagem. Quer de crianças, quer de estrangeiros. Por uma razão simples: as palavras passam a ficar mais próximas da forma como se lêem.
3. O Acordo Ortográfico apenas afeta um número diminuto de palavras, cerca de 1,6%. O que significa que as alterações trazidas pelo Acordo são mínimas face ao português que se escreve.
4. As escolas portuguesas já ensinam conforme o Acordo Ortográfico. As leis portuguesas já são publicadas conforme o Acordo Ortográfico. O Governo já governa conforme o Acordo Ortográfico. A maioria dos jornais já publica conforme o Acordo Ortográfico. Parece impossível, mas tudo isto acontece sem revolta, dor ou trauma.
5. Entrando no Acordo, é evidente que nunca poderia haver qualquer acordo com o Brasil para unificar a ortografia que não abrangesse as consoantes mudas. É que, simplesmente, os brasileiros não as afloram nem as pronunciam.
6. E quem acha que abdicámos da nossa forma de escrita, é bom lembrar que o Brasil também cedeu e deixou, por exemplo, de usar o trema em algumas palavras, como no "u" em linguiça.
7. Há apenas oito países no mundo que têm o português como língua oficial. E só há duas ortografias, a portuguesa e a brasileira. Chegar a um consenso quanto à forma de escrever é relativamente fácil. O que é altamente vantajoso para uma língua falada em quatro continentes por mais de 250 milhões de pessoas.
8. Numa perspectiva egoísta, o Acordo Ortográfico contribui, de forma modesta, para que o português do Brasil se mantenha português do Brasil e não se torne brasileiro. Sim, interessa-nos que o português seja falado por mais de 200 milhões de pessoas na América do Sul.

Pedro Almeida Cabral, jornalista
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De Manuel Silva a 10.02.2017 às 11:48

Caro Einstürzende Neubauten:
O senhor gosta muito de escrever coisas, porque sim.
Não é?
Bem me parecia.
É a favor do Acordo Heterográfico porque sim, embora ele se chame Acordo Ortográfico mas tenha aumentado a heterografia.
Obteve o contrário do que se propunha, mas nem por isso deixa de ter acalorados defensores, que, aposto, nunca leram, nem as «Bases...» nem nenhum argumento de quem o critica - de Vasco Graça Moura, António Emiliano, Maria Regina Rocha, Nuno Pacheco, etc., etc., etc. Se quiser - para além do artigo de Maria Regina Rocha, essencial na desmontagem da fraude -http://www.publico.pt/opiniao/jornal/a-falsa-unidade-ortografica-25921941
leia mais estes 2 artigos recentes, muito elucidativos e, até, divertidos:
«Pirâmides, futebóis e ortografia»
https://www.dropbox.com/s/g9czfeqf27ofqne/Pir%C3%A2mides%2C%20futeb%C3%B3is%20e%20ortografia.docx?dl=0
e
«Cerá ke istu tambãe ce iskreve acim?»
https://www.dropbox.com/s/7wj1c7w8uc3i0fs/Publico-20170209.pdf?dl=0
Ou tem medo de se deixar convencer, tal é a irracionalidade do dito Acordo Ortográfico?
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De Einstürzende Neubauten a 10.02.2017 às 12:22

Estou-me nas tintas para o AO. Espanta-me é que um tema com 20 anos ainda seja tema. Incompetência.
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De Costa a 10.02.2017 às 13:47

Eu diria que a vivacidade, o teor e número das suas intervenções sobre o assunto significam muito mais do que um "estou-me nas tintas". Antes um claro e dogmático alinhamento pelo AO90, sem cuidar minimamente da sua efectiva valia.

E o AO90 é o que aqui se discute, uma aberração que não deixará de o ser, passem sobre ela 20 anos ou quantos queira (e que nem está legalmente em vigor, na verdade, porque quem o impôs e quem o continua a impor nem se deu ao trabalho de seguir os procedimentos e formas legais que o ordenamento jurídico português determina para casos como este).

Não os programas de ensino.

Costa
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De Isabel A. Ferreira a 07.08.2018 às 16:57

Einstürzende Neubauten

Está-se tanto nas tintas para o desacordo desortográfico que até aderiu a ele.

Esta "coisa" não "afêta" apenas umas poucas palavras, "afêta" as palavras que têm raiz latina. E desenraizar as palavras é transformá-las em bastardas, e ainda que fossem meia-dúzia. E a hifenização e acentuação acordista é coisa de descerebrados.

Este desacordo só serve os ignorantes, que não têm capacidade de escrever correCtamente, e então ficam tão "af'tados" que metem dó.
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De Luís Lavoura a 10.02.2017 às 09:23

Tem uma certa laracha ver o Manuel Alegre, que é arrogante até mais não, acusar o governo de arrogância.
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De Anónimo a 28.02.2018 às 11:05

De forma prepotente e claramente incipiente e irresponsável, como é timbre dos políticos, julgando-se acima da Lei (nem todos claro) dizem que têm apenas "responsabilidade política” (?). A nosso ver, sendo política, não é responsabilidade nenhuma, valem-se da imunidade parlamentar para usurpar os poderes que não têm nesta e noutras matérias, que a Constituição Portuguesa não reconhece e o proíbe manifestamente.
Não temos qualquer hipótese de contactar o Gabinete do Ministro do Negócios Estrangeiros, Sr. Augusto Santos Silva, por via correio electrónico, sendo ele o protagonista, numa matéria tão melindrosa como a do chamado AO1990. Todos os e-mails enviados são liminarmente rejeitados, depreendendo-se que o endereço electrónico do Sr. Ministro está errado “ Ou talvez serve apenas para inglês ver? Ou estará em aviso amarelo para não comprometer os produtores desta coisa tão nefasta chamada AO90?
para que não haja dúvidas, desafio as entidades públicas, principalmente o Sr. Presidente da República, como órgão máximo da Soberania do país, afirmar em público que a Resolução de Conselho de Ministros (RCM) de 25 de Janeiro de 2011, sobre a ortografia é uma Lei e tem de ser cumprida.
Caso contrário diga a todos os cidadãos do país que estamos a ser burlados por uma fraude chamada AO90.
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De Anónimo a 13.03.2018 às 19:36

A (rcm) foi aplicada à revelia do Dec. Lei nº º 35.228, de 08 de Dezembro de 1945, que está vigor em Portugal. A resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, de 25 de Janeiro, não tem Lei que a anteceda, e porque não tem Lei que a suporte , é ilegal, sendo ilegal é inconstitucional. Se Portugal fosse um país a sério, os corruptos que introduziram este despacho normativo à viva força nas escolas já estariam a ver o sol aos quadradinhos.
Não vale a pena falarmos muito deste aborto ortográfico. Caso os tribunais funcionassem o monstro já estaria liquidado. Porque razão todos nós anti-acordistas não processamos o Governo Português ao tribunal de Justiça Europeu ou Internacional.?
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De Pedro Correia a 13.03.2018 às 22:12

Parece-me uma excelente sugestão.
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De Anónimo a 19.03.2018 às 15:23

O Sr. Pedro Correia, disse:" parece uma excelente sugestão".
Eu digo, ninguém toma a iniciativa nesta matéria (acabar com este aborto ortográfico), de proceder em conformidade., processar o actual Governo Português junto do tribunal de Justiça Europeu ou Internacional.?
Já se fizeram várias tentativas nos tribunais portugueses de acabar com esta “palhaçada”, e o que se sabe, nunca houve provimento às várias petições apresentadas, o que demonstra a conivência com o poder político, representado pelo Governo e os excelsos deputados parlamentares!
Uma autêntica “bandalheira”, é o que se tem notado na sociedade escolar e instituições públicas e em alguns órgãos da comunicação social afectos à mesma política. (televisão, jornais e revistas).
Um despacho normativo (RCM), impôs um “aborto ortográfico”, que ninguém pediu e que ninguém quer, para satisfazer os caprichos dalguns iluminados.

As pessoas de bom senso e carácter sabem que uma resolução do conselho de ministros, é um acto legislativo de natureza regulamentar, que apenas é utilizado, quando houver uma Lei ou Decreto-Lei, a autorizar...”.
Onde está essa Lei? Quem souber que diga?.

Termino, como comecei, o que esperam os bons juristas que temos?. Porque ainda não actuaram? Andamos a correr atrás do prejuízo.?
Cada um, diz o que lhe vai na alma àcerca desta porcaria, que considero e sempre considerei um autêntico “aborto ortográfico” falta uma posição forte e firme contra este crime, de escrever e ensinar uma ortografia ajustada à cartilha brasileira.

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