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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 09.07.15

«O que vimos [na Grécia] foi um referendo trapaceiro. Sem uma verdadeira campanha. Uma pergunta opaca e incompreensível. Um apelo àquilo que não se sabia o que significava, pois do "não ao euro" dos primeiros momentos ao sim de domingo à noite, passando pelo não a umas propostas dos credores que ninguém explicava, [o Syriza]  mudou de direcção três vezes em oito dias. (...) De que democracia falamos? A União Europeia não é, apesar dos seus imensos defeitos, esse espaço pacificado no qual pouco a pouco aprendemos a substituir a eterna lógica do pulso pela negociação e pelo compromisso? Não é, apesar dos seus imensos defeitos, esse lugar de invenção democrática no qual, pela primeira vez desde há séculos, tentamos resolver as nossas diferenças através do diálogo e não da guerra política ou da chantagem? E em virtude de que perversão intelectual podemos ver um acto de 'resistência' nesse confronto perante 18 países, alguns dos quais atravessam situações não menos difíceis do que a Grécia mas nem por isso deixaram de assumir sacrifícios consideráveis para conceder-lhe, em 2012, por exemplo, um perdão da sua dívida no montante de 105 mil milhões de euros, apesar de que também eles terem de prestar contas aos seus povos? Desde domingo, toda a gente se comporta como se o senhor Tsipras fosse o último democrata da eurozona. (...) Os países da Europa Central que atravessaram o inferno dos dois totalitarismos, nazi e comunista, não precisam de receber lições de legitimidade - e muito menos dele [Tsipras].»

Bernard-Henri Lévy, no El País

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28 comentários

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De da Maia a 10.07.2015 às 01:51

Por falar em perfeitos idiotas, é difícil encontrar espécime mais aprimorado que "BHL". Estaria num bar mitzvah, ou numa reportagem em directo da origem da "falha técnica" que afectou a Bolsa de Nova Iorque?

Ah, a camisa sem gravata fica melhor a Tsipras ou Varoufakis, temos pena.
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De Pedro Correia a 10.07.2015 às 23:07

Não me pronuncio sobre o mensageiro. Basta-me a mensagem.
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De Vento a 10.07.2015 às 01:52

"A União Europeia não é, apesar dos seus imensos defeitos, esse espaço pacificado no qual pouco a pouco aprendemos a substituir a eterna lógica do pulso pela negociação e pelo compromisso?" (sic)
Bernard-Henri Lévy ficou a saber agora que a Europa com que ele sonha sempre foi uma Europa que se deixa pacificar depois da demonstração de um forte pulso, particularmente quando a Alemanha sonha liderar sobre ela (Europa) e até mesmo sobre o mundo.

A Alemanha é um país eficiente que não possui proficiência, em particular aquela que se exige na relação com os outros.
E a Europa de pseudo-tecnocratas, vaidosa e submissa como estes são, quis aconchegar-se ao dinheiro que até sem o saber proporcionou ao líder.

No aspecto cultural, os seus filhos, os da Europa, são os filhos daqueles que nunca viveram a cultura. Mas que pensam tê-la e adquiri-la nas páginas do Financial Times, nos ecrãs da Bloomberg ou pelos gráficos da S&P e da Fitch.

Porém, a Grécia empurrada para o abismo encontrou nas camadas do tempo a força da cultura que a fez emergir e enfrentar, com as raízes a que se apegou, este tormento onde se digladiavam os andróides e os 12 deuses do Olimpo - Zeus, Hera, Poseidon, Atena, Ares, Deméter, Apolo, Artemis, Hefesto, Afrodite, Hermes e Dionísio - associados aos 12 apóstolos que burilaram e esculpiram o Monte Olimpo, concluindo a escultura desta Europa.

Tão cegos eles andam que lhes custa compreender o que é um acto democrático com a participação de todo um povo que foi às urnas dizer Não. Mas um Não à submissão, à chantagem, à morte do orgulho e da nobreza de um código de vida que se pretende enterrar.
E tão cegos permanecem que na sua falsa cultura e vergonhosa superioridade pretendem dar lições a um povo que ditou uma lição que na história já está registada.
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De T a 10.07.2015 às 10:16

"E tão cegos permanecem que na sua falsa cultura e vergonhosa superioridade pretendem dar lições a um povo que ditou uma lição que na história já está registada."

bom resumo do seu post!
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De tem juízo a 10.07.2015 às 11:30

Agradam-te os posts do Vento e nunca vais para além da burrice de não os saber criticar.
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De T a 10.07.2015 às 11:49

A percepção de ironia não é forte aí por esses lados, pois não?
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De lucklucky a 10.07.2015 às 02:28

O senhor Bernard não se deve admirar, foi ele que ajudou a construir a cultura mediática esquerdista que constrói os Syrizas.

Mas como sempre acontece no Marxismo já começa a faltar o papel para imprimir jornais na Grécia.

http://news.yahoo.com/just-greek-newspapers-running-paper-160821934--business.html
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De Pedro Correia a 10.07.2015 às 23:06

Os jornalistas que ousaram defender o 'sim' no referendo estão a ser "investigados" pela justiça grega. Estão vingados pelo prórprio Tsipras, que rasgou o resultado desse referendo cinco dias depois,
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De Lenha para a fogueira a 10.07.2015 às 03:32

http://www.levif.be/actualite/international/thomas-piketty-denonce-l-hypocrisie-de-l-allemagne-envers-la-grece/article-normal-404313.html?utm_source=Newsletter-07/07/2015&utm_medium=Email&utm_campaign=Newsletter-RNBDAGLV&M_BT=10297323311721 e http://www.noticiasaominuto.com/economia/417602/piketty-e-outros-economistas-apelam-a-merkel-para-que-mude-de-postura
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De :P a 10.07.2015 às 03:43

Básicamente a proposta é que, alguém/um país/uma comunidade, tendo sofrido por mor de qualquer coisa deverá exigir para que essa qualquer coisa se reproduza até ao fim dos tempos, que o facto de uns se vergarem implica que ninguém possa resistir ao que obrigou outros a essa posição de vergado. Há quem pense diferente:
http://www.levif.be/actualite/international/thomas-piketty-denonce-l-hypocrisie-de-l-allemagne-envers-la-grece/article-normal-404313.html?utm_source=Newsletter-07/07/2015&utm_medium=Email&utm_campaign=Newsletter-RNBDAGLV&M_BT=10297323311721 e http://www.noticiasaominuto.com/economia/417602/piketty-e-outros-economistas-apelam-a-merkel-para-que-mude-de-postura
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De Pedro Correia a 10.07.2015 às 23:04

Pois enquanto esses falam, os gregos desesperam. E o Syriza deita borda fora todas as promessas eleitorais e age como se o tal plebiscito de domingo nunca tivesse acontecido.
Aceitando desta vez, em troca do tão ansiado dinheiro dos contribuintes europeus, cortes na despesa grega superiores aos que estavam em cima da mesa na semana passada:
http://www.elmundo.es/economia/2015/07/09/559ec0fd46163fdc728b4592.html
Isto constitui um marco na antologia da estupidez política difícil de ultrapassar.
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De Vento a 11.07.2015 às 00:43

Pedro, deixei um comentário ali no post de Luís Leitão a complementar outros dois comentários. Se o ler, depois de publicado, verificará, com base na proposta original que não é nada disso que referem. E a questão do aumento de IRC já eles vinham a defender anteriormente, só que tinham fixado o tecto nas empresas com lucros a partir de MEIO MILHÃO DE EURO.

Em Espanha, não se esqueça que, tal como em Portugal, há órgãos de informação e ou jornalistas em órgãos de informação, ligados à ideologia do governo, que desejam fazer passar a mensagem que a Grécia recuou para tentar enganar os eleitores no sentido de lhes demonstrar que as suas políticas erradas é que foram as acertadas.

Mas meu caro amigo, não quero partir para mais uma de minhas habituais ausências sem lhe deixar aqui um abraço e os votos para que brevemente nos possamos reencontrar por aqui.
Se tiver fé, ore também por mim.

PS: Vou ali acima deixar mais uma musiquinha como sugestão.
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De Pedro Correia a 11.07.2015 às 00:57

Espero que não seja o 'Zorba, o Grego', Vento.
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De O problema a 10.07.2015 às 08:27

O Costa não lê o El País, só o El Mundo.
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De am a 10.07.2015 às 10:08

Não fosse a Grécia um país crucial para a NATO , esta opereta bufa já teria acabado há muito!

Atente-se para a hipocrisia do Sr Obama, made in USA: -- muito preocupado com a economia da Grécia ---enquanto o seu protetorado Costa Rica, agoniza na miséria!
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De Pedro Correia a 10.07.2015 às 22:51

Julgo que pretende dizer Porto Rico. O que aliás motivou uma piada do ministro alemão das Finanças, propondo a Obama trocar a Grécia por Porto Rico. Não deixa de ter alguma graça, até porque Washington fala muito mas até agora não enviou um dólar de ajuda financeira a Atenas.
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De Anónimo a 12.07.2015 às 18:14

O ministro alemão não teve graça, teve pouca vergonha na piada se é que é piada. Já agora, era o que faltava, o Obama mandar dólares, mas provavelmente se a Europa dos incapazes, descambar, lá terão de vir os Estados Unidos salvar os unidos da europa
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De Pedro Correia a 13.07.2015 às 14:37

Graça teve o Varoufakis, a chamar "terroristas" aos credores. Muita graça teve também o ministro das Finanças grego, um troglodita de que nem quero lembrar-me o nome, ao ameaçar abrir um "corredor" na Grécia para os assassinos jiadistas entrarem livremente na Europa.
Isso sim, é sentido de humor.
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De Cristina Torrão a 10.07.2015 às 18:23

Sim, eu também fiquei sem saber se a Grécia queria, ou não, sair do euro.
Pelos vistos, não quer. Mas isso só se soube hoje, cinco dias depois do referendo.
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De Pedro Correia a 10.07.2015 às 22:49

Nunca quis, Cristina. Foi o referendo plebiscitário mais inútil de que há memória na Europa. E mais uma absurda despesa pública num país onde não sobra dinheiro para as necessidades mais básicas. No fim, Tsipras aceita condições ainda mais drástica para o resgate europeu às finanças gregas.
Não é drama grego: parece mais um teatro do absurdo.
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De Anónimo a 10.07.2015 às 23:02

Parece que a Europa não aprendeu nada e os alemães muito menos. Depois da carnificina e destruição que fizeram por toda a Europa, foi-lhes perdoada metade da sua dívida e só acabaram de pagar a outra metade agora. Estes alemães não aprenderam nada, se tivessem aprendido, olhariam os países em crise e com dívidas impagáveis de outra maneira, mas não. Eles impõem e os outros têm de obedecer. Até quando? Não sei, mas prevejo que a Europa, tal como está a ser manobrada, por incapazes e intolerantes à aprendizagem não vai acabar bem. Provavelmente Tsipras teria muito a ensinar-lhes, eles, os senhores do poder é que não querem nem admitem, no meio da sua ignorância, julgar o Tsipras um político grande que tudo quis fazer pelo seu povo, mas que eles não o deixam fazer.
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De Pedro Correia a 11.07.2015 às 00:10

Tsipras é eurofóbico. Está coligado com um partido da direita eurofóbica. E é idolatrado pela direita mais rançosa, que odeia a União Europeia. A direita soberanista do UKIP do senhor Farage, a direita identitária da madame Le Pen. Tanto Farage como Le Pen receberam festivamente Tsipras na sua aparição no Parlamento Europeu esta semana.
Esquerda radical e direita radical convergem neste ponto. Querem a dissolução do euro, a desagregação da União Europeia, o regresso à lógica da guerra fria. Daí as peregrinações de Tsipras a Moscovo, onde Putin esmaga a oposição, manda assassinar quem lhe faz frente, silencia os jornalistas incómodos, espezinha os direitos das minorias étnicas e dos homossexuais, reprime as liberdades e se perpetua no poder.
Ah, como é interessante ver certa "esquerda" a prestar homenagem ao proto-fascista de Moscovo, com o seu "pulso forte", enquanto berra contra a União Europeia. Esta esquerda é herdeira espiritual daquela que, nas décadas de 20 e 30 do século passado, justificou e louvou os sistemas mais totalitários que o mundo já conheceu.
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De Anónimo a 11.07.2015 às 01:51

Agora viraram todos radicais! Era só o que faltava. A senhora Lagarde também é radical? O Obama também? A esquerda de que fala, embora tenha feito loucuras, não fez tantas, como a direita louca, nazi, do século passado que dizimou a Europa. Levou tudo à frente, judeus, ciganos, negros, crianças, mães, deficientes... Quem quer massacrar são os mandantes do BCE, UE, Eurogrupo, Alemanha e a França. Não sei que cor representam nem me interessa, mas uma coisa sei, representam: o desespero, a fome, a repressão, a angústia, a pobreza, a ganância, a miséria, a tristeza, tudo isto, para favorecerem a finança. O grave é que passam por tudo isto, com uma indiferença assustadora, mesmo sabendo que um dia, terão de dar a mão à palmatória porque não se pagam dívidas, com austeridade e eles sabem. É indiscutível que nenhum país em crise foi governado por essa esquerda, mas alguns deles, foram governados, por direitas que o que fizeram foi arruinar os seus países e eles, os governantes, ficaram podres de ricos. Se o homem fosse menos egoísta e pensasse mais no bem do outro, provavelmente teríamos uma sociedade mais justa e mais igual.
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De Pedro Correia a 11.07.2015 às 22:32

Resumindo e abreviando: a Grécia tem há seis meses um Governo da esquerda radical. E a culpa de tudo estar lá a dar para o torto é... da direita.
Pensamento genial.
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De Anónimo a 12.07.2015 às 02:06

A Grécia tem um governo eleito democraticamente. Quer queira ou não, tem toda a legitimidade, para governar um país que sofre e que os outros olham como um impecilho. Se é de esquerda ou direita não lhe interessa a si, nem a mim nem a ninguém, interessa ao povo que o elegeu. A culpa é de quem tudo faz, para os empurrar para o precipício e de quem, não tem um pingo de amor só próximo. Só os insensíveis reagem impávidos, ao sofrimento de um povo que está a pagar pelos erros, de quem os governou e não do actual governo. Não posso aceitar que se massacre gente indefesa que súplica ajuda, mas que lhes é negada, por gente que ainda há pouco, comemorava com pompa e circunstância a queda do muro de Berlim, mas assiste, ainda mais impávido, à construção de outro muro da vergonha, pela Hungria. Isto, não são atitudes de políticos sérios, são atitudes de políticos incultos, sem preparação, sem ética e sem princípios, onde impera, o EU e o EU e os outros que se lixem.
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De Pedro Correia a 13.07.2015 às 14:39

A Grécia tem um governo eleito democraticamente.
Como todos os restantes países da UE têm.
Qual é a novidade?

Mas a Grécia tem um Governo que se apresentou nas urnas e ganhou eleições com um programa anti-austeridade.
Mais: há uma semana organizou um refrendo anti-austeridade. Em que o 'sim' obteve maioria.

Perguntas:
- Irá Tsipras pedir a demissão por ter falhado as promessas ao povo grego?
- Irá Tsipras convocar um novo referendo para saber se agora os gregos já aceitam a austeridade?

Isso sim, seria verdadeiramente democrático.

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