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Delito de Opinião

Reflexão do dia

Pedro Correia, 08.11.24

«Há dez anos, durante a crise financeira, a esquerda ocidental vivia obcecada com o tema de desigualdade. Thomas Piketty, o novo Marx, era o seu herói intelectual. O excesso de austeridade, avisavam-nos, acabaria por conduzir à descrença na democracia.

A década que se seguiu foi a extraordinária crónica de um suicídio. Os "ajustamentos" fizeram o seu caminho. E a esquerda, sem alternativa, foi em busca de novas linhas de divisão, que encontrou no campo minado das "teorias críticas". Substituiu as categorias de classe, comunidade e igualdade pela categoria única da "identidade". Substituiu o optimismo da inevitabilidade histórica pelo pessimismo da culpa estrutural do Ocidente.

Com isto, ficou sem nada de útil para dizer. Entregou tudo à direita, que é hoje proprietária das duas grandes categorias políticas aspiracionais: a liberdade individual e a luta de classes. A esquerda está morta. Alguém terá de a ressuscitar.»

 

Francisco Mendes da Silva, no Público

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