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Razão e emoção.

por Luís Menezes Leitão, em 12.02.15

Como bem se demonstra neste artigo a única decisão racional possível implicaria o Eurogrupo chegar a acordo com a Grécia, atribuindo-lhe condições mais favoráveis de pagamento da dívida para poder permanecer na zona euro. Essa situação evitaria que a Grécia se aproximasse da esfera de influência russa, o que é essencial numa altura em que estamos a um passo da guerra total na Ucrânia.

 

Não me parece, porém, que tal vá acontecer, especialmente porque as decisões políticas nem sempre são racionais, podendo ser ditadas por uma forte carga emocional. Foi assim, por exemplo, que os Estados Unidos encararam a revolução cubana, onde um grupo de guerrilheiros derrubou o regime pró-americano de Fulgêncio Baptista, visto internamente como um simples capataz dos EUA. Desde o início, os EUA adoptaram uma política de total intransigência em relação a Fidel Castro, o que teve como único resultado que Cuba se atirou para a esfera de influência soviética, passando os EUA a ter um regime pró-soviético a 120 km das suas costas. Cuba quase atirou os EUA para uma guerra nuclear e só agora, passados mais de 60 anos, os dois países voltaram a ter uma aproximação.

 

Mas a revolução cubana teve também um efeito altamente pernicioso no ocidente, devido à grande influência que teve na sua juventude.   Che Guevara e Fidel Castro transformaram-se em ícones mundiais da juventude, levando a uma contestação sem precedentes nas democracias ocidentais. Nos EUA assistiu-se às gigantescas manifestações contra a guerra no Vietname e na Europa culminou com o Maio de 68, que até provocou a renúncia de De Gaulle no ano seguinte. Curiosamente, enquanto toda a juventude europeia olhava fascinada para Cuba, a URSS esmagava tranquilamente a primavera de Praga. Na altura dizia-se que o ocidente atravessava uma época de depressão nervosa, da qual só sairia com o governo de Thatcher no Reino Unido e com a presidência de Reagan nos EUA, essenciais para a vitória na guerra fria.

 

A Europa atravessa um período semelhante de emoções à flor da pele. Há muito tempo que costumo ver em viagens à Alemanha cartazes a dizer: "os gregos que paguem sozinhos as suas dívidas" ou "os resgates do euro põem em causa as nossas pensões", num país que deveria estar a cantar loas aos ganhos líquidos que está a ter com o euro. Em Portugal Passos Coelho também se pôs a criticar as propostas gregas, porque sabe que, se forem satisfeitas, ele será posto em causa por não ter feito exigências semelhantes. E agora até Cavaco Silva saiu da sua torre de marfim para falar dos muitos milhões que Portugal emprestou à Grécia, numa atitude totalmente imprópria de um Chefe de Estado.

 

Curiosamente, não me parece que o governo grego esteja minimamente preocupado com esta falta de acordo. Dá-me aliás a ideia que as constantes viagens de Tsipras e Varoufakis não se destinam minimamente a influenciar os seus inimigos europeus, perdão, os seus parceiros europeus para que cheguem a acordo com a Grécia. A ideia parece-me ser antes a de influenciar a opinião pública europeia, que se tem multiplicado em manifestações de apoio aos gregos. As declarações públicas de Schäuble e agora de Cavaco Silva parecem-me assim uma tentativa frustrada para combater a simpatia com que a iniciativa grega está a ser vista pelas populações europeias. Neste enquadramento, a estratégia de Tsipras parece clara: o homem que chamou Ernesto ao seu filho, em homenagem a Che Guevara, quer realizar o velho sonho de Otelo e ser o Fidel Castro da Europa. Já esteve mais longe de o conseguir.


21 comentários

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De Luís Lavoura a 12.02.2015 às 09:39

Passos Coelho também se pôs a criticar as propostas gregas, porque sabe que, se forem satisfeitas, ele será posto em causa por não ter feito exigências semelhantes

Claro. Esse é o risco político da Grécia: se a Europa fizer a vontade à Grécia, pode estar certa de que partidos análogos ao Syriza ganharão as eleições deste ano em Portugal e, sobretudo, em Espanha. Por esse motivo, os atuais governos espanhol e português são dos mais ferozes adversários do governo grego. Porque sabem que perderão o poleiro se o governo grego tiver sucesso.
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De TáQuase a 12.02.2015 às 10:21

Rui Tavares vai ser o próximo PM.

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De Luís Lavoura a 12.02.2015 às 14:12

Em Portugal não creio que haja esse risco, pelo menos para já.
Mas em Espanha há um risco bem concreto e imediato.
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De TeveQuase a 12.02.2015 às 18:11

"se a Europa fizer a vontade à Grécia, pode estar certa de que partidos análogos ao Syriza ganharão as eleições deste ano em Portugal e, sobretudo, em Espanha."
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De Purdey a 12.02.2015 às 09:48

A mim faz-me lembrar o González quando ainda tinha acne juvenil.
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De Nuno a 12.02.2015 às 10:08

O Luís escreve das coisas mais enviesadas que se lêem na internet sobre este assunto.

Essa das manifestações de apoio é risível. Nem os PCPs, Blocos e Facebooks deste país conseguem mobilizar mais do que meia dúzia de gatos pingados. Até o Não TAP os olhos teve mais sucesso juntando a CGTP ao António Pedro Vasconcelos. Mas pelos vistos há uma qualquer vaga generalizada de simpatia pelos gregos (com o dinheiro dos outros, como sempre).

Portugal faz muito bem em demarcar-se da estratégia incendiária da Grécia, que nos ameaça que se os deixarmos cair somos os próximos. A eles bem lhes convinha o contágio, mas azar dos Távoras, ninguém lhes ligou patavina.

A espiral recessiva da austeridade por cá nunca existiu, a dívida insustentável foi toda reconhecida (mesmo a que estava debaixo do tapete) e vai ser paga antecipadamente, com dinheiro pedido nos mercados à melhor taxa de sempre.

Os mesmos que se queixam que foi só a conjuntura externa precipitada pela Grécia que nos fez tropeçar (porque fora isso estava tudo bem), querem agora ajudar os gregos nas suas eternas trapalhadas. Pois muito bem, em vez de manifestarem, criem um fundo solidário no Facebook. Acho até que vos devemos conceder benefícios fiscais nisso.

Mas se é para ser sem contrapartidas e sem fiscalização, como os gregos querem e vos apoiam, mandem para lá o vosso.
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De Vitor a 12.02.2015 às 11:18

Bravo Nuno, conseguiste articular um bocejo em 19 linhas. Claro que não és grego, mas não te armes em alemão, já muitos se armaram em Napoleão e o mais que conseguiram foi ir parar a um hospício. Cuida-te.
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De Luís Lavoura a 12.02.2015 às 11:25

a dívida [...] vai ser paga antecipadamente, com dinheiro pedido nos mercados à melhor taxa de sempre

(1) Apenas uma pequena parte da dívida vai ser paga antecipadamente. A dívida do Estado português é de mais de 200 mil milhões de euros, dos quais apenas 14 mil milhões são dívida ao FMI que vai ser paga antecipadamente. E, mesmo esses míseros 7% da dívida vão demorar dois anos a serem completamente pagos antecipadamente.

(2) A taxa não é a melhor de sempre. É-o apenas nominalmente. Mas, dado que a inflação está muito baixa, quiçá nula ou negativa, a taxa de juro real está longe de ser assim tão boa. Portugal financiou-se agora a 2,5% mas a inflação está nula; antes da crise, financiava-se a 3,5% mas com inflação a 2%.
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De Isaura Magalhães a 12.02.2015 às 12:21

Com que dinheiro,vai o Governo PSD/PP-CDS, pagar à Troika? Com o nosso!
Se não estamos em austeridade recessiva, porque pagamos impostos exagerados, sobre o nosso trabalho?
Sabe, mande fechar a assembleia da república e prender esses (des)governantes que se riem de nós. Que se aumentam descaradamente e cortam a quem trabalha honestamente.Crie uma página de Facebook e promova uma campanha para destituir os politiqueiros e colocar na prisão de Évora, acusados, estes sim, de esbanjarem o "nosso dinheiro".
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De Isaura Magalhães a 12.02.2015 às 12:29

Com que dinheiro,vai o Governo PSD PP-CDS , pagar à Troika? Com o nosso!
Se não estamos em austeridade recessiva, porque pagamos impostos exagerados, sobre o nosso trabalho?
Sabe, mande fechar a assembleia da república e prender esses des )governantes que se riem de nós. Que se aumentam descaradamente e cortam a quem trabalha honestamente.Crie uma página de Facebook e promova uma campanha para destituir os politiqueiros e colocar na prisão de Évora, acusados, estes sim, de esbanjarem o "nosso dinheiro".
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De Anónimo a 12.02.2015 às 13:15

Nós não temos trapalhadas? Nós não devemos nada? Vai ser paga? Que se saiba paga-se ao FMI e pede-se aos bancos para pagar juros maus baixos. Não há espiral recessiva? O Nuno vive onde? No país da Alice das Maravilhas? Depois queixamo- nos que os finlandeses não nos queriam emprestar dinheiro. Perante afirmações como as suas, digo-lhes que tinham toda a razão porque nós não merecemos nada porque somos egoístas e cínicos.
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De Nuno a 12.02.2015 às 18:08

A teoria da espiral recessiva é a dum poço sem fundo, onde mais austeridade gera mais recessão, que leva a cada vez mais austeridade e recessão. Não estamos, nem nunca estivemos, numa espiral recessiva, lamento.

Doses cada vez maiores de austeridade em Portugal levaram a um prolongar da recessão, sim, mas com a quebra do PIB a ser cada vez menor, não maior. Recessão essa que foi entretanto estancada, apesar de se manterem os cortes e as sobretaxas.

E apesar dos esqueletos no armário das empresas públicas (da CP, da REFER, do ML, do MP, da Carris, dos STCP, da EP, das PPPs, etc), entretanto reconhecidos como problema do estado, a dívida pública também parou de subir.

Íamos precisar dum novo resgate, não precisámos. Íamos precisar dum cautelar, não precisámos. Nunca iriamos cumprir o programa, cumprimos, recusámos a última tranche e vamos pagar antecipadamente parte do empréstimo porque conseguimos que outros nos emprestem mais barato.

Não foi o governo que conseguiu isto, foram os portugueses que com o seu trabalho que pagaram estes resultados através dum enorme aumento de impostos.

Mas fazia muito bem a muita gente reconhecer os resultados que foram alcançados pelos portugueses, em vez de continuarem a viver na ficção de que tudo está mal, que foi tudo em vão, e que a única solução para o país é por tudo como estava antes à custa do dinheiro dos outros.
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De Vortex a 12.02.2015 às 10:52

belíssimo ensaio de ironia
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De Jorg a 12.02.2015 às 12:36

Que grande confabulação!

O corolário das viagens para "influenciar a opinião pública europeia, que se tem multiplicado em manifestações de apoio aos gregos" é de truz!

Em Berlim, tinham uns quantos do 'Linke' que, em numerário, pedem meças ao ajuntamento em frente á prisão de Évora dos nacional-parvó-fassistas do PNR...

Se calhar em PT não havia grandes manifs á espera deles - só aqueles grupos que escrevem manifestos de vez em quando ... -, pelo que dispensaram a escala..

Como disse o outro a rematar, "boa noite e boa sorte!"
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De Jorge Ruge a 12.02.2015 às 13:50

Na minha opinião, desde que a união europeia e Grécia se entendam, no final, tudo bem. Que a Grécia não se torne num estado semelhante à Venezuela. Quanto a Cuba acho forçado (não sei)... pois os tempos de Cuba era diferente, havia uma guerra fria declarada. E acho que ainda se estava num após 2ª guerra e as naturais consequências ou erros diplomáticos dos Estados Unidos eram evidentes naquela altura. Acho que o Vietname pode têr sido um dos seus maiores erros, mas acho que foi uma época muito má para os estados unidos (diplomáticamente falando). Já a Europa e a atualidade, estamos num estado de globalização em que o entendimento entre todos é necessário e como a questão económica tem bastante relevo (e o nível de vida das populações) . Acho dificil (embora nunca se saiba) que se comece uma nova guerra fria. Traria consequencias no nível de vida das populações. Estados instransigentes acho que não têm muita eficàcia quando se toca ao nível de vida das populações, na minha opinião. Estados governados por publicanos radicais (ou por outras palavras, pessoas que idolatram o fascismo ou comunismo) acho que não é bom para as populações.

Para finalizar deixo uma questão pertinente para refletir. Imaginemos um empreendedor, que tem grandes planos para empreender, e quer abrir um restaurante moderno e com algo especial nunca antes visto. Então ele aí recorre à banca para correr o seu negócio. Mas depois pode ocorrer que entretanto o negócio, contabilisticamente falando, não corra bem. Embora a ideia seja boa, de fato, a finança e a contabilidade acabam por ser os cernes orientadores e decisores. Aí o empreendedor, se chegar a esta situação(caso não corre bem) , pode das 3 uma: 1 - ou exigir mais ao banco que alimente o seu negócio que embora bem criado e estruturado, não está a dar lucro (as despesas estão a ser maiores que as receitas). Mas aí ficará nas mãos do banco se quererá emprestar mais e aí o banco fará suas exigências. 2 - Procura uma solução alternativa através de um amigo ou investidor provado para capitalizar o seu projeto. 3 - Como solução final resolve reestruturar profundamente o seu negócio como despedir pessoas, mudar de local, vender pratimónio, de maneira que no final consiga orquestrar um equilibrio entre gestão e finanças que lhe permitam que haja lucros, ou seja, a receita ultrapassar a despesa. E entretanto pagar ao banco, seu credor, que pediu como garantia seu património.

Concluindo acho que é isto que os países europeus podem estar passando. Portugal escolheu a opção 1 e 3, ou seja, têr os bancos a garantir uma almofada financeira enquanto põe a opção 3 em ação (a opção exigida pelos bancos). A Grécia uma vez que colocou de parte a opção da troika, pode estar a escolher a opção 2, 3 ou a opção 4 (têr outras estratégias na manga). Acho que ensta situação deve haver um pouco das 2 coisas: emoção e ação. Talvez aja o lado bom a emoção, mas e razão, haverá? Logo veremos. Emoção na medida em que há vontade em reformular o espirito democrático e como o governo funciona (pode ser correr um risco que possa mudar a prespetiva dos governantes gregos para pior ou para melhor), e o lado racional que é têr em consideração o lado financeiro e de gestão. Pois no final o lucro terá de existir, o povo grego espera têr o nivel de vida melhorado (e não piorado) e os credores, por uma questão de boa fé, esperam receber algum do valor emprestado também. Fica a nota
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De tric a 12.02.2015 às 14:08

"Essa situação evitaria que a Grécia se aproximasse da esfera de influência russa, o que é essencial numa altura em que estamos a um passo da guerra total na Ucrânia."
.
nem um acordo com a Eurozona vai evitar a aproximação militar da Grécia à Rússia, tem objectivos estratégicos militares bastante próximos naquela região do mediterrâneo...
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De Vento a 12.02.2015 às 15:33

«Mas a revolução cubana teve também um efeito altamente pernicioso no ocidente, devido à grande influência que teve na sua juventude. Che Guevara e Fidel Castro transformaram-se em ícones mundiais da juventude, levando a uma contestação sem precedentes nas democracias ocidentais. Nos EUA assistiu-se às gigantescas manifestações contra a guerra no Vietname e na Europa culminou com o Maio de 68, que até provocou a renúncia de De Gaulle no ano seguinte.».
Sinceramente, não percebi esta. Parece-me que se esquece do conto sobre David e Golias. A história mostra-nos que são os contestatários da posse e do poder que a fazem mover. Certamente que se deu conta que afinal os EUA estavam errados quanto ao Vietnam e quanto a Cuba. Nesta última levou 60 anos a compreender isto.
Parece-me que se esquece da beat generation (beatniks), teenagers... que não foram influenciadas pela revolução cubana.
E também não transformo o pragmatismo do povo grego no fulminante para fazer nascer uma estrela. Tsipras não é um revolucionário, é antes o homem que deu a cara pela revolução. Ele não a fez, foi a Europa que a originou.
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De ® a 12.02.2015 às 18:18

"Syriza é a nova referência da social-democracia na Grécia"
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De J.S.M.suave e nas tintas a 12.02.2015 às 17:35

O que mais me preocupa é a falta de opinião em PORTUGAL, particularmente, na plataforma do SAPO. Ninguém compreende que num universo de milhares de blogs, este senhor tenha os seus posts - sempre iguais, monótonos , de opiniões gastas e cansadas de avisos à navegação, relembrando permanentemente o passado de uma forma fastidiosa, própria de quem já não acrescenta nada ao debate - publicados, duas a três vezes por semana. É caso para perguntar se é amigo da equipa editorial do SAPO, ou se estes sabem o que significa o pluralismo de opinião e se respeitam os demais bloguers com opinião diversa! Esta prosa pretensiosa e enfadada de "velho do Restelo " e de amigo insuspeito da humanidade (leia-se Grécia), já cansa. Não lhe ocorre mais nenhum assunto para o "divagar polaróide "?
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De José Cipriano Catarino a 13.02.2015 às 00:02

Sempre estive convencido de que De Gaulle não tinha caído em consequência do Maio de 68 -- que ele controlou --, mas de um referendo popular posterior. Por isso fui verificar à Wikipédia: "de Gaulle (...) em maio de 1968 parecia provável que perdesse o poder, em meio a protestos generalizados de estudantes e trabalhadores. No entanto, sobreviveu à crise com uma ampliação da maioria na Assembléia. Pouco depois, em 1969, depois de perder um referendo sobre a reforma do Senado e a regionalização, renunciou." Recordo-me, aliás, de um artigo das Selecções do Reader's Digest da altura, intitulado "Mon Général Adieu" que sugeria que De Gaulle usou essa derrota eleitoral como pretexto para abandonar a governação.
José Catarino

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