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Quotas da discórdia

por José Meireles Graça, em 09.07.19

O Pedro Correia, decerto por achar que o Delito está com um excesso de prestígio que urge empanar, convidou-me para integrar o plantel. Seria normal que me apresentasse, mas não o faço por haver já uma plétora de vaidosos no espaço público e o amor da verdade me obrigar, falando de mim, a referências encomiásticas. As quais, mesmo estando cobertas pela liberdade da minha opinião, que naturalmente respeito, suscitariam porventura alguma rejeição dos leitores menos esclarecidos.

 

Prefiro republicar um texto (acolhido no cantinho discreto da blogosfera onde há anos me alivio de ódios e aversões) sobre a indignação da semana. Ei-lo:

 

Nunca aceitei, nem aceito voluntariamente, as quotas para mulheres – nos cargos resultantes de eleições, nos de direcção de empresas e em todas as situações em que estejam sub-representadas e essa sub-representação seja apresentada, com boas ou más razões, como advinda de preconceitos.

 

Não é que, no mercado de trabalho ou na dura competição pela obtenção do poder político, elas não tenham objectivamente handicaps, sobretudo se tiverem ou quiserem ter filhos. É que, legalmente, a condição de mulher já está reconhecida como de perfeita igualdade em direitos e portanto o inegável surgimento de mulheres em lugares de mando é uma legítima conquista fundada no mérito. Tão pacíficas hoje, a evolução e o mérito, que ninguém no espaço público e na opinião defende uma marcha-atrás nos direitos cívicos das mulheres, ou na igualdade entre os sexos, nem torce o nariz quando uma delas atinge lugares de topo, senão pelas mesmíssimas razões que torceria se fosse um homem – isto é, por se tratar de uma imbecil, ou ignorante, ou esquerdista, ou fascista, ou outra coisa qualquer que não tem nada a ver com sexo e tudo com ideologias, crenças, práticas e discurso.

 

Dito de outro modo: eu acho a senhora Úrsula von der Leyen um perigo e a senhora Lagarde uma estrela pop, uma por ser federalista e a outra por ser um saco de vento inconstante e superficial. Mas nada permite supor que desempenharão pior papel do que qualquer dos seus colegas, visto que na alta roda do funcionalismo supranacional não há falta de homens com aquelas características: lembremo-nos de Guterres, tão oco e esponja de ideias boazinhas que andam no ar que para ser ainda mais politicamente correcto só lhe falta usar saias, ser gay e vegan, tudo a tempo parcial. A tempo completo, continua a ser o perfeito patarata verboso que foi toda a vida.

 

Pois bem, o sistema de quotas para mulheres tem dois problemas:

 

Um é o de que, se uma mulher chega a um lugar por ser mulher e não por ser melhor do que qualquer outro candidato, a qualidade do desempenho só pode, se a lógica não for uma batata, ressentir-se. É certo que o preconceito pode, em circunstâncias iguais ou parecidas, fazer pender a balança para o lado dos homens, sobretudo se quem decide tiver, como muitos provavelmente terão, preconceitos inassumida ou inconscientemente misóginos. Sucede que confiar na evolução dos costumes é um caminho seguro – dificilmente farão marcha-atrás se entregues a eles próprios; mas acreditar na engenharia social e nos poderes do Estado para os reformar pode despertar, e desperta quando não haja consenso, a reacção dos que foram derrotados circunstancialmente – quem manda e legisla hoje são uns e amanhã outros. Tenham paciência, senhoras, o caminho da engenharia social é reversível.

 

Outro é o do precedente: se as mulheres estão insuficientemente representadas nos lugares de topo porque neles não figuram na mesma proporção que no conjunto da população, o mesmo raciocínio se pode aplicar a outros cidadãos com marcas distintivas já não de sexo mas de orientação sexual (gays ou lésbicas, p. ex.), origem étnica (pretos, ciganos, asiáticos, etc.), religião (muçulmanos, ateus, protestantes sortidos, etc.) e o mais que se queira que permita identificar um grupo social qualquer que não esteja, ou não se ache, adequadamente representado. E, é claro, se incluirmos no leque de instituições as do ensino, porque sem graus académicos numerosas carreiras estarão vedadas, então é apenas uma questão de tempo até termos quotas para homens, porque estes já estão hoje insuficientemente representados na maior parte dos graus de licenciatura.

 

Ou seja, a derrogação do princípio todos iguais perante a lei, por generosa que pareça a bandeira sob a qual se acolhe (feminismo, anti-racismo, igualitarismo, etc.), é grávida de uma interminável guerrilha com vencedores hoje que serão os derrotados de amanhã, e abre uma porta de conflitualidade dispensável. E não se julgue que o facto de as mulheres serem a maioria impede qualquer reversão das conquistas do feminismo assanhado: porque precisamente porque as mulheres não são inferiores aos homens e não têm menos discernimento na avaliação das políticas públicas é que, a prazo, julgarão com severidade todas as distorções que, em nome delas, se operaram pela longa e intrusiva mão do Estado.

 

Maria de Fátima Bonifácio, em artigo no Público de sábado passado (disponível apenas para assinantes), verbera este estado de coisas e manifesta-se contra as quotas para negros e ciganos a propósito das declarações de um tal Rui Pena Pires, secretário nacional do PS, que terá expectorado: “O PS quer discriminação positiva para as minorias étnico-raciais” e “Se fizermos uma política de alargamento de acesso ao ensino superior, já resolvemos parte do problema. Não faz sentido ter um ensino virado para os melhores alunos, mas sim para todos os que têm as condições mínimas para entrar”.

 

Por outras palavras: o PS quer votos cativos de pretos e ciganos e para o assegurar está disposto a meter no Parlamento, e eventualmente no governo, algumas personagens daquelas etnias que poderão até não fazer má figura, tendo em conta que num e noutro órgão do que não há falta é de personagens especialistas em patacoadas interesseiras e bons amplificadores de disparates bem-pensantes. Mas isto é o menos: abandalhar o grau de exigência do ensino (não há recursos para meter todos, e por conseguinte dar preferência a uns implica excluir outros melhores, para já não falar de uma discriminação ilegal à luz da Constituição, se bem lida) tem um custo oculto: as nossas pobres elites, cuja qualidade está ligada em parte à do ensino superior, levam mais um golpe.

 

Portanto, eu estou com Maria de Fátima Bonifácio. Mas apenas nas conclusões. Sobre os pressupostos, Rui Rocha escreveu no Facebook o seguinte:

 

Em artigo publicado hoje, Maria de Fátima Bonifácio afirma a não descendência (?) de africanos e ciganos da Declaração dos Direitos do Homem. Isto é usado para recusar um sistema de quotas. Mas, se admitíssemos o argumento, este serviria facilmente para negar-lhes também esses mesmos direitos fundamentais. Porque não “descendem”, teríamos que aceitar, por exemplo, que não se lhes aplica o princípio de que todos os seres humanos nascem livres e iguais. Aceitar esta tese abre a porta a um inquietante relativismo moral que parece ser, aliás, aquilo que Bonifácio queria combater. A proposta de quotas deve ser discutida a partir do entendimento sobre os princípios da liberdade e da igualdade, mas nunca da “descendência” ou não de valores fundamentais e universais”.

 

Subscrevo, ainda que qualificasse a “igualdade” acrescentando-lhe “perante a Lei”. E acrescento: O Estado não pode nem deve tolerar comportamentos e práticas que, em nome do multiculturalismo, ofendam valores axiais (com perdão da palavra) do tipo de sociedade que temos, desde logo a igualdade entre os sexos ou a liberdade de expressão da opinião, por exemplo. E isto sem complexos, porque comportamentos não são opiniões, salvo quando estas consistam no incitamento à prática de crimes. Opiniões, cada um tem as que tiver e é livre de as exprimir porque não é a mesma coisa ter opiniões racistas (que são perfeitamente legítimas, tanto como acreditar que a terra é plana, o comunismo o fim da História, ou outro disparate qualquer) e agredir, desconsiderar ou por qualquer forma discriminar um negro; e pode achar-se, e até acreditar por razões religiosas, que a excisão genital feminina é algo de positivo para a coesão social, mas isso não deve impedir que quem a recomende e pratique seja criminal e severamente punido.

 

Por mim, estou certo de que não é cientificamente defensável que por causa de características físicas genéticas haja alguma espécie de superioridade ou inferioridade de algum grupo humano, a viver entre nós ou algures; mas isto não é a mesma coisa que imaginar que todas as culturas se equivalem. Se fosse o caso, todo o progresso social seria impossível porque não haveria em nome do que mudar. E não estou certo, ao contrário de Fátima Bonifácio, que a integração de certas comunidades seja impossível: a tolerância em relação a comportamentos ofensivos dos valores que temos como essenciais, sob o pretexto da neutralidade cultural, é que pode atrasar a integração; e a discriminação positiva também, por ser o reverso da mesma moeda.

 

Finalmente, no dia seguinte o director do Público achou útil publicar um editorial lamentável, em que pede desculpa aos leitores por, em nome da pluralidade da opinião, dar guarida a um texto com “proximidade a teses racistas e xenófobas”.

 

Em vez de qualificar erroneamente um texto que tresleu, teria feito bem em não dizer nada ou, no máximo, esclarecer pela milionésima vez que a liberdade de opinião ou serve para exprimir pontos de vista dos quais se discorda ou não serve para nada.


86 comentários

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De João Silva a 10.07.2019 às 19:45

Há diferenças incontornáveis entre homens e mulheres no que respeita ao sexo e à reprodução. Existirão mesmo que a Constituição não as admita. Por exemplo: uma mulher pode dar à luz um filho e para ter outro tem de esperar os nove meses da ordem e depois mais uns tempitos para poder engravidar de novo. Um homem pode engravidar hoje uma e amanhã outra. Uma mulher poder ter relações sexuais com vários homens consecutivamente, um homem não: tem de esperar (se não for jovem pode ser muito tempo) até poder ter de novo relações. Uma mulher pode ter orgasmos múltiplos, um homem suponho que não. Vamos decretar o contrário?
Se não se puder presumir que filho de mulher casada é do marido, vai aumentar a burocracia, a necessidade de atestados e o contencioso. Pôr prazos diferentes para coisas diferentes não é atentado à dignidade de ninguém. É reconhecer que a biologia existe.
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De Vorph Valknut a 11.07.2019 às 00:11

"Uma mulher poder ter relações sexuais com vários homens consecutivamente, um homem não: tem de esperar (se não for jovem pode ser muito tempo) até poder ter de novo relações"

João não me leve a mal, mas esse tem que esperar é por quem, ou por quê?

"Uma mulher pode ter orgasmos múltiplos, um homem suponho que não"

João, qual é a sua idade? Ou é seminarista?

Pelo facto da a biologia existir por detrás de cada comportamento, e pela tecnologia estar,nos dias de hoje, à disposição, serem absurdas essas disposições legais.
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De xico a 11.07.2019 às 00:46

Vorph Valknut
Supondo que o Vorph é homem, e entendendo eu bem o que João Silva quis dizer, (obviamente que ele se referia a sexo com mulheres, pois um homem também pode ter sexo com outros homens consecutivamente), o seu comentário sobre a espera e orgasmos, só me suscita uma frase: você é um homem de sorte, aproveite! :)
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De Vorph Valknut a 11.07.2019 às 09:23

Meu caro, tem sempre o Viagra. Primeiro, sem ajuda, e se quiser, depois, "à maluca", engula , um comprimido azul. Engula apenas o comprimido, embora possa ser mais do que um.
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De Corvo a 11.07.2019 às 10:45

O Vorph é um privilegiado.
Bom seria que ele difundisse o método.
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De Vorph Valknut a 11.07.2019 às 18:27

É simples. Tesão. Mas o melhor procedimento para prolongar o acto é uma ligeira pressão sobre as carótidas, no momento anterior ao orgasmo. O V que explique.
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De João Silva a 11.07.2019 às 10:17

"mas esse tem que esperar é por quem, ou por quê?"
Tem de esperar por nova erecção. E pode demorar.
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De Vorph Valknut a 11.07.2019 às 18:30

Desde Einstein que o tempo é relativo
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De João Silva a 10.07.2019 às 20:00

O meu comentário anterior fez-me lembrar uma história que me contaram (será verdadeira?). Há muitos anos o governo de um Estado americano resolveu acabar com as confusões sobre o número pi. Então fez uma lei a dizer que a partir daquela data o valor de pi é tal (e escreveu 3,14 e mais não sei quê). É claro que o valor de pi permaneceu como era. Quer dizer as leis não podem ignorar a natureza.
Recordo-me que um argumento do Estado Novo para negar a independência das colónias era que a Constituição considerava que eram parte integrante de Portugal. Tivemos de mudar a Constituição.
Pôr nas leis que homens e mulheres são iguais em aspectos em que não são, não vai alterar a biologia. Para evitar confusões: concordo que são iguais em dignidade.
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De Vorph Valknut a 11.07.2019 às 00:15

Meu caro, pi é infinito e no entanto usamo-lo, violando a natureza. A verdade do conhecimento é sempre de natureza prática e nunca absoluta (isso, do absoluto é coisa de Padres ou Neurocirurgiões)
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De Anónimo a 11.07.2019 às 11:46

Pi não é infinito, é menor que 4.
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De Vorph Valknut a 11.07.2019 às 18:31

Conte os números à direita da virgula
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De Cristina Torrão a 11.07.2019 às 12:16

Caros comentadores, queria esclarecer algumas questões. No que a mim diz respeito, não se trata de ignorar a biologia, nem tão pouco de imitar os homens. Há diferenças entre mulheres e homens e ainda bem. Eu gosto muito das diferenças. O homem tem mais força física e mais músculos, por isso, as modalidades desportivas são separadas. Sim, quando a força está em causa, a mulher perde sempre em relação ao homem. Mas é isso razão para ser considerada inferior? As mulheres têm outras qualidades, cada um tem as suas qualidades, e não acho boa ideia estar a compará-las e decidir quais as melhores, as superiores, etc. Até aqui, estamos de acordo. Por isso, peço o favor de não porem palavras que eu não disse na minha boca!

Também não discuto o facto de haver, ou não, prazo, mas de o prazo ser diferente. Não acho justo. Para ser igual, bastaria alargar o prazo para os homens e ambos só poderem casar passados os 300 dias. Porque não se faz isso? Qual era o problema? Além disso, nos dias que correm, com tantos testes, é preciso esperar 300 dias para saber se a mulher estava grávida da relação anterior? Mas que parvoíce!

Os homens achariam justo que a lei salvaguardasse, por exemplo, o direito de a mulher esclarecer se há mulher, ou mulheres, grávidas do homem com quem pretende casar? Se ele tiver muitos filhos para sustentar, pode prejudicar o casamento, ou não? Achavam bem que houvesse uma lei destas, que fizesse depender o casamento de um qualquer documento que assegurasse não haver mulher, ou mulheres grávidas do noivo?

Quando um homem conhece uma mulher viúva ou divorciada, se apaixona por ela e deseja casar com ela, vai fazer depender esse desejo de um atestado médico, ou do facto de ela poder estar, ou não grávida? Se ele realmente a ama, qual é o problema de ela estar grávida da relação anterior? Vai deixar de a amar por causa disso?

Claro que as mulheres podem mentir, qualquer pessoa mente. Por outro lado, para haver um casamento são e duradouro (como se quer que sejam), tem de haver confiança. Se o homem que deseja casar com essa mulher, lhe pergunta se há possibilidade de ela estar grávida da relação anterior, ela diz que não e ele desconfia, então não deve casar com ela! Ou bem que a ama, ou bem que não. Ou confia, ou não confia. Se não confia, repito, deve evitar casar.

Mais acrescento que, estando eu numa situação dessas e estando a dizer a verdade, ao afirmar não estar grávida, seria eu que desistiria de casar com quem de mim duvidasse. O casamento não teria futuro nenhum.

Se ele acredita que ela não está grávida, casam-se, e ela afinal está e não é dele, isso é um problema que os dois têm de resolver. Mais ninguém! Infelizmente, há gente que mente, sim. Mas também os homens podem mentir, de forma a prejudicar o casamento. Vão-se fazer leis que salvaguardem todos estes casos?

A lei, tal como está, protege o homem, apenas o homem. Protege o orgulho masculino que rejeita filhos de outro macho. Por isso, é desigual e injusta. A haver prazo, ele deve ser igual para os dois!
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De Anónimo a 11.07.2019 às 13:05

"Mas é isso razão para ser considerada inferior? As mulheres têm outras qualidades, cada um tem as suas qualidades, e não acho boa ideia estar a compará-las e decidir quais as melhores, as superiores, etc."
Mas eu estou de acordo consigo nisto e em muito mais. Mas não vejo que seja um atentado à mulher a questão dos prazos diferentes. Se puserem iguais, não discordo mas compreendo e aceito que há razões para serem desiguais. O mais importante: se houver um prazo razoável para o caso da mulher vai-se evitar muita chatice e muito contencioso. Se o prazo for igual para os homens, não vejo problema mas acho que é só para satisfazer as feministas assanhadas numa coisa que não é essencial.
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De Cristina Torrão a 11.07.2019 às 18:28

O que são "feministas assanhadas"?

Acha-me uma "feminista assanhada"? Lamento, para si.

Mas o prazo nupcial acabou. Todos deram ouvidos às "feministas assanhadas", menos o CDS. Tenho uma certa pena, porque até admiro a Cristas.
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De João Silva a 11.07.2019 às 13:10

Suponho que me esqueci de pôr o nome no comentário que acabo de enviar.
Mas digo-lhe mais uma coisa: acho que os homens têm razão para invejar as mulheres na questão da maternidade. A paternidade é nada comparada com a maternidade. Só que as questões estão invertidas e muitas mulheres laboram num erro ao desvalorizarem a maternidade. Mas isto daria pano para mangas, não quero ser longo.
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De Corvo a 11.07.2019 às 15:22

Cara Cristina.
Tudo quanto disse é verdade, mas poucos irão compreender; ou melhor: recusarem-se a compreender.
Se a Criação dotou o homem de força física superior, dotou a mulher de maior abnegação. O Homem foi feito para caçar e a mulher para criar. Sem essa associação a espécie tinha-se esfumado.
Isto no passado. Transportado para a contemporaneidade, o homem é fisicamente superior e a mulher mais inteligente.
Porquê?
Porque entretanto inventaram a cerveja e o futebol e a força física é necessária para o insulto e a agressão, enquanto se vazam umas cervejolas no tasco, e a mulher mais inteligente porque sabendo a força do macho toda canalizada para essa suprema ventura, teve de arranjar maneira de forçar a inteligência para a sobrevivência da prole, porque se tem a veleidade de contar com ele, sucede, por exemplo: bebé à noite a chorar, ela estafada de ter passado a noite do leito ao berço, do berço ao leito, diz-lhe que vá lá ele agora calar o bebé. Ele recusa, ela enerva-se e diz-lhe que o bebé é tanto dela como dele, e ele replica.
- Então vai lá tu calar a tua metade e deixa chorar a minha.
Se os homens têm mais força física do que as mulheres, então tirem-lhe o aspirador das mãos e carreguem-lhes os sacos das compras.
Concluído este ponto, se as mulheres por vezes mentem os homens fazem-no numa percentagem muito maior.
Se há diferenças que enervam os homens, a elas as diferenças deles desesperam-nas.
Poderia dizer muito mais, desatar numa epopeia interminável sobre o assunto, mas isto não é meu e termino limitando-me ao seguinte.
Quando um homem ama uma mulher, mostra-o que pai não é quem gera, - isso todos os animais fazem,- mas sim quem ama, protege e cria.
Conclusão 2. Uma mulher sem segredos é como um jardim sem flores. E que há certas perguntas que nunca se fazem a uma mulher.

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De Anónimo a 11.07.2019 às 16:28

" O Homem foi feito para ...". Foi feito por quem? Por Deus meu amor. Deixe-me rir.
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De Corvo a 11.07.2019 às 21:29

Alguma coisa o fez.
Eu falei em Criação porque alguma coisa o criou.
Nada juntado a nada dá nada.
Se tem melhor explicação, ria menos e explique mais.
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De Luís Lavoura a 11.07.2019 às 17:24

dar preferência a uns implica excluir outros melhores

O problema, é que já atualmente esse é o estado de coisas.

Pois que, se há um machismo instalado, isso quer dizer que mulheres melhores estão a ser preteridas em favor de homens menos competentes.

O autor do post parece não reconhecer que na situação atual já se dá preferência a uns em detrimento de outros, isto é, já se dá preferência a homens em detrimento de mulheres, pelo que, já hoje melhores são excluídos.
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De Luís Lavoura a 11.07.2019 às 18:06

confiar na evolução dos costumes é um caminho seguro

Muitos costumes não evoluem espontaneamente, ou demoram um tempo enorme a evoluir.
Se fôssemos a confiar na evolução dos costumes, ainda hoje haveria o regime"Jim Crow" no Sul dos Estados Unidos, por exemplo.
A evolução dos costumes tem que ser, em muitos casos, estimulada, institucionalizada, e quiçá imposta através de regras impostas pelo Estado.
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De Cristina Torrão a 11.07.2019 às 18:23



«Os deputados aprovaram esta tarde, em votação na especialidade, na comissão parlamentar de assuntos Constitucionais, o fim do prazo imposto pela lei para casar segunda vez, após um divórcio ou viuvez. A proposta – que resulta de projetos apresentados pelo BE, PS e PAN – teve o voto favorável destes três partidos, assim como do PCP e do PSD. Só o CDS votou contra».

https://foreveryoung.sapo.pt/vai-ser-possivel-voltar-a-casar-logo-a-seguir-ao-divorcio-acabou-o-prazo-internupcial/


Viva Portugal!
Viva o Parlamento!
Viva o PSD (o partido em que sempre votei, quando votei), que optou pelo bom.senso!
E viva José Meireles Graça, que proporcionou este delicioso debate aqui no DO!
(Embora o seu postal fosse sobre outro assunto. Mas todos sabemos: as conversas são como as cerejas...)


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De João Silva a 11.07.2019 às 18:47

"Viva Portugal!
Viva o Parlamento!"
Contenta-se com muito pouco. Gostei de muitos dos seu posts mas ficar contente com isto até dar vivas à Pátria é de facto aspirar a muito pouco.
Não acho mal o que foi aprovado, mas não consigo ver nisso um passo para a igualdade de género.
Mas se ficou contente, dou-lhe os meus sinceros parabéns.
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De Cristina Torrão a 12.07.2019 às 18:18

Obrigada, João Silva.

É curioso que venha agora "bagatelizar" a questão, depois de se ter dado ao trabalho de tentar justificar a existência de prazos diferentes.

A igualdade de direitos e oportunidades está prevista na Constituição, mas algumas leis, como se vê, deixam muito a desejar. E como esta caixa de comentários mostra, as mentalidades estão ainda piores do que as leis. Felizmente, as coisas vão avançando. Devagarinho, mas avançando. E cada avanço, como neste caso, é para festejar, sim. Porque, afinal, esta lei obsoleta tinha ainda muitos apoiantes, mulheres incluídas.

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De Luís Lavoura a 12.07.2019 às 11:46

Os deputados limitaram-se a eliminar uma proibição legal obsoleta, anacrónica e que, provavelmente, hoje em dia já nunca é utilizada. Ou seja, uma proibição legal inútil.
Ademais, o casamento é atualmente uma instituição legal ela própria obsoleta e de cada vez menor utilidade. Dentro de poucas décadas, já ninguém se casará.
Enfim, uma mão cheia de coisa nenhuma.

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