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Quem não os conhecer que os compre

por Laura Ramos, em 03.02.14

 

Pois eu, por mim, não tenho problema algum em dividir a minha cidade com a estudantada.

 

Deploro os exageros escusados, o asneiredo de criar bicho, mas tenho muito boas memórias desse meu tempo, em que vivi a festa no melhor e mais enriquecedor sentido do termo.

Aliás, lutei, rigorosamente, por ela. Com a pele. O que não me faz subscrever os desvios comportamentais, longe disso.

Mas o que me dá um enfoque geracional muito interessante e suculento, para quem sabe reconhecer de onde vem o dedo de muitos degrenidores activos da soi-disant praxe académica (não confundir com os indignados passivos).

Infelizmente, há uns tantos anormais cujos actos permitiram que esses tais voltassem a pôr as unhas de fora.

Quem não os conhecer que os compre.


15 comentários

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De Carlos Duarte a 04.02.2014 às 08:24

Obrigado.
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De Carlos Duarte a 04.02.2014 às 21:06

Por um comentário devidamente ponderado sobre o assunto.
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De Laura Ramos a 04.02.2014 às 23:32

Espanta-me que alguém se aventure a vir dizer que vê claro no meio desta campanha completamente idiota... Obrigada. Há muito tempo que não assistia a uma demonstração tão magistral da menoridade opinativa em Portugal. É extraordinário o lastro que a desinformação consegue ganhar nos cérebros aparentemente habituados a pensar.Que confusão mental...
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De João André a 04.02.2014 às 11:43

Eu tenho sempre uma sensação esquisita em relação à praxe. Nunca a segui (como expliquei no texto de há uns dias) e sempre gostei de dar alfinetadas a praxistas. Por outro lado fez parte da cidade, universidade e academia onde vivi uma parte importante da minha vida e aqueles anos não teriam sido a mesma coisa sem ela (poderiam ser melhores, não sei, mas seriam diferentes).

Já não vou a Coimbra por mais que umas horas há mais de 10 anos. Pode ser que tenha mudado muito no que diz respeito à praxe (pelo menos disso depreendo ao ler os textos dos links). Aquilo a que acho piada é à necessidade que tanta gente tem em explicitar que eles não, eles nunca se meteriam na praxe porque tinham mais é que estudar, eles nunca se embebedaram, eles cumpriam as suas obrigações como estudantes, eles ajudavam os colegas mais novos e sempre os trataram como iguais, eles etc, etc, etc.

Não deixa de ser notório que muitos dos eles que assim escrevem ou falam são eles que consideram necessário avançar com propinas ao nível americano e com expulsões por chumbos. Não são todos os eles, mas são muitos dos eles. E muitos destes eles são eles que não praticaram o que pregam. Sei disso porque muitas vezes me embebedei com muitos d'eles.
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De António M P a 04.02.2014 às 15:27

Sugiro-lhe a leitura de um artigo de José Gomes André que escreveu neste mesmo blogue sobre o assunto em Abril de 2009: http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/407194.html
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De João André a 04.02.2014 às 17:34

Obrigado pela lembrança. Li na altura o texto (e até o comentei, não tendo necessidade de mudar nada de essencial: http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/407194.html?thread=3124890#t3124890). Caso tenha perdido, deixe a minha opinião de forma mai clara noutro post:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/consideracoes-sobre-a-praxe-6015285

A minha visão sobre a praxe (e aqui ressalvo que tenho a visão sobre a de Coimbra) é semelhante à do JGA. Tenho essencialmente algumas divergências em relação às conclusões - ele acabaria com a praxe eu não me importo que ela continuasse. Seja como for, se amanhã a praxe acabasse por obra e graça do espírito santo (não seria por imposição), isso não me incomodaria minimamente.
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De Laura Ramos a 04.02.2014 às 20:17

João André, já vi que entendes os subtextos da matéria… Esta discussão é um disparate total enquanto as pessoas não se capacitarem do que é que realmente estão a falar. A ignorância dos indignados passivos é totalmente compreensível porque compram tudo quanto lhes vendem, mas o maniqueísmo, o acinte e a falta de instrução dos que denigrem, sabendo que estão a desinformar a opinião pública, é inaceitável. E não: afirmo que não sou pelos desmandos, sou pela tradição académica que não inclui coacção. Jamais a subscreveria, jamais me sujeitaria a ela.
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De Pedro Correia a 04.02.2014 às 12:00

É bom ver-te de novo por cá, Laura.
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De Laura Ramos a 04.02.2014 às 20:17

Obrigada, Pedro, tenho andado muito ausente, não dá para tudo. Quando a Troika sair eu volto em força...
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De Caetano a 04.02.2014 às 12:29


Dá para ver que também será adepta da tourada. A tradição ainda é o que era e prepara-nos para a vida, a tropa também, pena que tenha acabado o serviço militar obrigatório.
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De Laura Ramos a 04.02.2014 às 20:21

Acertou na mouche: gosto muito de uma boa corrida de toiros.
Já o serviço militar obrigatório não me diz nada e estou até com a Clara Ferreira Alves: essa seria a sanção cirurgicamente adequada à malta que distorcesse as tradições académicas e as tornasse em mecanismos aberrantes de dominação do próximo. Tropa com eles.
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De José Menezes a 04.02.2014 às 21:46

Também estive em Coimbra. Também lutei pelo regresso das tradições centenárias que aliás me motivaram a escolha da Universidade. Usei Capa e Batina todos os dias (excepto ao Domingo, excepto o excepto quando ia ver a Briosa).
Fundei (fundamos uns 4 ou 5), uma coisa gira que se tornou, seu eu saber ou querer, numa "claque". Fundamos a Bacom (Brigada Académica dos Comandos de Minerva), reuníamos no Prata entre umas jeropigas.
Detestei uma coisa chamada "Código da Praxe" e não gostei do militarismo que se adivinhava entre alguns praxistas.

§ único 1: As tradições englobam a praxe mas não são a praxe.
§ único 2: Pela tradição, oral e escrita, a praxe não pode ser feita na presença de futricas.

Fui praxado com classe. Tinha uma quarto numa casa onde estavam mais vinte. Tive de fazer um discurso de meia hora sobre a vida sexual do mosquito. Falhei!
Até ao Natal tive de servir o vinho aos doutores (doutores-da-merda e merda-de doutores) quando íamos jantar fora. Mal podia comer descansado uma batatinha.
Também me atiraram à cara algodão embebido em água quente enquanto um doutor fazia ruídos de escarro. Tinham-me vendado os olhos.

Aquilo que todos criticam justificadamente não é praxe mas sim esquizofrenias de paranóicos (ou paranóias de esquizofrénicos). Poderá haver também algum aproveitamento invejoso de quem nunca por lá passou.
Não critiquem a "Praxe", critiquem a esquizofrenia. Actue-se contra os atentados aos direitos humanos, venham eles de onde vierem. A praxe não se sobrepõe à lei geral.
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De Laura Ramos a 05.02.2014 às 00:00

Claro, José Menezes. Só uma pessoa de ouvidos castos como a Câncio (quem quiser que os compre... e por favor não leia a sua virtuosa e jugular prosa in situ</i>) é que acredita que o Palito Métrico é uma norma dotada de força jurídica e brande os seus artigos como se de lei activa se tratasse.Só se for a lei do oeste. A oeste de Coimbra, entenda-se...
Também eu me bati pelo regresso das tradições da minha Academia, essa mesma de que fala, quando a minha escola definhava debaixo dos pézões da comunagem, em estertores de submissão à ordem vermelha e... nem um pio, senão... Era a grande, suprema libérrima ordem dos kolkhoz e dos solkhoz.
Não fosse o Sottomayor Cardia e essa malta de elevada e estatura mental e profundo sentimento democrático ainda por lá estava, brandindo (esses) o Das Kapital e o Nicos Poulantzas.
Ainda bem que se divertiu, que foi à tasquinha do bom do Pratas (também lá deixei a minha gravata) e que borrifou nos tais militarizados, essa minoria perigosa que em 79/80 não existia, senão...comigo também não piavam.
Felizmente que a maior academia portuguesa é uma metrópole com milhares de estudantes portugueses e estrangeiros onde todos não têm forçosamente de gramar todos.
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De José Menezes a 05.02.2014 às 06:13

:)

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