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Delito de Opinião

N. Câmara Pereira: «Gosto do Popeye»

Quem fala assim... (31)

Pedro Correia, 06.03.21

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«O hino nacional é excelente: militarista, agressivo, dinâmico e nostálgico. Foi oferecido pelo Alfredo Keil a D. Carlos. E a república adoptou-o» 

 

Engenheiro, activista monárquico, antigo deputado do PPM e membro de um vasto clã de fadistas, com intérpretes de pelo menos três gerações, Nuno da Câmara Pereira foi afável ao telefone. E rápido nas respostas a este inquérito disparado à queima-roupa. Tinha um máximo de dez segundos para cada uma, disse-lhe. Era a brincar. Mas ele levou a sério, correspondendo ao pedido.

 

Qual foi a maior decepção que sofreu até hoje?

Ter-me sentado no banco dos réus porque denunciei actos de corrupção em Sintra. Senti-me injustiçado por esse facto. Espero que o tribunal não dê razão à injustiça.

Gostaria de viver num hotel?

Adoraria.

A sua bebida preferida?

Vinho tinto. Alentejano. Bem maduro, bem encorpado, com os taninos bem evidentes.

Que número calça?

42, biqueira larga.

Que livro anda a ler?

Um livro que volta a levantar a hipótese de Colombo ser português.

A sua personagem de ficção preferida?

Gosto muito do Tintim. E também do Popeye, com aqueles braços em forma de âncora. Gosto de comer espinafres desde miúdo: sempre me convenci que me faziam mais forte.

A Olívia Palito faz o seu género?

Há pelo menos uma coisa que aprecio nela: é fiel ao Popeye. A fidelidade é um bem cada vez mais raro entre as mulheres.

Gosta mais de conduzir ou de ser conduzido?

Adoro conduzir. Detesto ser conduzido.

É bom transgredir os limites?

Como artista, não consigo deixar de ultrapassar certos limites.

Como se sente o artista na pele de deputado?

Tem sido uma aprendizagem lenta, serena, cuidada. Hoje estou muito mais dentro da linha...

Já adormeceu no plenário?

Nunca. Mas já me fartei de lutar contra o sono na Assembleia da República, com um olho para baixo e outro para cima. Há discursos demasiado extensos e monocórdicos...

Qual é o seu prato favorito?

Feijoada à portuguesa. Com muito piripiri.

Qual é o pecado capital que pratica com mais frequência?

Só entrego o meu espírito a Deus.

A sua cor preferida?

Azul. Aliás, só visto azul e verde.

Costuma cantar no duche?

Foi no banho que aprendi a cantar. A minha mãe foi a primeira pessoa a descobrir.

E a música da sua vida?

Adoro o Pai Nosso, do Frei Hermano da Câmara. Tenho cantado este tema em várias missas, quando me convidam. E - sempre - a Avé Maria, de Gounod.

Sugere alguma alteração ao hino nacional?

Não. O hino é excelente: militarista, agressivo, dinâmico e nostálgico. Foi oferecido pelo Alfredo Keil a D. Carlos. E a república adoptou-o. É um bom compromisso entre a monarquia e a república.

Qual é a peça de vestuário que prefere?

A que mais prezo é uma boa cuequinha. Detesto boxers.

Qual o seu maior sonho?

Que Portugal consiga ser uma nação auto-suficiente.

O que o irrita profundamente?

Ver, como monárquico, que o pretenso pretendente ao trono de Portugal não tem qualidades absolutamente nenhumas para representar aquilo que pretende.

O que faria se fosse milionário?

Reservaria um terço da minha fortuna para criar uma boa rede de lares para a terceira idade.

Casamentos gay: de acordo?

Completamente em desacordo.

Uma mulher bonita na política?

A Ségolène Royal. A Hillary Clinton também é interessante.

Acredita no paraíso?

Acredito. Desde logo, porque sou católico praticante. E também porque gosto muito da utopia.

Tem um lema?

Os versos de Sá de Miranda: «Homem de um só parecer, / Dum só rosto, uma só fé, / Dantes quebrar que torcer, / Ele tudo pode ser, / Mas de corte homem não é.»

 

Entrevista publicada no Diário de Notícias (20 de Outubro de 2007)

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