Putin

Recluso entre as muralhas do Kremlin, Putin é um ultranacionalista com nostalgias imperiais, apostado em reviver supostas glórias de eras passadas. Um tirano absolutista, cleptocrata, neofascista, que não hesita em recorrer à violência mais extrema como arma política - algo que já pôs em prática na Síria - e apenas difere do fascista clássico pela fobia às multidões.
Foi formado na polícia secreta soviética, ascendeu a um posto de comando no KGB, onde permaneceu 16 anos, e esta atracção pelo lado subterrâneo da existência moldou-lhe a personalidade.
Mantém um fascínio por tudo quanto é oculto. O que é outro dos seus traços dominantes. Daí enganar, burlar, ludibriar - não tem feito outra coisa nos últimos meses, com as falsas "garantias" que ia dando à comunidade internacional e aos próprios russos enquanto se armava até aos dentes para devorar a Ucrânia.
Nisto - como em tanta outra coisa - aproxima-se de Hitler, copiando-lhe a estratégia. Mentir primeiro, invadir depois. À conquista do «espaço vital» russófono que já lhe serviu de pretexto para anexar parte da Geórgia em 2008, engolir a Crimeia em 2014 e transformar a Bielorrússia num Estado fantoche. Decalcando o modelo expansionista da Lebensraum nazi.
É um dos ditadores mais perigosos da História. Porque possui o maior arsenal atómico do globo.
Outro traço dominante nele é a violência. Daí não hesitar em mandar assassinar, pelos mais diversos meios, jornalistas, activistas de direitos humanos, opositores políticos e até antigos companheiros de percurso.
Sempre sem revelar o menor vestígio de compaixão.
E é basicamente um iletrado.
As pretensas "lições de História" que tentou dar ao mundo sobre a Rússia no famigerado discurso de 21 de Fevereiro confirmam a sua elementar falta de preparação intelectual, cívica e moral. Algo profundamente preocupante quando sabemos que tem o poder de carregar num botão vermelho que pode destruir o planeta.
Que haja gente, do lado de cá, ainda a idolatrar tão sinistra personagem é algo que escapa de todo à minha compreensão.

