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Pudor

por Pedro Correia, em 08.01.15

Há sempre um sociólogo pronto a invocar causas "sociais" como factor atenuante para os autores dos crimes mais sórdidos. Se o sociólogo estiver de folga, avança o psicólogo de plantão, evocando os traumas sofridos na infância como caução moral dos actos criminosos cometidos na idade adulta.

Na ausência episódica de ambos, logo emerge uma voz oriunda da classe política a dizer não importa o quê numa resignada complacência perante a barbárie. Ontem, nesta ronda, coube o turno à eurodeputada Ana Gomes. A responsabilidade dos homicídios que semearam o terror em Paris, garante a intrépida socialista, dilui-se nas "políticas de austeridade anti-europeias".

Ainda nauseados pelos ecos do brutal atentado perpretado no coração da pátria do racionalismo por elementos da guarda avançada do terror, testemunhamos o protagonismo de quem se aproveita dos cadáveres de mártires da liberdade de expressão para difundir a demagogia mais rasteira.

Nestes momentos em que somos confrontados com a face do mal no seu horror absoluto apetece implorar a certas vozes que se calem em nome do mais elementar, recomendável e misericordioso pudor.


24 comentários

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De sampy a 08.01.2015 às 13:03

Haja alguém que dê um par de estalos à coitada da mulher.
A culpa será das políticas de austeridade...
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De V. a 08.01.2015 às 13:11

É ridículo que estes tolos tentem projectar problemazinhos dos alunos da escola secundária de Carcavelos em gente violenta que defendem a expansão de rituais absurdos do deserto ao mundo todo. Eles estão bem psicologicamente, não se preocupem com eles, coitadinhos. Sobre Ana Gomes nem vou dizer nada, mas sugiro que pegue na sacola e vá viver com eles para ver se gosta. Sei lá, faça trabalho de campo. Estar aqui no conforto dos valores ocidentais a defender aqueles que nos querem destruir é batota.
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De Tiro ao Alvo a 08.01.2015 às 13:38

Por que será que não aparece quem diga aos políticos que apoiam a Ana Gomes que o rei vai nu?
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De Pedro Correia a 08.01.2015 às 22:12

Por acaso desta vez não vi ninguém secundar ou apoiar as palavras da eurodeputada. Caso para dizer que ficou a falar sozinha.
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De João a 08.01.2015 às 14:28

A Ana Gomes teve uma saída totalmente infeliz, mas acredito que não o fez com intenção porque se há pessoa que tem lutado pela liberdade, a todos os níveis, ela é uma delas. Nem sempre, nos sai o que deve ser e quantas vezes, nós mesmos, erramos e por isso não dou o valor que se está a dar, a uma saída, fora do contexto da referida senhora. O que está em causa, nem é o Ala, o Maomé ou seja lá o que for porque não há Deus nenhum que incite ao mal, mas sim, um grupo de psicopatas que só se sentem felizes e completos enquanto seres humanos a fazerem o mal e aqueles dois assassinos são-no. Infelizmente existem muitos por aí e nós, não estamos minimamente preocupados, em sabermos quem são, nem onde estão. Eles estão ao nosso lado, sem darmos por eles, pois têm como características, as falinhas mansas, em que a sua voz mal se ouve, prestáveis e no momento certo, eles aplicam-nos o golpe certeiro, há muito pensado e planeado.
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De Tiro ao Alvo a 08.01.2015 às 18:08

O João, não serve para desclassificar a Ana Gomes; o João é um passa-culpas bem intencionado.
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De João a 08.01.2015 às 19:05

Todos nós sem excepção temos frases boas, más ou medíocres. Com certeza, o mesmo se passou com a senhora porque o que disse estava completamente fora do contexto, por isso, penso que lhe saiu aquela e provavelmente já se se apercebeu do erro. Não sou bem intencionado, simplesmente não quero ver tudo pela negativa porque se vamos por aí, nunca mais paramos. Neste país, só nos lembramos do que está mal quando algo de grave acontece, até lá, andamos ao sabor do vento e os mais espertalhões, a ver se tramam os mais ingénuos.
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De Tiro ao Alvo a 08.01.2015 às 21:57

Não, João, a senhora ainda não se apercebeu do erro e insiste na interpretação do crime, defendendo a sua peregrina ideia. Logo não se tratou de um erro de linguagem, de uma frase mal conseguida. Aquela senhora, que muito gosta de se pôr em bicos-de-pés, tomou uma posição que, no mínimo, considero idiota. E, por mim, ponto final.
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De l.rodrigues a 08.01.2015 às 15:07

Por outro lado, essa crença num mal absoluto deixa-nos impotentes, na ausência da polícia-pré-crime do Relatório Minoritário, de agir no sentido de reduzir a possibilidade de que actos como estes e outros seus congenéticos, aconteçam.

Se houver um perfil sociológico e psicológico para as pessoas que se deixam levar pelos ideias do fanatismo religioso, e eu creio que é provável que haja, há uma resposta a dar pela sociologia e psicologia.
Se há um terreno fértil entre jovens filhos de emigrantes desenraizados no país que os viu nascer, há uma resposta política e social a dar.
E isso sem beliscar a necessidade de dar uma resposta policial capaz ao que são para todos os efeitos, crimes.

Não nos enganemos. Há psicopatas e sociopatas à solta entre nós. Considero até urgente a reflexão de como proteger as sociedades livres e democráticas desses elementos:

Como nos defendermos com igual eficácia do psicopata que nasceu no bairro social de Paris ou na Cova da Moura e que se expressa na total indiferença perante a vida do outro, e do que nasceu na Lapa de Lisboa, ou em Manhattan e se expressa pela total indiferença perante a vida dos outros.
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De João a 08.01.2015 às 17:13

Poucos ou quase nenhuns se debruçaram ou debruçam a fundo ao estudo dos psicopatas e sociopatas o que é pena. Eles andam por aí e cada vez são mais e só eles, o são capazes de fazer com tal crueldade, pois estas pessoas só são felizes com o mal que fazem ao outro. Que não nos enganemos, pois não há religião, seja ela qual for que apele ao fanatismo ou à violência. O grave, é usarem a religião, para atingirem os seus fins.
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De Maria a 08.01.2015 às 15:22

Essa srª tem cá uma apetência para "perder as estribeiras" que valha-me Deus.
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De Pedro Correia a 08.01.2015 às 17:19

Não consigo aceitar as teses de quem insiste em "compreender" os terroristas, apressando-se a invocar argumentos atenuantes para os mais repugnantes actos de barbárie.
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De Perpretado a 08.01.2015 às 15:54

Os deputados europeus, coitadinhos, sofrem com a austeridade que metem dó.
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De Helena Sacadura Cabral a 08.01.2015 às 16:03

Pedro
O teu post retrata uma triste realidade. Essa senhora permite-se falar de tudo e de todos, mas tolera mal as críticas que lhe fazem. E não perde uma oportunidade de protagonismo mediático, seja a que preço for, esquecendo que quem tem telhados de vidro pode sempre ve-los partidos. É pena!
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De Pedro Correia a 08.01.2015 às 16:59

Helena: não deixarei nunca de me surpreender perante o facto de certas pessoas da esfera política optarem sistematicamente por renunciar ao sábio direito ao silêncio.
Sobretudo em momentos como este, em que se impõe algum recolhimento e alguma meditação.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 08.01.2015 às 17:41

Essa mulher, cuja estupidez não tem limites, não tem pudor em aproveitar uma tragédia destas para fazer a propagandazinha barata do costume. Só faltou dizer que a culpa foi da Sra Merkel! Em que mundo é que esta gente vive?
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De cristof a 08.01.2015 às 19:07

Apoiado. Mais infeliz que a dita só os que generalizam o terror criminoso e bárbaro que aconteceu com um credo(islão).
A A.Gomes foi duma inoportunidade que não se admite numa eurodeputada experiente(por acaso portuguesa).
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De Pedro Correia a 08.01.2015 às 22:07

Nestas ocasiões aparece sempre quem diga que a culpa é da "sociedade", das "injustiças", da "civilização"...
De imediato, as práticas criminosas concretas ficam diluídas neste caldo de palavras asbtractas que, no limite, chega a inverter a realidade mais básica. Transformando os criminosos em vítimas e as vítimas em cúmplices passivos de um sistema iníquo que segrega os seus monstros. Fica de imediato excluída, à luz deste critério, toda a responsabilidade individual.

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