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Proteger a população

por João André, em 18.02.14

Apesar de todos os choques do documento da ONU sobre a Coreia do Norte, a questão chave é mesmo "E agora?". Não é fácil responder. Avanço hipóteses partindo do princípio (improvável) que não seriam vetadas no Conselho de Segurança.

 

1. Guerra aberta: mesmo com autorização da China, esta guerra traria certamente consequências trágicas. Não só para os soldados dos dois lados mas também para as populações das Coreias. A Coreia do Sul sofreria retaliações (mesmo que não nucleares) enquanto que a Coreia do norte não só sofreria com a guerra como veria a sua população a ser usada como carne para canhão. O resultado seria, se é possível concebê-lo, provavelmente pior que a situação actual.

 

2. Diplomacia: talvez um dia venha a dar resultados, mas até lá muita gente sofrerá e morrerá. Além disso a diplomacia só tem resultados quando apoiada pela força e determinação em a usar.

 

3. Sanções ao país (ou às suas figuras): as sanções directas ao país não me parecem funcionar. As figuras espremem mais a população e continuam felizes. As sanções às suas figuras poderão dar alguns resultados, mas num regime tão fechado como o norte-coreano parecem-me ser essencialmente inconvenientes para as ditas figuras.

 

4. Imunidade: esta hipótese seria semelhante à da diplomacia, mas terminaria com a saída dos responsáveis políticos do regime e o seu exílio dourado algures no mundo. Seria no mínimo desagradável, mas talvez fosse a que poupasse mais a população.

 

Quando se discutem as ditaduras, seja a Coreia do Norte, Cuba, o Irão ou a Arábia Saudita, aquilo que normalmente se questiona é como punir os responsáveis. A grande questão deveria ser sempre a mesma: como poupar/salvar a população. O objectivo de intervenções não deveria nunca ser a de punir, de levar os responsáveis ao TPI. Esse deveria ser sempre um objectivo secundário. O primeiro objectivo deveria ser sempre o de poupar a população inocente.

 

Não tenho, no entanto, quaisquer ilusões. A China e a Rússia nunca permitiriam uma intervenção militar. Os EUA não teriam qualquer interesse em se empenharem a esse nível. As sanções e a diplomacia serão inúteis. A população norte-coreana continuará a sofrer, quer o seu ditadorzinho tenha natas ou não.

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8 comentários

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De Luís Lavoura a 18.02.2014 às 14:21

Muito bem.
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De João André a 18.02.2014 às 16:22

Obrigado. Lá está Luís, vamos concordando de tempos a tempos ;).
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De Luciano Gomes a 18.02.2014 às 15:20

Não nutro qualquer simpatia pela dinastia Kim, um regime onde não gostaria mesmo nada de viver. Mas, quem julga quem? Gostaria o autor que a ONU se tornasse uma mera extensão da diplomacia Imperial, o que já não está longe?
Quem é julgado pelas centenas de milhar de mortos direta e indiretamente provocados pela acção da forças "civilizadas" que invadiram Iraque? Esses foram, e estão sendo, mortos por uma boa causa, não é?
As insuficiências da natureza humana que tornam possível a existência de situações como a da Coreia manisfestam-se pelas mais insuspeitadas formas...
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De João André a 18.02.2014 às 16:21

Só uma pergunta caro Luciano: leu o post? Eu discuti alternativas e deixei claro qual seria, na minha opinião, a menos má para a população. Fui sempre contra a intervenção no Iraque e, mesmo tendo mais simpatia pela do Afeganistão, também não a vi com bons olhos. A prioridade deve ser sempre a população e as intervenções militares são habitualmente a pior solução.

Por outro lado, por muito que gostemos de pensar que não, vivemos num mundo interligado, onde todos os países estão interligados. Alguns de forma mais directa que outros, mas sempre interligados. O seu conceito de não julgar é o mesmo que enfiar a cabeça na areia e é, em si mesmo, um julgamento.

Se um país governado de forma que não me agrada (como é o caso nas monarquias), só posso resmungar e aceitar. Se uma população for oprimida e nem sequer tiver oportunidade de pensar em como está a ser governada por ter que pensar antes de mais em comer, então lamento mas levanto a minha voz, fraca que seja.
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De Manuel a 18.02.2014 às 19:06

O Homem é um ser que por vezes se alterna, outras conjuga-se entre civilizado e humano, mas a sua base animal é sempre uma constante presente.
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De Vento a 18.02.2014 às 22:15

João, com certeza.

Mas ainda estou à espera do relatório da ONU sobre o Iraque e a cimeira dos Açores. Mas também sobre a Líbia.
Eu gostava de conhecer o que a ONU pensa sobre isto, por escrito. Alguém tem informações a este respeito?
Será que a Líbia e o Iraque se transformaram em países prósperos? Alguém tem informações sobre isto? Parece que foram países que se evaporaram. Por que deixaram de ser notícia?
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De João André a 19.02.2014 às 08:03

Também eu caro Vento, também eu. No entanto, considerando que esta ditadura norte-coreana já tem décadas de vida e vai na terceira geração, penso que não é de esperar algo da ONU em relação aos casos que menciona antes de 2060 ou algo do género.

É verdade: esses países deixam de ser notícia. Agora é a Ucrânia, ou Sotchi, ou a Venezuela. Afeganistão pouco e Iraque quase nada. Daqui por uns meses vai ser o Brasil e a criminalidade no país. Depois arranjarão outro tema.
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De singularis alentejanus a 18.02.2014 às 22:19

A solução estará no internacionalismo proletário preconizado pelo nosso querido lider Jerónimo de Sousa.

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