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Promessas do passado e confirmações improváveis

por João Pedro Pimenta, em 24.01.18

A morte de Dolores O´Riordan e as recordações dos Cranberries levaram-me de novo aos anos noventa. Sempre achei curiosos os casos das next big thing do pop-rock que surgem prontas a conquistar o Mundo e que subitamente são ultrapassadas e atropeladas por grupos por quem pouco se dava à partida. É o caso dos James, sobre os quais paira uma engraçada "maldição", a de terem tido amiúde bandas a fazer as primeiras partes dos seus concertos,e  que depois se tornaram maiores do que eles próprios (como os Radiohead, os Nirvana ou os Coldplay). Mas não são, longe disso, caso único.

 
Aí­ por 1992 ou 1993, em tempos de pré-Britpop, em que o Grunge era rei e senhor da cena pop-rock mundial, os britânicos andavam cabisbaixos, à  procura de algum destaque num meio em que, terminado o shoegazing, e vulgarizado o madchester, pareciam condenados à decadência. Apareciam inúmeros grupos a tentar marcar a sua diferença. Uns eram aproveitáveis, outros nem tanto, e alguns levavam os áugures do meio a rotundos enganos.
 
Aconteceu isso mesmo com os Kingmaker, um grupo prometedor, que supostamente iria conquistar os tops de vendas e marcar o som da pop britânica. Mas as coisas não correram pelo melhor, a popularidade que esperavam não chegou e o grupo acabou por se separar poucos anos depois.
 
Porque é que isto me veio à memória à boleia dos Cranberries? Porque, por alguns testemunhos que vi, os Kingmaker realizaram alguns concertos onde tinham, como banda suporte, um grupo londrino chamado Suede, que deram bem mais nas vistas que os próprios cabeças de cartaz. Como se sabe, os Suede, que começaram com um som glam-rock muito devedor de Bowie e dos anos setenta, foram dos grupos fundadores (e essenciais da Britpop) e um dos mais amados no Reino Unido. Ou seja, eram eles próprios a next big thing do momento, com melhores resultados.
 
 
Mas provaram um pouco do mesmo "remédio" atrás descrito: partiram para uma digressão nos Estados Unidos, levando uma pouco conhecida banda irlandesa para fazer as primeiras partes, uns certos Cranberries. Ao contrário do que esperavam, os ingleses passaram quase despercebidos no Novo Mundo, enquanto que os irlandeses e a voz de Dolores O´Riordan atraí­ram as atenções dos americanos, que começaram a fazer passar as suas músicas, como Linger, na MTV, e obtiveram logo um sucesso considerável que os catapultou para a fama. Os Suede foram olimpicamente ignorados e tiveram de se conformar em ser populares deste lado do Atlântico, sobretudo na terra de origem, onde durante bastante tempo continuaram a atrair as atenções sempre que lançavam um novo trabalho.
 
Quanto aos Kingmaker, desapareceram por completo. Provavelmente dedicaram-se a outras actividades que não a música. Deixaram apenas um rasto da sua existência na net, sobretudo no Youtube, para que possam ser recordados como mais uma promessa efémera, que, como em muitas outras áreas, se deixou ultrapassar por improváveis concorrentes.

 

 


7 comentários

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De Sarin a 24.01.2018 às 02:24

Kingmakers, queenmakers...

Não fizeram nenhum dos grupos; mas deram a mão, puxaram do anonimato e criaram uma pequena reacção de pay it forward.

O que me lembra o filme do mesmo nome, nestes conturbados tempos para Kevin Spacey.
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De Vlad, o Emborcador a 24.01.2018 às 08:27

João passei os anos 90 a venerar isto:

https://youtu.be/OuC5WYsDDZY

E a esquecer-me nisto:

https://youtu.be/A9fFmH_AbG0

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De João Pedro Pimenta a 24.01.2018 às 16:38

Venerar black metal é capaz de ser um contrassenso (ou não)...

Dos Gun´s era impossível escapar. Era o grupo mais popular dos inícios dos anos noventa. Fossem quais fossem as preferências (e eu tenho outras), ultrapassavam a popularidade dos Nirvana, REM, U2, etc.
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De Vlad, o Emborcador a 24.01.2018 às 16:57



Agora essa malta, dos anos 90, tal como o nosso Fernando Ribeiro tornaram-se artistas respeitáveis.

Confira se quiser os Ulver.

Cumprimentos.
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De Anónimo a 25.01.2018 às 00:56

Estou a ver que os seus gostos são mais germanizados (deve ser por isso que os Moonspell são populares na Alemanha) ou escandinavos.
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De Diogo Noivo a 24.01.2018 às 15:16

Bom post, João Pedro. Na extensa lista dos não-era-para-ser-mas-foi confesso predilecção pelo Charles Bradley: depois de uma vida madrasta, saltou dos ‘covers’ de James Brown em bares de segunda para um estatuto de semi-deus. Como tantos outros, partiu demasiado cedo.
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De João Pedro Pimenta a 24.01.2018 às 17:14

Só conheci o Charles Bradley quando morreu, provavelmente como a maioria das pessoas. Mas tenho um certo apreço por estas histórias de promessas trocadas, que na linguagem futebolística são os Fábios Paims da música (ou de outra área qualquer).

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