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Profetas da nossa terra (16)

por Pedro Correia, em 08.05.14

«Portugal vai precisar de um segundo resgate e é bom.»

João César das Neves, 28 de Setembro de 2013


12 comentários

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De Mau Maria a 08.05.2014 às 19:22

Bom é jaquinzinhos fritos, ainda hoje mamei uns (por acaso deviam ser ilegais, de tão pequenos, mas uma delícia...)
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De Pedro Correia a 09.05.2014 às 00:02

Faz-me lembrar o velho 'slogan' da Bosch. É bom.
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De Vento a 08.05.2014 às 19:25

Dizem que a Europa se sedimenta nos princípios do cristianismo. Não esquecendo, obviamente, o elemento aglutinador que este teve, não posso deixar de lembrar que esta corrente também contribuiu para o desmoronamento do Império Romano na forma como ele se encontrava estruturado.
Ao longo de meus comentários tenho procurado partilhar aquela outra visão e perspectiva que o cristianismo nos oferece, que vai para além da falida catequese sobre moralismos e ritualisamos que também foi bastante absorvida e que se encontra nas actuais formas de farisaismo que procedem de muitos ditos não crentes.
Concentro também minha perspectiva em dois vectores essencias de mudança: a acção e a Esperança.
A acção passa pela reflexão e/ou instropecção que o Homem é capaz de fazer despertar em si mesmo no sentido de compreender as causas de suas angústias, fracassos e desuniões (quer pessoais quer colectivas). Sei que este trabalho não é académico, pelo facto de não ser possível standartizar acções em virtude de, apesar da existência de uma regra uniformadora, nem sempre as realidades sociais e as experiências de vida coincidem, pelo que sou levado a acreditar que isto mesmo ocorre, por escolha externa, de forma diferente em cada indíviduo. E perante este facto a atitude recomendável não passa pela crítica nem tampouco pelo desprezo daqueles que falsamente se presume estarem bem afastado de uma realidade transcendente.
Abordo esta questão pelo facto da mesma estar intimamente ligada ao sofrimento, quer seja próprio quer seja "alheio", para poder demonstrar o quanto a educação e a tradição contribuem também para o entorpecimento da vontade e do desejo. Vontade de agir em sentido contrário, e desejo de transformar as realidades presentes.

Aqui chegado, gostaria de abordar o sofrimento como via de um sentido ou, se entenderem melhor, o sentido do sofrimento. Evito sempre abordar questões de experiência pessoal pelo facto de detestar a vaidade, o egocentrismo e as falsas virtudes. Mas neste aspecto tão delicado não posso evitar o recurso a experiências de vida pessoais para poder passar o sentido da reflexão.

Aqui vai:
mais do que nunca tenho experienciado a miséria que se vai criando em torno daquilo que era considerado um avanço social e até mesmo humanista. A interrogação que tenho colocado perante esse avanço é se durante os momentos em que o mesmo ocorria o Homem também avançava num outro sentido, no sentido do alargamento dos horizontes limitados de si mesmo. A resposta que me surje sempre é o Não. E Não, porque perante esta nova realidade a acção indica uma absoluta atitude fruto de uma apreensão, e não aprendizagem, que reside no baú da memória.
Vem isto a propósito das formas como se aje relativamente a essa pobreza que se semeia no seio das sociedades (com moralismos e miserabilismos), que é usada para satisfazer um ego humanista que me leva a concluir que há uma ostentação da bondade que até parece maldade e vaidade. E faço esta afirmação por entender que a pobreza e a miséria de meus irmãos não está aí para satisfazer qualquer preceito ético e/ou moral mas como força que impulsiona a minha própria transformação.
Neste sentido, o miserável e o indigente, que eu certamente também terei contribuído por passividade para esta ocorrência, considero-os como Graça Divina para a transformação do meu olhar, do meu sentir e do meu agir. E, assim, são eles ou elas, na sua condição, que me prestam um serviço, e essa mesma condição constitui-se uma esmola a mim mesmo.

Concluido este pensamento, é hora de entrarmos na Esperança. E para a melhor definir socorro-me das palavras do Abbé Pierre: "A Esperança é acreditar que a vida tem um sentido". Um sentido completamente oposto daquele que a tradição nos tem revelado.

Quero finalizar agora com mais uma afirmação do Abbé Pierre: "Quand on s´indigne, il convient de se demander si l´on est digne".
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De João a 08.05.2014 às 21:13

Ele tem razão, disso não há dúvida. Não pagámos nada da dívida, a não ser juros e ainda por cima não temos economia capaz de fazer frente a tal monstro. Para o João César das Neves, são mais uns programazinhos a opinar. O problema, é que as opiniões dele são tão más que não há paciência para o ouvir.
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De Pedro Correia a 09.05.2014 às 00:17

Bom era quando estávamos impossibilitados de fazer pagamentos no cumprimento das missões essenciais do Estado português.
Bom era quando mil comentadores povoavam os nossos serões televisivos a alertar para os efeitos irreparáveis da "espiral recessiva". E a vaticinarem a saída de Portugal do euro. E a anteverem a falência do sistema bancário. E a preverem um "segundo resgate". E a jurarem que haveria um "programa cautelar".

Que saudades.
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De João a 09.05.2014 às 01:07

Afinal que saída limpa é esta? Limpa de quê? Vamos deixar de ser ingénuos porque estamos mais sujos que antes. Tinham toda a razão, nada mudou estamos pior que antes com uma agravante mais dívida, mais desemprego e péssimas condições de vida. Eleições europeias à vista!......Daqui a uns tempinhos, falamos da saída limpa e depois veremos quem tem razão. Aliás o presidente do Eurogrupo já começou a avisar.........
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De Vento a 09.05.2014 às 11:34

O problema, João, está no facto das pessoas se concentrarem nos cálculos ditos errados que outros fizeram. Mas não se concentram naquilo que outros, eu incluido, vaticinaram como importante, isto é, a renegociação/reestruturação da dívida.
E o que é certo é que o défice foi renegociado, os juros também, as reduções das rendas nas PPP´s estão aí em cima da mesa e em grande força agora nas Scuts. Mas estes rapazes entendem que isto não é para ser validado, porque não lhes saiu da cabeça apesar de estar consignado no dito memorando. Pois é, de umas coisas eles foram fazendo memória e esqueceram-se que o monstro do estado e o Rendimento Social de Inserção estava em todas estas coisitas.

Recordo-me dos argumentos que utilizavam para que não se mexesse demasiado nestes pormenores, isto é, diziam que isto envolvia sindicatos bancários internacionais e que colocaria a imagem do país pela hora da morte e blá blá blá.
Depois disto começaram todos a inventar o papão que os bancos portugueses é que detinham a dívida soberana e que as mulheres a dias - coitadinhas -, mais os engraxadores - pobrezinhos -, mais os limpa-vidros e rebéubéubéu pardais ao ninho ficariam prejudicados quando é sabido que isto não passa de uma estorieta para levar as crianças a papar a sopa que pretendem dar.
A pergunta que deixo agora é esta: A quem devem os bancos portugueses para a compra da dívida soberana? A quem devem os bancos portugueses para a participação nas PPP´s? e por aí fora.

No meio de toda esta conversa eles esqueceram o segunte: A responsabilidade de cada um implica duas coisas: querer ou desejar saber e ousar dizer.
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De Passo Trocado a 09.05.2014 às 09:52

Não sou fã de JCN. No entanto, se bem alcanço - fora do contexto - o sentido da frase dele, provavelmente quereria dizer que faz falta uma troika (ou seja o que for) que obrigue a não se gastar à doida e a serem feitas reformas que tardam. E, a avaliar pelo que já por aí vai em termos de eleitoralismo, nesse ponto JCN teria alguma razão, digo eu.
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De am a 09.05.2014 às 12:24

O Amigo João
Tem razão.

Fizéssemos o novo aeroporto, continuássemos como o mesmo ritmo impressionante de autoestradas, marmorizar com "carrera" as escolas públicas, tivéssemos TGVjado, aumentado as pensões, os vencimentos dos funcionários e não teríamos pedido a vinda da troika...
A Troika é que tinha pedido para cá vir aprender como se trabalha!!!

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De João a 09.05.2014 às 13:47

Caro am, a Irlanda também está com o memorando e lá não sei porquê, o salário mínimo é 1500€ e a Troika não o pôs ao nível do nosso. A Troika, não ensinou nada, eles apenas se limitaram a dizer corta aqui, corta acolá. Como técnicos são medíocre e não merecem o que ganham. A Troika de que tanto gosta também disse para cortarem nas gorduras e o nosso governo, fez ouvidos moucos e continuou a cortar nos salários dos mesmos de sempre e a aumentar impostos e a despedir. Meu caro, pode dizer o que quiser, mas enquanto continuarem neste sistema, jamais a dívida diminuirá e a economia não avançará. A economia não avança,
sem dinheiro e com políticas de corte e carregada de impostos.
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De Adiante a 09.05.2014 às 15:44

Vamos embora do euro e voltamos ao Escudo. Pomos o Estado a fazer funcionar a economia, com nacionalizações, obras públicas, aumentos de ordenados e pensões e assim por diante. Dinheiro? Mandamos fazer, não tem problema.
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De pseudo-profeta a 09.05.2014 às 21:16

Citemos a profecia (aliás, palpite - pelo que teremos então um "palpiteiro da nossa terra") completa, porque de meias profecias está o inferno cheio e ninguém é profeta na sua terra.
«Portugal vai precisar de algum desses mecanismos que mencionou para aliviar o peso da dívida?
Neste momento, ninguém pode dizer isso. Posso dar um palpite mas é importante dizer que palpite é palpite. Provavelmente, não vamos conseguir sair deste primeiro programa em 2014. De facto, as coisas correram mal, algumas coisas correram bem, mas outras bastante mal. E estamos a poucos meses do fim do prazo, pelo que o mais provável é que precisemos de outro resgate.»

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