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Profetas da nossa terra (13)

por Pedro Correia, em 05.05.14

«Vai haver uma coisa chamada plano cautelar. (...) Se se trata de entender o regresso aos mercados como um regresso isolado de Portugal sem ajuda de ninguém, isso não é possível.»

João Cravinho, 16 de Novembro de 2013


52 comentários

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De jo a 05.05.2014 às 19:27

A saída é limpa mas o país fica sobre monitorização dos credores pelo menos até 2016.
Ou seja, somos livres de fazer o que o patrão manda.
Curiosa a definição de soberania de certas pessoas.
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De Pedro Correia a 05.05.2014 às 21:49

Soberania implica, entre outras coisas, não depender de credores externos. Sobretudo de credores que, por urgente necessidade de tesouraria da nossa parte, nos emprestam uma quantia equivalente a 50% do nosso PIB.
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De jo a 05.05.2014 às 22:46

Emprestaram, não deram. Cobram juros bem altos.
A ideia de que quem empresta dinheiro faz um favor é cómica.
Isto é um negócio senhores. E enquanto do nosso lado quem nos representa trabalhar para os credores estamos lixados.
Como se sentiria se na sua empresa o diretor financeiro que estivesse a negociar o pagamento de empréstimo com um banco fosse trabalhar para esse banco?
E se descobrisse que as cláusulas do empréstimo eram tão secretas que nem o credor tinha direito a conhecê-las (só tem a obrigação de pagar)?
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De Pedro Correia a 05.05.2014 às 23:12

Quem pede emprestado tem de pagar: sempre ouvi os mais antigos, da geração dos meus avós, dizerem isto. Eis a chamada realidade incontornável.
A dívida é o grande problema português da actualidade. Porque nenhuma política de expansão económica é possível sem este problema estar solucionado a montante. Governe quem governar. Pagar a dívida e conter o défice são objectivos prioritários. Não em prol deste ou daquele governo, mas em prol do bom nome de Portugal.
Já que gosta de fazer perguntas, eu também estou nessa. Aqui vai uma. Você se emprestar dinheiro a alguém pede alguma garantia de pagamento ou diz, pelo contrário, "se não te apetecer não pagues porque de onde esse veio ainda pode vir muito mais"?
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De jo a 06.05.2014 às 01:00

Nem todas as garantias são aceitáveis. Se o seu banco lhe exigisse que trabalhasse como escravo, ou vendesse um filho, para pagar empréstimo da casa essa garantia não seria aceitável.
Compreendo as razões que a "troika" invoca. Não compreendo é como num processo negocial quem me deve defender trabalhe para e defenda o outro lado.
No nosso caso a garantia de pagamento é a colocação de funcionários do prestamista a trabalhar na tesouraria do credor.
Não é garantia, é subverter as regras do jogo.
Ninguém obrigou a pedir emprestado. E quem foi obrigado a emprestar? Os juros são altos para pagar o risco ou é usura junto a desesperados?
As garantias de um empréstimo negoceiam-se antes do empréstimo. Porque razão o memorando de entendimento é constantemente revisto?
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De l.rodrigues a 06.05.2014 às 10:25

Exigir garantias de pagamento não é exactamente o oposto de "Se não quiseres não pagues". O que está em causa, penso eu é a sensatez de o credor ditar quais os meios que o devedor deve usar para reunir os fundos necessários.
Imagine que um torneiro mecânico pede dinheiro emprestado, e o banco exige que ele se dedique à renda de bilros como condição e que, já agora, como tem 4 filhos, que se livre de dois, que isto de criar crianças exige dinheiro. É razoável? Não me parece.
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De lucklucky a 06.05.2014 às 08:41

Você acha que 3-4% são juros bem altos? Não tem - como habitualmente- a noção do que fala. São juros políticos.
Se não quiser juros políticos vai ao mercado livre, aquele onde a sua credibilidade é que conta vai ver quanto lhe pedem.
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De Diogo a 05.05.2014 às 20:46

«Profetas da nossa terra por Pedro Correia»


É extraordinário a dificuldade em ver o roubo imenso dos bancos sobre as populações do planeta com base numa «crise financeira» inventada por essas mesmo instituições financeiras…
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De Pedro Correia a 05.05.2014 às 21:43

Talvez fosse melhor o "segundo resgate" que quase todos garantiam há um ano ser inevitável. Ou talvez fosse melhor o "programa cautelar" que quase todos garantiam há meio ano ser inevitável.
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De Vento a 05.05.2014 às 21:46

Meu caro Pedro, a Europa só mudou de planos porque a Alemanha começou a levar na carcaça com a crise da Ucrânia. Não fosse este "pormenor" e o resgate teria acontecido e ido para a frente.
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De Pedro Correia a 05.05.2014 às 22:01

Caro Vento: o governo de coligação empossado em 17 de Dezembro em Berlim - um executivo CDU-CSU-SPD, que representa mais de dois terços dos eleitores - deixou bem claro, muito antes do actual conflito russo-ucraniano, que não haveria mais dinheiro dos contribuintes alemães para novos "resgates financeiros" dos países do Sul.
Como se costuma dizer em linguagem popular, o que não tem remédio remediado está.
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De Vento a 05.05.2014 às 22:04

Sim, mas o resgate pode vir em forma de perdão; não, Pedro? O que foi que aconteceu na Grécia?
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De Vento a 05.05.2014 às 22:06

Será que o Pedro pensa que isto que aconteceu a Portugal foi idêntico à Irlanda? A Irlanda saiu pelo seu pé, Portugal foi empurrado para esta saída suja, suja que é a política europeia.
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De Pedro Correia a 05.05.2014 às 22:22

Na Grécia pode vir um novo perdão parcial de dívida a caminho. Não deixa de ser irónico por configurar uma espécie de ínvia recompensa pelo facto de os gregos terem martelado contas públicas ao longo de sucessivos exercícios orçamentais...
Mas atenção: esse perdão parcial, que evitou a bancarrota em Atenas no final de 2011, dizia respeito a uma porção da dívida grega detida por entidas privadas. E atenção também: a Grécia foi sujeita a um segundo resgate. Precisamente aquilo que alguns teóricos consideravam inevitável, quase desejável, há menos de um ano em Portugal.
Não foi, como hoje todos sabemos. E ainda bem. Entretanto, ninguém quer ser grego: ou seja, ninguém quer tornar-se sinónimo mundial de insolvência. Nem os próprios gregos, tanto quanto presumo.
Mas estarei atento aos resultados das europeias no próximo dia 25 nos mais diversos países. Também na Grécia, naturalmente.
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De Vento a 05.05.2014 às 22:35

Os gregos martelaram, a banca americana convenceu-os a isso (Goldman Sachs) e os bancos franceses e alemães também se interessaram em dar umas marteladas.
O Pedro relativamente à Grécia não está bem informado. Qualquer perdão da dívida, que diz ser privada, estava caucionada pelo resgate garantido à banca quer europeia quer americana.
A questão do resgate a Portugal e de uma saída cautelar só se punha em termos das condições existentes. Ora é sabido que depois que a Rússia avançou na Crimeia os juros caíram a pique (eu avisei-o por antecipação desta ocorrência), consequentemente, a entrada directa nos mercados tornou-se acessível a Portugal e desejável para seus credores.

A questão das europeias não legitimará absolutamente ninguém em termos de boa execução política, porque todos eles foram uma nódoa. Não fosse os factores relevantes que lhe dou conta e a história seria diferente.
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De Pedro Correia a 05.05.2014 às 22:57

Eleições não legitimam ninguém? Então na sua perspectiva o que constitui fonte de legítima autoridade democrática? Agora fiquei curioso.
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De Vento a 05.05.2014 às 23:09

O Pedro está fazer-se de desentendido. O que pretendo dizer é algo assim: Passos não foi legitimado por seu alto saber económico e político, mas por uma raiva contida em cada eleitor contra Sócrates.
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De Pedro Correia a 06.05.2014 às 12:31

Isso foi, em síntese, o que sucedeu em Junho de 2011. Vale a pena tomar em atenção o mapa eleitoral europeu que sairá desde 25 de Maio. Em muitos países - incluindo Portugal - funcionará como antecâmara das legislativas.
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De Vento a 06.05.2014 às 13:56

Todas as eleições em Portugal têm sido antecâmaras das legislativas.
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De Pedro Correia a 06.05.2014 às 23:43

As anteriores, realizadas três meses antes das legislativas, deram um sinal claro de esgotamento do ciclo político então vigente. Sócrates voltou a vencê-las, mas foi uma vitória de Pirro: sem maioria absoluta, sem capacidade de gerar consensos à esquerda e à direita, seguiram-se 18 meses de confrangedora rota descendente.
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De Vento a 07.05.2014 às 01:40

Completamente de acordo. E Sócrates foi o exemplo fresco do que não devia ter sido feito. Não obstante, o desgoverno pretendeu revelar que era mais capaz em fazer pior que seu antecessor.
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De Pedro Correia a 07.05.2014 às 12:14

Encerrado agora o ciclo de emergência, no final da legislatura será tempo de balanço. Como aconteceu em 2009. E em 2011.
Falta um ano. Ou pouco mais que isso.
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De Vento a 07.05.2014 às 14:32

Sim. Mas existe um outro vector que o Pedro deve começar a incluir nas suas perspectivas sobre este e outros temas. O vector reside no facto que quer as questões políticas quer as questões económicos se baseiam mais no aspecto psico-emocional dos votantes que propriamente no conhecimento que se tem sobre as situações.
Aqueles que não se deixam afectar por esta corrente, mas contribuindo pela sua acção para a manutenção das mesmas, chamam-se abstencionistas, o maior partido que eu conheço.
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De lucklucky a 06.05.2014 às 08:49

Como habitualmente era de esperar que a culpa fosse dos Bancos, os malvados que convencem os inocentes. Os puros gregos, portugueses foram levados a isso.
O Racismo subjacente a este tipo de pensamento fica mais uma vez bem claro.

A dissonância cognitiva também, pois a seguir a dizer que a culpa foi dos Bancos você diz que os Gregos e os Portugueses devem continuar a gastar mais do que produzem.

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De Pedro Correia a 05.05.2014 às 22:52

Perdão da dívida? Nem pensar. Já não falo da imagem externa do estado português: seríamos a partir daí os "caloteiros" da comunidade internacional, como avisou José Sócrates no célebre frente-a-frente com Louçã em Maio de 2011. Nem falo sequer da nossa incapacidade de, perante um quadro desses, nos financiarmos daí por diante, sacrificando as gerações futuras. O perdão, ainda que parcial, poria o nosso próprio sistema financeiro em xeque. Desde logo a Caixa Geral de Depósitos, detentora de cerca de 10 mil milhões de títulos da dívida pública portuguesa.
Não vejo nenhum político responsável - repito: nenhum - defender uma solução dessas.
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De Vento a 05.05.2014 às 23:03

Admira-me que o Pedro fundamente seus argumentos em pessoas medíocres que provaram que fizeram a política favorável para a capitalização da banca nacional através da compra de títulos ditos soberanos. Este foi o negócio que a política de Sócrates favoreceu e que posteriormente foi seguida. Não me admira portanto que o dinheiro confiado à CGD tenha servido também, repito também, para caucionar estas desgovernices.
A Grécia gozou de mais de um perdão e também vai aterrar nos mercados. Não tenha dúvidas.
E o perdão de uma dívida só reflecte a impossibilidade de satisfazer compromissos e não um calote. Calote é eu ter uma responsabilidade que entendo, mesmo tendo condições para cumprir, não executar.

Quanto a políticos responsáveis, depois do que tenho lido em seus posts, tenho a certeza que não encontrará um só.
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De Pedro Correia a 06.05.2014 às 12:28

A verdade, meu caro, é que não encontro um só político - responsável ou irresponsável - a defender semelhante tese. Talvez existam na Grécia, o que não me espanta. Mas aqui não vejo nem escuto nenhum, o que não admira. Não existe nada pior para a reputação de qualquer comunidade. Sobretudo uma comunidade que necessita sistematicamente de empréstimos externos por incapacidade de produzir riqueza suficiente para fazer face às necessidades.
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De Vento a 06.05.2014 às 13:24

Os políticos que não refere em tese não defendem nada para além deles. Em Portugal, se tivessem vergonha, saberiam que estão ao serviço de uma comunidade e não de lobbis.
E chegados a esta palavra comunidade saiba que a comunidade somos nós: sou eu, você e todos os demais. E a capacidade que temos de gerar riqueza está aí: pagamos o pão que o diabo amassou, suamos com o suor da escravidão e a riqueza esvaiu-se.
Significa isto que a riqueza gerada não só se escoa por túneis clientelistas como também não gera mais riqueza que permita sustentar défices que se causam por estas mesmas políticas. Os défices causados surgem precisamente nas políticas geradas para que outros enriqueçam. Se quiser um exemplo uso o da habitação onde se verificou uma política favorável ao não arrendamento para poder gerar juros bonificados, pagos pela nação, e outros negócios mais que todos conhecemos.
Aqui chegados, não querendo ir por mais exemplos, tenho a certeza que o Pedro continuará a não encontrar um só nome de político que possa nomear como exemplo de responsabilidade para afirmar o que quer que seja.
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De Pedro Correia a 06.05.2014 às 13:58

Não subscrevo o discurso que todos os políticos são incompetentes ou irresponsáveis. esse é o caldo de cultura de todos os extremismos que procuram incendiar a Europa nos dias que vão correndo.
Sim, temos capacidade de gerar riqueza. Sim, devemos diversificar e ampliar os circuitos económicos (temos hoje uma economia mais virada para a exportação e o caminho é esse mesmo). Sim, temos de saber adaptar-nos a um sistema económico tendencialmente globalizado onde as barreiras tradicionais (proteccionismo, pautas aduaneiras) se vão esbatendo e os capitais circulam de continente para continente com uma rapidez inimaginável há duas décadas.
E não: não devemos gastar por sistema mais do que a riqueza que somos capazes de gerar.
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De Vento a 06.05.2014 às 14:10

Os competentes que existem certamente estiveram ao serviço de incompetentes, melhor, sob a alçada de incompetentes. Quando falamos de políticos referimo-nos a políticas que conduziram a um vexame nacional. Quando Soares aborda a questão de não existirem direitos humanos respeitados hoje em Portugal, eu respondi que os guardas prisionais de Guantanamo certamente não se queixariam de falta de direitos humanos. Pretendo com isto dizer que perante igual ambiente uns sofrem e outros não, e se me disser que o facto de outros não sofrerem confirma que os direitos humanos estão aí para todos, eu responder-lhe-ei que isso é uma barbaridade. É o que acontece em Portugal no que respeita a direitos humanos. Este governo tem sido de barbaros por não saber impôr-se a políticas criminosas. Assim, o problema já não reside nos sacrifícios mas nos sacrificados. Estes tipos perseguiram tudo e todos que se encontravam em estado de fraqueza para poder justificar uma criminosa, repito criminosa, política de contenção. Até usaram a pobreza para subsidiar IPSS´s e outros mais e não os que precisavam da bufumfa nas mãos.

Quanto ao demais que produziu, verifico que, quando com boa vontade, a conversar entendemo-nos.
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De Pedro Correia a 06.05.2014 às 23:40

Sim, da discussão nasce a luz. Eu por acaso sou daqueles que acreditam sinceramente nisso.
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De Vento a 05.05.2014 às 21:28

João Cravinho ainda não entendeu que a dívida já está reestruturada. Vamos pagar os juros até liquidarmos o valor em igual montante da dívida (este, o valor da dívida, está aí para garantir as rendas) e mais uns pózitos, e o resto será cantiga.

Meus senhores, o pior que pode acontecer é uma guerra. Vivam tranquilamente sem pensar em pagar a dívida. Contentem-se em pagar os juros para mostrar que somos cumpridores. E quando chegar 2015 e a massa fizer falta para pagar o dito empréstimo subtraiam ao montante já acordado o valor correspondente à dívida + 1/4 e entreguem-lhes o resto como pagamento de juros que a malta fica satisfeita.
O que importa agora é viver em paz, mas não se esqueçam de deixar o bife de lado porque isto gera muita polémica.
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De Pedro Correia a 05.05.2014 às 22:04

Correcto. Aliás é da natureza das dívidas poderem ser reestruturadas a qualquer momento. Menos usual é que essa reestruturação resulte de sonoros ultimatos dos devedores aos credores.
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De Vento a 05.05.2014 às 22:08

os sonoros ultimatos dos devedores aos credores foi o que fez o Brasil e outros países da América Latina. E o regabofe acabou. Recorda-se?
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De Pedro Correia a 05.05.2014 às 22:28

O Brasil, que eu saiba, não é membro da União Europeia. E é a sétima economia mundial.
Também podemos falar da China. E dos Estados Unidos. Mas aí a conversa já está tão deslocada do ponto de partida que não conduz a lugar nenhum.
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De Vento a 05.05.2014 às 22:44

para si só é legítimo negar o pagamento por se ser uma economia grande? Não desviamos nada o assunto. Falamos de políticas de agiotagem e de outras relativas à má imposição de linhas económicas a seguir, que quer o Brasil quer a Argentina quer a Venezuela quer outros países latino-americanos pura e simplesmente disseram basta!
Ou a experiência dos outros sujeitos às mesmas pressões pelos mesmos mecanismos económicos não é de ter em conta?
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De Pedro Correia a 06.05.2014 às 12:14

Só fica sujeito à "agiotagem" quem deixa crescer o défice a níveis insustentáveis, gastando durante sucessivos exercícios orçamentais muito mais do que o rendimento disponível.
Só se expõe aos nefastos efeitos da "agiotagem" quem acumula cada vez mais dívida, somando-a à dívida já existente, numa clara demonstração de irresponsabilidade governativa.
Acho um pouco insólito estes aspectos estarem sistematicamente da sua exposição de motivos, caro Vento. Como se os 78 mil milhões de euros que tivemos necessidade de pedir emprestados resultassem de um capricho momentâneo de alguém que acordou mal disposto naquele dia.
Menciona o caso da Venezuela. Considera sinceramente que devemos seguir esse exemplo? Olhe que não, olhe que não... Um país que tem riquezas naturais suficientes para ser milionário, que dispõe das maiores reservas certificadas de petróleo do planeta e que só para os EUA exporta 850 mil barris por dia, não propicia condições de vida minimamente à sua própria população.
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De Vento a 06.05.2014 às 13:40

Sobre a (i)responsabilidade já respondi acima, falta publicar. Essa dívida que dá conta é a mesma que o Pedro defende não poder ser tocada quer a nível de perdão quer a outro nível qualquer, porque saíu de bancos públicos e privados pretende-se levar a acreditar que é o dinheiro de todos que está em causa. E eu já tive oportunidade de lhe referir os números dos depósitos bancários em Portugal e o valor dos mesmos.
A política de terror é precisamente aaquela que se usa quando falta o argumento e a sabedoria.
Não são 78 mil milhões os nossos encargos, são mais 90 mil milhões se adicionar os juros. Se fizer bem as contas pagaremos mais do dobro do empréstimo. E se ninguém é capaz de ver imoralidade exercida sobre um povo que não gozou o dinheiro que se escoou ou é irresponsável ou é criminoso.
Por isto mesmo não me coloque a questão da Venezuela, porque o que lá ocorreu e ocorre, refiro-me aos excessos, foi fruto destas mesmas políticas que nós hoje somos submetidos em Portugal e na Europa. São extremismos gerados por outros extremismos.
A Total Francesa extrai 600 mil barris diários em Angola: e? As irmãs extraem pelo Iraque, Líbia e outros mais milhões de barris diários: e? Que é feito das boas condições da população?
O Pedro vê certas coisas pelo seu olho cego, mas não fala daquilo que o outro olho vê.
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De Pedro Correia a 06.05.2014 às 13:52

Resumindo e abreviando, com o meu "olho cego": são todos responsáveis, menos quem contraiu a dívida a juros proibitivos; são todos responsáveis, menos quem foi acumulando défice em função dessa dívida; são todos responsáveis, menos quem multiplicou a despesa pública, imaginando-a "motor do crescimento" rumo a novos patamares de prosperidade.
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De Vento a 06.05.2014 às 14:20

Pedro, dito da maneira que diz verifico que foi a única maneira que encontrou para se confortar e não para contestar as afirmações. O olho cego é aquele que sempre se usa num sentido e que não colabora com o outro.
Já disse e volto a repetir: a despesa que aí está serviu a todos os da União, e até mesmo as estradas serviram para trazer as mercadorias mais rápidas a Portugal do que levar as que se podiam ter produzido em Portugal para fora deste.
Se estiveram juntos na bonança estejam também na secura. Mas não, o que é secura para nós é fonte de água também para os seus sistemas sociais e finaneiros. E os argumentos utilizados para justificar a mentira foi o que este desgoverno usou em abundância, e muitos o têm seguido. É contra a mentira que me oponho.
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De Pedro Correia a 06.05.2014 às 23:38

O princípio básico é que o Estado português não deve gastar mais do que a riqueza que produz. Essa deve ser uma das pedras angulares da boa gestão pública. Durante anos a fio procedeu-se exactamente ao contrário. Na expectativa de que os contribuintes alemães, finlandeses, holandeses, austríacos, etc, etc, pagassem a factura remanescente.
Quando a torneira secou e caímos na real, como dizem os nossos primos brasileiros, muitas bocas da confraria dos comentadores políticos se escancararam de genuíno espanto. Porque jamais tinham pensado alguma vez que o Estado português fosse confrontado com tão brutal défice das contas públicas, digno de fazer soar todas as campainhas de alarme.
Esta é a raiz da questão. Pode-se falar sobre trinta mil outros assuntos, mas a essência do problema reduz-se a isto. Quanto ao "desgoverno", acabo de consultar o relatório da OCDE que revê em alta as anteriores previsões para o nosso crescimento económico, quase duplicando as estimativas do anterior semestre.
Há um ano, toda a gente falava em "espiral recessiva". Há oito meses, toda a gente falava em "segundo resgate". Há cinco meses, toda a gente falava em "programa cautelar". Três expressões que desapareceram subitamente do léxico corrente português. Apesar do "desgoverno".
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De Vento a 07.05.2014 às 01:28

Pedro, mas esse princípio não foi cumprido pela maioria dos países europeus. A política europeia também, repito, também lhe interessava os défices para originar riqueza noutros pontos. O que ocorreu nestes ditos resgates, e é sobre isto que comentamos, agravou toda e qualquer situação. É de natureza económica básica o principio de que depois de uma violenta contacção existe algum crescimento (estou à vontade para falar sobre isto porque há mais de um ano, como anónimo, referi isto mesmo num post de Luís menezes, e repeti-o várias vezes), mas este crescimento em Portugal derivou de uma circunstância fortuita, o TC e não os agentes económicos. E este crescimento é o reflexo da miséria gerada, e é sobre esta miséria que deve ser canalizada a atenção necessária.
O défice das contas portuguesas tem vindo a ser mascarado por sucessivos governos, e iniciou-se no período cavaquista (o pai do monstro, recorda-se?), com Durão Barroso a dizer que Portugal estava de tanga e correu para Bruxelas a esconder suas partes pudendas.
Quanto ao segundo resgate, essa possibilidade, no tempo a que se refere, tendo em conta o estado lastimoso da economia, que se mantém, assim como o agravamento da despesa e da dívida, era um cenário plausível. Só não é agora não por méritos de quem quer que seja mas por circunstãncias várias, que já referi, mas onde se inclui também a submissão germânica à política do BCE que ela sempre tentou contrariar. Isto fez cair também os juros e os ataques especulativos, mas não evitou de todo a delapidação de parte do tecido económico europeu.
Em resumo, Portugal está na mesma. O desgoverno não fez nada mais nada menos que fez Sócrates no início de seu mandato, isto é, baixar o défice de forma negociada. Tudo o resto correu mal para nós, por causa do desgoverno.
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De Pedro Correia a 07.05.2014 às 12:11

Meu caro, lamento mas não consigo acompanhá-lo nessa dicotomia: quando algo melhora, é fruto de "circunstâncias fortuitas"; quando não melhora, a culpa é do "desgoverno".

Por outro lado, e por mais que me esforce, não consigo entender a sua tese de que o motor da recuperação económica portuguesa - já sublinhada por todos os observadores internacionais, da Comissão Europeia à OCDE, para não citar o 'Financial Times' - é o Tribunal Constitucional.
Se tal tese fosse válida, o melhor seria passarmos a eleger os senhores juízes conselheiros para gerirem os destinos do País. Sem nunca perdermos a fé na Divina Providência, não vá chover.
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De Vento a 07.05.2014 às 14:18

Essa da OCDE e do Financial Times serve para dizer que não percebemos nada do assunto.
A questão fortuita prende-se também com o que já vinha a avisar há pelo menos 3 anos. Se se der ao trabalho de verificar alguns dos meus comentários chegará à conclusão que enquanto a OCDE, o Financial Times, a senhora Merkel e os economeses erravam tudo caminhava para concretizar o que vos referia. Eis aconclusão do que eu dizia:
http://economico.sapo.pt/noticias/encomendas-da-industria-alema-caem-inesperadamente_192694.html

Aqui chegados, Pedro, eu gostaria que a nossa conversa entrasse agora em exemplos. Exaustivamente tenho vindo a apontar factos e argumentos. Se o Pedro tiver exemplos que sustentem suas teses e as do governo creio que vai sendo altura de começarmos a conversar sobre isso.
Aceita?

Como nota, o problema em Portugal e nas organizações supranacionais reside no facto de se pensar que os economistas é que entendem destas coisitas. Mas é falso, quem entende destas coisitas são alguns dos agentes económicos, e sem soberba, mas com carácter pedagógico, tenho vindo a desmontar teses que gostaria que qualquer desses economistas que refiro e também alguns ditos agentes económicos pudessem contrariar.
A situação política e económica que vivemos não aceita que esses mesmos agentes políticos e económicos que criam a miséria em Portugal e na Europa possam encontrar-se nessa mesma situação. Neste sentido, serão eles que continuarão no futuro a incentivar o crescimento das dívidas e dos défices (Peço-lhe que guarde esta última afirmação para que logo que os sinais surjam se recorde de mim).
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De Carlos Faria a 05.05.2014 às 21:39

O Pedro não está é a ver o tempo de aplicação desta profecia ainda não chegou a hora dela se cumprir: Passos disse sensivelmente ontem que Portugal tinha assegurado os compromissos financeiros do Estado por cerca de um ano... imagine quem vai necessitar de ajuda cautelar se chegar ao Governo depois de prometer aumentar as despesas para sustentar o crescimento :-)
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De Pedro Correia a 05.05.2014 às 21:52

Já imagino, Carlos. Será talvez quem garantia há um ano que haveria "segundo resgate" e há meio ano assegurava que teríamos um "programa cautelar".
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De Carlos Faria a 05.05.2014 às 21:59

Eu sabia que ia entender!
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De Pedro Correia a 05.05.2014 às 22:58

A bon entendeur...
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De Laura Ramos a 06.05.2014 às 01:29

Este homem tem geralmente razão....
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De Pedro Correia a 06.05.2014 às 12:04

Neste caso pelos vistos não teve, Laura.
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De Pedro Correia a 06.05.2014 às 23:28

Esta fica arquivada. Como os velhos rolos da saudosa Kodak. Para mais tarde recordar.

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