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Primeiras impressões

por Sérgio de Almeida Correia, em 22.04.15

1. Não vejo qual seja o problema de o estudo ter sido coordenado por um economista que um desses avençados já “rotulou” de "liberal". Se fosse socialista era porque era socialista, como é “liberal” e com formação numa prestigiada universidade norte-americana também não serve. Parece-me que o fundamental é que o trabalho, esse ou qualquer outro, seja feito por gente capaz, conhecedora e competente, se possível recorrendo a um leque alargado de pessoas com diferentes visões e experiências de vida. Só assim se poderá encontrar uma solução que sirva aos portugueses e os retire da situação humilhante em que os governos de Sócrates e de Passos Coelho os colocaram.

2. As ideias pareceram-me interessantes e em linha com aquilo que penso em termos globais. Se os números batem certo ou se são atingíveis é outra questão. Como não sou um especialista na matéria, tal como a maioria dos portugueses, deixo isso a quem sabe e confio na seriedade das apreciações que aqueles que me merecem confiança e se dedicam a estudar as questões irão fazendo.

3. Seriedade é coisa que não existe em gente que ainda antes do final da apresentação do relatório, sem o ter lido, já o comentava e desvalorizava as propostas efectuadas. A falta de seriedade de alguns políticos é mais grave do que a sua cegueira ideológica. Como hoje o Público escreve, “[o] deputado Matos Correia não esperou para ler o documento para afirmar que, “se o caminho miraculoso que o PS descobriu tivesse pés para andar, não havia nos países da Europa comunitária a tendência que tem vindo a ser seguida do ponto de vista da consolidação orçamental e da sustentabilidade”.


4. Depois, vir afirmar a fraca qualidade das propostas com base em argumentos como aquele que já vi referido de que se António Costa não sabe tratar das contas do partido e o PS vai pedir um empréstimo à banca para resolver a sua situação interna é porque também não saberá tratar do país, é esquecer que em Novembro de 2014 já o Observador escrevia que ele iria herdar do antecessor mais de 10 milhões de dívida, e que o próprio PSD, até há bem pouco tempo, antes de começar a capitalizar com a ida para o Governo, era o partido mais endividado do país. Com este nível de argumentação, típica de quem cospe para o ar, e susceptível de ser acolhido e aplaudido pelos comentadores blogosféricos de algumas remotas freguesias do interior, bem podem limpar as mãos à parede.

5. Ficarei à espera dos comentários dos entendidos e de todos aqueles que não sendo especialistas leram o documento antes de falar para poderem formar uma opinião esclarecida. Eu também tenho de ser convencido da bondade e exequibilidade das propostas.

6. Aquilo que vivamente aconselho, permitam-me a sugestão, é que alguém que soubesse português, antes de divulgarem e colocarem para consumo no espaço público relatórios deste tipo, procedesse à revisão do texto. Já bastava terem-no escrito em “acordês”. Que tenham pedido a colaboração de um deputado jotinha, presumo, para separar os parágrafos e colocar a pontuação, é que era de todo despiciendo. Seria uma lástima que o Programa de Governo do PS saísse assim, permitindo às pessoas pensar que teria tido a colaboração de um conhecido deputado do PSD que escreve para o Expresso. Ou que pudesse vir a ser criticado por alguém, em razão desse facto, independentemente da justeza das medidas.

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20 comentários

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De Rapoula a 22.04.2015 às 09:31

Como sabemos, o felizmente que o programa do PS será coordenado por António Vitorino, um facilitador de negócios.
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De Vortex a 22.04.2015 às 09:51

não é necessário ver a merda
basta cheirar
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De M. S. a 22.04.2015 às 14:29

Vortex:
Mas há uma m... que cheira mal à distância, o dos inimigos, e outra m... que cheira a rosas mesmo ao pé do nariz, a dos amigos.
É este clubismo fanático e acrítico que o Sérgio critica no post, muito mais do que a bondade ou falta dela do Cenário Macroeconómico apresentado.
Que ainda não é o Programa de Governo.
Que pode ou não contemplar estas medidas sugeridas.
Mas há muita gente que ainda se não deu conta disso no seu afã de disparar antes de a peça de caça levantar voo.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 22.04.2015 às 10:20

Se a sua referência para comentar as propostas do PS é o Pedro Santos Guerreiro, estamos conversados. PSG defendeu as politicas do PS no passado e defende as politicas actualmente propostas pelo PS, que são básicamente iguais às do passado e em alguns casos piores: um ataque sem precedentes desde o PREC ao empreendedorismo e às empresas que criam emprego e riqueza, e aplicar a receita da bancarrota, ou seja pôr o estado a gastar o que não tem, e fomentar o consumo publico e privado sustentado em divida.
Já vimos este filme e a irresponsabilidade dos socialistas não tem limites. Mas António Costa que não tem nada de estupido e é manhoso, já percebeu que esta é a receita para o desastre, e veio logo dizer na apresentação do documento que não acreditava nele usando o eufemismo da Biblia.
Não acredita António Costa, nem acredita o economista "com formação numa prestigiada universidade norte-americana", que se apressou logo a dizer que aquilo só funciona se for globalmente aplicado. Como qualquer estudo económico depende de muitas variáveis que ninguém controla, se se ouvirem por aí uns espirros, vai tudo por água abaixo.
Também é evidente no estudo o espirito "PPP": gaste agora que alguém há-de pagar no futuro. Mais uma vez os socialistas não hesitam em hipotecar o futuro de várias gerações para ficarem agora bem na fotografia.
Apenas mais uma nota: existem em portugal previsões macro-económicas de várias entidades, incluindo do governo, mas os autores do estudo preferiram tomar como base as previsões de Bruxelas; podiam ter utilizado as do governo, p. ex. que desde 2013 têm sido mais realistas do que da UE. Mas para os objectivos politicos que se pretendem atingir estas dão muito mais jeito.
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De M. S. a 22.04.2015 às 14:55

Ao senhor Alexandre Carvalho da Silveira (e aos restantes aparatchiks laranja, azuis e de todas as cores imaginadas da intolerância político-ideológica e do debate impossível com esta gentalha):
Quem não tem formação económica muito dificilmente consegue apreciar/avaliar devidamente o documento, que não passa do cenário macroeconómico e das linhas enquadradoras do futuro programa de governo.
Isto não é ainda o programa do futuro governo PS.
Pelo que, por mim, prefiro tirar as minhas conclusões informando-me a partir de reflexões fundamentadas de pessoas conhecedoras da matéria, e que se não regem por interesses político-partidários nem por convicções ideológicas fanáticas: apenas por convicções pessoais, legítimas, que cada um de nós tem, mas que não devem impedir a civilidade e a seriedade da discussão.
Outros, os apparatchiks, mesmo antes de terem lido o documento, já tinham opinião formada.
Outros ainda, já sabem o que acontecerá no futuro: quais Oráculos de Delfos.
São os tais para quem a m... dos inimigos cheira mal à distância mas a m… dos seus cheira a rosas mesmo que esteja à beira do nariz.
Coitados.
Na linha do que comecei por dizer, aconselho estes comentadores instantâneos a leitura destas três apreciações críticas fundamentadas do referido documento ontem nado:
Ricardo Paes Mamede «O irrealismo dos cenários macroeconómicos do Governo e do PS», no blog Ladrões de Bicicletas:
Luís Salgado de Matos «Texto do PS: boa jogada política a curto prazo mas sem credibilidade económica», no blogue O Economista Português;
Sérgio Aníbal e Rui Peres Jorge «PS prescinde de quase 1% do PIB no Orçamento e diz que baixa défice, no blogue Economia Info».
Fazem três análises sérias do Cenário Macroeconómico apresentado, muito bem fundamentadas, tanto na realidade como nos números e, ao mesmo tempo, muito claras.
Mas isto é areia demasiada para a camioneta destes fundamentalistas ideológicos, destes fanáticos político-partidários: destes veros aparatchiks.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 22.04.2015 às 16:24

M.S., esses todos que cita são os que o Pedro Correia fala neste post

http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/falharam-7244395

que andam há anos a massacrar-nos nos media com as tretas do costume.
Este "estudo" pode não ser o programa de um cada vez mais improvável governo do partido socialista, mas é suposto ser sobre ele que o programa vai ser feito. Senão para que é que serve?
É claro que os Galambas, Pais Mamedes e quejandos têm que defender este estudo com unhas e dentes, porque ele espelha (em parte, depois do fracasso do Syrisa eles não ousaram pôr lá determinadas coisas que andaram anos a defender,) as "alternativas" que resolveriam os problemas do país.
7% de desemprego em 2019? sejam sérios! e você vá chamar aparatchik ao seu paizinho!
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De M. S. a 22.04.2015 às 20:22

Senhor ACS:
Esta parte do seu comentário é a prova provada de que o senhor fala sem ler nada, debita a cassete típica dos apparatchiks: «É claro que os Galambas, Pais Mamedes e quejandos têm que defender este estudo com unhas e dentes».
Leia o artigo do Ricardo Paes Mamede antes de dizer asneiras e fazer as figuras tristes que faz: onde é que o R. P. Mamede defende o estudo? Critica-o fortemente (tal como os outros 2 artigos que eu referi, do blog Economia Info e do Luís Salgado de Matos)
Quanto ao reparo que me faz, a criticar-me por andar a copiar o que os posteiros já puseram, eu pus os 3 links às 14:55, ainda antes de o Pedro Correia ter posto o seu post. E já de manhã os tinha posto no blog Duas ou Três Coisas. Portanto, nem o Pedro Correia está sujeito à minha agenda nem eu à dele nem combinamos nada um com o outro, nem sequer nos conhecemos: embora eu tenha grande consideração intelectual por ele, já lho escrevi aqui no DdO.
Veja se lê as coisas ante de cumprir a sua missão que lhe encomendaram. Eu sei que é difícil marcar ponto em tantos foruns para defender a sua dama.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 24.04.2015 às 03:24

M.S. não percebeu porque é que eu citei o post do Pedro Correia e mistura alhos com bugalhos. Eu podia fazer um desenho, mas não tenho pachorra.
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De sampy a 22.04.2015 às 10:28

O autor do post confessa-se: comunga das ideias, mesmo não sabendo se são exequíveis.
E ainda fala de seriedade...
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De Nem mais... a 22.04.2015 às 11:43

O autor do post confunde o DdO com o órgão oficial do PS. Já estamos fartos de saber.
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De M. S. a 22.04.2015 às 16:13

E o De Nem mais confunde o DdO com o Povo Livre, não é?
Ou será com o CM?
Ou com o Sol?
Ou com o Jornal da Madeira?
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De Teresa Ribeiro a 22.04.2015 às 11:16

Sempre houve economistas de reputação internacional a defender que há outro caminho. Não sou especialista na matéria, por isso também como tu aguardo, à espera de ser convencida. Para já é inegável que esta proposta nos vai libertar, como PSG frisou no texto que linkaste, de uma campanha baseada em casos e casinhos e isso, para começo de conversa, já é excelente.
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De Rui Miguel Galrinho a 22.04.2015 às 12:23

Concordo com o Sérgio. Pouca seriedade daqueles que, não tendo lido o documento, não concordam com ele. Os sérios e honestos são os outros, aqueles que, não tendo lido o documento, concordam com ele.
E depois, ainda há os outros. Aqueles que sabem umas coisas sobre o documento - ou leram o documento ou leram acerca dele, sobretudo opiniões daqueles com as quais concordam à partida - e acham as ideias porreiras. Mas como gente que não abdica da honestidade intelectual, as contas baterem certo, não baterem certo, ou nem sequer baterem, isso não interessa nada. As propostas são boas e pronto. O terem viabilidade ou não, é acessório. Até parece que se trata de uma espécie de programa eleitoral para eleições legislativas donde irá sair o Executivo.

Por fim, também concordo com o Sérgio na falta de seriedade daqueles que criticam as propostas só por causa das contas do partido. Ainda podiam duvidar do partido que apenas há quatro anos trouxe a troika, com a maior parte das mesmas caras a aparecer na fotografia . Mas não. Ao invés, devemos acreditar nas propostas de alguém - como o próprio não se cansa de dizer - que até reduziu o passivo da autarquia. Nunca explica como nem ninguém lhe pergunta. Mas como é habitual, isso não interessa nada.
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De José António Abreu a 22.04.2015 às 18:21

"também concordo com o Sérgio na falta de seriedade daqueles que criticam as propostas só por causa das contas do partido"

Como um advérbio tão pequenino consegue distorcer tanto...
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De Anónimo a 22.04.2015 às 12:34

Para jà o estudo "encomendado" tem uma conclusão!...
O Antonio Costa tem andado errado no que diz relativamente aos actuais indices economicos do Pais, quer dizer, Portugal està mesmo melhor e em ascenção macro economica !!
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De Vento a 22.04.2015 às 12:50

Estava a fazer um comentário e terei tocado numa tecla que provavelmente o enviou sem o concluir e corrigir.
Ficarei a aguardar para ver se efectivamente ele foi enviado e assim poder acrescentar algo.

Todavia, de uma forma breve sobre a TSU, ainda que reconheça as virtudes subjacentes à medida, tendo em conta um salário MÉDIO de 984,00 e o aumento do número de trabalhadores a auferir o salário mínimo (http://www.jornaldenegocios.pt/economia/conjuntura/detalhe/bruxelas_trabalhadores_que_ganham_salario_minimo_mais_do_que_duplicam_entre_2005_e_2014_em_portugal.html) não vejo que no imediato, tendo em conta os escalões de desconto no tempo - 3 anos -, PER SI, possa trazer um grande estímulo ao consumo. É necessário ligar este estímulo a outros para achar o valor real liberto no bolso de cada cidadão e assim poder aferir-se os impactos no consumo e também na receita.
Caso não produza tais impactos é melhor deixar cair a proposta. Tenhamos consciência que tudo está em fase de estudo.

Nota: 1,5% de desconto no primeiro ano representa sobre o salário MÉDIO 14,76 x12 meses = 177,12 euro. Por isto não creio que a medida tenha um grande impacto neste primeiro ano tendo em conta os níveis de remuneração salarial individual.
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De prof a 22.04.2015 às 13:37

Diz-se "o problema de o estudo" não "o problema do estudo".
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De Sérgio de Almeida Correia a 22.04.2015 às 17:00

Sim, tem razão. A contracção da preposição não deveria ter ocorrido (e a seguir vem uma vogal), embora haja quem considere que dessa forma se melhora a musicalidade e sonoridade da língua.

É um erro comum que deve ser combatido, por isso lhe agradeço o reparo.
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De V. a 23.04.2015 às 18:58

Quem tal defende não entende que a cacofonia é uma superstição visual, como dizia Jorge Luís Borges. Cumprimentos.
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De amendes a 22.04.2015 às 14:20

Anda tudo louco....


" O sindicato dos pilotos admite processar a TAP por gestão ruinosa.!!!!!!!!

Que diz o comandante Costa?


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