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Primárias americanas

por Luís Naves, em 31.01.16

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Começa amanhã no irrelevante estado do Iowa o ciclo frenético das primárias americanas, cujo momento decisivo (pelo menos no caso dos democratas) deverá ocorrer no início de Março, na chamada super-terça-feira. No Verão, haverá convenções partidárias e a votação presidencial realiza-se em Novembro.

As sondagens indicam que, do lado republicano, o milionário Donald Trump tem vantagem, só não se sabe quais serão os rivais capazes de aguentar até Abril ou de dar luta até à convenção (talvez Marco Rubio ou Ted Cruz). Do lado democrata, apesar da subida do esquerdista Bernie Sanders, a eleição parece ao alcance de Hillary Clinton. Mesmo que sofra contratempos no Iowa ou em New Hampshire, Hillary tem vantagem nos estados do Sul que votam na super-terça-feira e já garantiu a maioria dos delegados institucionais do partido.

As eleições americanas baseiam-se num mecanismo arcaico do século XIX que convive mal com a sociedade mediatizada do século XXI. Este paradoxo favorece um sistema oligárquico, dependente de quantidades impressionantes de dinheiro, e produz campanhas que afunilam os temas, discutidos com extrema demagogia. A política americana está a tornar-se mais populista e virada para dentro, incapaz de ter um olhar sobre o mundo. Os candidatos precisam de ter cuidado com temas tóxicos (imigração, armas, aborto) e nunca perdem tempo com assuntos complexos, que não interessem à televisão.

A América é um império relutante, que ao longo da sua História manteve políticas de isolamento, sobretudo após intervenções externas. Na pré-campanha, Trump já radicalizou o partido republicano, que parece aderir a um isolacionismo patológico. Do lado democrata, a favorita Hillary Clinton foi chefe da diplomacia americana, mas aí está também a sua vulnerabilidade. Com a política externa submetida a discussões de política interna, a América tenderá a desinteressar-se pelos conflitos mundiais, o que implicará eventual abandono de aliados, acções a meio-gás, paralisação institucional, hesitação ou até incapacidade de agir.


6 comentários

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De lucklucky a 31.01.2016 às 19:02

Será possível lançar mais poeira para os olhos que um texto destes?

Hillary metida num sarilho que se não fosse quem é já estaria em frente a um juri e talvez a caminho da cadeia: Correspondência de Estado com material secreto feita fora dos sistemas seguros e dos registos legais.

Um filme a demonstrar a sua incompetência sobre o assassínio do embaixador.

O Partido Democrata a virar ferozmente à Esquerda, como acontece aos Partidos Socialistas no Ocidente fruto do Jornalismo que se faz.

O Politicamente Correcto, a táctica eleitoral do Partido Democrata digna de um Partido do Apartheid Sul Africano a chegar a paroxismo com edifícios só para negros em Universidades Americanas.

Ainda mais extrordinária é a contenção que o sistema é arcaico, com uma lista de defeitos que são parecidos com os nossos...

E como cereja no cimo do bolo temos o ultimo parágrafo, até parece que tal não acontece com Obama que só destruiu a confiança de muitos países Aliados.
Natural uma vez que o inimigo para Obama são os Republicanos, tivessemos um Presidente Republicano e coisas destas seriam primeiras páginas:

Desprezar a importância do Estado Islâmico chamado-lhes fraternidade universitária.

Mesmo antes dos ataques em França, dizer que o Estado Islâmico está contido.

Mesmo antes do ataque do Estado Islâmico dizer que as pessoas podem estar seguras.

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De Vento a 31.01.2016 às 19:44

Sobre as eleições americanas não vou dizer absolutamente nada, porque, apesar de conhecer o perfil dos candidatos, não acompanho com o necessário rigor para que possa opinar convenientemente.

Todavia, verifico umas quantas afirmações que presumo necessitem ser mais debatidas.

Diz o Luís, "A América é um império relutante, que ao longo da sua História manteve políticas de isolamento, sobretudo após intervenções externas". Ora bem, o sistema financeiro americano, antes do primeiro crash bolsista (1929-1939), era porto de abrigo aos investimentos dos estados europeus, pois as aplicações feitas tinham taxas de juro significativamente elevadas e favoráveis.
Depois da intervenção militar efectiva americana na Europa, está não só se manteve até à queda do muro em solo europeu (mas não só) como também elaborou o célebre plano Marshall, e materializou-o. Mas estas relações são o complemento das políticas levadas a efeito desde a I Guerra Mundial, que em nada eram isolacionistas.

Só na era Reagan/Thatcher é que se tornou mais isolacionista em virtude da aliança USA/UK. Aliás é esta aliança também que está por detrás da possível saída do UK da UE.
Mas as razões objectivas não são isolacionistas. Com uma Europa que não se entende, nem nunca se entendeu, e com uma Alemanha que continua a revelar uma ineficácia absoluta quando entende que deve governar por sua própria cabeça, quem está na disposição de entrar neste jogo?
Mais, ainda recentemente a França deu o mote de que as sanções contra a Rússia deviam cessar (e eu concordo). E cessarão.
Neste contexto o que assistimos não é uma política isolacionista, é antes uma alteração ao esquema tradicional em que se dividia o mundo. Continuar a olhar para o mundo segundo uma perspectiva de blocos é revelar que o único bloco que se torna visível é a carrada de esclerose que vai nas mentes das pessoas. Obama revelou que não possui tal visão do mundo. Aguardemos pelo próximo.
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De Luís Naves a 01.02.2016 às 19:12

Quando escrevo que o céu é azul, lá aparece um comentário da sua autoria a dizer que não, o céu é verde. Se eu escrever que é verde, é evidente que aparece um comentário seu a dizer que afinal é azul. A expressão" império relutante" não é original, foi utilizada por vários autores, nomeadamente Niall Ferguson , que terá suficiente conhecimento da História americana para fazer essa afirmação. É evidente que depois da II GM , os EUA não se tornaram isolacionistas , ou teriam perdido a Guerra Fria, mas por cada intervenção externa existe a correspondente reacção interna contra as aventuras no exterior. As guerras da Coreia, do Vietname e do Golfo são casos demasiado evidentes desse padrão. Claro que a discussão tem componente ideológica. Para quem achar que os EUA são um império maléfico e perigoso, tudo o que aconteça no mundo é exemplo de imperialismo americano. Numa análise mais serena, é óbvio que a América tem condições de acção externa superiores ao que faz. Também é sabido que a opinião pública americana não tem opiniões fortes sobre nenhum conflito mundial, à excepção do Médio Oriente, por razões particulares, que levariam muitos posts a explicar. De resto, os americanos estão-se nas tintas para crises, que só interessam às elites académicas, militares e económicas. O povo, esse, não dá um voto pelo Kosovo, Myanmar, Raqqa , Coreia do Norte, migrações balcânicas ou tiroteios no Darfur .
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De Vento a 01.02.2016 às 20:39

As leituras são livres. Ao introduzir essa linguagem policromática, que não corresponde à intenção do meu comentário, estou em crer que o Luís terá ficado incomodado com os exemplos, sem razão para isso.
Por outro lado, parece-me que o Luís vê os meus comentários em termos de disputa e também em termos ideológicos. É pobre essa leitura e errada a sua interpretação.

E continua com exemplos que não correspondem à realidade. A guerra do Coreia e do Vietnam mostrou-nos a divisão desses dois países, onde se manteve também a influência norte-americana. No caso do Golfo também não é correcta tal afirmação, na medida em que sua presença se faz sentir directamente em vários países da região (nomeadamente, entre outros, Iraque, Turquia, Arábia Saudita e Israel). Creio que também dirá que estou certo nesta afirmação. E como estou, a questão policromática prova-se incorrecta.

No restante que produz introduz um carácter especulativo, e por isto mesmo eu não produzirei qualquer comentário.
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De Fernanda a 31.01.2016 às 19:57

É inacreditável que depois dos desmandos do super populista candidato republicano, xenófoba, sexista e atrever-me-ia mesmo a dizer energúmeno, o comentador anterior só tenha palavras para os mais ou menos moderados candidatos democratas. È caso para se dizer que:
o comentário diz muito mais acerca do comentador do que dos comentados.
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De JgMenos a 01.02.2016 às 10:50

O isolacionismo dos USA vai pesar nos orçamentos de defesa europeus ou nas cedências em tratados comerciais...a ver.

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