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Delito de Opinião

Presos por um fio

José Meireles Graça, 29.04.21

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Vasco Pulido Valente disse algures (cito de cor) que os Portugueses gostariam de História se alguém a escrevesse.

Este livro é sobre um período de terror na nossa História recente, isto é, entre 1980 e 1987, quando mais de metade dos Portugueses hoje vivos já tinha vinte anos ou mais no primeiro daqueles anos, e do que se seguiu para estancar a ferida.

Todavia, nem por isso boa parte dos sucessos descritos é do conhecimento da quase totalidade das pessoas: uns porque nem na altura foram divulgados; outros porque foram mas de forma enviesada; e todos porque fazem parte de um período negro que o bem-pensismo oficial à época desvalorizou e depois sempre quis fazer esquecer.

Esquecer os factos, o manto de silêncio que sobre eles se abateu e a “reconciliação” que pôs, pelo perdão das penas, uma tampa ao terrorismo da extrema-esquerda sem que as vítimas tivessem, na equação, alguma espécie de compensação, justiça ou sequer lembrança.

Mas houve assassinados (18) e feridos (mais do que isso). Os assassinos, e sobretudo os seus mentores, andam por aí sem sinais de arrependimento, e dão entrevistas, e conduzem as suas vidas como se convicções políticas que originaram crimes hediondos pudessem gozar de alguma forma de respeitabilidade.

Não há no livro nem viés ideológico, nem espírito revanchista. Há uma narrativa rigorosa e desapaixonada, fundada numa investigação exaustiva, de aspectos mal conhecidos de um passado recente. E sim, os Portugueses, ao menos os que leem, poderão, por grande que seja o seu distanciamento destas coisas, ficar a conhecer uma parte essencial da meninice do nosso regime democrático.

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