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Presidenciais (34)

por Pedro Correia, em 24.01.16

1. Não haverá segunda volta. O País é poupado a três semanas extra de campanha que se destinariam apenas a ampliar a vitória hoje conseguida por Marcelo Rebelo de Sousa, com 52% dos sufrágios. Vencendo em todos os distritos do País.

 

2. Nenhum partido pode reclamar este triunfo. É um capital político de Marcelo, pessoal e intransmissível. Ele fará desse capital o que entender. E não vai desperdiçá-lo, estou certo disso.

 

3. Não havendo partido vencedor neste escrutínio, há um partido claramente derrotado. O PS de António Costa, que perdeu por falta de comparência - algo inédito em 40 anos de vida democrática. A ausência de clareza paga-se cara.

 

4. Sem candidato oficial, os socialistas tiveram no entanto um candidato oficioso. Que contou com parte do aparelho do partido, o apoio do presidente do PS e cinco ministros em comícios (Adalberto Campos Fernandes, Augusto Santos Silva, Capoulas Santos, Eduardo Cabrita e Vieira da Silva). Tanto aparato para nada.

 

5. Sampaio da Nóvoa candidatou-se para "unir a esquerda". Não só não a uniu como conseguiu dividir as hostes socialistas. Com 22,9%, rejeitado por mais de três quartos dos eleitores, é um dos derrotados da noite. Recolheu menos de metade dos votos obtidos por Marcelo.

 

6. Maria de Belém protagonizou uma campanha que merece figurar em futuros manuais como exemplo de tudo quanto não se deve fazer: errante, desconexa, sem força anímica nem fio condutor. Obteve apenas 4,2% dos votos: sai humilhada das urnas.

 

7. Nunca o PCP, em nome próprio ou por interposta figura, teve tão pouca expressão eleitoral: Edgar Silva, sem chama nem carisma, quedou-se nos 4% - pouco acima do Tino de Rans, que chegou aos 3,3%. Prova de que as personalidades contam, até num partido colectivista.

 

8. Marisa Matias é, após Marcelo, a segunda vencedora da noite. Fez uma boa campanha, sem chavões, usando uma linguagem que todos entenderam. Confirma a importância crescente das mulheres na política portuguesa. E, com 10,1%, alarga a influência social do Bloco.

 

9. Algumas luminárias, sempre desconfiadas da capacidade de julgamento dos eleitores, receavam um crescimento das forças populistas. Não havia motivo para tanto receio. Os portugueses não votam às cegas. E sabem distinguir o trigo do joio.

 

10. Estas presidenciais terão consequências inevitáveis na base de apoio do Governo. Os comunistas, que em três meses ficam pela segunda vez atrás do BE nas urnas, farão a partir de agora um esforço acrescido de autonomia. Para evitarem pagar um preço eleitoral futuro ainda maior que os conduza à irrelevância actual dos partidos irmãos em França ou Espanha, reduzidos a escombros. Costa que se acautele.

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10 comentários

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De Manuel a 25.01.2016 às 00:27

Acho que o maior derrotado destas eleições é o PCP.
O vencedor, MRS, apenas calou-se e ficou à espera do dia das eleições. Venceu sem surpreender ninguém.
O segundo prémio da noite vai para Marisa Matias e BE - desde que as Amazonas tomaram o partido ele está crescendo e apagando o PCP. O BE é já a moda oficial do eleitorado mais novo.
E Tino de Rans é o voto de protesto. Com votos que carregam uma mensagem bem à maneira daquelas que o Zé-Povinho mandava, que com a dose certa de escárnio lá ia mostrando à classe dominante que não era burro nem cego.
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De Pedro Correia a 25.01.2016 às 10:10

O PCP é suplantado no segundo sufrágio consecutivo (o primeiro foi a 4 de Outubro) pelo Bloco de Esquerda.
Foi duramente penalizado.
Pelos seguintes motivos:
1. Pelo candidato que escolheu. Edgar Silva foi um fraquíssimo representante comunista, talvez o mais fraco de sempre. Grau zero de carisma, incapacidade total de comunicação. Se a ideia era lançá-lo numa espécie de tirocínio como sucessor de Jerónimo, esse plano falhou.
2. Pelas opções que assumiu. O PCP tem como base identitária e força motriz ser um partido de protesto. Ao assinar o pacto com António Costa assumiu-se como parte integrante de uma maioria governamental. Descaracterizou-se fatalmente.
3. Pela linguagem que teima em escolher. Ao refugiar-se num jargão que só os militantes comunistas utilizam, e em 'slogans' com mais de 40 anos, o PCP assume uma estratégia de 'bunker', datada, sem se abrir à sociedade e aos tempos actuais. Ao contrário do que faz o BE.
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De Manuel a 25.01.2016 às 11:39

Pois eu acho que o BE já soma 3 vitórias sobre o PCP. A primeira é talvez a que dá o grande impulso para as duas vitórias eleitorais seguintes e pertence a Mariana Mortágua pelo seu excelente desempenho na comissão de inquérito ao caso BES. Aquilo teve mais audiência que a "Quinta".
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De Pedro Correia a 25.01.2016 às 11:55

Curiosamente, ainda não escutei nenhuma feminista de turno insurgir-se contra a infeliz alusão do secretário-geral do PCP às candidatas "engraçadinhas" do Bloco de Esquerda.
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De Manuel a 25.01.2016 às 12:03

Ele vai ter resposta, mas como o actual momento político exige cautela não é prudente reagir a provocações.
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De Pedro Correia a 25.01.2016 às 16:19

Ah, é tudo uma questão de oportunidade. Pensava eu que era uma questão de princípio.
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De Manuel a 25.01.2016 às 18:25

Se era para eu rir eu ri.
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De Pedro Correia a 25.01.2016 às 18:39

Então já somos dois.
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De JAB a 25.01.2016 às 10:45

Não sou muito de comentários políticos, mas:
1) A derrota de António Costa "por falta de comparência" foi a minha opinião expressa no meu ambiente, ao contrário dos comentadores que o davam como não perdedor por não se ter "comprometido". Agradou-me ver aqui essa expressão e fico contente por não ser original.
2) A surpreendente derrota e talvez mesmo o início da derrocada do PCP. Meteu pena o discurso do candidato, mas pior foi o do Jerónimo ressabiado. Ainda bem que o Edgar saiu de padre... não vale mesmo nada; e para padre quer-se "carisma"...
3) Não partilho o optimismo à volta de Marisa Matias; teve os votos do pessoal da esquerda que não se compromete, que apenas diz mal, que não quis votar Edgar nem Sampaio, mas era suficientemente "snob" para protestar votando Tino. Esse fez o seu papel...
4) Maria de Belém fez mais mal ao PS do que se imagina. Nomeadamente ao PS Histórico. Bastou ver a tristeza do Alegre, o ar murcho do Jardim o nervosismo do Alberto Martins que, pelo menos, tiveram a dignidade de não se esconder.
5) A "lealdade" jurada de Costa é patética.... hipócrita... De facto, quem é que acredita que ele é mesmo PM?
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De Pedro Correia a 25.01.2016 às 11:04

Caro JAB, pegando apenas no seu último ponto: Costa é um pragmático. Pouco lhe importam as ideologias e os debates carregados de retórica. Interessa-lhe apenas o poder, só o poder. É a escola política dele, desde que começou a militar na JS, aos 14 anos. O poder conquista-se e não se larga. Jamais ele faria o que fez Seguro.
Todo o percurso recente dele - desde a defenestração de Seguro na sequência da vitória do PS nas europeias aos acordos à porta fechada que assinou com BE e PCP, passando pelo impulso que deu a Nóvoa sem no final acabar por apoiá-lo expressamente - deve ser lido à luz deste facto. A pura apetência pelo poder.
O que lhe interessava, neste caso, era a vitória de Marcelo à primeira volta. Porque o triunfo de MRS era inevitável e uma segunda volta forçaria Costa a entrar na arena, apoiando o opositor do futuro PR num combate de antemão condenado ao fracasso, toldando o futuro relacionamento institucional e pessoal com o próximo inquilino de Belém.
Na noite eleitoral de ontem, portanto, ele era seguramente um dos mais satisfeitos. Apenas a fortíssima quebra eleitoral do PCP lhe pode ter suscitado alguma apreensão.

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