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Presidenciais (30)

por Pedro Correia, em 20.01.16

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 Foto Mário Cruz/Lusa

 

Não adianta iludir o iniludível. O PS tem candidato nesta eleição presidencial: chama-se António Sampaio da Nóvoa. A garantia do líder socialista de que sabe "muito bem" em quem votará, expressa no mesmo dia em que o presidente do partido manifestou o apoio público a Nóvoa e em que o candidato teve o frente-a-frente televisivo com Marcelo Rebelo de Sousa, desfez as últimas dúvidas.

Mas não desfez a sensação de que faltou envergadura ao secretário-geral do PS em todo este processo.

A ausência de clareza é um dos pecados maiores da nossa vida política. Julgo que as manobras de dissimulação em que o PS se enredou durante meses a propósito das presidenciais em nada beneficiarão o partido. António Costa andou a milhas do desassombro que se exige dos políticos aspirantes a ser estadistas. Se não fosse assim, teria pronunciado com todas as letras o apoio a Nóvoa.

Tresanda a hipocrisia a tese oficial da "neutralidade" do partido, logo quebrada por Carlos César - figura cimeira na hierarquia oficial do PS - na senda do que já havia feito Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta, braço direito de Costa. Um partido "neutral" não envolve o aparelho de norte a sul do País numa dispendiosa campanha que jamais poderia ser assumida pelo candidato independente nem manda avançar cinco ministros para os palcos dos comícios num momento em que o Executivo elabora a contra-relógio o próximo Orçamento do Estado, prioridade máxima da governação.

Numa eleição presidencial cujo vencedor se anuncia sem suspense algum, o PS acabará por perder sempre. Porque sai dela mais fragilizado e dividido do que entrou. E mais fragilizado ainda sairia se Maria de Belém tivesse o estofo e o fôlego revelado em 2006 por Manuel Alegre, outro vulto do partido abandonado pela estrutura dirigente numa campanha que começou mal e terminou pior para a máquina socialista.

Na noite de domingo e na manhã de segunda-feira muitos questionarão Costa se mereceu a pena pagar o preço de mais uma derrota eleitoral e de uma nova querela interna que deixará feridas ao envolver a sua nomenklatura no apoio não assumido a um académico sem filiação partidária e sem sombra de carisma que permaneceu seis décadas escondido dos olhares públicos.

Eu antecipo-me, questionando-o desde já. Valeu de quê este flirt com Nóvoa?


18 comentários

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De jo a 20.01.2016 às 12:33

Entretanto do outro lado lá tiveram de engolir um sapo e apoiar o catavento.

Isto sem ir a acções com o candidato.

É a política do "fumei mas não inalei".
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De Pedro Correia a 20.01.2016 às 13:37

Essa sua variação de flanco fez-me lembrar uma tirada do Tino de Rans no debate de ontem na RTP quando abriu a boca para dizer que nada do que os outros tinham afirmado merecia interesse. "Vocês deviam era dormir com um sem-abrigo, como eu fiz a noite passada. Aprende-se mais com ele do que com vocês", declarou o candidato (cito de cor).
Agasalhe-se. As noites estão frias.
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De airam a 20.01.2016 às 13:18

O que lhe falta na envergadura, sobra-lhe naquilo que é mais perigoso... a sonsice.
Portanto, para quê perguntar o que nunca poderá vir a saber?
Quanto ao valor ou quanto ganhou... isso, eu era capaz de apostar num provérbio árabe (que lhe fica melhor que um provérbio nacional)... "A palavra é prata, o silêncio é ouro"
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De Pedro Correia a 20.01.2016 às 13:51

A pergunta não tardará muito a encontrar resposta. Desde logo pela ampliação das feridas internas no PS, que permanece num clima de guerra civil de baixa intensidade. Guerra de que a "fuga de informação" de ontem relacionada com o Tribunal Constitucional visando Maria de Belém, a três dias do fim da campanha eleitoral, foi apenas mais um episódio.
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De JSP a 20.01.2016 às 13:56

"académico", I presume...
O outro também se fez passar por engenheiro, sendo simples bicharel...
O micro-clima " sucia" deve ter alguma coisa a ver com estes fenómenos...
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De Pedro Correia a 20.01.2016 às 15:26

Julgo não haver a menor dúvida quanto ao título académico de Sampaio da Nóvoa. Essa questão foi suscitada por um candidato que não tinha assunto durante a campanha - e ontem só acabou por voltar ao tema quando os jornalistas da RTP justamente o a desafiaram a fazê-lo olhos nos olhos. O que diz muito sobre a frontalidade desse candidato.
Não é por aí que Novoa deve ser criticado.
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De M. S. a 20.01.2016 às 18:50

Caro Pedro:
Na mouche.
Do ponto de vista académico, tanto no aspecto formal como no prático, a que acrescento o seu papel como gestor da universidade, 4 anos como vice-reitor e 7 como reitor, é uma pessoa irrepreensível.
Quem nos dera termos muitos como ele.
Já politicamente como candidato tem sido uma profunda decepção para mim.
Já o afirmei aqui várias vezes, a propósito de comentários seus depreciando-o, no que tenho considerado ir um pouco além da apreciação dos aspectos políticos.
----------
P. S. É estranho que num país em que quase toda a gente passa o tempo a clamar por reformas, ele tenha sido o motor (a que outros se juntaram) da maior e mais profunda e profícua reforma da universidade feita entre nós desde há décadas (reforma que muitos consideravam impossível, aconselhando-o a não se meter nisso, só iria ter chatices) e esta seja sistematicamente ignorada apenas porque é um crédito em seu favor.
Somos. de facto, como comunidade, estupidamente masoquistas.
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De Pedro Correia a 21.01.2016 às 00:00

Caro M. S. convença-se disto: vivemos num País que despreza profundamente quem faz reformas.
Já pensei o contrário, mas estava enganado.
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De Anónimo a 20.01.2016 às 14:03

Costa apoia quem quer e ninguém tem nada a ver com isso. Ele é ele, o PS, segundo ele, vota em quem quiser, embora posteriormente tivesse aconselhado e não imposto, o voto, em gente do PS, Maria e Nóvoa. Menos correcto esteve Passos que disse que Marcelo era um cata-vento e depois, já não era e era bom. Ninguém questionará Costa. Costa não disse votem neste ou naquele porque o PS assim o quer, já Passos será sempre confrontado com o cata-vento que o deixou de ser de um momento para o outro. O PSD disse que Marcelo era o candidato do partido. O PSD apoia cata-ventos? Isto é que não é normal.
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De Pedro Correia a 20.01.2016 às 15:30

Passos apoia quem quer e ninguém tem nada a ver com isso.
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De Anónimo a 20.01.2016 às 16:26

Costa deu liberdade de voto, Passos disse que o candidato Marcelo apelidado por ele de "cata-vento" era o candidato do PSD. É aqui que está a diferença.
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De Pedro Correia a 20.01.2016 às 17:01

Você parece um cata-vento. Ainda receberá o voto de Passos.
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De airam a 20.01.2016 às 16:51

Curiosamente, o anónimo explica bem a natureza de Costa... "Primeiro está Costa, depois o PS"... calculo que o país, estará no fim da longa lista, das suas prioridades. No fundo, alguém que gosta de se sentir como o rei do pedaço e aqui, pensaríamos que estaria tramado, sem os apoiantes do seu próprio Partido e aqui, Costa tem um trunfo porque, por acaso, no seu Partido eles são numerosos e, facilmente reconhecíveis quando, alinham facilmente no "Costa está em 1º" que se lixe o resto. Seja dentro ou fora do PS, Costa sabe que nunca lhe faltarão... Os Apreciadores das Migalhas que caem da mesa do Rei... e, nisso, ele é mesmo bom... basta ver a quantidade das migalhas distribuídas em tão pouco tempo ;)
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De Pedro Correia a 20.01.2016 às 17:31

Eu aprecio o inestimável contributo do anónimo para o debate político com frases como estas:
"Ninguém questionará Costa."
"Costa apoia quem quer e ninguém tem nada a ver com isso."
Fiquei rendido.
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De airam a 20.01.2016 às 18:17


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De Anónimo a 20.01.2016 às 19:54

Caro Pedro ninguém vai poder dizer que Costa como secretário geral disse: eu apoio o A. Renda-se às evidências, faz muito bem.
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De Pedro Correia a 20.01.2016 às 23:58

Costa apoia António. Estou certo disso.
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De do norte e do pais a 20.01.2016 às 21:31

costa sempre foi aldrabão, logo tende a fazer tudo pela calada. No final faz mesmo tudo pela calada porque para além de aldrabão é incompetente.

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