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Presidenciais (26)

por Pedro Correia, em 12.01.16

Oiço comentadores televisivos, muito enojados, defendendo a discriminação entre candidatos presidenciais. Do alto das suas tribunas na pantalha, onde quase nunca têm nada de relevante a dizer, alguns destes comentadores, incluindo jornalistas, proclamam ao País que vários desses candidatos não deviam ter concorrido e que é uma maçada os órgãos de informação terem o dever deontológico de acompanhar minimamente todas as campanhas no terreno.

Facto notável, este: ouvir jornalistas a defender a discriminação. Com todas as letras.

Um desses jornalistas/comentadores chegou ao ponto de defender que jornais e televisões deviam seleccionar a cobertura desta corrida presidencial em função do que dizem as sondagens, ignorando tudo quanto não se encontrar "bem posicionado" nos inquéritos de opinião. Trata-se, por sinal, da mesma figura que anda há anos a clamar pela necessidade de haver "profundas alterações" na política portuguesa, com novos rostos e novos nomes.

Escuto outra, eleição após eleição, suspirando de nostalgia: antigamente, sustenta esta, é que havia campanhas políticas feitas de emoção e com personalidades de altíssimo nível. Esquece que nessa altura ela própria já falava assim das anteriores. Para certas criaturas o tempo óptimo é sempre aquele que ficou para trás. Um dia dirão isso mesmo do tempo actual.

Adoro estas certezas de geometria variável, sempre sujeitas aos ventos dominantes. Alguns, quanto mais apelos fazem à mudança, mais desejam que nada mude.

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25 comentários

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De Luís Lavoura a 12.01.2016 às 10:48

Excelente post, Pedro. Muito bem!!!

Note-se que estes jornalistas (chamemos-lhes assim - na verdade, são meros funcionários de quem lhes paga) têm menos razão ainda quando se trata de eleições presidenciais, porque, nelas, todos os candidatos tiveram que fazer o mesmo esforço - coletar 7500 assinaturas - para se candidatarem. Enquanto que nas legislativas um partido só coleta assinaturas uma única vez - que pode já ter sido há muitíssimos anos - e a partir daí pode concorrer de todas as vezes, mesmo que já tenha pouquíssimos militantes. Nas eleições presidenciais, pelo contrário, todos os candidatos têm que demonstrar que têm um mínimo de popularidade, aqui e agora.
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De Pedro Correia a 12.01.2016 às 18:47

Precisamente.
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De jo a 12.01.2016 às 11:54

Pior que isso, vi comentadores muito enjoados por existirem 10 candidatos. Opinavam que só se deviam candidatar os candidatos sérios e que o facto de muitos se candidatarem é uma falha da democracia.

Parece que acham que somos todos iguais, mas uns são mais iguais que os outros.
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De Pedro Correia a 12.01.2016 às 18:47

Por vontade desses enojados seriam eles próprios a designar quem merecia ou não candidatar-se.
E alguns ainda se atrevem a falar em "valores republicanos" sem morderem a língua...
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De Custódia C. a 12.01.2016 às 13:03

Gostei! Assim de repente ocorreu-me a célebre frase de Tancredi "Se queremos que tudo fique como está é preciso que tudo mude… "
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De Pedro Correia a 12.01.2016 às 18:46

Precisamente, Custódia. Eu é que gosto sempre de vê-la por cá.
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De lucklucky a 12.01.2016 às 13:14

Jornalistas que querem mudar o mundo, logo vêem-se como a elite, a aristocracia. Falar com o candidato xyz que terá 5000 votos é uma perda de tempo nessa missão. Q
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De Pedro Correia a 12.01.2016 às 18:46

Essa atitude não é jornalística. O jornalista valoriza a novidade. A notícia, por definição, é aquilo que é novo, não aquilo que já é conhecido.
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De Mal por mal a 12.01.2016 às 13:28

E porque não 3ª volta?

Entre Tino de Rãs e o padre de Câmara de Lobos?
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De Pedro Correia a 12.01.2016 às 18:45

E até uma quarta volta, porque não?
Entre anónimos das caixas de comentários.
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De Eduardo Louro a 12.01.2016 às 13:37

Completamente de acordo, Pedro. E dizem mais, dizem que isto "mata" o jornalismo (se calhar "mata" mesmo alguns jornalistas) porque lhe retira o critério, obrigando-os a tratar por igual aquilo que é diferente. Mas o problema está mesmo no critério. E na falta dele...
E por falar em critérios, não seria mau que todos esses senhores e senhoras começassem por nos dizer a que critérios deveriam os candidatos obedecer. Podia ser que a Constituição os pudesse aproveitar.
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De Pedro Correia a 12.01.2016 às 18:44

Caro Eduardo, os mesmos que falam em "critério jornalístico" pretendem afinal guiar-se pelo "critério" das sondagens. E nem reparam até que ponto estão a cair em contradição...
Choca-me sempre ver jornalistas desdenhar e renegar tudo quanto é novo. Só apostam no acompanhamento dos consagrados, naquilo que já conhecem. Esta é uma atitude anti-jornalística por excelência: o jornalismo tem a obrigação de ser sempre sensível à novidade.
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De Justiniano a 12.01.2016 às 15:32

...Esquece que nessa altura ela própria já falava assim das anteriores. Para certas criaturas o tempo óptimo é sempre aquele que ficou para trás. Um dia dirão isso mesmo do tempo actual.... Delicioso, caro Pedro Correia. Não acrescentaria mais nada ao que aqui disse. Apenas para o secundar.
Um bem haja,
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De Pedro Correia a 12.01.2016 às 18:42

Obrigado, Justiniano. Um abraço.
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De xico a 12.01.2016 às 17:22

Aceito as críticas dos comentadores aos jornalistas quando tiverem a coragem de me dizer que não se importariam que Tino de Rans fosse presidente da República. Se acham que alguém que não consegue entender o que está na constituição se pode candidatar ao cargo. É preciso não cair na esparrela do politicamente correcto e dizer que não. Nem todos nós nos podemos candidatar a todos os cargos.

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De Pedro Correia a 12.01.2016 às 18:41

Quem tem 35 anos, está na posse dos direitos políticos e reúne as assinaturas previstas na lei candidata-se a Presidente da República.
O elemento mais diferenciador do sistema republicano na comparação com o monárquico é precisamente este: qualquer um pode chegar ao topo do Estado. A escolha compete ao conjunto dos eleitores.
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De xico a 12.01.2016 às 20:52

Quem assina por tais candidatos fá-lo porque sabe que não ganhará. É por isso que eu, Pascal e Erasmo preferimos a monarquia que não sendo razoável é o melhor dos sistemas possíveis.
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De Pedro Correia a 12.01.2016 às 22:27

Tem todo direito de defender essa forma de Estado. Considero aliás um erro grave a Constituição Portuguesa blindar o sistema republicano. Devia ser possível organizar um referendo sobre o sistema de Estado que os portugueses preferem. Esta é uma das várias alterações à nossa lei fundamental que eu defendo.
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De Anónimo a 12.01.2016 às 18:07

E, no entanto...
mudar é preciso!
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De Pedro Correia a 12.01.2016 às 18:39

Mude-se os comentadores também. Alguns são os mesmos há décadas. A dizer sempre o mesmo.
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De cristof a 12.01.2016 às 19:48

Apoiado. Estes "democratas"que baseiam a sua superioridade em factos tão relevantes como o comer bolo rei com uma elegancia supimpa, imagino-os com destacados membros da provavelmente saudosa comissão de censura; conheci alguns e comparando,certo que a memoria nos atraiçoa, mas parece-me que estes de hoje são ligeiramente mais broncos do que esses outros.
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De Pedro Correia a 12.01.2016 às 19:54

Alguns censores agora são mais subtis, Cristof. Outros nem isso.

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